quinta-feira, 21 de maio de 2009

Sabedoria de Umbanda - IV (final)

A linha ou força de Oxalá, conforme já mencionei, é reverenciada e respeitada como a mais elevada. Nos candomblés, em jogos de búzios, quando os orixás não respondem ao consulente, pede-se especial licença para Oxalá dar uma luz, enviando assim uma caridade. Se ele responder abre-se um caminho, caso contrário o consulente não terá qualquer resposta naquele dia.

Mas as linhas de Umbanda não atuam como departamentos estanques e blindados, pois não é assim que se manifestam as forças da natureza. Há uma intrarrelação viva e atuante de uma linha para outra e trânsitos de entidades. As entidades de Umbanda, quando de suas manifestações de uma para outra linha, em regra geral se apresentam como caboclos ou caboclas, e suas origens são identificadas pelas posições do corpo quando chegam, andam ou dançam, por sinais das mãos e dedos, posições de braços e pernas, pelos detalhes nos pontos riscados, pelos seus nomes, pelos pontos cantados no terreiro que mais os fazem vibrar, - aos quais saúdam com característicos brados e posturas, - e por seus próprios cantos. Assim temos, caboclos ou caboclas de Oxalá, de Oxossi, de Xangô, de Ogun e de Oxun e das crianças quando aparecem como "caboclinhos das matas". Nas linhas de Oxun e Yemanjá ocorre algumas mesclas com yaras, sereias ou ondinas. As demais entidades possuem outras caracterizações especiais e podem assumir diferentes formas personificadas quando atuam em certas linhas.

A Umbanda detém muitos mistérios que as próprias entidades não têm permissões para revelar, senão em determinadas ocasiões e sob orientações superiores. Daí que as diversas correntes de estudiosos e praticantes parecem possuir somente pedaços de um mosaico que vão dando tratos e os juntando, a fim de montar o tabuleiro. O passado de Umbanda, como vimos, remete a continentes desaparecidos e a épocas anteriores aos tempos bíblicos. Com efeito, as diversas culturas continentais surgem na Umbanda através de entidades trazendo algumas características étnicas e conhecimentos diversos da magia.

As sete linhas ou forças que sigo: Oxalá, Yemanjá, Oxun, Ogun, Xangô, Oxossi, e Crianças, podem ser refutadas por quem prefira anotar umas em substituições a outras. Prefiro adotar estas representações como símbolos pelo fato de as linhas de Umbanda se constituir a partir de forças da natureza, com mesclas de categorias de espíritos que se manifestam com poderes psíquicos superiores.

A Umbanda não considera exu um orixá, conforme o consideram os candomblés, - e não pelo fato de entrar nessa categoria almas inferiores de humanos desencarnados tanto de nosso mundo dito civilizado quanto de povos primitivos. Isso talvez possa parecer contraditório, conquanto exu de Umbanda representar uma categoria especial de entidade.

Exu, na sua citação mitológica, não provém do mundo das almas, embora o situem com todos os defeitos humanos, o que é puramente falso. Exu, por definição geral e estereotípica, é um agente cósmico universal; está diretamente relacionado ao éter e se traslada pelos espaços com inteira facilidade e conhecimento, lembrando o mensageiro Mercúrio. Embora haja exu nos quatro elementos, ele não é produto dos quatro elementos da terra, mas domina sobre aqueles elementos. Na Umbanda deve obediência aos orixás maiores ou menores, sendo um trabalhador imprescindível nas demandas. Há outros mistérios sobre exu, e ao contrário das lendas, seus poderes também são limitados aos trabalhos que lhe são mandados realizar, havendo uma escala evolutiva onde se situa de acordo com o que saiba realizar e sua competência. No entanto, a Lei de Umbanda materializa-se segundo todos os preceitos e regras que se voltam unicamente para o bem e a caridade. Contudo existir práticas de magia e mediunismo se utilizando dos recursos mágicos de exu para realizar tanto o bem quanto o mal, estão associadas a outros interesses, portanto nada tendo a ver com Umbanda embora se identifiquem como tal. E nem vou aqui traçar uma linha divisória entre a chamada Umbanda branca e a não branca, porque Umbanda é somente magia branca, - mais uma vez enfatizo, - não havendo qualquer possibilidade de um amálgama com outros tipos de magias e continuar sendo Umbanda.

Sobre pretos-velhos, não os relaciono numa linha de orixás, porque não são de fato. Pretos-velhos simbolizam a aplicação das leis da magia através do conhecimento e iniciações em qualquer cultura. As entidades caracterizadas em pretos-velhos trazem com elas as manhas e artifícios que podem mudar situações, no entanto não podem avançar sobre determinadas forças da natureza sem invocar o auxílio dos orixás que incorporam os quatro elementos e principalmente exu. Mas o saber das leis da magia milenar confere-lhes autoridade na Umbanda, e, de acordo com suas conquistas na hierarquia, comandam falanges de trabalhadores das mais diversas categorias. Pretos velhos nos candomblés são considerados eguns, pelo fato de nascerem e renascerem nos processos evolutivos naturais como todas as almas humanas.

A linha de crianças atua sobre o psiquismo dos médiuns e consulentes, mas de forma diferente de Xangô. Crianças nas posições mais elevadas da linha, jamais foram humanas, jamais encarnaram na Terra, e pertencem a uma categoria de espíritos puros chamados comumente devas, assumindo posturas infantis. Nas camadas mais inferiores da linha desses orixás especiais, podem existir almas humanas infantis, e existem de fato, mas incorporam em seus corpos astrais os princípios da pureza e qualidade psíquica com que caracteristicamente a linha trabalha. Crianças como orixás de Umbanda é outro de seus mistérios mais instigantes. Com tudo isso, possuem, ademais, poderes extraordinários também nas demandas.

Podem os estudiosos estranhar que Oxun e Yemanjá não sejam aqui consideradas uma só linha, pois representam a água. De fato, são forças do elemento água, mas há grandes diferenças entre a água doce das nascentes, dos rios, lagos, poços e da chuva e a água salgada do mar. As caracterizações das entidades naturais da água diferem em ações nos trabalhos de magia, quando ao transitar de uma linha para outra vêm atuar nas areias das praias, à beira mar, no raso ou fundo dos oceanos e nos rios. As matérias inorgânicas, os seres vivos e os elementos transformados quando interagem com as águas astrais nas aplicações da magia se diferenciam enormemente nos seus resultados, tal como acontece com as influências dos astros sobre diferentes elementos. Portanto, há diferenças que justifiquem duas linhas de orixás nas águas.

E como sabem os umbandistas, Oxalá representa o Pai, o comando hierárquico maior e o elemento ar. Yemanjá e Oxun representam o elemento água; representam tanto a mãe, quanto as forças femininas que se contrapõem principalmente ao fogo. Ogun é do fogo, dos metais e da guerra. Xangô também atua com autoridade sobre o fogo, metais e na constituição das ações de justiça, tanto quanto na assistência psíquica aos homens. A pedreira é, da mesma maneira, seu princípio material de ação e autoridade na Umbanda. Oxossi é das matas, da terra e de tudo o que se relacione à natureza animal e vegetal sob cuja ação em sua área possa intervir.

As denominações das linhas e orixás na Umbanda, ainda detêm quase completamente os significados dos cultos primitivos nas morfologias e aglutinações de vocábulos. No entanto, essas representações em quase todos os casos já são associadas aos santos e heróis da igreja, o que não deve motivar ódio e nem indignação dos religiosos mais extremados. As qualidades dos santos e suas encarnações, como símbolos vivos dessas mesmas qualidades, não são originais da igreja, pois todas as suas representações foram assimiladas das culturas gnósticas da antiguidade, bem como seus rituais e liturgia. A missa católica em si mesma, e todos os sacramentos, foram tomados dos antigos, como a palavra “Amém”, que lhes serve de mantra, lembrando “Amon” dos rituais egípcios que também era vocalizado em mantra.

Quando afirmo que a magia comum, e a alta magia, não foram inventadas por nenhum povo isoladamente, mas vieram se desenvolvendo ou se apurando segundo diferentes culturas, da mesma maneira isso se aplica para o sincretismo religioso que os escravos nas senzalas cunharam a fim de não serem punidos pelos seus senhores. As mitologias greco-romanas, as nórdicas, eslavas, sumérias, egípcias, babilônicas, maias, astecas, chinesas e outras do mundo antigo, também não distanciavam as qualidades de seus deuses, semideuses e heróis umas das outras.

Assim, na Umbanda, podemos relacionar alguns sinônimos com os orixás principais e com aqueles que entram em suas linhas, reconhecidamente autoridades, como segue: Oxalá (Jesus), Yemanjá (N.S. da Glória), Oxun (N.S. da Conceição), Ogun (São Jorge), Xangô (S. Jerônimo), Oxossi (S. Sebastião), Crianças (S. Cosme e S. Damião), havendo ainda, como disse, Yansã (Santa Bárbara), Nanã (Santa Ana), Obaluaiê (S. Lázaro) e Omulú (São Roque).

Falar sobre Umbanda é infinitamente mais do que apresentei em quatro partes. Considero aqui consignada somente uma pequena e pobre homenagem. E realmente não foi nada mais do que isso, pois seria trabalho árduo e para centenas de páginas buscar transcrever uma visão um pouco mais aprofundada das práticas desse fantástico movimento coordenado pelos sábios e magos do espaço, - que para tantos é religião, - eivado de magia e riquezas culturais correlatas, o que sequer passa pela minha cabeça assim ousar num blog ou fora dele.

Rayom Ra

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[ Os textos do Arca de Ouro, de autoria de Rayom Ra, podem ser reproduzidos parcial ou totalmente, desde que citada a origem ]

terça-feira, 19 de maio de 2009

Ciências, Evolução e Revelações Esotéricas - I

As ciências oficiais, embora desejem respaldar-se com provas concretas de tudo aquilo que apregoam, estão longe ainda de convencer através de seus atuais métodos investigativos e conclusivos. Para cobrir grandes lacunas de seus enredos acerca da criação do sistema solar, e especialmente do planeta Terra, passam a imaginar e não raro a delirar.

O religioso prende-se às cosmogonias e genealogias ensinadas por profetas, onde, de maneira geral, os simbolismos são tomados ao pé-da-letra, daí causarem absurdas conclusões ou deixarem questões lógicas irrespondíveis.

O esotérico tem outros métodos de assimilação. Seu conhecimento, diferentemente do compendiado pelas ciências acadêmicas, não necessita tão somente de provas cabais concretas. Se as tem, lança mão com o intuito de se respaldar quando necessário, mas se não as têm aprende a evocar de fontes da própria natureza, onde existe um leque muito mais amplo de elementos objetivos e subjetivos de que necessita.

As hierarquias responsáveis por trabalhar e sustentar o Grande Plano da Criação têm em suas fileiras ordens várias. A Fraternidade Branca Universal, que por si só é uma hierarquia planetária, e cuja maioria de seus representantes emergiu da humanidade terrena, está ligada às hierarquias ainda maiores denominadas Hierarquias Solares. Essas hierarquias maiores têm também o comprometimento de auxiliar as cadeias planetárias existentes no sistema solar, numa das quais a Terra participa e evolui juntamente com todo o seu esquema. Para essa grandiosa administração, os hierárquicos se distribuem em setores de diversos escalões.

O esotérico não compactua com a teoria evolucionista de seleção natural de Darwin e nem com a teoria da origem do universo após o big-bang, segundo entendem cientistas materialistas. Não há como admitir a criação do universo unicamente a partir da matéria. As ciências materialistas buscam introduzir uma doutrina científica a fim de evidenciar a não existência de um Criador, trazendo a si o foco da discussão e do saber. O mais absurdo de tudo é ouvir das ciências a afirmação de que as leis mecânicas estruturais do universo se organizaram inteligentemente da própria matéria. Esse obscuro pensamento materialista acaba por doutrinar alguns neófitos das ciências, tornando-os também ateus, e que passam igualmente a rechaçar toda e qualquer forma de existência fora da matéria física. Descartam a alma e o espírito e se tornam programados pelas teorias e pragmatismos das ciências concretas.

Está claro que a tecnologia avançada de nosso século se deve aos experimentos de homens inteligentes dedicados às ciências. Não fossem eles, o mundo hoje não desfrutaria do conforto, utilitarismo e apurada tecnologia. Mas há o reverso da moeda: se homens das ciências não fossem ambiciosos e o mundo empresarial capitalista não vivesse à busca do lucro fabuloso, grandes males da humanidade deixariam de existir. Governos, da mesma maneira, tiveram e têm suas responsabilidades ao também transformar as ciências e a tecnologia em instrumentos do mal.

A idade da Terra para o esotérico vai muito além do que supõem as ciências. Os cientistas materialistas entendem a Terra como uma massa rígida surgida há 4.5 bilhões de anos, que um dia, dizem alguns, poderá desaparecer em decorrência de muitas causas. Há hipóteses de que a Terra sofrerá um impacto monumental de um gigantesco cometa ou de outro corpo celeste errante: será destruída e a população humana inteira perecerá. Outros afirmam que quando o núcleo da Terra esfriar sua superfície estará coberta de gelo, tornando-se inabitável. Afirmam também que dentro de poucos milhões de anos o sol extinguirá o seu estupendo calor e todo o sistema solar virá desaparecer.

Se retirássemos um pouco de cada uma destas teorias talvez obtivéssemos alguma verdade.

O esotérico também admite que a o planeta Terra um dia desaparecerá, mas não da maneira sugerida e descrita pelos cientistas ateus. E nem o seu surgimento aconteceria exatamente como é relatado na teoria materialista da criação espontânea. O esotérico sabe que a Terra é um corpo celeste criado pela Mente do Logos para um objetivo adrede previsto de acolher vidas, dentro de um esquema inteligente e com propósitos divinos. Há ainda objetivos maiores e mais profundos a se descobrir ligados à real existência de nosso planeta, e que somente são revelados em pequenas partes a poucos iniciados de graus muito superiores. É sabido, também, nos meios esotéricos, que a Terra vem desempenhando seu papel no cenário objetivo por duas vezes; sairá de cena e tornará a reaparecer concretamente uma terceira e última vez.

Nessa freqüência, a Terra possui trilhões de anos, tendo sua natureza já se transformado completamente por duas vezes. Diríamos que o planeta se encontra neste momento na sua segunda encarnação física concreta. E neste último surgimento, somente para atingir o nadir da materialidade decorreram de 6 a 7 bilhões de anos. Sem computarmos, claro, sua vida pregressa considerada imaterial, segundo nossos parâmetros de matéria densa.

As ciências, por décadas, vêm pulando de uma teoria para outra, tentando se convencer de que a explicação materialista seja a única a satisfazer as necessidades de o homem entender suas origens.

A partir da renascença, da revolução francesa, dos movimentos do iluminismo e mesmo do humanismo, novos formatos do pensamento foram modelados por intelectuais, políticos e homens das ciências, apesar de todas as radicais diferenças e discussões que as idéias trouxeram. A imposição dogmática da igreja, através do despotismo da escolástica, perdeu terreno e influências sobre monarquias. As inquisições religiosas foram forçadas a acabar. Impérios se viram diante de novos desafios face à libertação da França de um regime feudal imposto ao terceiro estado, e final dos privilégios do clero e da nobreza, muito embora as lutas de classes continuassem. A Independência da América e o modelo democrático americano, que de certa maneira inspirara a revolução francesa, ajudaram também a reforçar na Europa a idéia de uma nova organização político-social, e a urgente necessidade da constituição de estados laicos.

O resultado dessas transformações nas sociedades veio permitir maior liberdade às ciências de contradizer as idéias religiosas, mas, em contrapartida, firmaram fortemente bases no ateísmo e materialidade.

Mas decorridos esses séculos de libertação teológica, tendo as ciências chegado a muitos impasses, a corda ameaça partir no meio, e de fato ali mesmo virá partir. Apesar de toda a sua doutrina, vem se tornando difícil para as ciências sustentar o pensamento materialista como antes, se continuarem a prescindir de uma super-mente para teorias mais avançadas. Essa super-mente, já pensam alguns cientistas, seria pré-existente a toda a criação, e teria estabelecido uma ordem evolutiva com integrações lógicas e perfeitas, intra-relacionadas a dimensões espaço-matéria de diversos padrões vibratórios - a mecânica quântica, como é atualmente conhecida.

Afinal, concluímos nós, de nada adiantou a aplicação lógica científica com a intenção de tentar apagar a idéia da pré-existência de um Criador e de sua imanência e transcendência em todo o universo. Mesmo porque a idéia do Criador está suficientemente calcada nas almas humanas de pelo menos 1/3 da humanidade global. Se por um lado a igreja possa ter contribuído para atrasar o avanço das ciências e a emancipação de uma sociedade justa e equitativa baseada em direitos universais, o ocidente, por outro lado, deve a esta mesma igreja o fortalecimento da crença no Criador, apesar de todas as incoerências e crimes por ela praticados. A memória da alma é permanente e inviolável, embora este fato não determine a não mudança de atitudes do homem terreno ao uso de seu livre arbítrio.

Rayom Ra

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Ciências, Evolução e Revelações Esotéricas - II (final)

As religiões não são eternas. Nada é eterno neste mundo de transformações. O oriente, por milênios, vem cumprindo o papel de induzir povos a entender algumas das revelações de suas religiões esotéricas. E, principalmente, vivê-las com práticas e devoção. A construção dessas idéias veio sedimentar-se pouco a pouco na psique humana ao panorama geral da evolução dos povos, ciclos após ciclos. Os surgimentos de raças estiveram sempre submetidos aos processos organizacionais mente-alma levados a efeito pelos mentores dos grupamentos étnicos, e às novas e profícuas idéias que foram calcadas. Porquanto a hierarquia planetária dos servidores do Grande Plano da Criação trouxe consigo a tarefa grandiosa de educar e auxiliar no progresso da humanidade, fez isso até onde ela pudesse caminhar sozinha, e esse cuidado esteve naturalmente indissociado da evolução de todos os reinos da natureza, por fazerem parte de um eco sistema mundial.

Milhões de anos já se passaram desde o surgimento das primeiras raças humanas. Deixemos de lado às abordagens do início da vida na Terra através da evolução dos organismos uni e pluricelulares, segundo conclusões das ciências terrenas. Pois sabemos dos planos das Hierarquias Solares sobre a passagem e evolução na Terra de sete grandes raças mundiais, cada uma contendo sete linhagens, chamadas sub-raças, com respectivos ramos e sub-ramos. A ciência esotérica afirma estarmos a mais da metade da passagem da quinta raça raiz, denominada ariana. Há um pro médio de evolução dos integrantes desta raça, em aproximadamente 1.5 milhões de anos, faltando ainda duas outras sub-raças a fim de que se completem as sete no processo evolutivo ariano.

Sabemos das miríades de planetas em nossa galáxia onde massas de civilizações foram criadas. O processo evolutivo das civilizações de outros globos, não escapa, tal como na Terra, das incursões do mal e das lutas contra aqueles malignos portadores de energias destrutivas. Inventos de naves interplanetárias como na Terra parecem ser uma constante em todo o universo e essa mesma vertente lógica traz para nosso planeta seres do bem quanto do mal. Sabemos, não obstante, que a humanidade está sob os cuidados de seu Criador. A forma humana e suas transformações físicas e espirituais seguem a um minucioso plano evolucionário a que vimos seguidamente nos referindo como o Grande Plano da Criação. Esse grandioso Plano abarca situações controladas nos limites do sistema solar e abrange o nascimento e evolução de vidas em diversas cadeias planetárias, diferentemente daquilo que nossa astronomia possa ainda compreender.

Há muitos relatos em obras esotéricas e ocultistas de lutas entre as forças do bem e do mal. Há também lendas recontadas em manuscritos antiqüíssimos sobre magníficas civilizações que tendo atingido apogeus desapareceram em seguida às decadências de suas culturas. Mesmo nas grandes e desconhecidas raças e naquelas destacadas pela história oficial, as lutas entre o bem e o mal sempre pontearam momentos importantes. Esses fatos nos fazem refletir das declarações ocultistas acerca de guerras inter-espaciais.

A Bíblia, nos seus capítulos finais do Apocalipse, cuja tradução mais literal é “revelações”, mostra pontos bastante claros quanto aos simbolismos ali empregados revelando lutas travadas nos céus e na terra. Os simbolismos, por oportuno, desde há milênios são sempre entendidos como representações de verdades ocultadas, cujas decifrações somente podem acontecer mediante as chaves. De modo geral, significam segredos de forças e energias presentes na natureza, as quais somente homens com conhecimentos seguros podem proporcionalmente manipulá-las, personificá-las e assim tornarem-se poderosos. A incorporação de forças e energias é autorizada a quem se tenha preparado para conseguir suportá-las. Há, portanto, simbolismos e alegorias esotéricos que buscam, exatamente, registrar as situações em que os candidatos a esse caminho precisam se trabalhar física e mentalmente para alcançar esses poderes. Mas se decifrá-los corretamente em seus vários níveis exige especial acuidade mental, a incorporação de suas extraordinárias energias e forças exige condições e preparações ainda maiores.

As lutas entre os poderes das sombras que buscam iludir e atrelar os candidatos a promessas materiais de riquezas e luxúrias, e as forças da luz que indicam o caminho da libertação das tentações do mundo, formam ainda o cerne das alegorias e simbolismos. E por séculos e milênios, fraternidades se organizaram na Terra reunindo-se para formar homens capazes de avançar adiante do conhecimento da humanidade, incorporados com energias e forças que pudessem modificar situações e abrir novas possibilidades de progresso e evolução aos povos. Foram eles que nos legaram sempre novos conhecimentos e revelações obtidos por seus próprios méritos e concentrados esforços.

Podemos basicamente dividir o passado, com auxílio da antropologia e arqueologia, em dois estágios absolutamente distintos: a pré-história, onde não existem registros oficialmente coletados sobre a existência de civilizações ou grupamentos étnicos, e a história, propriamente dita, que se acha separada em história antiga e história contemporânea. Da pré-história somente possuímos oficialmente teorias acerca da existência humana e animal, anexadas a pensamentos filosóficos com base em conclusões sobre fósseis e espécies. Como Charles Darwin que imaginou uma evolução por seleção das espécies até chegar ao homo sapiens. Evolução essa completamente refutada pelas correntes esotéricas, que não vêem sentido algum em suas conclusões, a não ser de procurar contribuir com um reforço ateu e materialista à idéia de um mundo sem um Criador.

Entretanto, sabem os esotéricos, que o momento em que atravessamos representa um grande ciclo material da humanidade, chamado Idade do ferro, começado há 5000 anos, que ainda deverá perdurar por muito tempo, em ciclos preestabelecidos. Assim, homens de raciocínio concreto precisarão ainda estudar cada vez mais as transformações da matéria, até que, através das ciências cheguem a conclusões maiores e mais plausíveis acerca da existência e verdadeiros rumos da humanidade.

Rayom Ra
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domingo, 17 de maio de 2009

Nossas Vidas Atômicas - IV

O mundo atômico tem para o esotérico significado e importância transcendente às teorias da funcionalidade unicamente material.

Cada corpo da personalidade humana: o físico-denso, o físico-etérico, o emocional ou o mental, detém vidas atômicas fervilhantes que assumem papéis que vão além do trabalho agregador dos tecidos da matéria. Os átomos, - sabem os esotéricos, - possuem inteligência mais sensível e participativa do que suspeitam as ciências materiais. Na verdade, à visão esotérica, a inteligência dos átomos se manifesta segundo a ordem daquilo que eles compõem, seja uma pedra, árvore, animal ou pessoa. Nos animais e pessoas são participativos em associado das ações diversas, tanto malignas, benignas, construtivas ou destrutivas, pelo fato desses dois reinos incursionarem nos patamares do emocional e mental.

Os animais, embora já despertem o raciocínio e façam uso dele das mais variadas maneiras, ainda estão subjugados quase que inteiramente aos fatores instintivos que os comandam. O homem, no entanto, por representar a categoria superior sobre a terra avança para as faixas do emocional mais refinado, do intelecto, e de um estado de consciência e arbítrio cada vez mais amplo, sem, entretanto, se ter ainda emancipado do instinto que nele sedia muitas de suas ações e reações. A personalidade humana só é completa com a funcionalidade de todos os seus corpos, embora em graus diversos de valores. Ao contrário, povos ou famílias étnicas sem esses traços, ou os tendo somente embrionários, não podem deter verdadeiramente o status de personalidades já formadas. Nesses casos, a atomicidade de seus corpos continua a responder ao automatismo das leis da evolução, aliado aos fortes instintos atávicos de seus grupamentos de vidas naturais que neles continuam a ecoar fortemente.

O mal e o bem estão presentes e incorporados nas energias atômicas. Há tanta malignidade nos átomos quanto há disposição para as boas realizações. De tal forma nossas vidas estão fusionadas aos átomos, que com eles se formam entidades coletivas que atuam diretamente sobre as emoções e pensamentos e os dirigem segundo suas intenções.

O mal na Terra remonta às civilizações primitivas, calculadas em ter existido há milhões de anos. A civilização lemuriana surgiria a uns dezoito milhões de anos como a primeira raça humana sobre a Terra sob o planejamento que o Logos, ou Deus Criador organizou e mandou seus ministros nele trabalhar. O planejamento terreno estabelece o surgimento e pleno desenvolvimento de sete grandes raças raízes, até que se emancipem do ciclo de encarnações. Entretanto, o planeta Terra já teria sido palco de outras civilizações que aqui teriam antes vivido e por razões as mais diversas foram extintas ou deixaram o planeta.

Mesmo durante o período lemuriano e no atlante, o mal avançou de diversas formas, agregando um tipo de energia corrosiva e dilacerante às vidas animal e humana e à atmosfera. Na realidade, o mal tem origem cósmica, viaja pelo éter, atravessa barreiras dimensionais e se ancora em planetas onde as organizações malignas desejam ali materializar suas intenções. As humanidades em formação, não tendo ainda suficiente maturidade para entender e rechaçar as diversas e enganosas formas do mal caem em suas redes e os malignos renovam sempre seus ciclos destrutivos. É verdadeiramente impossível precisar há quantos milhões de anos as inteligências malignas viajam pelos espaços organizadamente na tentativa obstinada de sempre buscar o domínio da matéria através dos seres viventes.

Essas forças opositoras se tornam cada vez mais poderosas na medida em que não encontram resistência na vida espiritualizada. Em todos os tempos usam com maestria a inteligência humana para alcançar seus objetivos, dominando homens de todas as categorias sociais nas diversas áreas de atividades. Nem mesmo religiosos, ou homens do conhecimento esotérico escapam de suas malhas se assim se permitirem com suas invigilâncias, e muitos perdem seus livres-arbítrios quando consciente ou inconscientemente com eles se associam tornando suas vidas atômicas veículos dos malignos.

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Rayom Ra

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sábado, 16 de maio de 2009

Deuses e Códigos Sócio-Religiosos I

Não há dúvidas de que os dez mandamentos expressam um código veiculador de regras sócio-religiosas. Tem sido, sobretudo, na Bíblia, um guia moral subscrito não por uma autoridade temporal, mas pela divindade absoluta revelada aos judeus e reconhecidamente severa, disciplinadora e até iracunda.

Nas suas origens não seria elemento alternativo, opcional, evocativo de uma liderança humana. Viria de todo do Deus IHVH, por conduto de Moisés, seu maior representante na Terra, imposto para obrigatória observação. Assim também afirma e reafirma a tradição rabínica. E é desta maneira que o Livro do Êxodo nos passa a transmissão dos dez mandamentos pelo Deus dos hebreus no Monte Sinai.

Sinai ou Horeb seria o lugar, o monte ao pé do qual o povo hebreu acamparia enquanto o líder Moisés subiria para encontrar Deus. As tantas e assustadoras lendas acerca desse monte mantinham os viandantes afastados. Diziam haver nele fumaça, fogo e espíritos que caminhavam.

Em 1904 o egiptólogo inglês Flenders Petrie chegaria ao Sinai da Arábia Saudita, com o intuito de explorá-lo. Subiria. E o que descobriria pouco tempo depois de iniciadas as escavações? Enigmática edificação egípcia, estendendo-se por santuários anexos, túneis e câmaras perfeitamente escavados. Encontraria fornos e inúmeros objetos de variados portes e formatos, concluindo que no passado, nesses locais, se teriam realizado intensas atividades. O exame das esculturas e representações murais remeteria às datas anteriores ao êxodo hebreu, havendo inclusive referências coincidentes ao tempo em que Moisés teria vivido no Egito.

Não seria de estranhar a razão de os egípcios ter assentado bases num monte no deserto da Arábia, pois em sucessivas incursões em busca de ouro e especiarias, quando subjugavam os semitas da Mesopotâmia e Palestina e transformavam muitas de suas metrópoles ou cidades-estados em estados-tributários, costumavam sair de suas principais rotas e avançar por outras regiões. E o Monte Sinai da região saudita não distava muito das terras egípcias.

As duas principais questões avocadas na ocasião da descoberta seriam: Moisés teria subido o monte com a única expectativa de tentar falar com IHVH? E o Deus IHVH, de fato, nesse lugar, - e não à maneira dos filmes americanos, - lhe teria passado as leis que na sua essência não seriam tão diferentes das regras morais já existentes para sumérios, caldeus, egípcios, gregos e outros povos da antiguidade?

Arriscamos-nos a dizer que é temerário acreditar irrestritamente em linhas históricas delineadas pelos arqueólogos, como também o é, da mesma forma, aceitar a tradição religiosa sem reflexões ou discussões. Assim, para entrarmos na discussão histórico-religiosa dos dez mandamentos é sempre necessário fazer pequenos retrospectos sobre a vida e personalidade de Moisés, hoje de existência e feitos tão contestados por correntes de historiadores cada vez mais céticos.

Moisés supostamente participaria de rituais secretos nos templos e pirâmides egípcias e seria o escolhido para nova tentativa de estabelecer o monoteísmo, visto o pensamento de Akhenaton ter também desaparecido com sua morte. Em assim sendo, e para o cumprimento dessa grande missão, Moisés necessitaria do auxílio e sabedoria dos sacerdotes adeptos do monoteísmo. Os mandamentos gravados em primeira vez em madeira e em segunda vez em tábuas de pedra, poderiam perfeitamente ter sido talhados por oficiais artesãos. Nada inverossímil nessa suposição, uma vez que, mais adiante, a Bíblia diz que IHVH mandaria Moisés chamar os artesãos Bezalel e Aoliabe bem como colocaria habilidades noutros homens para que construíssem a arca em ouro e fabricassem todos os demais aparatos do templo no deserto.

Há polêmicas acerca da origem e interpretações dos dez mandamentos. Para alguns, seu conteúdo seria Asseret Hadibrot que significa as Dez Falas ou os Dez Ditos.

Não é novidade os povos terem cultuado deuses e divindades com diversas e variadas conotações politeístas. Mas sumérios e caldeus, por exemplo, já cultuavam também deuses trinos. Por vezes, a expressão criadora de um deus se desdobrava a quatro, como nos ensinamentos dos próprios sumérios e indus que mais tarde, no século II de nossa era, com idêntico pensamento, seria reafirmado pelos ofitas do Egito. O nome Elohim não foi originário do vocabulário hebreu e veiculava, mais do que uma força divina, um coletivo de deuses criadores. Eloha, no singular, era para sumérios e caldeus unicamente um dos Elohim.

Em nosso idioma o vocábulo Deus denota plural por sua própria formação morfológica. E se Deus era Elhim ou Elohim, reconhecido pela antiga cabala hebraica rabínica como sete poderes criadores, a origem do politeísmo já começaria no próprio Deus.

O Gênesis nos dá provas deste coletivismo deífico quando descreve as etapas da criação, mencionando inicialmente o Deus Criador como uma só expressão. Mais adiante, no versículo 26 do Capítulo I do Gênesis, a mensagem é outra, como segue: “Também disse Deus: façamos o homem à nossa imagem, conforme nossa semelhança.” Indubitável a revelação no texto pluralizando forças criadoras.

A idéia da tríade os sumérios representavam com Bel, Ea, Anu; os egípcios com Osíris, Isis e Horus; os indus com Brahma, Vishnu e Shiva ou Sat, Chit e Ananda; os parsi com Ahura-Mazda, Spento (Angro-Main Yush) e Aramaiti e os babilônicos com Talmus, Marduk e Baal. Entretanto, o monoteísmo introduzido por Moisés aos hebreus não falaria de tríade e nem de trindade, pelo menos o Livro do Gênesis a nada disto se refereria, apesar de deixar misteriosas pistas acerca de Eloha-Elohim. Nem posteriormente, na decorrência do êxodo, haveria qualquer citação a esse respeito por parte de Moisés, o que indubitavelmente nos conduz a uma mensagem principal e proposital acerca de um Deus único, sem qualquer outra conotação de pluralidade, semelhante ao solitário Aton, Deus-Sol egípcio, divinizado por Amenophis IV.

Precisamos considerar que o primitivismo cultuou certas idéias religiosas que com o tempo sofreriam algumas transformações. Se os caldeus-sumérios desenvolveram uma civilização altamente utilitária há mais de 10.000 anos na Mesopotâmia, foi realmente exceção junto às tribos semitas ali viventes. Não foi sem motivos que rapidamente suplantaram as tribos vizinhas imprimindo-lhes sua adiantada cultura. E de onde teriam adquirido tal cultura e por qual razão a trariam para a Mesopotâmia? A história oficial sabe muito pouco dos sumérios, que seriam um ramo dravidiano da Ásia Central que por motivos desconhecidos se fixariam na região dos rios Tigre e Eufrates na Caldéia.

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Deuses e Códigos Sócio-Religiosos II (final)

A influência suméria modificaria o pensamento religioso das tribos mesopotâmias e palestinas e introduziria, além do religioso, novos elementos básicos culturais extensivos também aos gregos e egípcios e a outros povos da África. No entanto, a ligação suméria com o oriente mais afastado, onde na Índia os dravidianos possivelmente praticariam ensinamentos védicos, não está clara para a história. Se os dravidianos tivessem trazido da Índia para a Mesopotâmia e Palestina todo o pensamento védico lá ensinado, naturalmente o teriam implantado in totum e seria também assimilado pelos povos semitas, o que não aconteceu.

E embora a cosmogonia entendida pelos sumérios não fugisse à idéia central da criação do universo e sistema solar, e gênesis de deuses e homens, - conforme ressaltado nos ensinamentos arianos, - sua filosofia de vida era eminentemente prática, voltada para a transformação utilitária da matéria e de seus elementos. Os indus, ao contrário, destacaram sempre e basicamente um pensamento religioso místico, contemplativo e meditativo, no intuito de sobrepor-se às clamantes necessidades físicas e materiais. A religiosidade indu edificou-se sempre sobre atitudes de purificação, desapego e negação à concentrada atividade para a posse material.

Os sumérios dravidianos, contudo, contrariando alguns dos preceitos religiosos da Índia, desenvolveriam as aptidões de transformar a matéria através de grandes conhecimentos da física, astrologia, química, matemática, medicina, arquitetura, mineração e de outras ciências afins, usufruindo do utilitarismo e conforto tecnológico que com o tempo grassariam parcialmente para povos vizinhos. Esses fatos tão visíveis e destacados no mundo antigo nos levam a concluir que a civilização suméria teria começado na Mesopotâmia com a cultura dravidiana trazida do oriente distante, mas sofreria um impulso fantástico pouco tempo depois deles ali se ter estabelecido.

Portariam também fundamentos morais que os adaptariam, conforme já analisados, e os aplicariam ao cotidiano, que tal como suas atividades científicas, seriam identicamente absorvidos em proporções bem menores pela vizinhança semita. Alguns destes fundamentos remontam há mais de 10.000 anos, desde a tradição védica oral, quando os arianos pregavam regras disciplinadoras da vida social.

Os ensinamentos védicos são extremamente amplos, que, como dissemos, os dravidianos deles teriam também absorvido. Parte deles é aplicada excelentemente à psicologia religiosa esotérica. São hinos, cantos, rituais, devoções, sacrifícios e conhecimentos compilados em quatro textos principais, chamados Rig-Veda, Sama-Veda, Yajur-Veda e Atharva-Veda. A palavra veda deriva da raiz sânscrito vid que é conhecimento. As escriturações dos textos védicos datam de mais ou menos 1500 anos a.C. As origens da tradição oral, entretanto, perdem-se nas noites do tempo remontando talvez há mais de 20.000 anos.

Dos Vedas, podemos destacar os “Aforismos de Patanjali”, do Livro II, atitudes, que nos parecem assemelhar-se aos mandamentos bíblicos. Os cinco primeiros mandamentos estabelecidos são:

1.Inofensividade
2.Verdade
3.Não roubar
4.Continência
5.Não avareza.

Esses mandamentos são regras básicas aos candidatos desejosos de levar vida asceta e àqueles portadores de intensa devoção religiosa, não recolhidos ao ascetismo. Mas cabem também ao povo, no entanto se flexibilizam diante da impossibilidade da absoluta conciliação com os afazeres da vida material e familiar, atenuando assim as observâncias em alguns aspectos.

Outros cinco mandamentos são essencialmente devocionais de obliteração ou negação à vida material, mas principalmente de práticas sacerdotais:

1. Purificação interna e externa
2. Gozo (satisfação, alegria)
3. Aspiração ardente
4. Estudos espirituais.
5. Devoção a Ishvara.
(o Deus Criador Indu)

Inegável a presença do pensamento sumério nos povos do Oriente Médio e Egito. Os egípcios, por oportuno, influenciariam gregos que em contrapartida influenciariam egípcios nos períodos de certas dinastias. Mas por trás das cenas estaria a originalidade suméria, mesmo nos períodos de domínios caldeu-sumério, acádio-sumério, assírio-sumério e babilônico.

Houve, desse modo, diversos amálgamas religiosos, ajustes, influências idiossincráticas, novos conceitos e novas práticas, mas nada tão absolutamente diferente que por milênios as religiões deixassem de possuir em traços comuns. Nas destacadas civilizações o povo praticava as religiões abertamente enquanto os sacerdotes as praticavam ocultamente sob certos cuidados e segredos.

O Egito, embora se situasse na África, não produziu um povo com raízes unicamente africanas. Sua situação geográfica favoreceu a miscigenação com etnias nômades dos vários ramos raciais distintos de fora do continente, e mais tarde com semitas do Oriente Médio e grupamentos indo-europeus que chegavam em sucessivos êxodos em busca de água e alimentos. Apesar desse caldeamento, o Egito conseguiu isolar a casta real, a nobreza, a classe sacerdotal, os oficiais militares e os altos funcionários de administração, destacando-os dos emergentes de camadas inferiores do povo representados por trabalhadores, artesãos, soldados e escravos.

As sucessórias investiduras da emblemática divina faraônica representavam para muitos reis os cargos de sumo ou altos sacerdotes, e essas proeminências facilitavam a implantação e conservação das idéias religiosas politeístas, muito embora existissem sempre disputas e cisões sacerdotais, principalmente entre as capitais Tebas e Menphis do alto e baixo Egito.

O Egito, ao longo das dinastias, pôde produzir sua própria nomenclatura simbológica, riquíssima mitologia e três linguagens próprias de comunicação, a par de desenvolver adiantada ciência para a época, que em alguns aspectos era cercada de mistérios, como, por exemplo, as técnicas empregadas para as mumificações. E sob essa pulsante sabedoria, Moisés se instruiria e viria se preparar para introduzir no mundo semita o pensamento monoteísta. A isso se seguiria imediatamente um código moral disciplinador, sócio-religioso, chamado de os Dez Mandamentos. O motivo pareceria evidente, não sendo outro senão a mudança das conceituações politeístas já extenuadas após milênios de práticas.

A longa caminhada humana, ao reinado de tantos deuses terrestres e extraterrestres, estaria assim aos pródromos de um novo rumo para um Deus unificador. Os períodos histórico-religiosos dos politeísmos seriam, a partir dessa aceitação, pouco a pouco soterrados pelo novo e sintetizador ciclo que se apresentava. Permeava-se de uma só crença e varreria em definitivo das mentes semitas as múltiplas interpretações do passado motivadoras de absurdas idolatrias.

Os dez mandamentos, contudo, como todas as grandes e importantes revelações bíblicas e marcantes eventos, trariam com o tempo interpretações diversas e polêmicas. Mas para o povo a quem se destinariam naquele momento, e por conter claras coibições, os mandamentos se encaixariam básica e literalmente às necessidades de severa e necessária disciplina. Foram, na maior parte, imposições imperativo-negativas embora, mais adiante, nas revelações do Livro do Deuteronômio, Moisés introduzisse novas e disciplinadoras regras e comentasse sobre os deveres e cuidados acerca das ordens divinas.

Os dez mandamentos, em síntese, viriam traduzir as seguintes primeiras regras disciplinadoras:

1. Não terás outros deuses diante de mim.
2. Não farás imagens de esculturas e não as adorarás.
3. Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão.
4. Guardarás o dia de sábado para O santificar.
5. Honrarás a teu pai e tua mãe.
6. Não matarás.
7. Não adulterarás.
8. Não furtarás.
9. Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.
10.Não cobiçarás a mulher do teu próximo nem os seus pertences.

O texto bíblico discorre sobre seis dessas regras e, sem dúvidas, é um breve discurso reconhecido como os dez ditos ou dez falas.

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sábado, 9 de maio de 2009

Sabedoria de Umbanda - III

A Linha de Oxalá na Umbanda é a mais respeitada devocionalmente, por se tratar justamente daquela de posição mais elevada em termos de hierarquia, embora não seja a mais poderosa em termos de ação nas demandas e trabalhos de magia. Entre os umbandistas Oxalá é o topo do triângulo de onde dimanam luzes e ordens, além de com ele materializar-se a filosofia do serviço. A força de Oxalá tem conotações e funções diferentes de todas as demais, o que também não é nenhuma novidade uma vez que cada uma das sete linhas desenvolve, compartilha e atua com determinadas e respectivas qualidades no conjunto básico de sete. No entanto, Oxalá na Umbanda representa sobretudo a vigilância e o poder de Deus.

A etimologia do vocábulo Oxalá e a posição do orixá na hierarquia dos deuses trazem algumas diferentes interpretações. Oxalá não é o deus supremo do universo, mas sim Obatalá que reina acima do Empíreo, conhecido também, dentre outros nomes, por Zambi, Orixalá (Orinshalá) ou Oludumaré. As sete grandes forças ou raios cósmicos extremamente poderosas atuantes em nosso sistema solar, são graduadas por Inteligências fora de quaisquer considerações humanas para o contexto mundial do planeta Terra. São, portanto, até onde suspeitamos, as mesmas forças criadoras sob cujas ações e movimentos as galáxias se formam e continuam delas a receber transformações. Na Terra atuam sob condições minimamente assimiláveis à vida aqui existente. Nessa realidade terrestre, as forças trabalham personificadas por deuses num processo hierárquico de atribuições e poderes.

Os historiadores e céticos invertem as posições das mitologias por ignorância ou propositalmente, desmerecendo-as e buscando ridicularizá-las, principalmente pelos excessos verificados entre os povos nas interpretações literais dos simbolismos e alegorias. Pretendem esses céticos desinformados que as culturas humanas inventaram aleatoriamente as mitologias, deixando um rastro na antiguidade que depois foi seguido pelos diversos povos segundo suas idiossincrasias. Em parte sim, pois certos povos de importância relativa assimilaram de outros suas culturas, mas não o fizeram de maneira totalmente correta, daí surgirem discrepâncias e crenças estranhas que se espalharam. As mitologias não foram absolutamente inventadas pelos povos, mas reveladas pela hierarquia que rege os destinos da Terra. Foi uma criação inteligente em que as narrativas vieram sendo calcadas na memória e, segundo as épocas, apuradas e reorganizadas. Revelaram a realidade oculta das forças planetárias sob diversos caminhos da simbologia e alegoria como já aludimos, estimulando ao máximo o exercício da imaginação. Além disso, sob a guarda popular ou exotérica, através das alegorias, serviram como depositárias de alguns segredos iniciáticos que não deveriam ser esquecidos pelas gerações futuras. Veicularam também as qualidades e defeitos das várias faces das personalidades humanas em seus papéis nas sociedades. Por outro lado, essa instituição não prescindiu que deuses vivessem na Terra em corpos físicos, incorporando personalidades humanas e desempenhando seus papéis de heróis, deixando aqui ensinamentos e obras.

Volto a Oxalá, que é Oxé-Alah, significando numa de suas traduções: “com licença do maior”. Não vou mover céus e terras em busca de todos os significados e lendas acerca de Oxalá, que, como já disse noutro texto, as origens do léxico na Umbanda evocam um sem número de termos e alusões. Escolhi essa aglutinação por evocar três culturas que se mesclaram num só vocábulo, permitindo que elementos de cultos ficassem indissociados. Os africanos, os árabes, os povos semitas do Oriente Médio, os europeus e asiáticos sempre intercambiaram valores, haja vista o Egito se ter constituido numa das mais misteriosas civilizações da antiguidade a par de seus esplendores. O Egito bem representou uma civilização cosmopolita, que por milênios importou e exportou elementos importantes das mais diversas culturas. Desse modo, o vocábulo Oxalá resumiria, mais especificamente, elementos árabes, caldeus e africanos no seu significado, vindo mais uma vez constatar que as tradições religiosas, mitológicas e da magia remontam desde um passado que se perde nos tempos. Afirmo isso uma vez que Oxé me parece uma corruptela de Axé, do yorubá, significando poder. Al, da cabala hebraica significa Deus, e Al-ait, traduz a idéia de o deus do fogo, pois o poder hierárquico de Oxalá domina sobre todos os elementos. Assim, possivelmente, chegaríamos a Allah, o deus dos povos islâmicos. Ou seja, desdobrando tudo Oxé-Allah significa tanto, “com licença do maior”, como “o poder do maior”. Há ainda a saudação islâmica Inshallah, que quer dizer exatamente Oxalá, ou “amanhã se deus quiser”.

A cabala hebraica foi originada dos caldeus, povo muito antigo de ramo Turaniano, subraça atlante, cujo um núcleo instalou-se na Caldéia há mais de 30.000 anos desenvolvendo os seus segredos. Seria levada de Ur para o Egito onde lá foi adotada e ensinada.

Oxalá pareceu sempre representar uma força maior, tanto assim que no sincretismo assimilado pela Umbanda representa Jesus, a coluna mestra do edifício da igreja de Deus na Terra. No entanto, o Oxalá de Umbanda não possui as mesmas conotações que a igreja ensina existir em Jesus. Jesus foi um mestre dotado de poderes psíquicos superiores que em certo estágio de sua missão pôde deter em sua mente uma visão de o destino da Terra e de sua humanidade, o que lhe custou imenso sacrifício e perda de muitas energias psiquícas. Foi-lhe confiada a missão da continuidade dos ensinamentos de Buda, sob a perspectiva voltada, principalmente, para o ocidente. Buda ensinara que a realização da meta seria ligar a alma ao superior, ao céu, ao Nirvana, para se alcançar a suprema beatitude e a perfeição humana. Jesus, no entanto, sob a realidade objetiva ocidental, mas herdando da subjacente sabedoria oriental, ensinou que para se alcançar os céus e a união com o Pai, o homem deve ligar sua alma à terra, ou seja, materializar a alma sob aspectos de serviços. Sintetizou genialmente a aspiração da união com o poder superior levada a termo pelas devotadas ações na Terra em oblação ao mesmo Deus vivente em todos os homens. Mas tanto um método quanto o outro não descartam o sacrifício experimentado sob diferentes circunstâncias, embora em Jesus a fé caminhe como importante componente para preencher as lacunas de uma sabedoria que o ocidente despreza, mas que o oriente budista conquista pelos resultados das longas meditações.

Buda não teve propriamente um mestre, senão em seus primeiros passos, quando depois descartou qualquer auxílio e proteção, penetrando os labirintos da mente e ultrapassando os umbrais superiores do desconhecido por sua conta e risco. Finalmente chegou à iluminação, mas poderia ter enlouquecido. Já Jesus teve em Cristo seu parceiro para juntos obrarem, visto Jesus abrir as portas ao mundo para a quarta e quinta iniciações maiores, onde o Cristo vincula cada vez mais seus poderes do amor-sabedoria aos postulantes. Essa é uma das dificuldades em se entender Cristo como o incorporador do amor-sabedoria. E confundem Jesus, fazendo-o um representante unicamente do amor emocional e um orador hábil e inteligente. Na realidade, o poder de Cristo vai muito além das obras demonstradas na Terra por Jesus e as induzidas pelos seus ensinamentos, pois Cristo assumiu, além de tudo, um ciclo evolutivo de toda a humanidade em todos os quadrantes da Terra.

O Oxalá de Umbanda, se levado a fundo no reconhecimento de suas ações e na importância nos cultos umbandistas, considerando os elementos de sua magia, em nada se parece com o missionário Jesus, sendo unicamente reconhecido por uma só analogia, uma vez que Jesus Cristo foi cognominado o Filho de Deus, assim como Oxalá é o orixá mais próximo da corte de Obatalá. Jesus entra na Lei de Umbanda por ser na hierarquia o Mestre responsável por todas as religiões ou formas religiosas estabelecidas na Terra. No entanto, Jesus não reconhece crenças inventadas pelos homens que pregam ensinamentos estranhos àqueles ditados para a finalidade evolutiva da humanidade.

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Noutro segmento mais de Oxalá.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Nossas Vidas Atômicas - III

O átomo somente foi descoberto recentemente pelas ciências. Em 400 a.C. os filósofos gregos Demócrito e Leucipo já o conheciam, descrevendo-o como a menor partícula da matéria. A partir do século XVI o átomo passaria a ser investigado com maior interesse pela comunidade científica, aparecendo em trabalhos de gente famosa como Pierre Gassendi, Robert Boyle e Robert Hook, Isaac Newton, Antoine Lavoisier, Proust, John Dalton e outros. Cada um daria sua contribuição para o avanço do conhecimento sobre esse elemento, antes chamado indivisível da constituição da matéria, hoje bem diferente das iniciais proposições filosóficas e científicas: já mais desnudo, mais rebuscado, multifacetado como matéria-energia.

Essas descobertas e redescobertas, no entanto, verificaram-se no campo das pesquisas materiais. À exceção da mecânica quântica, que avança para dimensões além da tridimensionalidade de nosso mundo concreto, sob perspectivas unicamente teóricas, e até que se prove o contrário, o átomo funciona unicamente na matéria física não importando suas minúcias microscópicas. Esse dogma das ciências ainda prevalece sobre o quantismo pela dificuldade de a física moderna fornecer contornos substanciais definitivos ao mundo científico, da maneira ortodoxa que o mundo científico deseja e necessita. Entretanto, a física moderna reage e vem montar o Grande Colisor de Hádrons, que dentre outras incursões no campo do imaginário científico pretende saber mais sobre outras dimensões, pesquisando mais profundamente do quantismo, ambicionando buscar descobrir a origem do universo a partir de Bóson, conhecida como partícula de Deus. Bem, nesse caso, a ambição não é somente do conhecimento, mas de os cientistas virem a tornar-se o próprio Deus o que, convenhamos, seria a maior das bazófias em todos os tempos. Ou quem sabe, a maior das teorias herética científicas de toda a história.

Enquanto as ciências entram por corredores e labirintos para descobrir as origens e segredos da matéria, esotéricos e místicos viajam desde há milênios por tapetes voadores, penetrando por dimensões superiores, armazenando e edificando pirâmides de conhecimentos acima do campo material. Na realidade, viajam há milhões de anos!

O conhecimento esotérico nos diz que há um mundo atômico invisível em cada ser, em cada homem, em cada vida revestida de forma que se reflete em sucessivos e diferentes efeitos na matéria sólida constituída de átomos físicos. Esses átomos, no entanto, não são exatamente os mesmos detectados pelas ciências. Embora detenham segmentos positivos, neutros e negativos com cargas elétricas que ionizam, não possuem as mesmas formas anatômicas em decorrência de suas necessárias atuações noutros campos vibratórios sob as ações de leis desconhecidas das ciências materiais. Talvez devêssemos chamá-los “átomos etéricos” quando tratássemos de nossas vidas etéricas, “átomos astrais” quando tratássemos de nossas vidas astrais e “átomos mentais” quando, da mesma maneira, tratássemos de nossas vidas mentais. Aos átomos do mundo físico concreto, poderemos manter a mesma referência ocultista que os identifica por “átomos químicos”.

Há para as ciências esotéricas sete níveis de matéria, que são: sólido, líquido, gasoso, etérico, superetérico, subatômico e atômico, e os átomos ao transitar de um a outro desses níveis da matéria, mudam a forma, tanto mais ao reagir uns com os outros para resultar noutros elementos. Esses níveis cabem todos no corpo físico humano, conquanto as ciências ocultas sabem que há dois veículos de matéria que compõem a expressão de uma unidade física qualquer. No homem são chamados o corpo denso e o corpo etérico.

Os céticos e pseudo que escrevem sobre assuntos científicos têm achado graça e debochado muito dessas explicações dos esotéricos, porque estando aqueles contestadores uniformemente seduzidos pelos compêndios acadêmicos, somente reconhecem a matéria em três estados: o físico, o líquido e o gasoso, talvez ainda o pastoso. No entanto, fingem ignorar que há grupos de cientistas que percorrem outras escalas das pesquisas, mesmo sem infiltrar-se nos domínios da física quântica, que vão descobrindo outras propriedades mais avançadas da matéria em estado de energia, e apresentam suas teses. Embora esses investigadores representem as ciências materiais, são ignorados em suas conclusões, como são ignoradas as proposições sobre matéria, energia e força, e outras mais, apresentadas pela milenar sabedoria esotérica, que muito antes das conclusões científicas já eram conhecidas.

Ao aceitar que o homem possui outro veículo chamado de corpo etérico, formado basicamente dos quatro éteres que emanam do mundo etérico permeante ao planeta Terra, precisamos ir mais além e entender que há dois outros corpos em níveis vibratórios acima do corpo etérico, chamados corpo astral e corpo mental. Esses três corpos, juntos com o corpo físico, formam o quadrado que simboliza a personalidade terrena. Nessa anatomia, quanto aos aspectos fisiológicos da personalidade, o esotérico diferencia seus conceitos da psicologia em vista de a psicologia sugerir que todas as alterações no comportamento humano sediam-se no cérebro, embora destaque a mente como um elemento quase indissociado do cérebro.

A existência de um mundo atômico em nossas vidas, um mundo invisível ainda para as ciências, é perfeitamente detectável por qualquer pessoa, uma vez que diariamente temos oscilações em nossos humores e pensamentos que nos remetem de um estado de ânimo para outro. E todas as oscilações que sentimos no emocional e as que se passam em nossos pensamentos relativas aos padrões de idéias, estão impregnadas das energias absorvidas pelas células de nossos corpos superiores onde o mundo atômico é indissociado. Para o esotérico isso é mais do que uma certeza, é a realidade insofismável, mesmo porque algumas das causas das oscilações transitam por condutos de sua sensibilidade mediúnica, intuitiva ou desfilam diante da vidência.

As energias absorvidas pelos habitantes da Terra são diversas, provindas de várias direções ou fontes. Mas todas as energias, direta ou indiretamente, provêm do Sol de nosso sistema solar, do cosmos onde se situa a Via Láctea, ou de mais distante ainda. Essas energias ao chegar a nós em fluxos naturais, se difundem pelas células de nossos corpos superiores, após penetrar pelos seus núcleos normalmente representados por um átomo galvanizante de toda a célula, transferindo-se de um nível a outro, e finalmente atingindo os nossos corpos físicos. Em seus caminhos, os fluxos vão deixando rastros de energia que são absorvidos pelos sistemas de nossos corpos superiores. O Sol ao energizar os átomos livres e flutuantes que permanecem na atmosfera da Terra, também propicia a que se formem conjuntos de sete átomos que são tanto absorvidos pela respiração como pelo sistema de chacras de nossos corpos etéricos.

Esse último processo de absorção de energias incorre numa ação mais física propriamente, vindo afetar de modo direto nossas estruturas orgânicas, por se tratar de energias adaptadas a atmosfera do planeta. Há, identicamente, a absorção específica de um tipo de energia através da pele, provinda das refrações dos raios solares, após os raios terem penetrado o solo planetário, e após a energia ter sido requalificada por inteligências do mundo etérico, os Devas que ali trabalham em permanente vigília para o bem da humanidade e dos demais reinos.

De todas as maneiras, os átomos são sempre os principais atores de tudo quanto nos rodeia no cenário da natureza, e no que somos constituídos em nossas organizações de matéria. Nada é perdido após a dissolução da matéria em todos os reinos, há sempre um mesmo número de átomos providenciado pelo Logos ou Deus Criador, para uso, aplicação e transformação nos processos de vida e evolução planetária. Esses átomos são indestrutíveis, e uma vez livres dos aprisionamentos nas organizações das diversas formas da matéria, retornam para seus reservatórios.
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segunda-feira, 4 de maio de 2009

O Chico Verdadeiro

Lendo o artigo “Chico Xavier Charlatão”, em “Textos para Reflexão”, do meu amigo Raphael Arrais, lembrei-me de um texto de pessoa amiga que viveu uma experiência diante do Chico, que nos serve para termos uma dimensão da figura do conhecido médium, e que resolvi reproduzi-lo:

“Fora convidado por Jorge, cardecista dos mais entusiastas, a ir ver o Chico Xavier num clube de um subúrbio do Rio de Janeiro. Era sábado, Jorge soubera que ele recepcionaria as pessoas que o procurassem, assim fomos.

Em lá chegando a fila era imensa, mas aguardávamos, não tinha outro jeito. Ao cabo de algum tempo alcançamos o portão que distava ainda alguns metros da porta que dava acesso as dependências internas do clube onde Chico estaria. Houve confusão na porta e Jorge reconheceu o amigo que o informara sobre a visita do Chico, e coordenava a entrada das visitas. As pessoas ansiosas reclamavam de muitas coisas e o rapaz ficara nervoso. Falei então ao ouvido de Jorge que precisávamos nos concentrar e enviar energia para seu amigo. Ensinei-o rapidamente como fazer uso de uma técnica de sintonia com correntes esotéricas e assim juntos nos concentramos. Quase de imediato o tumulto cessou, Jorge olhou-me enigmaticamente, e o rapaz o vislumbrou chamando-o.Atravessamos o pequeno pátio e nos chegamos. Fomos apresentados e após algumas palavras ele disse aos nossos ouvidos para perguntar-lhe se podíamos ir ao banheiro. Assim fizemos, e ele abriu a porta para nos mostrar onde seria o banheiro, fazendo sinal pelo lado de dentro para que seguíssemos na direção onde Chico se encontrava. Pensei comigo: quem tem padrinho não morre pagão, mas esperaria por minha vez, entretanto não recusei aquela carona.

Entramos. Lá estava Chico no fundo de um salão, diante de pequena mesa onde recebia uma a uma as pessoas que dele se aproximavam, apertando-lhes as mãos e dizendo-lhes qualquer coisa com o carinho que o distinguia. Há alguns metros de Chico se achava Divaldo Franco que antes recebia as pessoas que haviam adquirido seu recente livro, carimbava seu nome na primeira página e assinava seu autógrafo. Jorge e eu estávamos a mais ou menos oito metros de Chico e uma aura de suave energia tomava todo o ambiente. Incrível, pensei eu, como se estendia até aqui a energia vinda do Chico. Além dessa aura energética pairava no ar um suave perfume que jamais houvera antes sentido.

Jorge mandou que eu fosse à frente e caminhei em direção do Divaldo uma vez que tinha comprado o livro. Com aparente indiferença, diante de mesa semelhante a do Chico, falando qualquer coisa com alguém ao lado, ele mecanicamente carimbou, assinou e sem ao menos olhar-me devolveu-me o livro dizendo qualquer coisa como Deus o abençoe. Tudo bem, consideremos que ficar ali horas carimbando e recebendo pessoas estranhas deve mesmo ser qualquer coisa interminável, e se nada senti diante desse outro médium pouco me importei, o alvo era o Chico e lá fui a sua direção. Na medida em que me aproximava, mais a energia me tomava e sentia-me leve... e feliz!

Parei diante daquela figura tão querida e respeitada pelo mundo espírita, e mesmo não sendo seguidor do cardecismo fui tomado de emoção. Estava diante de um gigante, o maior pilar moderno de toda a doutrina espírita, aquele que para ouvi-lo ou simplesmente vê-lo, pessoas viajavam muitos quilômetros, muitas horas ou dias, vindas até de outros países. Ele representava a esperança de tantas vidas, o consolo a quem ansiosamente perdera parentes, pois estariam diante de um mensageiro de Deus. Sim, foi o que pensei naquele momento. Ele elevou o olhar e pousou-o no meu rosto. Nova emoção, Chico contemplava-me! Não, não era o Chico, era alguém mais, era Emmanuel, era André Luiz, eram tantos outros que deixavam suas ocupações para simplesmente olhar-me, a mim pobre mortal, alguém somente estudioso das ciências ocultas, sem nada de especial para dar ao próximo, ao contrário deles arautos de tantas lições ao mundo de soberba sabedoria!

Alheio àqueles pensamentos, ele com suavidade estendeu suas mãos e aconchegou a minha. As suas pareciam seda, eram mornas, e lembrei que Jorge me houvera dito que as mãos de Chico pareciam não possuir ossos. Para mim eram feitas de seda e ele abençoou-me em nome de nossa Mãe Divina. Então dobrou a cerviz com sua peculiar delicadeza e beijou minha mão.

Desabei. Desejei que se abrisse uma cratera sob meus pés e nela afundasse. Se o Chico soubesse como aquele beijo naquele momento me fizera mal certamente não me teria beijado. Nada deixando transparecer e ainda alheio à minha luta íntima, Chico despediu-me com novas e carinhosas palavras, aguardando por um novo admirador. Sequer olhei para traz a fim de localizar Jorge, torcendo para que ele não tivesse visto o que Chico não deveria me ter feito. Não me importava a quantos ele igualmente houvesse presenteado com seu humilde e sincero beijo. Mas eu não o merecera! Hoje já penso diferente e aquele ato serve-me de recordação de um homem fantástico que andou por nossas terras e a quem todos os espíritas tanto devem!

Contado por seu amigo, soubera dia seguinte por Jorge, que por conta de um homem que dele se aproximara Chico houvera deixado a esperar por quase duas horas a uma equipe de televisão que pretendia entrevistá-lo. O homem era um desatinado, desejava suicidar-se, e Chico dedicara todo esse tempo a convencê-lo a não cometer esse ato, sem ao menos se importar com a reportagem!”

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Sabedoria de Umbanda - II

Há basicamente sete linhas na Umbanda comumente chamadas Linhas de Vibrações ou de Forças, ou Linhas de Orixás. O termo orixá significa entidades, divindades, seres ou forças. Se eu for seguir os rastros etimológicos tanto desse termo como de outros de Umbanda, formarei um número muito grande de palavras correlatas, pois sempre haverá novos significados emergentes das diversas origens dos povos da África. Para entrar com vontade nesse tema, que é vastíssimo, onde pesquisadores escrevem muitas laudas e vão buscar subsídios nos registros antropológicos dos africanos, precisaria também evocar de suas memórias atávicas e cultos. Mas como isso se tornaria extenso demais nos moldes a que se propõe esse blog precisarei simplificar, baseando-me somente em alguns exemplos da cultura yorubana.

Em tempos recuados, nem todas as civilizações possuíam escrita, e mesmo possuindo somente elites e castas podiam aprender a ler e escrever, por isso o povo desenvolvia memória prodigiosa, conseguindo assim armazenar e manter vivos os principais aspectos de suas culturas por todas as gerações, transmitindo-os oralmente. O que é contado pela tradição religiosa da Nigéria sobre o surgimento dos orixás e a organização de seus cultos, remete aos tempos dos primeiros descendentes do Adão bíblico.

Noutro texto já me referi ao fato de que todas as formas de magia tiveram suas sementes no continente atlante. Embora as religiões e os movimentos esotéricos ou gnósticos de todas origens e ramificações se tenham organizado mais tarde, segundo as épocas em que se situaram, todos eles tiveram seus embriões, sem a menor dúvida, das práticas sacerdotais e populares atlantes. Os instrutores espirituais naquele continente conseguiram fundir nas almas das suas diversas etnias um sentimento devocional ao superior, e trabalharam seus pensamentos com a disciplina cada vez mais profunda da obediência e respeito. Os cultos não tinham a conotação religiosa que hoje conhecemos, mas pela invasão das forças negativas os sentimentos devocionais à natureza cederam lugar, na grande maioria dos cultos, ao comando hipnótico dos praticantes da magia negra, passando à obediência pelo temor, ao surgimento de hábitos e práticas opostas ao que então era ensinado, e aos sacrifícios de animais e seres humanos. Quando tudo veio abaixo, tanto a sabedoria do bem como o mal se fragmentaram tendo esses valores se misturado nas diversas culturas dos povos decaídos, o que obrigou aos povos nos milênios vindouros a trabalhar com ambas as polaridades – a positiva e a negativa, - e, sempre que possível, procurar separar o bem do mal. Infelizmente, alguns ingressaram unicamente no mal.

Voltando à lenda yorubana. O personagem Ninrod era caldeu filho de Cuxe, sobrinho de Sem e neto de Noé, e conforme Genesis 10 – 8.9.10.11: “Cuxe gerou Ninrode, o qual começou a ser poderoso na Terra. Foi valente caçador diante do Senhor; daí dizer-se: como Ninrode, poderoso caçador diante do Senhor. O princípio do seu reino foi Babel, Ereque, Acade e Cainé, na terra de Sinear. Daquela terra saiu ele para a Assíria, e edificou Níneve, Reobote-Ir e Calá”.

A lenda diz que Ninrod foi chamado por Deus que fez com ele um pacto e o mandou para a África já com o nome de Oduduwa, onde lá, em região hoje conhecida por Nigéria, começaria a epopéia yorubana. Sua missão seria inicialmente com os hotentotes, raça de pigmeus, descendentes de ramo decadente dos povos lemurianos. No entanto, não foi somente a esse povo pigmeu que Ninrod trataria de impor as ordens de Deus, pois geraria filhos grandes que iniciariam o grande panteão yorubano de orixás.

Assim, Oduduwa se uniria a Olokum (oceano), transformando-se em Obá-Olokun – o Rei dos Oceanos, tendo então três filhos:
1. Ogun = Vulcano, senhor do ferro, fígado e agricultura.
2. Ishedale = Afrodite, senhora das águas e mãe de todas as ninfas.
3. Okanbi = Senhor do fogo, das conquistas e da justiça.

A partir de Okanbi, começaria de fato a epopéia dos heróis yorubanos, pois Okanbi teria sete filhos que gerariam outros heróis e personagens da magia africana. O fato de existir orixás na Terra nos faz entender que há duas categorias dessas forças: os orixás menores, aqueles que foram filhos de homens e mulheres da Terra, incorporando poderes e comandando guerras e situações, e os orixás maiores.

Os orixás maiores, não são entidades na significação usual do termo, pois representam os picos de linhas de forças de onde emanam as qualidades personificadas para os orixás menores, segundo suas respectivas tendências nas variações sétuplas de uma hierarquia. Ou seja, são sete as forças superiores dos orixás, como sete são as linhas básicas dos orixás menores, contudo haja variações. Portanto, os orixás maiores são forças, embora haja sob elas, em seus altos escalões, entidades elevadas emergentes ou não do mundo humano, normalmente incorpóreas em médiuns ou em seus representantes na Terra. Porém, excepcionalmente, e dependendo da grandiosidade de uma missão, essas entidades podem vir a se manifestar em condições especiais num corpo físico ou através de uma mediunidade superior.

Temos agora uma idéia do que seja orixá. E embora me tenha fixado na cultura nigeriana, berço do idioma yorubá, o mais conhecido nos meios dos candomblés e de Umbanda, outros povos africanos também cultuam orixás segundo suas culturas e idiomas, atribuindo a eles a incorporação das forças da natureza.

Focalizarei agora um ponto mais alto, segundo as tradições africanas e alguns sincretismos das religiões antigas e atuais, cujas histórias, lendas e aspectos litúrgicos, se incorporaram nos simbolismos e práticas de Umbanda e suas magias.

O espaço maior, o universo inexplorado, é chamado de o reino de Obatalá. Obatalá, quer dizer o firmamento, ou Rei (Obá) do firmamento. Há inúmeros sinônimos nos cultos africanos para designar esse Deus maior criador dos céus e da Terra, mas não me estenderei para não complicar muito, permanecendo o quanto possível adstrito à Lei de Umbanda.

Obatalá é então o pai do mundo e das Forças de todos os orixás de Umbanda. Há, porém, discordâncias quanto à classificação dos sete orixás menores de Umbanda, sob cujas forças todos os trabalhos são realizados, cada um com características diferentes, incorporando e estabelecendo especificamente, segundo suas linhas, uma série de preceitos tais como: simbologias, roupagens, ferramentas, cores, cânticos, oferendas, histórias e outros implementos. De maneira geral, podemos classificar os sete orixás de Umbanda da seguinte maneira: Oxalá, Yemanjá, Oxun, Ogun, Oxossi, Xangô e Crianças.

Na parte III desse tema pretendo abordar as características essenciais dos orixás e suas intra-relações.

 Rayom Ra

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sábado, 2 de maio de 2009

O Meio e o Fim

Para o estudante do esoterismo a linguagem empregada nas narrativas bíblicas pende propositalmente para os simbolismos. Nomes, lugares e eventos conduzem a outras conotações interpretativas, ao contrário da literalmente entendida pelos religiosos e leigos.

O Velho Testamento apresenta maior dificuldade de aceitação histórica do que o Novo. A suspeitosa cronologia atribuída às suas narrativas não permitiu até agora reunir elementos concretos para a remontagem de uma linha sequencial crível. Além da inexistência de provas cabais do que é narrado, há muitos hiatos entre determinados acontecimentos e um sem número de aparentes incongruências. Nem dos personagens se tem documentos lídimos e comprobatórios. Praticamente todos os personagens citados no Pentateuco se tornaram elementos sem perspectivas de provas, restando tão somente o reconhecimento pela fé religiosa. Do mesmo modo, muitos locais, regiões e cidades não batem nas suas localizações com as recentes provas alinhadas pelas descobertas arqueológicas.

Situação diferente vamos encontrar nas páginas do Novo Testamento que já apresentam possibilidades mais reais e concretas de aceitação devido a proximidade de seus eventos com a organização da história recente. Neste caso, foi possível reunir amostras de provas do curso dos acontecimentos e assim oferecer maior credibilidade. Ainda assim, Jesus não teria existido para a história oficial num prolongamento de eventos perfeitamente comprobatórios. Restam ainda dúvidas de sua existência, exceto por conta de um pronunciamento do historiador Flavius Josephus do século I ao referir-se, entre os anos 38 e 39, a certo profeta de Nazaré e de uma carta dirigida a Tiberius pelo senador romano Publius Lentulus, que teria vivido na Galiléia no tempo de Jesus, descrevendo-o fisicamente e ressaltando sua alta moralidade.

Tanto a existência da pessoa Publius Lentulus como a autenticidade de sua carta foram negadas ao longo da história, mas não de forma totalmente convincente. Da mesma maneira, a declaração de Flavius Josephus é ainda hoje alvo de suspeições, críticas e interpretações, por existir em todas as épocas motivações políticas ou interesses de outra natureza. Para o religioso, contudo, Jesus foi incontestavelmente verdadeiro e quem duvidar desta afirmativa comete apostasia.

Já o esotérico vive num mundo muitas vezes aparte das assertivas históricas e visão literal-retilínea de muitos religiosos. As bases do pensamento esotérico emergem tanto de fontes materiais palpáveis, como associadas às revelações de outro naipe. As escolas tradicionais dos ensinamentos ocultos com suas obras escritas ao alcance dos muitos estudantes, auxiliam-nos a edificar um pensamento sobre bases diferentes do oficializado pelas instituições do mundo contemporâneo. Há no esoterismo outra realidade não mencionada nos anais da história e ciências oficiais, sobre o nascimento do universo, a construção do sistema solar, o surgimento do planeta Terra, e a criação da humanidade e sua endógene. A sabedoria esotérica vem sendo mantida há milhões de anos em livros de especiais feituras, isentos dos efeitos do tempo e intempéries, em pergaminhos, na tradição oral ou em registros acima do espaço físico material. O estudante das ciências ocultas pode ter acesso gradativo a estas fontes segundo seu avanço mental e espiritual.

Ao contrário das religiões o esoterismo não é para todos. A prova está no cuidado e resguardo de suas revelações. Há ainda muitos níveis mentais e espirituais a serem atingidos pela humanidade, motivo pelo qual muitas revelações se encontram preservadas pelos mestres do esoterismo. Há luzes superiores não alcançadas pela ciência material que somente abrem-se ao esotérico. Não é condição sine qua non possuir diplomação universitária ou grande aptidão intelectual para se tornar esotérico. As qualificações acadêmicas somente valerão ao estudante se houver íntima e verdadeira espiritualidade. E nem sempre um praticante de magia ou um teórico em assuntos do esoterismo é na verdadeira acepção e significado do termo, um iniciado, mesmo pertencendo aos altos graus das escolas tradicionais. Para tanto, o estudante necessita antes de tudo tornar-se espiritualista e ter determinadas forças internas perfeitamente desenvolvidas. A espiritualização da personalidade é essencial para o desenvolvimento de faculdades superiores conscientemente dirigidas.

Não raro o estudante se complica e se atrasa na caminhada evolutiva justamente por não desejar obedecer às orientações disciplinadoras de seus superiores do mundo espiritual. Por conta das desobediências abrem-se janelas em seu íntimo, e ele recebe energias e projeções astrais e mentais prejudiciais a sua integridade, não sabendo como rechaçá-las. Algumas vezes, envolve-se em situações ocasionadas por essas invasões, decresce em sua frequência vibratória e assim cai por terra.

O esotérico não é necessariamente um intelectual, mas sim seguidor das lições que as aprende passo a passo pela vivência e observação. Com o tempo poderá despertar a intelectualidade e até falar ou discursar sabiamente. Há muitos exemplos no mundo de homens e mulheres que mais tarde atingiram status mental superior às suas iniciais categorias de pessoas comuns.

O intelectual do mundo, entretanto, por mais brilhante ou altiloqüente que possa revelar-se não entenderá jamais o esoterismo e nem a espiritualidade como de fato devam ser praticados. A menos que deixe a vaidade e o orgulho intelectual de lado e aceite a humildade. O intelecto brilhante, segundo valores materiais, é o grande empecilho e principal responsável por afastar o homem de sua origem espiritual conduzindo-o ao ateísmo. Não é pelo fato de se ter tornado intelectual que o homem terá aprendido a dominar o orgulho, a vaidade, a avareza, o egoísmo, o racismo, as taras, a crueldade e demais defeitos da personalidade. Em ocasiões, ao contrário do desejável, é justamente pelo fator intelectivo desperto e irresponsavelmente usado que virá intensificar ainda mais elementos negativos e ultrajantes para a alma.

Tão pouco o religioso dedicado às liturgias será um realizado se não trabalhar duramente a espiritualidade. O grande erro das religiões é passar aos que aceitam seus dogmas a idéia de que unicamente as práticas religiosas conduzirão à salvação. Não há paraíso e nem inferno fora de nós mesmos. Criamos em nosso íntimo o próprio destino. As dimensões onde almas de semelhantes inclinações se encontram após a morte dos corpos físicos, representam prolongamentos de suas consciências no espaço-tempo.

Práticas religiosas são meramente credos; qualquer pessoa pode exercê-las mecânica e organizadamente ou com perfeita técnica, no entanto não cumprindo os preceitos e mandamentos morais no cotidiano pouco terá de fato realizado. A ortodoxia pode também conduzir ao engessamento do racional e do caritativo, quando normas e disciplinas são impostas com tal energia e firmeza que não permitam aberturas para reflexões. Neste tipo de interpretação e aplicação do “espírito da letra,” coração e mente são tiranizados, portanto a própria alma, deixando assim que o pensamento religioso concreto se materialize duramente sobre a razão e consciência da espiritualidade. Este é um dos principais e nefastos fatores conducentes ao fanatismo e às idéias religiosas obsessivas.

Os grandes homens que falaram e obraram em nome de Deus estavam libertos da ortodoxia religiosa. Fizeram-se senhores de si mesmos, transcenderam normas e dogmatismos e ao iluminar-se deixaram definitivamente as discrepâncias para trás. Alguns realizaram voluntariamente disciplinas religiosas, mas comprovaram em estados superiores de consciência sua total inutilidade e as desprezaram. E por terem emergido livres e conscientemente para a liberdade, unicamente por isto, não escaparam à condenação da estreiteza sacerdotal e nem dos aprisionadores dogmáticos. Assim foram Manes, Francisco de Assis, Buda, Jesus e outros. Eis porque religiosos precisam sempre entender e praticar as religiões como um meio e nunca como um fim.

Rayom Ra

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sexta-feira, 1 de maio de 2009

As Sete Lágrimas do Pai-Preto

Foi uma noite estranha aquela noite quêda; estranhas vibrações afins penetravam meu Ser Mental e me faziam ansioso por algo, que pouco a pouco se fazia definir...

Era um quê desconhecido, mas sentia-o como se estivesse em comunicação com minha alma e externava a sensação de um silencioso pranto...

Quem do mundo astral emocionava assim um pobre “eu”? Não o soube, até adormecer... e “sonhar”.

Assim vi meu “duplo” transportar-se, atraído por cânticos que falavam de Aruanda, Estrela Guia e Zambi; eram as vozes da Senhora da Luz Velada, dessa Umbanda de Todos Nós que chamavam seus filhos de fé...

E fui visitando Cabanas e Tendas, onde multidões desfilavam, mas, surpreso ficava, com aquela “visão” que em cada um eu via, invariavelmente, num canto, pitando, um triste Pai-Preto chorava...

De seus olhos molhados, esquisitas lágrimas desciam-lhe pelas faces e não sei por que as contei...foram sete. Na incontida vontade de saber, aproximei-me e interroguei-o: fala Pai-Preto, diz a teu filho, por que externas assim tão visível dor?

E ele, suave, respondeu: estás vendo essa multidão que entra e sai? As lágrimas contadas distribuídas estão a cada uma delas.

A primeira eu a dei para esses indiferentes que aqui vêm em busca de distração, na curiosidade de ver, bisbilhotar, para saírem ironizando daquilo que suas mentes ofuscadas não podem conceber...

Outra, a esses eternos duvidosos que acreditam, desacreditando, na expectativa de um “milagre” que os façam “alcançar” aquilo que seus próprios merecimentos negam.

E mais outra foi para esses que crêem, porém numa crença cega, escrava de seus interesses estreitos. São os que vivem eternamente tratando de “casos” nascentes uns após outros...

E outra mais que distribui aos maus, aqueles que somente procuram a Umbanda em busca de vingança, desejam sempre prejudicar a um seu semelhante – eles pensam que nós, os Guias, somos veículos de suas mazelas, paixões, e temos obrigação de fazer o que pedem...pobres almas, que das brumas ainda não saíram.

Assim, vai lembrando bem, a quinta lágrima foi diretamente aos frios e calculistas – não crêem, nem descrêem: sabem que existe uma força e procuram se beneficiar dela de qualquer forma. Cuida-se deles, não conhecem a palavra gratidão, negarão amanhã até que conheceram uma casa da Umbanda...

Chegam suaves, têm o riso e o elogio à flor dos lábios, são fáceis, muito fáceis; mas se olhares bem seus semblantes verás escrito em letras claras: creio na tua Umbanda, nos teus Caboclos e no teu Zambi, mas somente se vencerem o meu “caso”, ou me curarem “disso ou daquilo”...

A sexta lágrima eu a dei aos fúteis que andam de Tenda em Tenda, não acreditam em nada, buscam apenas aconchegos e conchavos; seus olhos revelam um interesse diferente, sei bem o que eles buscam...

E a sétima, filho, notaste como foi grande e como deslizou pesada. Foi a Última Lágrima, aquela que “vive” nos “olhos” de todos os pretos-velhos; fiz doação dessa, aos vaidosos, cheios de empáfia, para que lavem suas máscaras e todos possam vê-los como realmente são...

“Cegos, guias de cegos” andam se exibindo com a Banda, tal e qual a mariposas em torno da luz; essa mesma Luz que eles não conseguem ver, porque só visam a exteriorização de seus próprios egos...

Olhai-os bem, vede como suas fisionomias são turvas, e desconfiadas; observai-os quando falam “doutrinando”, suas vozes são ocas, dizem tudo de “cor e salteado”, numa linguagem sem calor, cantando loas aos nossos Guias e Protetores, em conselhos e conceitos de caridade, essa mesma caridade que não fazem, aferrados ao conforto da matéria e gula do vil metal. Eles não têm convicção.

Assim, filho meu, foi para esses todos que viste cair, uma a uma, As Sete Lágrimas do Pai-Preto! Então, com minha alma em pranto, tornei a perguntar: não tens mais nada a dizer Pai-Preto? E daquela “forma-velha”, vi um véu caindo e num clarão intenso que ofuscava tanto, ouvi mais uma vez...

“Mando a luz da minha transfiguração para aqueles que esquecidos pensam que estão... Eles Formam a Maior Dessas Multidões”...

São os humildes, os simples; estão na Umbanda pela Umbanda, na confiança pela razão...São os Seus Filhos de Fé.

São também os “aparelhos”, trabalhadores silenciosos, cujas ferramentas chamam-se Dom e Fé, e cujos “salários” de cada noite...são pagos quase sempre com uma só moeda, que traduz o seu valor numa única palavra – a INGRATIDÃO!

[Do livro Umbanda de Todos Nós, de W.W.da Matta e Silva]

Rayom Ra

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Alianças de IHVH - I

Entendemos uma aliança como a forma de um compromisso mútuo ou de um pacto entre partes. Admitamos que o Deus IHVH resolvesse fazer uma aliança com o povo judeu a fim de estabelecer o monoteísmo na Terra. Mas em todas as aparições aos protagonistas Deus jamais solicitou a colaboração voluntária deles, antes os informou que eram escolhidos e deveriam realizar o que Ele determinaria. A contrapartida humana se daria através da fé e obediência e se procedessem como mandado veriam Sua glória entre o povo.

Essa disposição representou propriamente mais que um pacto entre partes, mas uma imposição superior. Em termos espirituais, talvez pudéssemos definir a intenção de IHVH como instrumento definitivo para obrigatória oblação e sacrifício judeu. Nesse caso, não seria de fato uma aliança espontânea e nem os motivos reais de tal aproximação e inferência divina seriam revelados. Eis um mistério!

A aliança, no entanto, como citada no Pentateuco, caracterizaria definidas etapas que iriam gerar marcantes e sucessivos acontecimentos como capítulos de uma história adrede delineada. Começaria, talvez, desde Adão, passando por Noé, Abraão, Isaque, Jacob e por Moisés, terminando finalmente com Josué em Canaã. Seriam, nesse caso, sete situações maiores sedimentadas com o sangue semita. E como cada uma dessas etapas desdobraria novos e definitivos rumos na história, preferimos definir essas variações como necessidades impostas a fim de reafirmar e levar adiante o roteiro básico com diferentes personagens, fossem eles principais ou secundários, ou intra-relacionados. Assim, com o tempo, Deus firmaria novas alianças, que repercutiriam nas gerações presentes e futuras dos judeus semitas, visando sempre tangíveis resultados.

Ao analisar o Pentateuco e concentrar nossa atenção nas situações decorridas no êxodo, por ser o êxodo, talvez, o maior dos eventos épicos na história semita, acusamos a evolução de quatro grandes e significativos momentos nascidos das novas alianças. Os enfoques, por si sós, representariam os quatro grandes impulsos sedimentares para as aquisições de outros valores sócio-religiosos pelos hebreus. A cada uma daquelas alianças, - reforçamos, - se acentuariam contextuais decorrências perfeitamente segmentadas sob a égide de um determinismo perfeitamente encadeado.

Acreditadas ou não, as narrativas bíblicas ressaltam, a nosso ver, a incontestável sabedoria de Moisés cimentada por uma invejável cultura sacerdotal.

Embora sistematicamente lenta através dos milênios, a marcha evolutiva humana em todo o mundo, atingiria periódicos e destacados ciclos de transições. Nesse prisma, os fatos históricos catalogados ao longo do tempo, evocariam também com certa freqüência elementos culturais e religiosos que sob muitos aspectos foram reveladores de mútuas identidades entre os povos. Daí, podermos concluir e reafirmar que alguns episódios transcritos nas páginas do Velho Testamento, recomendam-nos uma olhadela aos hábitos religiosos dos egípcios.

Se a Bíblia é ou não uma espantosa obra ficcionista, é outra história e discussão. Mas os delineamentos progressivos de seus textos conduzem os personagens semíticos a transitar com freqüência de um pólo a outro por importantes conexões de práticas egípcias. Além do Pentateuco, essas similitudes percorrem outros livros e crônicas do Velho Testamento, insistimos nesta convergência.

É possível admitir-se a sabedoria humana sacerdotal de Moisés sendo a todo o momento testada ou estimulada por um Deus sabedor a longuíssimo tempo das nuances anímicas dos vários povos da antiguidade. A visão de IHVH se materializaria e obraria através do conteúdo cerebral de Moisés. Desse modo, ambos empreenderiam enormes esforços no sentido de implementar elementos mais bem trabalhados para um novo ciclo sócio-religioso judeu.

É sempre bom relembrar que escravos não tinham tanta liberdade para cultos religiosos, senão para aqueles permitidos por seus senhores. Esta oportuna observação implica no entendimento de uma perda de identidade idiossincrática e uma consciente ou inconsciente assimilação de outros valores dos povos dominadores.

Por mais de 400 anos a inicial mensagem de IHVH a Abraão, sobre a multiplicidade de sua descendência, pareceria ter caído no esquecimento. Esse mesmo fato se daria com a revelação de Deus a Jacob acerca das doze tribos de Israel que herdariam Canaã.

Moisés surgiria então como o grande pilar, a ponte vertical entre o Deus de Israel e seu povo a fim de fazer cumprir a promessa a Jacob em Betel. Notemos, no entanto, que Deus falaria a Jacob sobre Canaã numa visão futura, não definindo na ocasião o tempo ou data do acontecimento. As principais consecuções das promessas aos hebreus tomariam vulto séculos depois, a partir do solo egípcio, continuando numa vertente planejada para a consecução final, visto as novas alianças, todas elas, ensejarem acontecimentos espírito-matéria. O Livro do Êxodo relata que a primeira e substancial aliança de IHVH com os hebreus aconteceria justamente na libertação do jugo egípcio, com todas as implicações entre Moisés e Ramsés II.

Por outro lado, podemos entender a proximidade cronológica dos cultos a Aton e a IHVH como tentativas reais e verdadeiras de se estabelecer definitivamente o monoteísmo.

Rayom Ra

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Alianças de IHVH - II (final)

Com IHVH se inauguraria um ciclo judaico que se afirmaria diferente dos eventos liderados por Noé, Abraão, Isaque ou Jacob, cujas provas de fé haviam orientado basicamente os seus respectivos clãs. Com aqueles antigos patriarcas o Deus único não inspiraria a organização e consolidação de um credo. Mas com os israelitas do êxodo IHVH imprimiria no seu animismo sucessivos registros sobrenaturais de efeitos físicos tangíveis, com a intermediação de Moisés, de carne e osso como eles. As impressões dos efeitos terrenos produziriam, ademais, na psique coletiva, figuras críveis e indeléveis para as gerações futuras. Entretanto, naqueles momentos eles se tornavam testemunhas co-responsáveis por ter visto, conhecido e participado!

A própria identificação do Deus de Abrão, de Isaque e Jacob, trazia uma conotação mais séria, mais definitiva, pois somente aqui ele revelaria seu nome, como descrito em Êxodo 6:2 “Falou mais a Moisés e disse: Eu Sou o Senhor” (IHVH). Sabemos do respeito que os hebreus tinham por Deus, ao evitar chamar-lhe pelo verdadeiro nome, substituindo IHVH por Adonai, que significa Senhor.

A épica viagem rumo à Canaã prometida faria uma pausa ao pé do Monte Sinai, que Moisés subiria, aonde se desenrolaria a dramática apresentação dos dez mandamentos. A prova material das Tábuas dos Dez Mandamentos se constituiria na inequívoca segunda grande aliança de IHVH com os hebreus. A alocação dessas dez regras viria de fato requerer, a partir dali, a rígida postura moral desejada por IHVH. Essa postura seria mais do que necessária para fundamentar os pilares sobre os quais o monoteísmo pudesse firmemente edificar-se e avançar como um culto desejável, possuidor de um código único e agregador. Esse código rejeitaria todas as demais práticas forjadas por outras crenças politeístas em que cada deus, bom ou vingativo, induzia a particulares e pessoais atitudes e cultos. A diferença básica se iniciava agora na contextura pragmática dos dez mandamentos, sob a rígida determinação de IHVH para obediência de todos. Os hebreus, no entanto, necessitariam de mais elementos para materializar um culto monoteísta e fundamentar sua fé religiosa.

Mais adiante, Deus mandaria construir a arca que se consubstanciaria, juntamente com o tabernáculo e seus implementos ritualísticos, na terceira grande aliança. A surpreendente arca requerida pelo Deus IHVH seria qualquer coisa inusitada para um povo semita não acostumado a esse tipo de vínculo com outros deuses. Ao invés de uma imagem por Ele já proibida mandaria construir a arca para oficializar sua presença física entre o povo. No Egito havia arcas, mas eram objetos de cultos sacerdotais privativos, e não do povo, muito menos de escravos. Agora IHVH determinava a Moisés construir uma arca como no Egito, e justamente para um povo que lá estivera escravizado!

A arca se constituiria em algo difícil e operoso para sua construção e de mão de obra artística e artesanal. Os objetos que a acompanhariam, todos confeccionados como os queria IHVH, identificavam a montagem de um templo especial, em pleno deserto, para a prática da magia. A magia, para seu pleno e perfeito funcionamento, necessitaria de uma organizada e complicada liturgia, ordenada e imposta nos seus mínimos detalhes pelo próprio Deus dos judeus, segundo os informaria Moisés, e com imolações de animais.

A quarta grande aliança de IHVH com os judeus do êxodo detalhada no Pentateuco e complementada sua narrativa no Livro de Josué, seria justamente a posse das terras prometidas de Canaã. Essa quarta aliança aconteceria quarenta anos depois de iniciada a difícil peregrinação pelo deserto. A posse definitiva de Canaã se daria após a morte de Moisés, conduzida em grande parte pelo incansável espírito de Josué, empreendedor de inúmeras guerras.

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Genesis da Grande Face Negra

Um poder que viajava através do espaço, deixava atrás de si o permanente rastro de sua presença. Um som semelhante a uma avalanche acompanhava aquele poder, mas era algo grotesco, jamais ouvido, que se encaminhava pelo ar como se rolasse adiante de um dilúvio em permanente e incontida expansão. Havia intensa escuridão, no entanto era possível discernir o progresso do poder. Em certo instante, Sorman deteve a impressão de o avassalador som e o sensorial poder se combinar numa só ação, e deslizar por uma inconcebível esteira no fenomenal espaço de um vasto, profundo e insondável oceano etéreo. Até então, ele ficara preso àquelas imagens que, apesar de imensuráveis, se enquadravam num monumental plano cartesiano; mas de repente, sentiu-se deslocar e trasladar de seu horizonte de observação para outra dimensão, muito acima daquelas voluptuosas e verdadeiramente indescritíveis projeções. E nesta nova situação no universo, num ponto qualquer fora do espaço-tempo, voltou a contemplar a aterradora e fantástica figura.

A incomensurável Face Negra ocupava agora todo o espaço alcançado pelo campo visual de Sorman. Perplexo, ele tentou desviar-se da imagem; buscou uma brecha por onde pudesse concentrar sua atenção a fim de escapar da visão, mas a falta de outra qualquer referência, por menor que fosse, trouxe-o inexoravelmente de volta para a total contemplação. Era tão gigantesca a aparição, - segundo podia supor pela astronômica projeção, - que conteria a todos os átomos de uma existência cósmica, em todos os seus mundos de enigmáticas e simultâneas dimensões.

Mas ao invés de pavor, como na primeira visão de muitos meses atrás, Sorman se petrificava. Algo congelara-lhe todas as reações; somente o sentido interior da visão e o da audição passaram a agir-lhe como as únicas coisas vivas. Nesta nova e inusitada condição, podia então observar que a descomunal e infinita Face Negra estava de olhos fechados, e soprava. O avassalador som, antes ouvido, sendo exatamente o mesmo agora percebido através de seus lábios entreabertos, trazia consigo o poder que de inicio ele acusara. Ela soprava por um tempo de sensação interminável, e o som e o poder juntos, eram sustentados e lançados para distâncias inimagináveis, muitíssimo além de tudo quanto a mente finita poderia suspeitar ou conjeturar. E quando aquele alento terminou, a boca falou lenta e prolongadamente, com voz rouca e grave, à semelhança de esdrúxulo e abismal ruído resultante do atrito de muitos metais pesados: FAAAÇAAA-SEEE!

A boca permaneceu aberta; imediatamente partiram dela milhões de formas negras que eram atravessadas por dois grandes raios ígneos provenientes de seus olhos. As formas não se incandesciam, mas se eletrificavam; tornavam-se transparentes véus ampliados elasticamente a cobrir todos os espaços por onde o poder e o som haviam antes se propagado. Ao cabo de algum tempo, enquanto perdurara a percepção dessas últimas imagens, a Face vestira-se de um sorriso sarcástico e diabólico, ficando seus olhos apertados e repuxados. Em seguida, a forma total passou a se tornar menos densa, cada vez mais etérea, até se desmanchar completamente, vindo se transformar numa infinita película negra de sutilíssima tessitura, finalmente pousando sobre todas aquelas coisas infundidas no universo, permeando-as como água jogada sobre a areia, nelas permanecendo.

Ao acordar Sorman estava trêmulo. Impressões sucediam-se a impregnar-lhe o cérebro. Mediante a incapacidade de se controlar emocional e mentalmente, ele se levantou um tanto atordoado, encaminhando-se para o banheiro a fim de tomar uma ducha. Reagiu bem, e enquanto se vestia, trouxe uma das mãos adiante do ventre examinando-a no dorso e dedos. Estava absolutamente firme, muito embora ainda lhe percorresse um leve tremor por todo o corpo, semelhante a rápidas descargas elétricas.

                                    [ Do livro A Face Negra da Terra, de Rayom Ra ]

Rayom Ra

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