sexta-feira, 31 de julho de 2026

Implosões


                                                   Unidades Carbono
                                                   Milhares, bilhões,
                                                   Ideias travadas.

                                                   Terras inférteis,
                                                   Corpos andantes,
                                                   Cabeças domadas.

                                                   Vidas sem vida,
                                                   Ciclos sem fim,
                                                   Almas dopadas.

                                                   Sangue impiedoso,
                                                   Lágrimas frias,
                                                   Em vão derramadas.

                                                   Mortes e mortes,
                                                   Preces sem ecos,
                                                   Graças negadas.

                                                   Mapa do jogo,
                                                   Cavalos, peões,
                                                   Peças jogadas.

                                                   Rainhas e reis,
                                                   Espúrias as leis,
                                                   Mãos ocultadas.

                                                   Promessas de paz,
                                                   Mentiras sagazes,
                                                   Guerras forjadas.

                                                   Humanos robôs,
                                                   Dinheiro a rodo,
                                                   Panelas furadas.

                                                   Dias de medo,
                                                   Planeta ferido,
                                                   Pessoas caladas.

                                                   Moloch bem vivo,
                                                   Tortura infantil,
                                                   Crianças levadas.

                                                   Olhos sem ver,
                                                   Ateus congelados,
                                                   Mentes lacradas.

                                                   Venenos no ar,
                                                   Dragão pelos céus,
                                                   Bestas amadas.

                                                   Templos escuros,
                                                   Rezas e fúrias,
                                                   Janelas fechadas.

                                                   Astros, perigos,
                                                   Ciência sem luz,
                                                   Razões apagadas.

                                                   Núpcias do Pai,
                                                   Noiva estelar,
                                                   Idades douradas.

                                                   Terror escondido,
                                                   Portas abertas,
                                                   Cortinas rasgadas.
 
Por Rayom Ra

quarta-feira, 8 de julho de 2026

A Ciência da Respiração [ A.A Bailey - Mestre D.K]

Agora nós chegamos às palavras significativas na Regra IV. "O homem respira profundamente." Esta é uma sentença cobrindo muitos aspectos da vida rítmica. É a fórmula mágica para a ciência do pranayama. Ela cobre a arte da vida criadora. Ela faz o homem sintonizar com a vida pulsante do próprio Deus e isto através de libertação e reorientação

É extremamente interessante como uma demonstração de maneira sucinta e inclusive das frases ocultas como na Regra IV. A arte da respiração é discutida em três fases e a estas Eu recomendo a cada um de vocês a mais cuidadosa consideração.

Há primeiramente o aspecto da Inalação. "O homem inspira profundamente." Das próprias profundezas de seu ser ele busca o alento. No processo da vida dos fenômenos, ele busca o próprio alento da vida da alma. Este é o primeiro estágio. No processo de se libertar da vida dos fenômenos, ele busca das profundezas de seu ser e das experiências da vida, que ela possa ser encaminhada novamente de volta para a fonte de onde ela veio. 

Na vida oculta do discípulo à medida em que ele desenvolve um uso novo e mais sutil de seu aparelho de resposta, ele pratica a ciência da respiração e descobre que através da respiração profunda (incluindo os três estágios de respiração profunda, média e alta) ele pode por em atividade, no mundo das experiências esotéricas, seu corpo vital com seus centros de força. Assim, os três aspectos da "inspiração profunda" cobrem a experiência da alma inteira e a relação com os três tipos de respiração, acima assinalados, pode ser estabelecida pelo aspirante interessado.

Em seguida nós temos: "ele concentre suas forças." Aqui nós temos o estágio indicado que pode ser chamado retenção do alento. É uma sustentação de todas a forças da vida firmemente no lugar do silêncio e quando isto pode ser feito com facilidade e com esquecimento do processo através da familiaridade e da experiência, então, o homem pode ver e ouvir e conhecer num reino diferente do mundo dos fenômenos. No sentido superior este é o estágio de contemplação, essa "calma entre duas atividades," como tão bem tem sido chamada.

A alma, a respiração, a vida, tem se retirado dos três mundos, e no "lugar secreto do Altíssimo" está em repouso e em paz, contemplando a beatífica visão. Na vida do discípulo ativo ela produz aqueles interlúdios que todo discípulo conhece, quando (através do desapego e da capacidade de retirar-se) nada conserva no mundo da forma.

Como ele está apenas lutando pela perfeição e ainda não a atingiu, estes interlúdios de silêncio, retiro e de desapego são frequentemente difíceis e sombrios. Tudo é silêncio e ele permanece atemorizado pelo desconhecido e pela calma aparentemente vazia na qual ele se encontra. Isto é chamado, em casos avançados, "a escura noite da alma" - o momento antes da aurora, a hora antes da luz irromper.

Na ciência do Pranayama é o momento seguinte à inalação, quando todas as forças do corpo foram (por intermédio da respiração) levadas para o alto, para a cabeça, e ali concentrados previamente ao estágio da expiração. Este momento de retenção, quando propriamente executado, produz um interlúdio de intensa concentração e é neste momento que o aspirante deve agarrar a oportunidade. Aqui está uma deixa.

Depois vem o processo da expiração. Nós temos na regra IV "ele afasta de si o pensamento-forma". Este é sempre o resultado do estágio final da ciência da respiração. A forma, vitalizada por quem respira no ritmo correto, é enviada para fazer o seu trabalho e cumprir sua missão. Estudem esta ideia com carinho, pois ela contem o segredo do trabalho criador.

Na experiência da alma, a forma para a manifestação nos três mundos é criada através da meditação intensa, atividade sempre paralela  da respiração. Então, por um ato da vontade, resultando numa "expiração" e engendrada ou alcançada dinamicamente no interlúdio da contemplação ou retenção do alento, a forma criada é enviada para o mundo dos fenômenos, para servir como um canal de experiência, um meio de expressão e um instrumento de resposta nos três mundos de vida humana.

Na vida do discípulo, através da meditação e da disciplina, ele aprende a alcançar altos momentos de interlúdio sempre que ele concentra suas forças no plano da vida alma, e depois, novamente por um ato da vontade, ele exala seus objetivos espirituais, planos de vida, para o mundo da experiência. O pensamento-forma que ele construiu relativamente à parte que ele tem de desempenhar e a concentração de energia que ele conseguiu obter, se tornam efetivos.

A energia necessária para o passo seguinte é exalada pela alma e desce para o corpo vital, assim galvanizando o instrumento físico com a necessária atividade construtiva. Aquele aspecto do plano que ele apreciar na contemplação, e aquela parte do propósito geral da Hierarquia na qual sua alma se sente chamada a cooperar são exaladas simultaneamente, através da mente para o cérebro e assim "ele afasta de si o pensamento-forma."

Finalmente, na ciência do Pranayama, este estágio cobre aquele movimento expiratório que, quando executado tendo um pensamento e um objetivo consciente por trás de si, serve para vitalizar os centros e encher cada um deles com vida dinâmica. Mas não precisa ser dito aqui.

Assim nesta ciência do "respirar profundamente" nós temos todo o processo do trabalho criador e do desdobramento evolutivo de Deus em a natureza, coberto. É o processo através do qual a Vida, a Existência Una, trouxe à existência o mundo fenomênico, e a Regra IV é um resumo da Criação. É igualmente a fórmula segundo a qual a alma individual trabalha ao centralizar suas forças para a manifestação nos três mundos da experiência humana.

O uso correto do Alento-da-Vida é toda a arte que o aspirante, o discípulo e o iniciado trabalham, tendo em mente, contudo, que a ciência do alento físico é o aspecto menos importante e se segue, na continuidade, ao uso correto da energia, que é a palavra que nós utilizamos para o divino alento ou vida.

Finalmente, na vida mental do discípulo e no grande trabalho do aprender e do ser um criador consciente na matéria mental e assim produzir resultados no mundo dos fenômenos, esta quarta Regra contém as instruções sobre as quais o trabalho é baseado. Ela incorpora a ciência de todo trabalho mago.

Por isso, esta Regra exige a máxima consideração e estudo. Corretamente entendida e corretamente estudada deve conduzir cada aspirante para fora do mundo dos fenômenos, para o reino da alma. Suas instruções, se executadas, deverão conduzir a alma de volta para o mundo dos fenômenos como a força criadora na magia da alma e como o fator manipulador e dominante do, e por intermédio da forma.

No treinamento do estudante ocidental, nunca se pede uma obediência cega. As sugestões são feitas quanto ao método e à técnica que se mostrou eficiente por milhares de anos e com muitos discípulos. Algumas regras quanto à respiração, quanto ao processo útil e ao modo prático de viver no plano físico serão indicadas, mas no treinamento do novo tipo e discípulo durante a era vindoura é a vontade dos Gurus e Rishis observadores, que eles serão deixados mais livres do que agora tem sido o caso. Isto pode significar um desenvolvimento ligeiramente mais lento, no começo, mas resultará, espera-se, num mais rápido desdobramento durante os estágios posteriores no Caminho da Iniciação.
              
Por isso os estudantes são solicitados a prosseguir durante o seu período de treinamento com coragem e com alegria, sabendo que são membros de um grupo de discípulos, sabendo que não estão sós, mas que a força do grupo é sua, o conhecimento do grupo é seu também na medida que desenvolvam a capacidade de apreendê-la - e sabendo também que o amor, a sabedoria e a compreensão dos irmãos Mais Velhos que observam, amparam cada aspirante Filho de Deus, mesmo quando aparentemente (e sabiamente) ele é deixado a lutar através da luz de sua própria alma onipotente!

Extraído da Obra: Um Tratado Sobre Magia Branca, Regra IV - A Ciência da Respiração por A. A. Bailey e Mestre D.J. Khul 

                                                       Rayom Ra
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terça-feira, 30 de junho de 2026

Seguindo Sempre!

                                                         I
                                Pulsa-me em ritmo o coração,
                                Nada além o meu ser vislumbra,
                                Sou tomado por precaução,
                                Envolve-me intensa penumbra!         
                                                        II
                                Caminho na deserta estrada,
                                Sem temores ou hesitações,
                                Triste tarde um vazio e nada,
                                Ausência de habitações!
                                                         III
                                Ainda não vislumbro picos,
                                Que o branco manto pousa e cobre,
                                Como de uma presença nobre!
                                                          IV
                                Montanhas vejo e veios ricos,
                                Acerco-me então de minha hora,
                                Outro cenário outra flora!
                                             
                                                Por Rayom Ra
                                                Direitos Reservados

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Dhammapada - Caminho da Lei - Extratos

                                               O Arahant - Arahantavagga
   (1) Arahant  - Aquele que destruiu os dez grilhões, atingiu a perfeição espiritual. Às ve-
 zes, traduzido como verdadeiramente O Meritório
   Os dez grilhões -  obstáculos da Iluminação, são os seguintes:
          01 - Crença na personalidade ou a ilusão do eu;
          02 - Dúvida cética defensiva ou discursiva;
          03 - Crença na eficácia de regras e rituais;
          04 - Desejo sensorial pela procura de satisfação, 
                 através da imaginação da mente [luxúria];
          05 - Má vontade, repugnância, ódio;
          06 - Anseio pela paz espiritual, devido ao apego
                dos objetos psíquicos sutis de meditação intensa [mundo das formas];
          07 - Anseio por uma existência imaterial [mundo sem forma];
          08 - Orgulho espiritual;
          09 - Inquietude e preocupação da mente;
          10 - Ignorância devido aos resíduos de apego e de autoilusão.

I  - Não há mais sofrimento para quem percorreu o Caminho e alcançou a liberdade infinita. Este libertou-se de todos os grilhões. Extinguiu a febre ardente de viver.
II  - Como os cisnes ao abandonarem os lago em busca de uma moradia melhor, bem atento, ele parte, resoluto, abandonando a casa e o lar.
III - Aquele que nada acumula, que só se alimente do estritamente necessário, cujo objetivo é o vazio da Liberdade Incondicionada (2), é tão difícil seguir-lhe a rota como a de um pássaro voando.
IV  - Aquele que destruiu em si o desejo e o amor às ilusões da vida, cujas paixões se apaziguaram, que se libertou das causas da existência e cujo objetivo é o Vazio, a Liberdade Incondicional, é tão difícil seguir-lhe a rota como a de um pássaro voando.
V  - Os próprios Devas [deuses] admiram aquele cujos sentidos foram sabiamente domados, como um corcel por seu cavaleiro e que se libertou de todo o orgulho e paixões.
VI   - Firme como uma coluna na prática da Doutrina; impassível como a terra que nada ressente, sereno como o lago cuja lama se depositou; para este o ciclo das existências terminou.

  (2) - Liberdade Incondicionada: Liberdade Infinita ou incondicionada; Vimokka é a libertação baseada na penetração das três características de existência: 
Lakkahanas
1) Insubstancialidade, percebida pela ausência de uma personalidade ou um eu permanente (Anatta);
2) Impermanência, percebida pela ausência de condicionamento (Anicca);
3) Insatisfatoriedade, característica do sofrimento - Dukkha - percebida como ausência de desejo. Resumindo: exprime o vazio da impermanência, Insatisfatoriedade e Insubstancialidade de tudo o que produz a Dor.

VII - Tranquilas são as palavras, atos e pensamentos daquele que, pela Luz da Sabedoria, se libertou completamente, tornando-se sereno e equânime.
VIII - Entre todos é o mais excelente dos homens o que - não tem fé cega - conhece o Incriado (Nibbana), renunciou a todo desejo e rompeu os grilhões do mundo, destruindo os elementos de novos nascimentos.
IX - Na aldeia, na floresta, na planície ou nas colinas, onde quer que viva um Arahant, é sempre uma dádiva com ele conviver.
X - Para aqueles que não buscam os prazeres mundanos, cheias de encantos são as florestas desdenhadas pela multidão. Nelas se deleitam os que são isentos de paixão.

Texto extraído da obra "Dhammapada, Caminho da Lei", em tradução, prefácio e notas do Dr. Georges da Silva, editada pela Editora Pensamento - MCMLXXVIII.

                                                                      RAYOM RA
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segunda-feira, 22 de junho de 2026

Estrada Deserta

                                                             I                         
                                  Eu trilharei uma Estrada Deserta,
                                  A sós bem eu sei sob o céu e estrelas,
                                  Sem temores com a mente alerta,
                                  Bastante atenção e muitas cautelas! 
                                                             II
                                  Tentações às margens viverei,
                                  Negras formas ante mim virão,
                                  Onde ali eu caminhe - onde estarei,
                                  Aos meus passos me seguirão!
                                                             III
                                  Coragem, destemor, haverei,
                                  Ante o silêncio da madrugada,
                                  Assim cortante qual uma espada!
                                                              IV
                                  Fantasmas da mente expulsarei,
                                  Ao confronto estarei preparado,
                                  Com o Senhor estando ao meu lado!
                                            
                                                          Por Rayom Ra
                                                          Direitos Reservados
                                 
                                  
                                    
                                  
                                  

terça-feira, 16 de junho de 2026

Excertos de Ramatís - 04

  01. Pergunta: - Ainda com relação à última ceia, gostaríamos de sanar nossas dúvidas quanto ao fato daquela acusação de Jesus, insinuando ser Judas o discípulo que deveria traí-lo?

 Ramatís: - Entre os diversos acontecimentos narrados pelos evangelistas e sumariamente modificados posteriormente pelos exegetas católicos, a cena da acusação indireta de Jesus contra Judas, se fosse verdadeira, seria um dos mais graves e censuráveis desmentidos aos seus profundos sentimentos de amor, ternura e perdão tão sublimes, que, nos extremos de sua agonia, no ato de sua crucificação, quanto aos seus algozes, o fez dirigir ao PAI aquela rogativa de misericórdia infinita: "Pai! Perdoai-lhes porque eles não sabem o que fazem!"
  É quase inacreditável que, depois de se configurar o Amado Mestre como a maior expressão de amor e de renúncia na Terra, o reduzam ao caráter de um homem comum, ressentido e intrigante, pecando pelo julgamento antecipado da "possível" traição de um discípulo!
  Conforme narra o evangelista João, cap. XIII, vs. 21 a 30, primeiramente Jesus exclama: "Em verdade, em verdade vos digo que um de vós me há de entregar". Após os apóstolos recuperarem-se  da angústia daquela acusação velada e, em seguida às indagações aflitivas de Pedro e João, eis que o Mestre, num gesto de delator vingativo responde: "É aquele [o traidor] a quem eu der o pão molhado. E tendo molhado o pão, deu-o a Judas, filho de Simão Iscariotes". E a narrativa de João acrescenta: "E atrás do bocado  do pão entrou em Judas o Satanás!"
  Em tal acontecimento tão comprometedor, faltaria ao Mestre, sempre gentil e benevolente, até o resquício da piedade comum nas criaturas de relativa formação moral, pois ele teria acusado o seu discípulo em público, por um ato abjeto de que apenas tinha pressentimento!
  Mateus, cap. XXVI, vs. 21 a 25, não descreve a cena do pão molhado entregue a Judas como o libelo acusador, mas ainda é mais chocante contra a linhagem angélica do Mestre, pondo-lhe nos lábios as seguintes palavras acusatórias e da maldição: "O Filho do homem vai, certamente, como está escrito dele; mas ai daquele homem por cuja intervenção há de ser entregue o Filho do homem; melhor fora a tal homem não haver nascido!" E, respondendo Judas, o que o traía, disse: "Sou eu, porventura, Mestre?" Disse-lhe Jesus: "Tu o disseste".
  Ora, no caso, Jesus não só desejaria a Judas um fim trágico e abominável, como ainda o acusaria brutalmente diante dos demais discípulos e companheiros, confirmando que era ele o traidor!
  E se "atrás" do bocado de pão molhado entrou Satanás em Judas, conforme narra João, então é obvio que, até aquele momento, Judas ainda não havia deliberado trair o seu Mestre; e que isso só lhe ocorreu depois que Satanás o tomou no ato da ingestão do bocado de pão molhado e abençoado ali na mesa santa!

 02. Pergunta: - É admissível que todas essas ocorrências, desmentindo a contextura espiritual de Jesus e que fazem parte dos evangelhos canônicos, sejam apenas figuras simbólicas ou alegorias, propondo-nos lições de alcance espiritual?

  Ramatís: - Jamais essa foi a verdade, pois a vida de Jesus foi clara, sem sofismas ou hesitações, é não à maneira do homem, que se salienta sobre a massa humana, mas sobre as comprometedoras alternativas de hoje obrar como um santo e amanhã atuar como um demônio!
  Espírito da hierarquia de Jesus não possui duas facetas, não se turba nem se nivela ao conteúdo efervescente das paixões humanas, nem é vítima do descontrole das emoções indisciplinadas!
  Não se confunda a energia, a ombridade, a justiça, a estabilidade emotiva e a franqueza honesta de um anjo atuando na carne, com as contradições que são fruto da personalidade humana! Jesus não desejava nada  do mundo e jamais temeu a morte; em consequência, não agia nem atuava no mundo material preocupado com respeito à sua pessoa. 
  Pouco lhe importaria que Judas ou qualquer outro discípulo o traísse ou o levasse a qualquer outro tipo de morte! A sua linhagem espiritual tornava-o sempre acima das atitudes humanas a seu favor ou em seu desfavor, quer se tratasse de seus parentes, amigos, adeptos ou desconhecidos. Se existissem homens inferiores ao Mestre Amado, que não se tornam melhores com o "elogio", nem ficam piores com a "censura", o que não seria Jesus, diante da fraqueza de um discípulo, que já vivia perturbado pelas suas próprias emoções descontroladas e pelos ciúmes infundados?
  Quanto aos homens que adjudicaram a si o direito exclusivo e a responsabilidade tremenda de divulgar a vida e a obra de Jesus de Nazaré, já é tempo de virem corajosamente a público, extirpar os evangelhos dos equívocos, extremismos, absurdos, melodramas, interpolações e imitações que comprometem, desfiguram e lançam desconfiança sobre o Mestre Jesus - o Mentor Espiritual da Terra!
  Mesmo porque é fácil o encontrarmos definido através de suas próprias palavras de sentido biográfico, quando falou assim: "Vinde a mim, todos vós que estais aflitos e sobrecarregados que eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei comigo que sou brando e humilde de coração e achareis repouso para vossas almas, pois suave é o meu jugo e leve o meu fardo".

[Excertos da obra O Sublime Peregrino - Capítulo XXII - "As Pregações e as Parábolas de Jesus", por Ramatís, através de Hercílio Maes]

                                                             Rayom Ra
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segunda-feira, 15 de junho de 2026

Excertos de Ramatís - 03

Pergunta: - Jesus sempre recebeu o apoio e a adesão de seus conterrâneos da Galiléia, quando iniciou suas prédicas evangélicas?

Ramatís: - Mudam-se as épocas, mas os homens se repetem, porque a Terra ainda é uma escola de educação primária, cuja turma aprovada no aprendizado do ACB, é imediatamente substituída por outro contingente de almas analfabetas e portanto nas mesmas condições espirituais dos aprovados anteriormente. Aliás, o próprio Jesus queixou-se de "que ele viera para os seus e eles não o conheceram", justificando perfeitamente o aforismo "santo de casa não faz milagres", coisa que tornaria acontecer hoje, caso ele retornasse à Terra para cumprir tarefas semelhantes.
  Iniciando a sua jornada messiânica, o Mestre Jesus foi alvo de entusiasmos e zombarias, de respeito e sarcasmo, de elogios e censuras, de admiração e hostilidade. Os gozadores, os egoístas, os hipócritas de todos os tempos, também estiveram presentes na sua tarefa de libertação espiritual do homem, e sem dúvida ainda hoje estariam novamente na sua "segunda vinda". Os mais irreverentes da época consideravam Jesus um indivíduo hábil, esperto e talentoso, que seduzia as mulheres jovens enquanto usufruía a fortuna das viúvas ricas.
  Os risos de mofa, os ditos ferinos, o sarcasmo e a censura circulavam em torno dele desafiando-lhe a tolerância e a resignação. Entre os seus próprios seguidores havia os pusilânimes, traidores e aproveitadores, como só acontece nos movimentos políticos e nas revoluções sociais. Para a maioria dos maledicentes, Jesus não passava de profeta dos vagabundos, pois a perfídia como a peçonha da serpente, que se renova a cada mordedura, também lograva infiltrar-se entre os seus discípulos e simpatizantes. Os mais débeis afastavam-se temerosos ante a primeira ameaça do Sinédrio e os interesseiro desistiam ante o insucesso financeiro do movimento cristão!
  Certas vezes ao surgir na curva do caminho principal que se estreitava depois na rua pedregosa principal de Nazaré, voltando de suas pregações junto ao Jordão, Tiberíades e adjacência e cercado pelos pescadores, homens do povo, viúvas, mulheres de todos os tipos e condições sociais, então os velhos rabis tomados de cólera "sagrada", recebiam Jesus com apodos e vitupérios. Batiam-lhe as portas da sinagoga à sua passagem, num protesto vivo contra as suas ideias e a ousadia de contrariar os preceitos de Moisés, em troca de aforismos e ensinamentos subversivos à religião do povo!
  Eram velhos sacerdotes ainda submetidos às regras dos manuscritos ortodoxos e não se reconciliavam com a pregação livre e talentosa de Jesus. Os seus protestos senis combatiam a ideia imortal que vicejava à luz do dia sob a palavra mágica do jovem pregador de Nazaré!
  Desesperados, empunhavam no recinto da sinagoga massudos e envelhecidos pergaminhos para justificarem suas prédicas ortodoxas e o dogmatismo de suas palavras vazias!
  Os fiéis entravam e saíam do santuário local tão ignorantes como viviam todos os dias, à semelhança do que hoje ainda ocorre com os crentes modernos, que fazem dos templos religiosos exposições de modas, ou apenas demonstração de fé para efeito de conceito público.
  O rabi Jesus era portador de ideias revolucionárias, explicando a existência de um Deus incompatível com a obstinação, o fanatismo e as especulações religiosas dos judeus. Isso era a subversão de todos os costumes religiosos e tradicionais do passado até a abdicação da virilidade judaica, pois ele chegava a aconselhar a "não violência" contra os romanos!
  Assim, alguns de seus parentes, vizinhos e amigos, aliando-se aos que possuíam interesses no prolongamento de uma situação de utilitarismo pessoal e acobertada pela falsa religiosidade, também não viam com bons olhos Jesus em sua pregações tão liberais, desprendidas dos preconceitos milenares.
  Ele contrariava a própria tradição do aconchego íntimo do santuário, uma vez que pregava abertamente em público, junto aos montes, aos lagos, enfraquecendo o poder religioso e a força sacerdotal centralizados nos dogmas religiosos.
  A natureza era a sua única igreja, pois ele tanto pregava ao povo do cimo de uma colina, sob a fronde de uma árvore, à margem dos rios e dos lagos como da pôpa de uma barco de pesca! Os seus sermões eram claros, simples e sem mistérios, o que também não agradava aos sacerdotes que se sacudiam nos púlpitos, agitando a atmosfera das sinagogas com os berros de uma altiloquência deliberada sobre o público!
  Era um contrassenso que um jovem sem aparatos sagrados nos templos e sem os estágios disciplinadores do entendimento mosaísta, em vez de se contentar com a modesta função de rabi itinerante, expondo soluções miúdas entre o povo, se pusesse a minar as bases da Torá, substituindo temas, preceitos e regras ditadas pelo grande legislador que fora Moisés!
  O seu papel de rabi seria apenas o de explicar com mais clareza, ou mesmo sob um toque de sua opinião pessoal, os conceitos da religião dominante, mas sem deformá-los ou desmenti-los! Ademais, Jesus enfraquecia o "mistério" da religião que alguns homens, astutos como as raposas, evitavam explicá-lo ao povo ignorante e tolo!
  Ensinava tudo muito fácil, expunha em público as delicadas facetas da especulação iniciática dos templos e os mais complexos tabus tornavam-se brinquedos de crianças! A compreensão da imortalidade tornava-se cada vez mais simples entre o povo rude e inculto, que entendia facilmente o generoso rabi; ele evitava as argumentações teológicas, as exortações áridas e quilométricas, nem apelava para os quadros estentóricos com o fito de valorizar a sua oração.
  Descrevia o "reino de Deus" com as palavras e as imagens conhecidas por aquela gente simples; eram símbolos da própria vida humana nas mais claras comparações objetivas!
  Aqui, aludia ao grão de mostarda, à espiga dourada, ao trigo e ao joio; ali, aos talentos enterrados, ao fermento que leveda a massa, à pérola de grande valor, à rede e à pesca; acolá suas lições, seus apólogos e aforismos giravam em torno do filho pródigo, das bodas do filho do Rei, do bom Samaritano, do rico e de Lázaro, do juiz iníquo, dos servos inúteis ou dos trabalhadores da vinha! Tudo muito claro, incisivo e comovente, fácil de ser divulgado pelos mais hábeis iletrados e compreendidos pelos mais obtusos!
  Mas, repetimos, nem todos aceitavam Jesus, malgrado sua gentileza, ternura e sublimidade, pois naquela época, os interesses humanos, tanto quanto hoje ainda acontece, dividiam as criaturas de conformidade com os seus objetivos egoístas e paixões! 
  O reino que o Mestre pregava, pedia de início a abdicação do interesse egoísta e do utilitarismo do mundo, insistia na humildade, na cessão de bens em favor dos mais necessitados, coisa que não podia ser bem aceita pelos ávidos, cúpidos e especuladores, inimigos milenares de quaisquer reformas sociais! Nem mesmo todos os galileus submetiam-se aos ensinos de Jesus, pois não querendo prejudicar os seus interesses, não se integravam no conteúdo evangélico do que ouviam!

[Excertos da obra O Sublime Peregrino - Capítulo XXII - "As Pregações e as Parábolas de Jesus", por Ramatís, através de Hercílio Maes]

                                                             Rayom Ra
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