terça-feira, 9 de junho de 2026

Os Prisioneiros do Planeta [A.A.Bailey-Mestre D.K.]

 REGRA DOZE
 "A teia pulsa. Ela se contrai e se expande. Que o mago se apodere do ponto do meio do caminho e assim liberte aqueles "prisioneiros do planeta" cuja nota esteja certa e perfeitamente sintonizada com aquilo que precisa ser feito."

Interlúdios e Ciclos
Os Prisioneiros do Planeta

Tendo lidado com o trabalho do mago em sua própria consciência interior e com a sua necessidade de aprender a importância de conquistar o "o ponto do meio do caminho", no seu trabalho de usar os interlúdios - tanto maior quanto menor - chegamos agora a consideração do objetivo de todo o seu trabalho, que é se ele é um verdadeiro mago branco. Está claramente afirmado que isto é para libertar "os prisioneiros do planeta" Seria, portanto, proveitoso para nós estudarmos quem são esses prisioneiros, qual é o modo de sua libertação e qual é o modo de ser aplicado pelo discípulo em atividade.
  Esses prisioneiros do planeta se enquadram em dois grandes grupos, que incluem necessariamente certas subdivisões. Eles constituem, inclusive, todas as formas de vida que nós habitualmente chamamos de subhumanas, mas estas palavras devem receber uma conotação mais ampla do que é normalmente o caso. Elas devem ser entendidas para abranger todas as vidas que estão incluídas em formas. As duas divisões são como se segue:
  Primeiro, a substância de todas as formas ou a multiplicidade de diminutas vidas atômicas, as quais, através do poder do pensamento, são atraídas para o aspecto forma, através do qual todas as existências ou todas as almas, minerais, vegetais, animais e o corpo animal do homem, se expressam. Isto descortina um largo horizonte e cobre praticamente todo o trabalho da criação do plano físico, de modo que não podemos nem tocar nele.
  Sob a Lei da Atração Magnética e devido à atividade impulsiva da Mente Universal no cumprimento dos propósitos do Logos Planetário, estes constituintes da matéria do espaço, estes átomos da substância, são atraídos, manipulados numa maneira rítmica e conservados juntos na forma. Através deste modo de criação, existências vêm à manifestação, participam na experiência de seu particular ciclo, seja ele efêmero, como a vida de uma borboleta, seja relativamente permanente como a vida animada da divindade planetária, e desaparecem.
  Os dois aspectos referidos - espírito e matéria - são assim trazidos a uma relação íntima e necessariamente exercem um efeito recíproco. A matéria, assim chamada, é energizada ou "elevada", no sentido oculto do termo por seu contato com o assim chamado espírito. O espírito, por sua vez, torna-se capacitado a elevar sua vibração, através de sua experiência na matéria.
  A aproximação desses dois aspectos divinos resulta na emergência de um terceiro, ao qual nós chamamos a alma, e por intermédio da alma, o espírito desenvolve uma sensibilidade e uma percepção consciente e capacidade de responder, que permanecem sua possessão permanente quando o divórcio entre os dois tem lugar final e ciclicamente.
  Muito sobre isto será encontrado em Um Tratado sobre o Fogo Cósmico e não há necessidade para que eu o repita aqui. Este segundo Tratado pretende ser mais prático e geralmente útil. Ele lida, primeiramente, com o treino do aspirante de modo que ele possa, por sua vez, agir como um criador consciente e, ao agir, servir aos fins mais elevados da Vida que o envolve. Assim, ele ajuda na materialização dos planos de Deus.
  O treino do aspirante, a indicação a ele de possíveis linhas e direções de evolução e a definição do propósito subjacente é tudo o que é prudente comunicar na presente etapa na qual o aspirante comum se encontra. Isto tem sido tentado nestas instruções e também foi dado algum novo ensinamento relativo ao veículo emocional.
  No próximo século, quando o equipamento humano estiver melhor desenvolvido e quando um significado mais real da atividade grupal for disponível, será possível fornecer mais informações, mas ainda não é chegado o tempo. Tudo que é possível para mim é tatear naquelas frágeis palavras que de alguma forma revestirão o pensamento. Ao revesti-lo elas o limitam e serei culpado de criar novos prisioneiros que deverão por fim ser libertados.
  Todos os livros são prisões de ideias e somente quando o falar e escrever forem substituídos pela comunicação telepática e pelo intercâmbio intuitivo, o plano e a técnica de sua expressão serão alcançados de uma maneira mais clara.
  Eu falo agora por símbolos; Eu manipulo as palavras de maneira a criar uma certa impressão; construo um pensamento-forma que, quando suficientemente dinâmico, poderá impressionar o cérebro de um agente transmissor, tal como você mesmo. Mas ao fazer assim, sei bem quanto precisará ficar sem ser relatado e quanto é raramente possível fazer, mais do que assinalar uma cosmologia, macrocósmica ou microcósmica, que seja suficiente para transmitir um quadro temporário da realidade divina.
  Falo para vocês de leis e procuro formulá-las inteligentemente, mas estou realmente lidando com aqueles impulsos divinos que emanam de um Criador Cósmico e se tornam leis ao produzirem efeitos na matéria do espaço, ali não encontrando praticamente nenhuma resistência.
  Outros divinos impulsos que também se desenvolvem ciclicamente ainda não conduziram uma vibração tão forte e não foram, portanto, tão poderosos quanto a vibração da substância combinada afetada. Estes últimos são aqueles impulsos aos quais nós denominamos de espirituais e que esperamos ver estabelecidos como as leis da nova era e que então substituirão ou então coalescerão com as presentes leis do universo. Juntos eles introduzirão um novo mundo sintético.
  Mas como pode o todo ser compreendido pela parte? Como pode o plano inteiro ser notado por uma alma que, por enquanto, não vê senão uma pequena fração da estrutura? Tenham isto firmemente em mente ao estudar e meditar sobre estas instruções e lembrem-se de que, na luz do futuro conhecimento da humanidade, tudo o que é aqui transmitido é como um livro adiantado da escola primária face aos livros de textos utilizados por um professor universitário. Servirá, todavia, para conduzir ao aspirante do Vestíbulo do Aprendizado até o Vestíbulo da Sabedoria, se ele usar os ensinamentos dados.
  Aprendam a ser telepáticos e intuitivos. Então estas formas de palavras e estas ideias, revestidas de formas, não serão necessárias. Vocês poderão então permanecer face a face com a verdade nua e viver e trabalhar no terreno das ideias e não no mundo das formas.
  Assim nós deixamos a vasta expansão de vidas cobertas pela expressão sem significado "substância atômica" e passamos a seguir para uma apreciação daqueles prisioneiros do planeta com os quais se pode mais facilmente entrar em contato, cujo problema pode ser mais especificamente compreendido e que se situam numa relação mais íntima com o homem.
  Os homens não estão equipados para compreender a natureza daquelas unidades de energia elétrica que foi chamada de "anima mundi" - a vida e a alma do Uno em quem todas as existências incorporadas vivem e se movem e têm sua existência.
  Para fazer isto, será necessário compreender algo da parte que o quarto reino da natureza representa em relação com o Todo e o propósito para o qual existe aquele agregado de formas a que nós chamamos a família humana.
  Nós precisamos estudar isto do ponto de vista da relação do quarto reino com o todo e não do ponto de vista do desenvolvimento individual progressivo do próprio homem e parte que ele representa como uma unidade humana dentro do círculo-não-se-passa da família humana. Nós usaremos a palavra humanidade e falaremos de sua missão e função dentro do grande esquema e na concretização do plano. Nós inferiremos uma humanidade que é composta de todos os filhos dos homens. 
  Ela inclui de um lado a hierarquia de adeptos que voluntariamente encarnam no plano físico para trabalhar dentro dos limites do reino humano e do outro nós encontramos os tipos não desenvolvidos que são mais animais do que humanos. Entre esses dois extremos nos encontramos os muitos e variados tipos, os desenvolvidos e os não desenvolvidos, os inteligentes e os não inteligentes - todos os que estão cobertos pela palavra homem.
  A humanidade constitui um centro de energia dentro do cosmos, capaz de três atividades:
  I- Primeiro de tudo, a humanidade é capaz de responder ao influxo da energia espiritual. Esta derrama-se nela vinda do cosmos, e, falando simbolicamente, estas energias são basicamente três em número:
 1- Energia Espiritual, como nós inadequadamente a denominamos. Esta emana de Deus, o Pai, e alcança a humanidade a partir do nível do que é tecnicamente chamado o plano monádico, da esfera arquetípica, a mais elevada fonte da qual um homem pode tornar-se consciente. Há poucos de tal modo equipados que possam responder a este tipo de energia. Ela é para a maioria praticamente inexistente. Eu uso a palavras "Deus o Pai" no sentido de Vida Una Auto-Existente, ou o Ser Absoluto.
  2 - Energia Sensorial - a energia que faz do homem uma alma. É o princípio da percepção, a faculdade da consciência, aquele algo, inerente à matéria (quando trazida à relação com o espírito), que desperta a capacidade de resposta a um campo de contatos exterior e de longo alcance.
  É aquilo que finalmente desenvolve no homem um reconhecimento do todo, do eu, e que conduz à autodeterminação e à autorrealização. Quando estes estão desenvolvidos, uma vez que não estão nos reinos subhumanos, um homem pode tornar-se consciente do primeiro tipo de energia, mencionada acima. Esta energia da consciência sensorial vem do segundo aspecto da divindade, do coração do sol, assim como a primeira, tecnicamente, mas falando simbolicamente, emana do sol central espiritual. O paralelo a estes dois tipos de força num ser humano é a energia nervosa operando através do sistema nervoso com o quartel general no cérebro e a energia vital que é sediada no coração.
  3 - Energia Prânica ou Vitalidade. Esta é aquela força vital, inerente à matéria mesma e na qual todas as formas estão imersas, uma vez que constituem partes funcionante da força maior. A estas, todas as formas respondem. Este tipo de energia vem do do sol físico e trabalha ativamente nos corpos vitais de toda forma no mundo natural, inclusive na forma física da própria humanidade.
  Na terminologia da Sabedoria Eterna, estas três são chamadas o fogo elétrico, o fogo solar e o fogo por fricção, e o propósito de uma em relação à outra é resumido por nós nas palavras da Doutrina Secreta como se segue:
       "A matéria é o veículo para a manifestação da Alma neste plano de existência, e a Alma é um Veículo num plano mais elevado de manifestação do Espírito e estes três são uma Trindade sintetizada pela Vida que os penetra a todos." S.D. I.80.

  A humanidade, sendo o ponto de encontro para todos os três tipos de energia, constitui, portanto, "um ponto no meio do caminho", na consciência do Criador. Este "ponto no meio do caminho" tem que ser alcançado pelo agente criador ativo de uma tal maneira que o aspirante tem que aprender a alcançar seus pontos no meio do caminho, na pequena porção do trabalho mágico e criador que ele procura desenvolver. A humanidade está destinada a ser o meio no qual certas atividades podem ser instituídas.
  Ela é, na realidade, o cérebro da Divindade Planetária, suas muitas unidades sendo análogas às células cerebrais do equipamento humano. Assim como o cérebro humano, constituído de um infinito número de células sensoriais capazes de responder, pode ser adequadamente impressionado quando a quietude tenha sido alcançada e pode tornar-se o meio de expressão para os planos e propósitos da alma, transmitindo suas ideias através da mente; assim a Divindade Planetária, trabalhando sob a inspiração da Mente Universal, pode impressionar a humanidade com os propósitos de Deus e produzir consequentes efeitos no mundo dos fenômenos.
  Os membros da hierarquia representam aqueles que alcançaram a paz e a quietude e podem ser impressionados; os aspirantes e discípulos representam aquelas células cerebrais que estão começando a entrar no ritmo divino mais amplo. Eles estão aprendendo a natureza da capacidade de resposta. A massa dos homens são como os milhões de células cerebrais não utilizadas que os psicólogos e cientistas nos dizem possuirmos mas que não as empregamos.
  Esta analogia vocês podem estabelecer em maior detalhe para vocês mesmos, mas ainda que superficialmente será aparente para vocês quando este ponto for alcançado; o propósito para o qual a humanidade existe, o objetivo perante o grupo de místicos e trabalhadores mundiais e o ideal estabelecido ante o aspirante individual são os mesmos qual na meditação individual; a conquista daquela atenção focalizada e quietude mental em que a realidade pode ser contatada, o verdadeiro e o belo podem ser registrados, o propósito divino pode ser lembrado e se torna possível transmitir para a forma fenomênica, no plano físico, a energia necessária pela qual a realização subjetiva pode ser materializada.
  O aspirante faz isto em conexão com o propósito de sua própria alma se ele for bem sucedido em sua tentativa; o discípulo está aprendendo a fazer isto relativamente com o propósito grupal e o iniciado coopera com o propósito planetário.
  Estes constituem o grupo interno das células cerebrais vitalmente ativas no cérebro planetário, o grupo humano inteiro: e é evidente que quanto mais poderosa seja a sua vibração unida e quanto mais clara seja a luz que elas reflitam e transmitam, tanto mais rapidamente a presente massa inerte das células humanas será trazida para a atividade.
  A hierarquia é para a vida planetária o que é a luz na cabeça para o discípulo comum desperto, somente numa proporção muito mais vasta e com alinhamento interno adequado que os estudantes tais como os que leem estas instruções não podem compreender no verdadeiro significado das palavras. O ponto a ser alcançado é que através da humanidade no plano físico, a natureza da realidade será revelada; o verdadeiro e o belo manifestar-se-ão; o plano divino finalmente concretizar-se-á e aquela energia transmitir-se-á a todas as formas da natureza: assim permitirão que emerja a realidade espiritual interior.
  II - O segundo tipo de atividade do qual o homem é capaz é um intenso desenvolvimento progressivo e espiralado dentro do círculo-não-se-passa humano. Esta frase cobre o modo de desenvolvimento e o procedimento inteiro de desdobramento de todas as unidades evolutivas a que nós chamamos homens. Não procuro lidar com isto aqui. A história do crescimento estrutural humano, o campo inteiro do desdobramento da consciência humana e a história de todas as raças e povos que viveram ou estão vivendo sobre nosso planeta podem ser tratados sob este título. Ele diz respeito ao uso que a humanidade tem feito de todas as energias disponíveis - dentro do mundo natural do qual ela é uma parte inerente ao próprio quarto reino - e vindo a ele também do mundo das realidades espirituais.
  III - O terceiro tipo de atividade que deve ocupar a atenção da humanidade, por enquanto pouco compreendido, é que ela deve agir como um centro transmissor de forças espirituais - força da alma  e energias espirituais unidas e combinadas - para os prisioneiros do planeta e para as vidas, mantidas em existências, incorporadas nos outros reinos da natureza.
  Os seres humanos estão aptos a se ocuparem primariamente com suas relações grupais superiores, com sua volta à casa do Pai e com a direção a qual nos chamamos "para cima" e para fora do mundo fenomênico. Eles estão principalmente ocupados com a descoberta do centro dentro do aspecto forma, ao qual nós caracterizamos como alma e, tendo-a encontrado, com o trabalho de identificarem-se com aquela alma e assim encontrarem a paz. 
  Isto está certo e em linha com a intenção divina, mas não é tudo do plano para o homem e enquanto isto permanecer o objetivo fundamental, o homem fica perigosamente prestes a cair na armadilha do egoísmo espiritual e na separatividade.
  Quando o centro é encontrado por qualquer ser humano e ele se torna uno com a alma, entrando em relação com a mesma, então ele automaticamente desloca sua posição na família humana e - novamente falando em símbolos - encontra-se como parte do centro de luz e compreensão ao qual nós chamamos, esotericamente, de a hierarquia oculta, a nuvem de testemunhas, os discípulos de Cristo e com outros nomes de acordo com a direção das convicções do discípulo. 
  Esta hierarquia está também tentando exteriorizar-se sob a forma de grupo de Servidores do Mundo e quando um homem encontra sua alma e o princípio da unidade lhe é suficientemente revelado, ele também se desloca para este grupo mais exotérico.
Nem todos os que encontram o centro se ligam, por enquanto, tanto ao grupo interno como ao externo. Então ele é consagrado para o trabalho mágico, para a salvação das almas, para a libertação dos prisioneiros do planeta.
  Este é o objetivo para a humanidade como um todo e quando todos os filhos do homem tiverem atingido o objetivo, esses prisioneiros serão libertados. A razão para isto será que o trabalho mágico, desenvolvido inteligente e perfeitamente, e os seres humanos em formação grupal agirão como transmissores de energia espiritual pura, a qual vivificará toda a forma em todo o reino da natureza.
 Considerando o problema dos prisioneiros do planeta e sua libertação final, deve-se lembrar que uma das forças que estão por trás do esquema evolutivo inteiro é a do Princípio  da Limitação. Este é o impulso primário que desencadeia o ato da criação e está intimamente ligado com o da vontade e seu reflexo inferior - o desejo. Vontade é o desejo - formulado tão claramente e desenvolvido tão poderosamente até um climax inteligente - que o modo de sua materialização é alcançado com tal acurácia e energizado com tal fito que o resultado é inevitável.
  Mas a vontade pura somente é possível a um pensador coordenado, a entidades verdadeiramente autoconscientes. O desejo é institinvo, ou antes, inerente a todas as formas, pois todas as formas e organismos constituem parte de algum pensador primário e são influenciados pelo poderoso intelecto daquela força primária.
  O Princípio da Limitação, por conseguinte, é a expressão da vontade com propósito definido e o desejo formulado de algum Ser pensante, governa consequentemente o processo de aquisição de forma de todas as vidas encarnadas. Este Princípio da Limitação controla o objetivo de uma encarnação, estabelece sua medida e ritmo, determina o raio de sua influência e produz aquele aparecimento ilusório da realidade ao qual nós chamamos de manifestação.
    Os "prisioneiros do planeta" se enquadram em duas categorias:
   1 - Aquelas vidas que agem sob a influência de um propósito consciente e que "limitam a vida que está neles" por um tempo. Eles conscientemente tomam forma, sabendo o fim desde o início. Estes Seres por sua vez, se enquadram em três grupos principais.
     a) O Ser Que é a Vida de nosso planeta, o Uno em quem nós vivemos, nos movemos e temos nosso ser. Este Ser, ou totalidade das vidas organizadas, é algumas vezes chamado de o Logos Planetário, algumas vezes de o Ancião dos Dias, algumas vezes Deus, algumas vezes de a Vida Una.
     b) Aquelas vidas que constituem o Princípio da Limitação num reino da natureza. A vida que, por exemplo, se expressa por intermédio do reino animal é uma entidade inteligente, autoconsciente, trabalhando com plena percepção de intenção e objetivo, limitando sua esfera de atividade para prover da devida oportunidade e expressão às miríades de vidas que encontram sua vida, existência e sustentação nele. Veem vocês como a lei do sacrifício percorre toda a criação.  
         c) Os filhos da mente, almas humanas, Anjos Solares,  os Divinos Filhos de Deus que em plena autoconsciência perseguem certos fins bem vistos por intermédio da família humana.   
   2 - Aquelas vidas que estão limitadas na forma porque são autoconscientes, mas são partes constituintes inconscientes de uma forma maior. Elas ainda não evoluíram até o ponto de se tornarem entidades autoconscientes.
  Poder-se-ia dizer que esta segunda categoria inclui todas as existências, mas a linha de demarcação entre a limitação autoproduzida e a tomada de forma não conscientizada jaz inteiramente no reino da consciência. Algumas vidas são prisioneiras e sabem-no. Outras são prisioneiras e o ignoram. A pista para o sofrimento está bem aqui no reino da mente. A dor e a agonia, a rebelião e a necessidade consciente do aperfeiçoamento e da troca de condições são somente encontradas onde o que nós chamamos de individualidade está presente, onde o complexo do "Eu" está controlado e onde uma entidade autoconsciente está em funcionamento.
    Há, naturalmente, o equivalente a dor nos reinos abaixo do humano, mas ele entra em uma outra diferenciação. Não está relacionado com o próprio. As formas subhumanas de vida sofrem o desconforto e estão sujeitas aos estertores da morte, mas não tem nem memória nem previsão e não possuem aquela apreensão mental que os capacitam a relatar o passado e o presente e a antecipar o futuro. Estão isentas da agonia do pressentimento. Sua reação inteira ao que são chamadas condições más é tão diferente daquela da humanidade que é difícil para nós a compreendermos. O Velho Comentário descreve estes dois grupos nos seguintes termos:
         "Os filhos de Deus que conhecem e veem e ouvem (e sabendo, sabem que sabem) sofrem a dor da limitação consciente. Bem no fundo das profundezas do ser consciente, seu perdido estado de liberdade corrói como um câncer. A dor, a doença, a pobreza e a perda são vistas como tais, e com elas todo filho de Deus se revolta. Ele sabe disso em si mesmo. Pois como uma vez estivera antes de ter ficado prisioneiro na forma, ele não conhecia a dor. A doença e a morte, a corrupção e a doença, não o tocavam. A riqueza do universo era sua e ele não conhecia a perda."
    "As vidas que entram na forma juntamente com vidas autoconscientes, as vidas dos devas que constroem as formas habitadas por todos os filhos de Deus, elas não conhecem nem a dor, nem a perda nem a pobreza. A forma se desfaz, as outras formas se retiram e aquilo que é necessário para nutrir e fortalecer o exterior falta. Mas faltando também a vontade e o planejado intento, elas não sentem nenhuma agravação nem conhecem qualquer clara revolta".

  Uma palavra sobre a dor poderia caber aqui, embora Eu não tenha nada de natureza abstrusa para comunicar a respeito da evolução da hierarquia humana através da dor. Os devas não sofrem a dor como a humanidade. Seu ritmo é mais firme, se bem que alinhado com a Lei. Eles aprendem através de aplicação ao trabalho de construir e da inclusão na forma daquilo que é construído. Eles crescem através da apreciação e do regozijo das formas construídas e do trabalho concluído.
  Os Devas constroem e a humanidade destrói e através da demolição das formas o homem aprende pela insatisfação. Assim se conquista a aquiescência no trabalho dos Construtores Maiores. A dor é aquela luta para o alto, através da matéria, que deposita um homem aos Pés do Logos; a dor é seguir-se a linha de maior resistência e por ali alcançar-se o cume da montanha; a dor é o demolir da forma e o alcançar-se o fogo interno; a dor é o frio do isolamento que conduz ao calor do Sol Central; a dor é o queimar no forno para finalmente conhecer o frescor da água da vida; a dor é o viajar até o país distante, resultando na recepção na Casa do Pai; a dor é a ilusão da rejeição do Pai, que conduz o filho pródigo diretamente ao coração do Pai; a dor é a cruz da extrema perda, que traz de volta a riqueza da abundância eterna; a dor é o chicote que leva o construtor que luta a alcançar a absoluta perfeição na construção do Templo. 
  Os usos da dor são muitos e eles conduzem a alma humana da escuridão para a luz, da escravidão para a libertação, da agonia para a paz. Aquela paz, aquela luz e aquela libertação, com a ordenada harmonia do cosmos, são para sempre os filhos dos homens.
  Com o problema da limitação está intimamente ligado o da libertação. Na prisão da forma entram todos os que vivem; alguns entram conscientemente e alguns inconscientemente e a isto nós chamamos nascimento, aparecimento, encarnação, manifestação. Imediatamente entra em atividade uma outra lei de aplicação de um princípio ativo ao qual nós chamamos a Lei dos Ciclos. Este é o princípio do aparecimento periódico - uma operação benéfica do amor-sabedoria da divindade inata, pois ela produz aquela sequência dos estados de consciência à qual nós denominamos Tempo.
  Este produz, portanto no campo mundial da percepção, um gradual e lento crescimento em direção à auto expressão, auto apreciação e auto realização. A estes princípios, de Limitação e dos Ciclos, se acrescenta um outro Princípio: o da Expansão. Este provoca o desenvolvimento da consciência de modo que o germe latente da sensibilidade ou da resposta sensitiva ao meio ambiente, pode ser fomentado na unidade vivente.
  Nós temos, portanto, três Princípios:
  1 - O Princípio da Limitação.
  2 - O Princípio da Manifestação Periódica.
  3 - O Princípio da Expansão.
  Estes três Princípios juntos constituem os fatores subjacentes e Lei da Evolução, como os homens a chamam. Eles provocam o aprisionamento da Vida em seus vários aspectos ou aparências; eles produzem as formas do ambiente e conduzem as vidas aprisionadas para prisões cada vez mais educativas. Finalmente chega o tempo em que o Princípio de Libertação se torna ativo e uma transição se efetua, de uma prisão que tortura e aperta, para uma que provê condições adequadas para o desenvolvimento seguinte da consciência.
  É interessante aqui registrar que a morte é governada pelo Princípio da Libertação e não pelo da Limitação. A morte é somente reconhecida como um fator a ser manipulado pelas vidas autoconscientes e somente é mal interpretada pelos seres humanos, que são  as mais deslumbrantes e iludidas de todas as vidas encarnadas.
  O ponto seguinte a ser anotado é que cada reino da natureza age de duas maneiras:
  1 - Como o libertador do reino das formas que não alcançou sua particular etapa de percepção consciente.
  2 - Como a prisão de vidas que transitaram para ela do nível de consciência imediatamente abaixo do seu.
  Deve-se sempre lembrar que cada campo de percepção em seus limites constitui uma prisão e que o objetivo de todo o trabalho de libertação é libertar a consciência e expandir seu campo de contatos. Onde exista limitações de qualquer espécie, onde um campo de influência e onde o raio do contato é limitado, ali vocês têm uma prisão.
  Ponderem sobre esta afirmação, pois ela contém muito de verdade. Onde há uma apreensão de uma visão e de um amplo território não conquistado de contatos então haverá inevitavelmente um sentimento de aprisionamento e de estreitamento.
  Onde há conscientização de mundo a conquistar, de verdades a serem aprendidas, de conquistas a serem feitas, de desejos a serem satisfeitos, de conhecimentos a serem dominados, ali vocês terão uma sensação lacerante de limitação, estimulando o aspirante a um renovado esforço e conduzindo a entidade vivente pelo caminho da evolução.
  O instinto governando os reinos vegetal e animal, se transforma em intelecto na família humana. Mais tarde o intelecto mergulha na intuição e a intuição na iluminação. Quando a consciência super-humana é evocada estas duas - intuição e iluminação - tomam lugar do instinto e inteligência. Iluminação, a que ela conduzDiretamente ao cume da conquista, ao cumprimento do destino cíclico, à emergência da glória radiante, à sabedoria, ao poder, à consciência de Deus.
  Estas palavras, todavia, pouco ou nada significam em comparação com a Realidade que somente pode ser sentida por qualquer ser humano quando sua intuição desperta e sua mente seja iluminada. 
  Dominando estes fatos a respeito do aprisionamento como, para ser prático, pode um homem tornar-se um agente libertador para os prisioneiros do planeta Que pode a humanidade como um todo realizar nesta direção? Que pode o indivíduo fazer?
A tarefa da humanidade se distribui primariamente em três divisões de trabalho. Três grupos de prisioneiros podem ser libertados e encontrarão finalmente o seu caminho para fora da prisão através da instrumentalidade do homem. Os seres humanos já estão trabalhando em todos os três campos.
   1. Prisioneiros na forma humana. Isto envolve o trabalho com os semelhantes.
   2. Prisioneiros no reino animal, e já muito está sendo feito neste campo.
    3. Prisioneiro nas formas do reino vegetal. Um começo foi feito aqui.
  Muito trabalho está sendo realizado pelos homens para o homem e, através do esforço científico, religioso e educativo, a consciência humana está firmemente expandindo-se até que um por um dos filhos de Deus vençam suas limitações para alcançar o mundo das almas.
  No retrospecto da história, o quadro do prisioneiro emergente, o Homem, pode ser visto em clara delineação. Pouco a pouco ele dominou as limitações planetárias; pouco a pouco ele cresceu da condição de homem das cavernas até a de um Shakespeare, de um Newton, de um Leonardo da Vince, de um Einstein, de um São Francisco de Assis, até um Cristo e um Buddha. A capacidade do homem para realizar em qualquer campo da expressão humana parece praticamente ilimitada e se os poucos milhares de anos passados viram um crescimento tão estupendo, o que veremos nos próximos cinco mil anos?
  Se o homem pré-histórico, pouco mais que um animal, cresceu até o gênio, que desenvolvimento não será possível quanto mais e mais da divindade inata fizer sua presença sentida? O super-homem está conosco. Que manifestará o mundo quando toda a humanidade estiver dirigindo-se para uma concreta manifestação dos poderes do super-homem?
  A consciência do homem está sendo libertada em várias dimensões e direções. Ela está se expandindo para o mundo das realidades espirituais e começando a abarcar o quinto reino - ou espiritual - o reino das almas. Ela está interpenetrando, através da pesquisa científica o mundo do esforço super-humano e investigando os múltiplos aspectos da forma de Deus e das formas que constituem a Forma.
  Abordando o trabalho da humanidade em libertar as unidades das quais ela é constituída e em libertar os prisioneiros dos reinos vegetal e animal, quero assinalar duas coisas, ambas de profunda importância:
 Primeira, para libertar os "prisioneiros do planeta" que se apresentam  sob o título de sub-humanoso homem tem que trabalhar sob a influência da intuição; e ao trabalhar para libertar seus semelhantes ele tem que saber o significado da Iluminação.
  Quando a verdadeira natureza do Serviço for compreendida, verificar-se-á que ele é um aspecto daquela energia divina que trabalha sempre sob a aspecto destruidor, pois ele destrói as formas para libertar. O Serviço é uma manifestação do Princípio da Libertação e deste princípio, a morte e o serviço constituem dois aspectos. O serviço salva, liberta e libera, em vários níveis, a consciência aprisionada.
  As mesmas afirmações podem ser feitas da morte. Mas a menos que o serviço possa ser prestado a partir de uma compreensão intuitiva de todos os fatos em causa, inteligentemente interpretados e aplicados num espírito de amor sobre o plano físico, ele fracassará em cumprir sua missão adequadamente.
  Quando o fator da iluminação espiritual entra naquele serviço, vocês tem aquelas Luzes transcendentes que iluminaram o caminho da humanidade e agiram como holofotes lançados no grande oceano da consciência, revelando ao homem o Caminho que ele deve e pode percorrer.
  Gostaria de assinalar uma outra coisa. Não dei regras específicas para libertar os prisioneiros do planeta. Não fiz nenhuma classificação das prisões e de seus prisioneiros, nem de métodos de trabalho nem de técnica de libertação.
  Insisto apenas junto a cada um e a todos que lerem estas instruções, sobre a necessidade de um renovado esforço para se ajustarem ao serviço por um esforço consciente e deliberado em desenvolver a intuição e alcançar a iluminação. Todo ser humano que alcança o objetivo da luz e da sabedoria, automaticamente tem um campo de influência que se estende tanto para cima como para baixo e que se dirige para dentro, para a fonte de luz, como para fora, para os "campos das trevas".
  Quando tiver atingido isso, ele tornar-se-á um centro consciente de vida dando força e será assim sem esforço. Ele estimulará e vivificará para novos esforços todas as vidas com as quais entrar em contato, sejam elas seus companheiros aspirantes, seja um animal, ou uma flor, ele agirá como um transmissor de luz nas trevas. Ele desfará o deslumbramento dentro de si e introduzirá a irradiação da realidade.
  Quando grandes números de filhos dos homens puderem assim agir, então a família humana entrará no trabalho que lhe está destinado no serviço planetário.
  Sua missão é agir como uma ponte entre o mundo do espírito e o mundo das formas materiais. Todos os graus da matéria se encontram no homem e todos os estados de consciência lhe são possíveis. A humanidade pode trabalhar em todas as direções e elevar os reinos subhumanos até o céu e trazer o céu à terra.
 
Extraído da Obra: Um Tratado Sobre Magia Branca
Alice A. Bailey e Mestre D.J. Khul 
Por Rayom Ra
                                              

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Areia e Terra

                                                              I                                                                  
                           Qual areia em deserto que o vento carrega,
                           Junta, rejunta e remonta a quase sem fim,
                           E o humano sentimento vem lembrar em mim,
                           Do longo percurso a que minh'alma se entrega! 
                                                             II
                           E nas muitas lendas dos deuses imortais,
                           Mesmo em nós humanos a sofridos percalços,
                           Haverá a presença dos abrangentes laços,
                           Em todas as campanhas ou lutas capitais!
                                                             III
                           Areia  que  se  mistura  com  a  terra,
                           Terra vem narrar a história deste mundo,
                           Mistério o significado mais profundo!
                                                            IV
                           Vem o tempo de paz vem o tempo de guerra,
                           O infortúnio chega a fortuna esvazia,
                           Apaga-se ali aquela luz que então luzia!

                                                       Por Rayom Ra
                                                       Direitos Reservados
             
                                                                            
                           
                           
                           
                          
                           
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segunda-feira, 25 de maio de 2026

Horas de Provação

                                                             I  
                             São muitas vozes em cantos e cantos,
                             Ressoando  através  dos  sete  véus,
                             Voando e voando a brindar nos céus,
                             As  glórias  de  nova  sagração!
                                                            II
                             Eu solitária alma nos meus recantos,
                             Mergulhada  em  triste  melancolia,
                             Sós  unicamente  e  com  avolia,
                             Que assim apertava-me o coração!
                                                          III
                             Porém se as alturas a mim clamavam,
                             Nessas horas de profunda agonia,
                                  Então me perguntava: onde a harmonia?
                                                          IV
                             E respostas a mim não me bastavam,
                             E só em vão eu pedia e muito pedia,
                             E aquela mesma dor me consumia!
                                            
                             Por Rayom Ra
                             Direitos Reservados
                             
                             
                             
                             
                             
                             
                             
                             
                                              
                              
                             


domingo, 17 de maio de 2026

AYAM - Imortal Vitória Fulgurante

               Fazer os Apelos com Voz Calma, Modulada, mas audível

Eu Sou AYAM, a imortal autoridade ardente da Chama Violeta Consumidora do coração do Grande Silêncio, que liberta o universo de toda discórdia. 
Eu Sou AYAM, mergulhado na Chama Violeta Consumidora de minha Presença e do Templo Violeta de Saint Germain.
Eu Sou AYAM, envolvido no Manto de Chama Violeta de Saint Germain, que é o poder do Grande Silêncio que me dá a mestria e o controle de toda condição, por toda parte e para sempre.
AYAM  AYAM  AYAM

 Eu Sou AYAM, a energia e o poder calmos, controlados e equilibrados da invencível pressão do Grande Silêncio.
 Eu peço que a Vitoriosa Presença desça em mim e em torno de mim, a fim de que eu me torne sua felicidade, sua paz, sua iluminação e que as transmita a todos aqueles com quem eu convivo, por toda a parte e para sempre.
AYAM  AYAM  AYAM

Eu peço que tudo o que eu desejo no mundo exterior me venha pelo invencível amor cósmico do Grande Silêncio, que dirige tudo com a Chama de Perfeição Suprema, por toda parte e para sempre.
AYAM  AYAM  AYAM

Eu peço que a Chama do Perdão do Coração do Grande Silêncio se escorra por toda parte e submerja toda discórdia da Terra. 
Eu peço que ela expulse todas as hordas sinistras de nosso país.
Que esta Chama do Perdão e do Esquecimento se espalhe por toda a parte e que cesse automaticamente toda discórdia por toda parte por onde ela surja.
AYAM  AYAM  AYAM

Fonte: Livro de Apelos
Tola Gynska
                                                                         Rayom Ra
                                     http://http278arcadeouro.blogspot.com                                

terça-feira, 12 de maio de 2026

Um Pouco de Ramatís

Pergunta: Então poderíamos supor que, muitas vezes, são os próprios mestres e líderes de filosofias ou doutrinas perturbadoras, que depois devem imolar-se em futuras existências físicas, para despertar os seus próprios discípulos ou seguidores iludidos no passado?

Ramatís:  Sem dúvida: aqueles que hipnotizaram algumas almas para o culto de suas doutrinas subversivas, aniquilantes, negativistas ou fesceninas, renascem posteriormente com a obrigação de se tornarem os "alvos" principais e responsáveis pela reforma e recuperação espiritual dos seus seguidores, ainda confusos na senda da espiritualidade.

Sob a disciplina férrea, mas justa, da Lei Sideral, que retifica, mas não castiga, eles retornam ao cenário do mundo físico e se situam no seio das famílias terrenas, comprometidos em despertar da ilusão intelectiva, da hipnose dos sentidos passionais ou da escravidão do ateísmo infeliz, aqueles mesmos que os seguiram tolamente no passado. Mas nessa tarefa sacrificial nada lhes é imposto arbitrariamente; é a sua razão esclarecida e a certeza de reduzir o seu débito cármico o que os faz aceitar conscientemente o serviço doloroso a favor do próximo, e também em seu próprio benefício.

É certo que a família ignora a razão dos acontecimentos dolorosos que eclodem, constituindo as desventuras no roteiro evolutivo em comum. E assim se formam os quadros de sofrimento redentor; aqui é o filho que nasce com a enfermidade congênita e arrasta-se torturantemente, provocando angústias nos seus consanguíneos; ali é o chefe de família que, arrasado por cruel enfermidade e resistente a todos os esforços da Medicina oficial, marcha tristemente para a cova terrena, lacerando os corações familiares; acolá, estranha enfermidade agride a filha querida, fazendo-a palmilhar a "via crucis" de todos os consultórios e instituições psicopáticas, enquanto faz estrugirem gritos estranhos e magoa a todos com palavras de baixo calão.

Mas a lei está vigilante, e quando o desespero já se instalou no seio da família acabrunhada, eis que se opera então o milagre: sob fortuita coincidência, surge o médium curador, que faculta ao filho recuperar os movimentos físicos atrofiados desde o berço, ou restitui a saúde ao chefe da casa já desenganado pela Medicina, ou ainda, graças a dedicação de alguns adeptos da doutrina espírita, esclarece-se o espírito obsessor que torturava a filha querida. Deste modo, o Espiritismo é aceito no lar, que se faz venturoso, e os postulados da imortalidade do espírito penetram na alma daqueles que viviam escravizados aos dogmas infantis ou à absoluta descrença.

Abalam-se as velhas convicções ateístas e os sectarismos condenáveis esposados no seio da parentela, graças à cura milagrosa de alguns dos seus familiares através da singeleza da água fluída do receituário mediúnico ou do passe espírita. E o Alto, através daqueles mesmos que, muitas vezes, no passado, abusaram do mando e do intelecto em desfavor do próximo, ministra-lhes novos conceitos de vida superior, servindo de suas carnes maceradas ou dos seus nervos atrofiados. Os conceitos errôneos ou negativos de ontem são compensados pelo sacrifício da dor física ou psíquica do presente.

Pergunta: No caso do filho doente ou da filha obsediada que, depois de curados miraculosamente pelo espiritismo, convertem a família descrente, não poderia tratar-se de espíritos bons, que aceitam o sofrimento sacrificial com o intuito magnânimo de ajudar os seus afetos encarnados para mais breve ascensão espiritual?

Ramatís: - Já vos dissemos que, mesmo no Espaço, não há regra sem exceção, pois Jesus, espírito excelso e justo, não hesitou em mergulhar nas sombras do vosso mundo, para salvar os homens ignorantes de sua realidade espiritual. Sem dúvida, espíritos boníssimos também descem à carne e se ajustam à família consanguínea terrena, com o fito único do despertar espiritualmente os seus velhos afetos milenários. Em alguns casos, eles se sacrificam heroicamente a fim de socorrer os próprios adversários pregressos e que ainda se demoram hipnotizados pelas filosofias destrutivas ou doutrinas enfermiças do mundo material.

Muitas vezes, quando essas almas sublimes comprovam a inutilidade dos seus esforços para inspirarem do Além os seus pupilos negligentes e conduzi-los ao Bem e à Sabedoria Espiritual, decidem-se a habitar o mundo físico por amor a eles. Assim, como foi o excessivo amor de Jesus que, apiedado do sofrimento humano, o conduziu para a Terra e não alguma culpa cármica de crucificação, muitas almas angélicas também abandonam o plano paradisíaco sob o penoso sacrifício de se encarnarem no seio da família terrestre para despertar-lhes os sentimentos crísticos.

Muitas delas, quando renascem junto de adversários empedernidos, enfrentam as situações mais cruciantes para atenuar a fereza, o ódio e a violência que ainda vicejam entre eles. Movidas pela compaixão do anjo, envidam todos os esforços para subtraí-los às tragédias odiosas, que no futuro engendram os carmas torturadores. Algumas vezes, são sacrificadas pelas próprias almas delinquentes, as quais tentam salvar dos padecimentos inenarráveis que as esperam nos charcos do astral inferior. Mas ainda sentem-se felizes quando conseguem atear-lhes o fogo do remorso ou do arrependimento, provocando-lhes os primeiros impulsos da redenção espiritual.

Repetimos-vos, no entanto, que Deus não é vingativo, nem sádico, e assim não cria a obsessão incurável, a doença fatal, o aleijamento deformante ou qualquer outra desventura destinada ao ser humano. Ele só objetiva a recuperação venturosa de todos os seus filhos eternos. Tais acontecimentos trágicos ou mórbidos são apenas frutos exclusivos da debilidade moral e da ignorância do homem que mal balbucia as primeiras letras do alfabeto da vida imortal.

 [Extratos da obra Mediunismo - capítulo IV, por Ramatís, através de Hercílio Maes]

                                                    Rayom Ra
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quinta-feira, 30 de abril de 2026

A Gênesis da Grande Face Negra - Excerto

  Um poder viajando através do espaço, deixava atrás de si o permanente rastro de sua presença. Um som semelhante a uma avalanche acompanhava aquele poder, mas era algo grotesco, jamais ouvido, que se encaminhava pelo ar como rolasse adiante de um dilúvio em permanente e incontida expansão. Havia intensa escuridão, no entanto era possível discernir o progresso do poder. Em certo instante, Sorman deteve a impressão de o avassalador som e o sensorial poder estarem amalgamados numa só ação, e deslizarem por uma inconcebível esteira no fenomenal espaço de um vasto, profundo e insondável oceano etéreo. Até então, ele ficara preso àquelas imagens que, apesar de imensuráveis, cabiam num monumental plano cartesiano; mas de repente, sentiu um deslocamento e trasladou de seu horizonte de observação para outra dimensão, muito acima daquelas voluptuosas e verdadeiramente indescritíveis projeções. E nessa nova situação no universo, num ponto qualquer fora do espaço-tempo, voltou a contemplar a aterradora e fantástica figura.

  A incomensurável Face Negra ocupava agora todo o espaço alcançado pelo campo visual de Sorman. Perplexo, ele tentou desviar-se da imagem; buscou uma brecha por onde pudesse concentrar sua atenção a fim de escapar da visão, mas a falta de outra qualquer referência, por menor que fosse, trouxe-o inexoravelmente de volta para a total contemplação. Era tão gigantesca a aparição – segundo podia supor pela astronômica projeção – que conteria a todos os átomos de uma existência cósmica, em todos os seus mundos de enigmáticas e simultâneas dimensões.

  Mas ao invés de pavor, como na primeira visão de muitos meses atrás, Sorman petrificava. Algo congelara-lhe todas as reações; somente o sentido interior da visão e o da audição passaram a agir-lhe como as únicas coisas vivas. Nessa nova e inusitada condição, podia então observar que a descomunal e infinita Face Negra estava de olhos fechados, e soprava. O avassalador som, antes ouvido, sendo exatamente o mesmo agora percebido através de seus lábios entreabertos, trazia consigo o poder que de inicio ele acusara. Ela soprava por um tempo de sensação interminável, e o som e o poder juntos, eram sustentados e lançados para distâncias inimagináveis, muitíssimo além de tudo quanto a mente finita poderia suspeitar ou conjeturar. E quando aquele alento terminou, a boca falou lenta e prolongadamente, com voz rouca e grave, à semelhança de esdrúxulo e abismal ruído resultante do atrito de muitos metais pesados: FAAAÇAAA-SEEE!

  A boca permaneceu aberta; imediatamente partiram dela milhões de formas negras que eram atravessadas por dois grandes raios ígneos provenientes de seus olhos. As formas não incandesciam. Eletrificavam! Tornavam-se transparentes véus ampliados elasticamente a cobrir todos os espaços por onde o poder e o som haviam antes propagado. Ao cabo de algum tempo, enquanto perdurara a percepção dessas últimas imagens, a Face vestira sorriso sarcástico e diabólico, ficando seus olhos apertados e repuxados. Em seguida, a forma total passou a menos densa, cada vez mais etérea, até desmanchar completamente, vindo se transformar numa infinita película negra de sutilíssima tessitura, finalmente pousando sobre todas aquelas coisas infundidas no universo, permeando-as como água jogada sobre a areia, nelas permanecendo.

  Ao acordar, Sorman estava trêmulo. Impressões, em sucessões, impregnavam-lhe o cérebro. Mediante a incapacidade de mentalmente controlar o emocional, ele se levantou um tanto atordoado, indo ao banheiro a fim de tomar uma ducha. Reagiu bem, e enquanto se vestia, trouxe uma das mãos adiante do ventre examinando-a no dorso e dedos. Estava absolutamente firme, muito embora ainda lhe percorresse um leve tremor por todo o corpo, semelhante a rápidas descargas elétricas.

Capítulo XIII - Parte II de "A Face Negra da Terra" - por Rayom Ra

Parte I
https://arcadeouro.blogspot.com/2023/11/a-face-negra-da-terra-i-r.htm
Parte II
Parte III

segunda-feira, 20 de abril de 2026

O Estranho

                                             I                     
                       Andava eu à margem do rio,
                       Sob  a  manhã  colorida,
                       Onde  o  sol  dava  mais  vida,
                       Ao mundo então que existia!
                       Suas  águas  que  desciam,
                       Viajando sobre um leito,
                       Causavam quão belo efeito,
                       Em minh'alma que as ouvia!
                                           II
                       Respirava o ar perfumado,
                       Que por tudo se exalava,
                       E o viço então despertava,
                       Novamente uma euforia!
                       Voltavam pois as imagens,
                       Dos dias de minha infância,
                       Parecendo sem distância,
                       Quando alegre eu aqui corria!
                                          III
                       E seguindo nova trilha,
                       Prossegui neste caminho,
                       Onde nele aqui sozinho,
                       Triunfante me sentia!
                       Logo então me deparava,
                       Com um largo campo e belo,
                       Onde um verde tão singelo,
                       Mais amante me fazia!
                                          IV
                       Não resistindo sentei-me,
                       À sombra de uma bela árvore,
                       Sob as nuvens como o mármore,
                       Que no céu as via e revia!
                       Então em leve sono eu cai,
                       E um sonho a mim mostrava,
                       O que se configurava,
                       Daquilo que eu não antevia!
                                          V
                       Fora um homem que chegara,
                       E bem mais se aproximando,
                       Já de pronto foi tratando,
                       Do que desejou falar! 
                       E eu dele ouvir consentia,
                       Sem ao menos entender,
                       Daquele seu proceder,
                       Que não o deixava calar!
                                         VI
                      Tão fugaz quanto real,
                      Fora aquela aparição,
                      Que com tal inquirição,
                      A mim deixara a pensar!
                      Estranho enfim me sentia,
                      Com aquele acontecido, 
                      Talvez até estarrecido,
                      Pus-me logo a analisar!
                                        VII
                      Não chegara à conclusão,
                      Mesmo assim algo ficara,
                      De palavras que passara,                                               
                      Pela mensagem a mim!
                      E ao trajeto retomei,
                      Outra vez a caminhar,
                      Novamente a palmilhar, 
                      Àquele lugar enfim!
                                        VIII
                      Sem demora então avistei,
                      Local que eu nunca estivera,
                      Nem jamais antes soubera,
                      Aquela forma ele ter!
                      Qual uma diminuta ilha,
                      O seu espaço este seria,
                      Que tão pouco poderia,
                      A uma floresta conter! 
                                         IX
                      Ao pisar ali ao formato,
                      Andava como em recanto,
                      Ouvindo ao longe do canto,
                      Que fora de um sabiá! 
                      Porém um tanto excitado,
                      Prestava alguma atenção,
                      Ao bater do coração,
                      Como a subir na indaiá!
                                         X
                      Mais perto eu logo avistei,
                      Uma bem velha choupana,
                      Que era também a cabana,
                      De quem ali se albergava!
                      Com cuidados fui chegando,
                      E não querendo assustar,
                      Chamei para alguém escutar,
                      Do local que eu me postava!
                                         XI
                      Uma voz então eu ouvi,
                      A dizer-me que chegasse, 
                      Que também logo adentrasse,
                      E com efeito adentrei!
                      Na escura sala eu pisava,
                      Onde simples mesa eu via,
                      Lampião que mal ardia,
                      E cadeiras encontrei!
                                        XII
                      E logo alguém assomou,
                      Que de repente chegava,
                      E já bem perto informava,
                      Estando a mim aguardar!
                      Qual surpresa invadiu-me,
                      Quando assim ele falou,
                      No meu ser algo calou,
                      E um temor veio ficar!
                                        XIII                      
                       E de novo eu me sentia,
                       Tal como estar de repente,
                       Dividido em minha mente,
                       Sem eu poder dominar!
                       O mesmo ser era aquele,
                       Que no sonho me abordara,
                       E comigo ele falara,
                       Buscando comunicar!
                                        XIV
                       Bem parado ali eu fiquei,
                       Comandado como presa,
                       Junto àquela mesma mesa,
                       Sem ao menos me mover! 
                       Sentia-me sem valor,
                       Diante daquele estranho,
                       Com este poder tamanho,
                       Que a nada mais podia eu ver!
                                          XV
                       Finalmente comandou-me,
                       Para que eu me desligasse,
                       E outra vez me coligasse,
                       Com o momento presente! 
                       Esquisito eu me sentia,
                       De novo ressabiado,
                       Ou mais que isso espantado, 
                       Mesmo assim quis ir em frente!
                                          XVI
                       Revelou-me então de pronto,
                       Para que logo eu soubesse,
                       E na mente assim trouxesse,
                       Que a vida é somente instante!
                       A ela de novo a ganhamos,
                       Como se um livro assim fosse,
                       E por nossa inteira posse,
                       A colocamos na estante!
                                         XVII
                       Sob  outras  lições  parti,
                       Para  de  novo  eu voltar,
                       E  novamente  escutar,
                       Sábias  palavras de vida!
                       E  viajante  ao  caminho,
                       Ao  mesmo  lugar  voltei,
                       Mas nada além encontrei,
                       Como a uma joia escondida!

                                         Por Rayom Ra
                                         Direitos Reservados.
                                         Rio, 20/04/2026