Agora nós chegamos às palavras significativas na Regra IV. "O homem respira profundamente." Esta é uma sentença cobrindo muitos aspectos da vida rítmica. É a fórmula mágica para a ciência do pranayama. Ela cobre a arte da vida criadora. Ela faz o homem sintonizar com a vida pulsante do próprio Deus e isto através de libertação e reorientação
É extremamente interessante como uma demonstração de maneira sucinta e inclusive das frases ocultas como na Regra IV. A arte da respiração é discutida em três fases e a estas Eu recomendo a cada um de vocês a mais cuidadosa consideração.
Há primeiramente o aspecto da Inalação. "O homem inspira profundamente." Das próprias profundezas de seu ser ele busca o alento. No processo da vida dos fenômenos, ele busca o próprio alento da vida da alma. Este é o primeiro estágio. No processo de se libertar da vida dos fenômenos, ele busca das profundezas de seu ser e das experiências da vida, que ela possa ser encaminhada novamente de volta para a fonte de onde ela veio.
Na vida oculta do discípulo à medida em que ele desenvolve um uso novo e mais sutil de seu aparelho de resposta, ele pratica a ciência da respiração e descobre que através da respiração profunda (incluindo os três estágios de respiração profunda, média e alta) ele pode por em atividade, no mundo das experiências esotéricas, seu corpo vital com seus centros de força. Assim, os três aspectos da "inspiração profunda" cobrem a experiência da alma inteira e a relação com os três tipos de respiração, acima assinalados, pode ser estabelecida pelo aspirante interessado.
Em seguida nós temos: "ele concentre suas forças." Aqui nós temos o estágio indicado que pode ser chamado retenção do alento. É uma sustentação de todas a forças da vida firmemente no lugar do silêncio e quando isto pode ser feito com facilidade e com esquecimento do processo através da familiaridade e da experiência, então, o homem pode ver e ouvir e conhecer num reino diferente do mundo dos fenômenos. No sentido superior este é o estágio de contemplação, essa "calma entre duas atividades," como tão bem tem sido chamada.
A alma, a respiração, a vida, tem se retirado dos três mundos, e no "lugar secreto do Altíssimo" está em repouso e em paz, contemplando a beatífica visão. Na vida do discípulo ativo ela produz aqueles interlúdios que todo discípulo conhece, quando (através do desapego e da capacidade de retirar-se) nada conserva no mundo da forma.
Como ele está apenas lutando pela perfeição e ainda não a atingiu, estes interlúdios de silêncio, retiro e de desapego são frequentemente difíceis e sombrios. Tudo é silêncio e ele permanece atemorizado pelo desconhecido e pela calma aparentemente vazia na qual ele se encontra. Isto é chamado, em casos avançados, "a escura noite da alma" - o momento antes da aurora, a hora antes da luz irromper.
Na ciência do Pranayama é o momento seguinte à inalação, quando todas as forças do corpo foram (por intermédio da respiração) levadas para o alto, para a cabeça, e ali concentrados previamente ao estágio da expiração. Este momento de retenção, quando propriamente executado, produz um interlúdio de intensa concentração e é neste momento que o aspirante deve agarrar a oportunidade. Aqui está uma deixa.
Depois vem o processo da expiração. Nós temos na regra IV "ele afasta de si o pensamento-forma". Este é sempre o resultado do estágio final da ciência da respiração. A forma, vitalizada por quem respira no ritmo correto, é enviada para fazer o seu trabalho e cumprir sua missão. Estudem esta ideia com carinho, pois ela contem o segredo do trabalho criador.
Na experiência da alma, a forma para a manifestação nos três mundos é criada através da meditação intensa, atividade sempre paralela da respiração. Então, por um ato da vontade, resultando numa "expiração" e engendrada ou alcançada dinamicamente no interlúdio da contemplação ou retenção do alento, a forma criada é enviada para o mundo dos fenômenos, para servir como um canal de experiência, um meio de expressão e um instrumento de resposta nos três mundos de vida humana.
Na vida do discípulo, através da meditação e da disciplina, ele aprende a alcançar altos momentos de interlúdio sempre que ele concentra suas forças no plano da vida alma, e depois, novamente por um ato da vontade, ele exala seus objetivos espirituais, planos de vida, para o mundo da experiência. O pensamento-forma que ele construiu relativamente à parte que ele tem de desempenhar e a concentração de energia que ele conseguiu obter, se tornam efetivos.
A energia necessária para o passo seguinte é exalada pela alma e desce para o corpo vital, assim galvanizando o instrumento físico com a necessária atividade construtiva. Aquele aspecto do plano que ele apreciar na contemplação, e aquela parte do propósito geral da Hierarquia na qual sua alma se sente chamada a cooperar são exaladas simultaneamente, através da mente para o cérebro e assim "ele afasta de si o pensamento-forma."
Finalmente, na ciência do Pranayama, este estágio cobre aquele movimento expiratório que, quando executado tendo um pensamento e um objetivo consciente por trás de si, serve para vitalizar os centros e encher cada um deles com vida dinâmica. Mas não precisa ser dito aqui.
Assim nesta ciência do "respirar profundamente" nós temos todo o processo do trabalho criador e do desdobramento evolutivo de Deus em a natureza, coberto. É o processo através do qual a Vida, a Existência Una, trouxe à existência o mundo fenomênico, e a Regra IV é um resumo da Criação. É igualmente a fórmula segundo a qual a alma individual trabalha ao centralizar suas forças para a manifestação nos três mundos da experiência humana.
O uso correto do Alento-da-Vida é toda a arte que o aspirante, o discípulo e o iniciado trabalham, tendo em mente, contudo, que a ciência do alento físico é o aspecto menos importante e se segue, na continuidade, ao uso correto da energia, que é a palavra que nós utilizamos para o divino alento ou vida.
Finalmente, na vida mental do discípulo e no grande trabalho do aprender e do ser um criador consciente na matéria mental e assim produzir resultados no mundo dos fenômenos, esta quarta Regra contém as instruções sobre as quais o trabalho é baseado. Ela incorpora a ciência de todo trabalho mago.
Por isso, esta Regra exige a máxima consideração e estudo. Corretamente entendida e corretamente estudada deve conduzir cada aspirante para fora do mundo dos fenômenos, para o reino da alma. Suas instruções, se executadas, deverão conduzir a alma de volta para o mundo dos fenômenos como a força criadora na magia da alma e como o fator manipulador e dominante do, e por intermédio da forma.
No treinamento do estudante ocidental, nunca se pede uma obediência cega. As sugestões são feitas quanto ao método e à técnica que se mostrou eficiente por milhares de anos e com muitos discípulos. Algumas regras quanto à respiração, quanto ao processo útil e ao modo prático de viver no plano físico serão indicadas, mas no treinamento do novo tipo e discípulo durante a era vindoura é a vontade dos Gurus e Rishis observadores, que eles serão deixados mais livres do que agora tem sido o caso. Isto pode significar um desenvolvimento ligeiramente mais lento, no começo, mas resultará, espera-se, num mais rápido desdobramento durante os estágios posteriores no Caminho da Iniciação.
Por isso os estudantes são solicitados a prosseguir durante o seu período de treinamento com coragem e com alegria, sabendo que são membros de um grupo de discípulos, sabendo que não estão sós, mas que a força do grupo é sua, o conhecimento do grupo é seu também na medida que desenvolvam a capacidade de apreendê-la - e sabendo também que o amor, a sabedoria e a compreensão dos irmãos Mais Velhos que observam, amparam cada aspirante Filho de Deus, mesmo quando aparentemente (e sabiamente) ele é deixado a lutar através da luz de sua própria alma onipotente!
Extraído da Obra: Um Tratado Sobre Magia Branca, Regra IV - A Ciência da Respiração por A. A. Bailey e Mestre D.J. Khul
Rayom Ra
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