quarta-feira, 9 de novembro de 2016

O Princípio Hermético da Vibração


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Nada está parado; tudo se move; tudo vibra
(O Caibalion)

  Este Princípio encerra a verdade que tudo está em movimento: tudo vibra; nada está parado; fato que a Ciência moderna observa, e que cada nova descoberta científica tende a confirmar. E, contudo, este Princípio hermético foi enunciado há milhares de anos pelos Mestres do antigo Egito. Este Princípio explica que as diferenças entre as diversas manifestações de Matéria, Energia, Mente e Espírito, resultam das ordens variáveis de Vibração. Desde O TODO, que é Puro Espírito, até a forma mais grosseira da Matéria, tudo está em vibração.

  Quanto mais elevada for a vibração, tanto mais elevada será a posição na escala, como uma nota musical. O som é movimento (compressão e vibração das moléculas causada pelas ondas sonoras). Quanto maior a escala da nota, maior a freqüência (vibração), mais fino (sutil) parecerá, aos nossos ouvidos, o som. O mesmo ocorre com as cores: todas as cores que percebemos são na verdade vibração (ondas), captadas (e filtradas) pelo nosso nervo óptico; o vermelho na escala mais baixa (visível a nós), e o violeta, na mais alta. E não para por aí: a diferença entre a pedra, a água e o ar TAMBÉM é uma questão de vibração (e não estamos falando aqui de esoterismo). Quanto mais denso é um material, mais estável ele é, menor a vibração.

  Por isso na espiritualidade usamos a mesma analogia denso/sutil para representar a evolução/estado do espírito ou das energias que o circundam. Se a veste humana for grosseira como a pedra, o espírito (humano desencarnado) seria como a água, e os “anjos” representariam o ar.

  Diz-se que a vibração do Espírito é de uma intensidade e rapidez tão grande que ele está praticamente parado, como uma roda que se move muito rapidamente parece estar parada. Por outro lado, na extremidade inferior da escala estão as grosseiras formas da matéria, cujas vibrações são tão vagarosas que também parecem estar paradas. Entre estes pólos existem milhões e milhões de graus diferentes de vibração. Desde o corpúsculo e o elétron, desde o átomo e a molécula, até os mundos e universos, tudo em movimento vibratório. Isto é verdade nos planos da energia e da força (que também variam em graus de vibração); nos planos mentais (cujos estados dependem das vibrações), e também nos planos espirituais.

  Segundo o Hermetismo, o domínio deste Princípio faculta ao estudante conhecer as suas vibrações mentais, assim como também a dos outros, e favorece até mesmo a conquista dos Fenômenos Naturais, por diversos meios. “Aquele que compreende o Princípio de vibração alcançou o cetro do poder”, disse um escritor antigo. Duvida? Um bom exemplo de aplicação desse Princípio para a conquista do poder pôde ser vista na Grécia, quando o sábio Arquimedes projetou um sistema de espelhos (naquela época feitos de metal polido) para proteção de uma cidade portuária da Grécia. Com eles, os soldados concentrariam a luz do Sol nas velas de navios inimigos, ateando fogo neles. Pra quem não sabe, a concentração de luz (radiação eletromagnética, infravermelha, etc) faz as moléculas do material atingido vibrarem, e o resultado é liberação de calor. A grosso modo, este é o mesmo princípio por trás de coisas hoje banais, como a lâmpada elétrica, outras não tão banais assim, como o micro-ondas, e coisas nada banais, como a bomba atômica.

  Pela vibração podemos descrever o Universo! Isso mesmo, e isso num plano filosófico/científico, aceito (com ressalvas) pela maior parte do mundo acadêmico. No começo eram as partículas… pelo menos era assim que a Física explicava o mundo, até recentemente. E é assim que estudamos a Física nas escolas até hoje. Átomos que se combinam formando um imenso jogo de Lego que representam as formas, o ar, o mar, enfim, o Universo. Enquanto tal modelo funcionava muito bem para descrever a macro realidade (pessoas, planetas, galáxias, etc), ele provou ser falho para estudar o mundo subatômico dos elétrons, prótons e nêutrons. Até hoje ainda usamos duas Teorias para representar o Universo: uma, o macro: a Teoria da Relatividade Geral de Einstein; outra, o micro: a Mecânica Quântica. Estes dois conjuntos de regras são extremamente precisas no seu domínio, mas quando combinadas para descrever algo que envolva algo muito pesado e incrivelmente pequeno (como o momento da Criação do Universo), o que temos é uma pane geral, a “tela azul da morte” para a Física.

  Uma única teoria que descrevesse o Universo seria o “Santo Graal” de qualquer físico. Assim como Hermes postulou, com seu Princípio da correspondência, intuitivamente os homens de ciência também sabem que “O que é em cima é como é embaixo”, e o que explica o movimento dos planetas também deve explicar o átomo. Foi esse sonho da Teoria Unificada que Einstein perseguiu até o fim da vida, sem sucesso.

  Pois bem, um (relativamente) novo conjunto de ideias, chamado “Teoria das Cordas” (Strings theory) se propõe a fazer isso. E, se ela estiver correta, poderá ser um dos maiores sucessos na história da ciência. As grandes mentes do nosso tempo se debruçam sobre essa teoria, em busca de provas empíricas (que provavelmente não encontrarão), mas cientes de que ela explica com elegância e sobriedade desde os elétrons até as galáxias. E a chave para os segredos do Universo reside na afirmação, revolucionária para o mundo científico (mas não para o esotérico), que postula: TUDO NO UNIVERSO OPERA POR VIBRAÇÃO!

  É esse o enredo do excelente documentário da PBS “O Universo Elegante”, baseado no livro homônimo do físico boa-pinta Brian Greene (que por sinal é o “astro” da série), dividida em três partes: Einstein’s Dream; String’s the Thing e Welcome to the 11th Dimention.

  Recomendo veementemente esse documentário a qualquer estudioso de esoterismo, especialmente Hermetismo. Estão disponíveis na internet os vídeos Universo Elegante – Parte 1, Parte 2 e Parte 3, com legendas em Português, numa qualidade razoável, cada arquivo com 120MB em média. Para dar um exemplo de como é esse documentário, vou pegar um trecho do segundo capítulo, que nos explica detalhadamente a teoria:

  Esta elegante nova versão da Teoria das Cordas (Strings theory) parecia capaz de descrever toda a matéria-prima da natureza. Eis como: Dentro de cada grão de areia existem bilhões de pequenos átomos. Cada átomo é feito de ainda mais pequenos pedaços de matéria, elétrons em órbita do núcleo feito de prótons e nêutrons, que ainda são feitos de partículas mais pequenas chamadas quarks. Mas a Teoria das Cordas diz que este não é o fim da linha. Faz a incrível afirmação que as partículas que compõem tudo no Universo são feitas de ingredientes ainda mais pequenos, pequenas vibrantes fibras de energias que se parecem com cordas (strings). Cada uma destas cordas é inimaginavelmente pequena. De fato, se um átomo fosse alargado para o tamanho do Sistema Solar, uma corda apenas seria tão grande quanto uma árvore!

  E aqui está a idéia-chave: Assim como diferentes padrões vibracionais ou frequências duma única corda de violoncelo criam o que ouvimos como diferentes notas musicais, as diferentes formas como as cordas vibram dão às partículas as suas propriedades únicas, como a massa e a carga. Por exemplo, a única diferença entre as partículas que constituem vocês e eu e as partículas que transmitem gravidade e as outras forças, é apenas a forma como estas pequenas cordas vibram. Composto de um enorme número destas oscilantes cordas, o Universo pode ser pensado como uma grande sinfonia cósmica.

  Fantástico, não? E poderíamos emendar isso com o Princípio do Ritmo, mas isso fica pra outro post…

  Eu poderia parar por aqui, mas a Física é um terreno tão fascinante quanto o esoterismo e faço questão de repartir as ideias “malucas” vinda das cabeças mais brilhantes que a humanidade já produziu: A Teoria das cordas, pra funcionar, precisa obrigatoriamente de 11 dimensões. Isso trouxe uma grande complicação ao mundo científico sobre como elas atuam nessas dimensões extras. Apenas nos anos 90 a teoria foi reformulada e renomeada pra Teoria-M, que traz em seu bojo a idéia de que as cordas não são exatamente cilíndricas (como cordas), mas sim Branas (de membrana), objetos estendidos em variadas dimensões. De acordo com a “Teoria-M heterótica”, o nosso Universo caberia, com TUDO o que tem dentro, numa Brana quadrimensional (altura, largura, profundidade e o tempo) flutuando numa quinta dimensão, tão grande que os físicos a chamam de “imensidão” (bulk). Visto dessa quinta dimensão, nosso Universo parecerá uma folha de papel esticada e, se estas ideias estiverem corretas, a “imensidão” deve conter outras “folhas”, outros Universos, que podem estar até mesmo ao lado do nosso (a menos de um milímetro!), constituindo, de fato, Universos paralelos. Alguns deles poderiam ser parecidos com o nosso Universo, com suas próprias dimensões, com matéria e planetas e, quem sabe, talvez até seres de algum tipo. Outros certamente seriam muito estranhos, e podem ter por base leis da física completamente diferentes.

O Universo Numa Fatia de Pão

  É como estar preso na Zona Fantasma: um Universo à parte, dentro de um outro ainda maior! Mas, se isto for verdade, por que não os vemos nem os tocamos? Porque quase nada escapa da nossa Brana!! É como se fôssemos seres tridimensionais presos numa superfície bidimensional, como o General Zod na Zona Fantasma, e talvez, só talvez, uma explosão nuclear no espaço nos liberte…

  Er… ignorem o momento nerd acima; bem, como dizia, nem a luz nem a matéria conseguem sair da Brana, apenas a gravidade é que (teoricamente) pode escapar pra outra Brana que esteja bem próxima, e é aí que os cientistas pretendem (um dia) provar a teoria na prática. É uma idéia muito poderosa porque, se estiver certa, significa que toda a nossa imagem do Universo fica obstruída pelo fato de estarmos presos numa pequena fatia de um espaço com mais dimensões.

  Interessante, não? Se esse texto não tivesse vindo de físicos sérios (não estou falando de canalizações ou Quiropráticos) provavelmente os detratores diriam que é uma nova religião, uma nova Cientologia. Devido à natureza extremamente microscópica das Cordas (nunca vistas, apenas teorizadas) alguns cientistas ficam relutantes em admitir o caráter científico destas ideias, mas mesmo eles reconhecem que a explicação é bastante convincente diante dos bizarros modelos matemáticos com os quais esses cientistas lidam em seus experimentos. Por exemplo, a Matéria Escura, que é perfeitamente verificável, mas totalmente invisível, poderia ser elegantemente explicada como resultado da influência gravitacional da matéria de OUTRA Brana (Universo), paralela à nossa. Até mesmo o Big Bang poderia ser explicado como o choque de duas Branas.

  Enquanto na Física alguém postula uma teoria enquanto toma banho ou almoça, vai ao quadro-negro, prova matematicamente que ela é consistente com os modelos de descrição do Universo e entra pra história, no esoterismo é bem mais difícil (ou impossível) provar alguma teoria, porque nem sempre se lida com a realidade, e sim com valores morais e espirituais, mas nem por isso vamos ignorar as ideias advindas desse ramo. Veremos agora um trecho do livro espírita Na Próxima Dimensão, escrito por Carlos Baccelli e Inácio Ferreira em 2002, que tem tudo a ver com o tema:

  Temos que reencarnar melhor preparados e conscientes, sobretudo conscientes de que o tempo no corpo passa depressa e não vale a pena nos entregarmos à ilusão; até aproximadamente os 40 de idade, o homem soma: saúde, prazeres, aquisições; depois dos 40, começa a subtrair em sentido inverso… Com a evolução tecnológica e a velocidade do pensamento, a existência humana vem se tomando vertiginosa; um século contínua tendo 100 anos, mas 1 dia parece não ter mais o mesmo número de horas…
A mente do homem está encurtando o seu tempo de permanência no corpo: a expectativa de vida tem aumentado significativamente, mas o tempo mental da criatura encarnada está diminuindo progressivamente…

 – Com a palavra os físicos, para melhor explicarem tal fenômeno de encurtamento do tempo interior – acentuei. – A continuar assim, dentro de mais alguns séculos, o homem será chamado a modificar a sua medida-padrão de tempo; à proporção em que a vida se espiritualiza na Terra, o tempo se desmaterializa, ou seja: quanto mais o homem se absorve interiormente, mais as coisas de fora deixam de se lhe constituir em ponto de referência…
Por este motivo, quando nos dirigimos aos nossos irmãos encarnados, habitualmente o fazemos sem noção de relógio e de calendário, pois a vida além da morte é apenas uma questão de aceleração das partículas que constituem o espaço em que nos movimentamos no novo corpo que nos abriga… a dimensão espiritual é caracterizada por uma velocidade e, consequentemente, por um espaço geográfico; a diferença de velocidade faz com que duas dimensões espaciais coexistam, ou seja, se interpenetrem; isto modifica antigas concepções da Física, que, é bem provável, venha, em tempo mais curto que o esperado, colocar a questão da sobrevivência da alma numa equação matemática…
Futuramente, a Religião do homem será a Ciência, que, por sua vez, se lhe constituirá na mais legítima manifestação de Fé!

  Acredito nesta última frase, mas o dia do casamento da Fé com a Ciência ainda está longe, pois o esoterismo ainda está cheio de misticismo, muitos véus que serviam para ocultar dos não iniciados as grandes verdades, mas que hoje só servem para nublar nossa percepção… É ainda a herança dos tempos malditos onde as pessoas eram condenadas por saber demais. Até que o joio seja efetivamente separado do trigo, ainda teremos a Ciência de um lado, e a Religião/Fé/Esoterismo do outro. As duas continuarão boas amigas, eventualmente rolará um sexo sem compromisso, mas tudo escondido da família da Ciência, que é muito tradicional e preconceituosa.

  As coisas não são o que parecem ser. Nem são qualquer outra coisa
(Buda, no Lankavatara Sutra)

Acid0 - Project Mayhem - Saindo da Matrix/ Teoria da Conspiração-http://www.deldebbio.com.br/2016/11/08/o-principio-hermetico-da-vibracao/#more-21522

Rayom Ra
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domingo, 6 de novembro de 2016

Os Dez Mandamentos


         Não há dúvidas de que os dez mandamentos expressam um código veiculador de regras sócio religiosas. Tem sido, sobretudo, na Bíblia, um guia moral subscrito não por uma autoridade temporal, mas pela divindade absoluta revelada aos judeus e reconhecidamente severa, disciplinadora e até iracunda.

  Nas suas origens não seria elemento alternativo, opcional, evocativo de uma liderança humana. Viria de todo do Deus IHVH, por conduto de Moisés, seu maior representante na Terra, imposto para obrigatória observação. Assim também afirma e reafirma a tradição rabínica. E é desta maneira que o Livro do Êxodo nos passa a transmissão dos dez mandamentos pelo Deus dos hebreus no Monte Sinai.

  Sinai ou Horeb seria o lugar, o monte ao pé do qual o povo hebreu acamparia enquanto o líder Moisés subiria para encontrar Deus. As tantas e assustadoras lendas acerca desse monte mantinham os viandantes afastados. Diziam haver nele fumaça, fogo e espíritos que caminhavam.

  Em 1904 o egiptólogo inglês Flenders Petrie chegaria ao Sinai da Arábia Saudita, com o intuito de explorá-lo. Subiria. E o que descobriria pouco tempo depois de iniciadas as escavações? Enigmática edificação egípcia, estendendo-se por santuários anexos, túneis e câmaras perfeitamente escavados. Encontraria fornos e inúmeros objetos de variados portes e formatos, concluindo que no passado, nesses locais, se teriam realizadas intensas atividades. O exame das esculturas e representações murais remeteria às datas anteriores ao êxodo hebreu, havendo inclusive referências coincidentes ao tempo em que Moisés teria vivido no Egito.

  Não seria de estranhar a razão de os egípcios terem assentado bases num monte no deserto da Arábia, pois em sucessivas incursões em busca de ouro e especiarias quando subjugavam os semitas da Mesopotâmia e Palestina e transformavam muitas de suas metrópoles ou cidades-estados em estados-tributários, costumavam sair de suas principais rotas e avançar por outras regiões. E o Monte Sinai da região saudita não distava muito das terras egípcias.

  Duas principais questões avocadas na ocasião da descoberta seriam: Moisés teria subido o monte com a única expectativa de tentar falar com IHVH?  E o Deus IHVH, de fato, nesse lugar, lhe teria passado as leis que na sua essência não seriam tão diferentes das regras morais já existentes para sumérios, caldeus, egípcios, gregos e outros povos da antiguidade?

  Arriscamos-nos a dizer que é temerário acreditar irrestritamente em linhas históricas delineadas pelos arqueólogos, como também o é, da mesma forma, aceitar a tradição religiosa sem reflexões ou discussões. Assim, para entrarmos na discussão histórico-religiosa dos dez mandamentos necessitaremos novamente vir fazendo pequenos retrospectos sobre a vida e personalidade de Moisés, hoje de existência e feitos tão contestados por correntes de historiadores cada vez mais céticos.

  Conforme vimos, Moisés supostamente participaria de rituais secretos nos templos e pirâmides egípcias e seria o escolhido para nova tentativa de estabelecer o monoteísmo, visto o pensamento de Akhenaton ter também desaparecido com sua morte. Em assim sendo, e para o cumprimento dessa grande missão, Moisés necessitaria do auxílio e sabedoria dos sacerdotes adeptos do monoteísmo. Os mandamentos gravados em primeira vez em madeira e em segunda vez em tábuas de pedra, poderiam perfeitamente ter sido talhados por oficiais artesãos. Nada inverossímil nessa suposição, uma vez que, mais adiante, a Bíblia diz que IHVH mandaria Moisés chamar os artesãos Bezalel e Aoliabe bem como colocaria habilidades noutros homens para que construíssem a arca em ouro e fabricassem todos os demais aparatos do templo no deserto.

  Há polêmicas acerca da origem e interpretações dos dez mandamentos. Para alguns, seu conteúdo seria Asseret Hadibrot que significa as Dez Falas ou os Dez Ditos.

  Não é novidade os povos terem cultuado deuses e divindades com diversas e variadas conotações politeístas. Mas sumérios e caldeus, por exemplo, já cultuavam também deuses trinos. Por vezes, a expressão criadora de um deus se desdobrava a quatro, como nos ensinamentos dos próprios sumérios e indus que mais tarde, no século II de nossa era, com idêntico pensamento, seria reafirmado pelos ofitas do Egito. O nome Elohim não foi originário do vocabulário hebreu e veiculava mais do que uma força divina, porém um coletivo de deuses criadores. Eloha, no singular, era para sumérios e caldeus unicamente um dos Elohim.

  Em nosso idioma o vocábulo Deus denota plural por sua própria formação morfológica. E se Deus era Elhim ou Elohim, reconhecido pela antiga cabala hebraica rabínica como sete poderes criadores, a origem do politeísmo já começaria no próprio Deus.

  O Gênesis nos dá provas deste coletivismo deífico quando descreve as etapas da criação, mencionando inicialmente o Deus Criador como uma só expressão. Mais adiante, no versículo 26 do Capítulo I do Gênesis, a mensagem é outra, como segue: “Também disse Deus: façamos o homem à nossa imagem, conforme nossa semelhança.” Indubitável a revelação no texto pluralizando forças criadoras.

  A ideia da tríade os sumérios representavam com Bel, Ea, Anu; os egípcios com Osíris, Isis e Horus; os indus com Brahma, Vishnu e Shiva ou Sat, Chit e Ananda; os parsi com Ahura-Mazda, Spento (Angro-Main Yush) e Aramaiti e os babilônicos com Talmus, Marduk e Baal. Entretanto, o monoteísmo introduzido por Moisés aos hebreus não falaria de tríade e nem de trindade, pelo menos o Livro do Gênesis a nada disto se refereria, apesar de deixar misteriosas pistas acerca de Eloha-Elohim. Nem posteriormente, na decorrência do êxodo, haveria qualquer citação a esse respeito por parte de Moisés, o que indubitavelmente nos conduz a uma mensagem principal e proposital acerca de um Deus único, sem qualquer outra conotação de pluralidade, semelhante ao solitário Aton, Deus-Sol egípcio, divinizado por Amenophis IV.
     
  Precisamos considerar que o primitivismo cultuou certas ideias religiosas que com o tempo sofreriam algumas transformações. Se os caldeus-sumérios desenvolveram uma civilização altamente utilitária há mais ou menos 6.000 anos na Mesopotâmia, segundo a história oficial, foram realmente exceção junto às tribos semitas ali viventes. Não foi sem motivos que rapidamente suplantaram as tribos vizinhas imprimindo-lhes sua adiantada cultura. E de onde teriam adquirido tal cultura e por qual razão a trariam para a Mesopotâmia?  A história oficial sabe muito pouco dos sumérios, que seriam um ramo dravidiano da Ásia Central que por motivos desconhecidos se fixariam na região dos rios Tigre e Eufrates na Caldéia.  

  A influência suméria modificaria o pensamento religioso das tribos mesopotâmias e palestinas e introduziria, além do religioso, novos elementos básicos culturais extensivos também aos gregos e egípcios e a outros povos da África. No entanto, a ligação suméria com o oriente mais afastado, onde na Índia os dravidianos possivelmente praticariam ensinamentos védicos, não está clara para a história. Se os dravidianos tivessem trazido da Índia para a Mesopotâmia e Palestina todo o pensamento védico lá ensinado, naturalmente o teriam implantado in totum e seria também assimilado pelos povos semitas, o que não aconteceu. Embora a cosmogonia entendida pelos sumérios não fugisse à idéia central da criação do universo e sistema solar, e o gênesis de deuses e homens, conforme ressaltado nos ensinamentos arianos, sua filosofia de vida era eminentemente prática, voltada para a transformação utilitária da matéria e de seus elementos. Os indus, ao contrário, destacaram sempre e basicamente um pensamento religioso místico – contemplativo e meditativo – no intuito de sobrepor-se às clamantes necessidades físicas e materiais. A religiosidade indu edificou-se sempre sobre atitudes de purificação, desapego e negação à concentrada atividade para a posse material.

  Os sumérios dravidianos, contudo, contrariando alguns dos preceitos religiosos da Índia, desenvolveriam as aptidões de transformar a matéria através de grandes conhecimentos da física, astrologia, química, matemática, medicina, arquitetura, mineração e de outras ciências afins, usufruindo do utilitarismo e conforto tecnológico que com o tempo grassariam parcialmente para povos vizinhos. Esses fatos tão visíveis e destacados no mundo antigo nos levam a concluir que a civilização suméria teria começado na Mesopotâmia com a cultura dravidiana trazida do oriente distante, mas sofreria um impulso fantástico pouco tempo depois deles ali se terem estabelecido.

  Portariam também fundamentos morais que os adaptariam, conforme já analisados, e os aplicariam ao cotidiano, que tal como suas atividades científicas, seriam identicamente absorvidos em proporções bem menores pela vizinhança semita. Alguns destes fundamentos remontam há mais de 10.000 anos, desde a tradição védica oral, quando os arianos pregavam regras disciplinadoras da vida social.

  Os ensinamentos védicos são extremamente amplos, que, como dissemos, os dravidianos deles teriam também absorvido. Parte deles é aplicada excelentemente à psicologia religiosa esotérica. São hinos, cantos, rituais, devoções, sacrifícios e conhecimentos compilados em quatro textos principais, chamados Rig-Veda, Sama-Veda, Yajur-Veda e Atharva-Veda. A palavra veda deriva da raiz sânscrito vid que é conhecimento. As escriturações dos textos védicos datam de mais ou menos 1500 anos a.C. As origens da tradição oral, entretanto, perdem-se nas noites do tempo remontando talvez há mais de 20.000 anos.

  Dos Vedas, podemos destacar os “Aforismos de Patanjali”, do Livro II, atitudes, que nos parecem assemelhar-se aos mandamentos bíblicos. Os cinco primeiros mandamentos estabelecidos são:

1. Inofensividade                    4. Continência
2. Verdade                                5. Não avareza.
3. Não roubar

  Esses mandamentos são regras básicas aos candidatos desejosos de levar vida asceta e àqueles portadores de intensa devoção religiosa, não recolhidos ao ascetismo. Cabem também ao povo. No entanto, se flexibilizam diante da impossibilidade da absoluta conciliação com os afazeres da vida material e familiar, atenuando assim as observâncias em alguns aspectos.

  Outros cinco mandamentos são essencialmente devocionais de obliteração ou negação à vida material, mas principalmente de práticas sacerdotais:

          1. Purificação interna e externa       4. Estudos espirituais.
2. Gozo (satisfação, alegria)              5. Devoção a Ishvara.
 3. Aspiração ardente                            (o Deus Criador Indu)

  Inegável a presença do pensamento sumério nos povos do Oriente Médio e Egito. Os egípcios, por oportuno, influenciariam gregos que em contrapartida influenciariam egípcios nos períodos de certas dinastias. Mas por trás das cenas estaria a originalidade suméria, mesmo nos períodos de domínios caldeu-sumério, acádio-sumério, assírio-sumério e babilônico.  

  Houve, desse modo, diversos amálgamas religiosos, ajustes, influências idiossincráticas, novos conceitos e novas práticas, mas nada tão absolutamente diferente que por milênios as religiões deixassem de possuir em traços comuns. Nas destacadas civilizações o povo praticava as religiões abertamente enquanto os sacerdotes as praticavam ocultamente sob certos cuidados e segredos.

  O Egito, embora se situasse na África, não produziu um povo com raízes unicamente africanas. Sua situação geográfica favoreceu a miscigenação com etnias nômades dos vários ramos raciais distintos de fora do continente, e mais tarde com semitas do Oriente Médio e grupamentos indo-europeus que chegavam em sucessivas ondas em busca de água e alimentos.  Apesar desse caldeamento, o Egito conseguiu isolar a casta real, a nobreza, a classe sacerdotal, os oficiais militares e os altos funcionários de administração, destacando-os dos emergentes de camadas inferiores do povo representados por trabalhadores, artesãos e escravos.

  As sucessórias investiduras da emblemática divina faraônica representavam para muitos reis os cargos de sumo ou altos sacerdotes, e essas proeminências facilitavam a implantação e conservação das ideias religiosas politeístas, muito embora existissem sempre disputas e cisões sacerdotais, principalmente entre as capitais Tebas e Mênfis do alto e baixo Egito.

  O Egito, ao longo das dinastias, pôde produzir sua própria nomenclatura simbológica, riquíssima mitologia e três linguagens próprias de comunicação, a par de desenvolver adiantada ciência para a época, que em alguns aspectos era cercada de mistérios, como, por exemplo, as técnicas empregadas para as mumificações. E sob essa pulsante sabedoria, Moisés se instruiria e viria se preparar para introduzir no mundo semita o pensamento monoteísta. A isso se seguiria imediatamente um código moral disciplinador, sócio religioso, chamado de os Dez Mandamentos. O motivo pareceria evidente, não sendo outro senão a mudança das conceituações politeístas já extenuadas após milênios de práticas.

  A longa caminhada humana, ao reinado de tantos deuses terrestres e extraterrestres, estaria assim aos pródromos de um novo rumo para um Deus unificador. Os períodos histórico-religiosos dos politeísmos seriam, a partir dessa aceitação, pouco a pouco soterrados pelo novo e sintetizador ciclo que se apresentava. Permeava-se de uma só crença e varreria em definitivo das mentes semitas as múltiplas interpretações do passado motivadoras de absurdas idolatrias.

  Os dez mandamentos, contudo, como todas as grandes e importantes revelações bíblicas e marcantes eventos, trariam com o tempo interpretações diversas e polêmicas. Mas para o povo a quem se destinariam naquele momento, e por conter claras coibições, os mandamentos se encaixariam básica e literalmente às necessidades de severa e necessária disciplina. Foram, na maior parte, imposições imperativo-negativas embora, mais adiante, nas revelações do Livro do Deuteronômio, Moisés introduzisse novas e disciplinadoras regras e comentasse sobre os deveres e cuidados acerca das ordens divinas.

  Os dez mandamentos, em síntese, viriam traduzir as seguintes primeiras regras disciplinadoras:

1.  Não terás outros deuses diante de mim.
         2.  Não farás imagens de esculturas e não as adorarás.
3.  Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão.
4.  Guardarás o dia de sábado para O santificar.      
         5.  Honrarás a teu pai e tua mãe.
6.  Não matarás.
7.  Não adulterarás.
8.  Não furtarás.
9.  Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.
      10. Não cobiçarás a mulher do teu próximo nem os seus  pertences.

       O texto bíblico discorre sobre seis dessas regras e, sem dúvidas, é um breve discurso reconhecido como os dez ditos ou dez falas. 

[Capítulo VI do Livro "O Monoteísmo Bíblico e os Deuses da Criação" por Rayom Ra]
Texto revisto em 06-11-2016.

Rayom Ra
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Os Patriarcas que a História não Reconhece

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  Neste capítulo vamos procurar analisar aspectos históricos dos patriarcas judeus e suas relações sócio-culturais formadoras da inicial infra-estrutura do Velho Testamento. Os aspectos religiosos foram no passado relativamente aceitos sem muitas discussões, muito embora sem provas concretas suficientes, mas com os historiadores dando crédito material aos textos bíblicos quando identificavam cidades ou locais fisicamente conhecidos ou não.

  Hoje, porém, esta visão mudou e conturbou completamente uma possível coerência no processo histórico, sob cujos desdobramentos os textos bíblicos em diversas ocasiões convergiriam. O que mais causa divergências e cisões entre arqueólogos, sociólogos, historiadores e pesquisadores são as diferentes constatações de que as culturas dos povos se teriam desenvolvido em períodos não coincidentes com aqueles asseverados pelos textos bíblicos. Em alguns casos, se afastam de tal forma dos relatos religiosos que robustecem ainda mais a colocação dos argumentos díspares de quem diverge. Mesmo o Egito não escapa do esquadrinhamento de fatos imprecisos ou inexistentes e que produzem hiatos na sua memória arqueológica, por não existir elos sequenciais de elementos concretos corroborantes com as narrativas bíblicas.

  De Adão historicamente nada se pode comentar, exceto que o texto bíblico descreve propositalmente o paraíso no lugar onde existiu a antiga Mesopotâmia. O que Adão teria realizado não é cabal nem procedente, mesmo porque quase nada é dito de seus hábitos em comum com Eva no Jardim do Éden. A única trilha a seguir no contexto religioso é aquela deixada por seus descendentes até Noé. Não há, portanto, conteúdo em Adão e Eva como personalidades, sobre as quais se pudessem analisar e inferir racionalmente como a história necessita.

  De acordo com nossos cálculos, o começo da povoação da terra com Adão e Eva teria acontecido há aproximadamente 6046 anos, cifra esta, reafirmamos, insignificante perante os anais universais e cronologia humana. Aventamos, porém, que o cálculo judaico de 5769 anos (em 2009), dessa mesma distância de polos humanos, possa ser explicado pela sabedoria milenar cabalística. A data popularmente fixada do início de seu calendário é a de 07 de outubro de 3760 a.C., e como já nos referimos, apesar da diferença de 277 anos, não muda a espinha dorsal de nossos cálculos, pois alcançaria os 653 anos que Adão ainda viveria até atingir 930 anos de idade. Porém, a cabala caldeu-hebraica mantém tradições herméticas onde se guardam explicações mais profundas não só dos sistemas numéricos relacionados com as forças divinas, como crônicas e livros sagrados de uma sabedoria antiquíssima. Esse assunto não abordaremos nesta obra.

  Teria sido a Mesopotâmia realmente o Jardim do Éden? Que a Mesopotâmia foi o berço da civilização dos povos do oriente médio não há dúvidas. Muito embora ramos étnicos semíticos tivessem alargado o círculo de seus grupamentos nômades para mais além do Tigre e Eufrates, é inegável a influência por eles recebida dos povos culturalmente adiantados viventes na Mesopotâmia. Todavia, o Gênesis bíblico ao prefaciar o Velho Testamento com a criação da natureza terrena e humana em poucas linhas, sob uma cosmogonia bastante resumida, não explicaria o necessário, deixando aos historiadores e pesquisadores modernos uma única saída a fim de tentar entender a razão e o sentido de tal revelação. E como os operadores da ciência material são na prática inerentemente agnósticos ou ateus, o concretismo é a única via de suas pesquisas. Mesmo reconhecendo no ser humano uma psique reveladora de sensações, pensamentos e toda a sorte de emoções, não é competência da ciência anelar filosoficamente algo imaterial sobrepondo-se ao material. Nem atribuir um Deus invisível e intangível a quem a psique, anima, ego ou superego instintivamente reverencia, se dobra e oferece segundo sua cultura. Na realidade, permeia-lhe – à ciência concreta – a alma física do anacronismo que procura exorcizar com esforço racional e tecnológico. E não obstante, um inevitável paradoxo a obriga a seguidamente reconhecer um paradigma invariável, persistente e inexplicavelmente constante com a inclinação humana, que vem revelar sempre na alma dos povos a imorredoura certeza a algo invisível e superior a todas as demais vidas e formas da natureza.
     
  Dessa maneira, partindo das crenças de genealogias dêiticas de povos pré-existentes aos judeus, a pesquisa procurou analogias e paralelos para entender a cosmogonia bíblica. E não foi difícil encontrar coincidências no Gênesis bíblico com os relatos mitológicos sumérios.

  Evidenciava-se que os sumérios tinham chegado à Mesopotâmia antes do povo judeu, subjugando com suas milícias e adiantada cultura os semitas ali viventes, conforme já vimos. Alguns registros históricos apontam 6.000 anos de existência da civilização suméria; outros levantam suspeitas e suposições de que esse tempo possa ser maior, puxando a lenda do Jardim do Éden para um período ainda mais recente. Os cananeus, que anteriormente viviam pela região da Mesopotâmia, seriam antes da invasão suméria pequenas e esparsas tribos semitas que não podiam representar uma influente cultura. Mas somente após o êxodo do Egito, e com a civilização suméria decaída e fragmentada, que os judeus teriam chegado a Canaã dos cananeus na Palestina com sua força militar e religião monoteísta, lá se instalando. Admite-se que os cananeus, nessa época, já utilizavam o termo hebreu para designar seu ramo étnico, que os judeus somente após a conquista de Canaã absorveriam e adotariam. Portanto, hebreu antes do êxodo, não seria somente epíteto de especial ramo semítico israelita conforme atribuíam a Moisés e ao povo judeu escravo no Egito.

   Além disso, o hebraico é um idioma muito mais antigo, originário da África e lá existente há mais ou menos 8.000 anos a.C., levado para a Ásia e depois falado tanto por fenícios como por cananeus. Sua forma escrita, mais tarde trabalhada pelos rabinos judeus que lhe introduziriam sinais massoréticos, estabelece similitudes com o aramaico falado por Jesus e alguns povos da antiga Palestina e Mesopotâmia. Desse modo, os sumérios teriam sido muito anteriores aos judeus do Velho Testamento e não poderiam de forma alguma se revestir com um proselitismo judaico, senão o oposto visto a cultura politeísta suméria, durante milênios, ser a mais forte e assimilada forçosa ou casuisticamente pelos povos espalhados desde a Síria Oriental até a Mesopotâmia.

  No capítulo do Gênesis bíblico há a referência ao Deus Criador de todo o universo trabalhando durante seis dias e descansando no sétimo dia. Jehovah, IHVH (IEVE), Jah-Eva ou Jah-Hovah, tornou-se o Deus único formador do credo religioso hebreu monoteísta. Esse Deus, destarte, é muitas vezes mencionado como Eloha, IHVH Alhim ou Jeovah Elohim. Segundo os hebreus, Elohim eram deuses conhecidos como co-criadores do universo, da natureza e dos homens. Seriam as próprias forças criadoras, tantas vezes mencionadas no politeísmo sumério e por outros povos da Ásia.

  Essa relação, ao invés de tergiversar dos textos bíblicos, vem reforçar a antiga ideia da concepção cósmica por deuses criadores que o Deus dos judeus sozinho encarnaria e assumiria com o objetivo de estabelecer uma visão cosmogenética mais simplificada, que terminaria por não acontecer, visto o relato de o Gênesis ser abreviado, confuso e aparentemente sem nexo.

  Por outro lado, a arqueologia não encontrou ainda meios para definir uma data precisa, ou o mais aproximado possível, de quando definitivamente o dilúvio teria ocorrido, se de fato ocorreu conforme diz o Velho Testamento. Cientistas são categóricos em afirmar que pelos estudos dos solos, acidentes geográficos e condições ambientais de muitas regiões dos continentes, até o momento não há indícios de que há milênios tenha de fato acontecido uma inundação daquela magnitude.

  Estudos acurados indicam também que seria impossível a natureza provocar inundação de uma só vez em todo o planeta, cobrindo montanhas, oceanos, mares e rios em somente quarenta dias de chuva. Mesmo chovendo mais do que quarenta dias, se verificaria aumento de volume ínfimo de água por toda a Terra, embora para nós esse mesmo volume viesse a se revelar assombrosamente grande. Ademais, segundo ainda afirmam homens da ciência, a natureza, além de tudo, não reúne condições de formar tanta elevação de nuvens que possa precipitar uma inundação em escala planetária.

  O Noé bíblico, tanto quanto Abraão, Jacob, José e Moisés, são reconhecidos e respeitados pelo Islam que, principalmente, consideram Abraão um muçulmano da maior envergadura. Esta atribuição se deve por sua aceitação e fé a um Deus único, pois nos tempos dos patriarcas não existia ainda cristianismo ou islamismo.

  Noé é frequentemente citado nas prédicas muçulmanas com elementos adicionais não encontrados no Velho Testamento, como ilustra uma passagem em que se volta a Deus para lamentar a morte de seu filho, afogado durante o dilúvio. Deus, no entanto, o consola dizendo que ele verdadeiramente não era seu filho, pois o procedimento dele era pecaminoso.

  Já Ismael, outro filho de Abraão, é considerado ancestral da linhagem de Maomé, profeta do Islam, e devido a isso os muçulmanos reclamam totais direitos sobre a Palestina. Os muçulmanos advertem que os judeus perderam o direito às terras por que as tribos de Israel haviam mergulhado no pecado ao adotar cultos politeístas pagãos em Canaã, e por se terem degradado. Deus então os castigou com o cativeiro da Babilônia e depois os fez dispersar em diásporas pelo mundo, sem país nem pátria.

  Sabe-se que o movimento sionista sediado nos Estados Unidos e Europa, afirmava ter os judeus o direito de voltar as suas origens na Palestina. Baseavam-se nos argumentos de que eram injustamente perseguidos no mundo inteiro, principalmente na Europa por autoridades da igreja processadoras dos progroms, que eram execuções de judeus não convertidos.  O movimento de retomada judaica, com ajuda do barão de Rothschild no final do século XIX, já providenciaria assentamentos judeus em primeiras colônias agrícolas na Palestina. A partir de 1917, os sionistas construiriam assentamentos rurais e urbanos restabelecendo a cultura hebraica na terra. Em 1933 os judeus já eram mais de 20% da população palestina.

  Em 29 de novembro de 1947, a ONU aprovaria o retorno dos judeus à Palestina que como estado judeu teria 14000 km2, indo de Haifa à Telavive e do deserto de Neguev até o Golfo de Acaba, incluindo-se nesta partilha parte da Galiléia. Os árabes teriam um estado com 11500 km2, da Cisjordânia à faixa de Gaza. Jerusalém seria elevada a uma posição de destaque internacional. Essa divisão desagradou os árabes e gerou a guerra que se estendeu entre os anos 1948 e 1949.

  Terroristas judeus promoveriam muitos ataques contra os colonos palestinos que resistiam à invasão, matando famílias, queimando suas propriedades e obrigando a enorme contingente de colonos emigrar para países árabes. Aproximadamente 300 mil palestinos, que insistiriam em permanecer, passariam a viver em condições sociais inferiores, sem muitos direitos de cidadãos livres, ou em situações de pobreza em acampamentos. Estas ações terroristas israelenses são conhecidas como o massacre de Doir Yassin.

  A genealogia bíblica estabelece em duas ocasiões, a cada dez gerações, o aparecimento de um patriarca. A exceção fica por conta de Jacob – filho de Isaque o primogênito de Abraão – nascido gêmeo de Esaú. Noé representa a décima geração a partir de Adão, e Abraão é também a décima a partir de Noé. Porém, há dúvidas quanto à data do nascimento de Abraão na cidade de Ur, na Caldéia, como acontece com as datas de eventos que incluem personagens bíblicos. O nascimento de Abraão estaria condicionado ao período entre os anos 2000 a.C. a 1500 a.C. (pelos nossos cálculos teria nascido em 2091 a.C.), e nesse mesmo período se registraria a reunificação do império sumério após a expulsão dos guti, povo nômade originário dos montes Zagros, no Alto Tigre. Esses nômades tinham se infiltrado nas cidades-estados sumérias em 2230 a.C., quando os sumérios vinham minando o domínio acádio com constantes rebeliões. Os acádios, por seu turno, povo também nômade provindo do deserto da Síria conquistariam aos grupos, antes dos guti, as cidades-estados sumérias entre 2350 a.C. e 2340 a.C.

  Apesar de alguns historiadores serem cautelosos num julgamento definitivo sobre a realidade ou não da existência dos patriarcas bíblicos, outros demonstram o mais profundo ceticismo quanto ao fato. Grande número de pesquisadores no mundo inteiro, no entanto, está interessado unicamente em comprovar a veracidade dos relatos bíblicos sem preconceitos. Achados arqueológicos têm sido para uns a via única comprobatória de falhas e inverdades dos relatos do Velho Testamento. Duas conhecidas correntes de estudiosos, nos Estados Unidos e na Europa, divergem em vários pontos sobre critérios interpretativos dos elementos arqueológicos coligidos. A Maximalista se apresenta não radical, comedida, postulante da aceitação de fatos bíblicos como sendo históricos desde que não possam ser contestados nem sejam comprovadamente falsos. Já a corrente Minimalista desconsidera e julga falsos os fatos onde não haja evidências possíveis de comprovação.

  A nós parece-nos haver grande precipitação dos Minimalistas em julgar fatos bíblicos dessa forma, pois dificilmente há consenso ou absoluta certeza de uma amostra arqueológica ou documento histórico serem eminentemente comprobatórios de mentiras e enganos, ou suficientes de per si para conclusões definitivamente verdadeiras. Há que haver maiores estudos.

  Dúvidas levantadas quanto à existência de Abraão e, por conseguinte, de outros patriarcas, decorrem também da instituição de novos hábitos adotados por eles que não seriam nem originais e nem da mesma época de seus clãs. No caso de Abraão, descobriu-se que hábitos de tribos semitas idênticos aos esposados ou instituídos por esse patriarca, segundo a Bíblia, já existiam desde o primeiro milênio da era anterior à Cristo. Um caso discutido é o modelo de um contrato achado em escavações e atribuído a pertencer a Abraão, que mais tarde se descobriria ser de data muito anterior ao patriarca e de prática comum entre antigos semitas. Outro caso é o da circuncisão instituído por Abraão, a mando de Deus como prova de aliança entre Deus e sua descendência, mas cuja origem e referência histórica recuam milênios ao continente africano onde já era hábito de primitivas etnias. Mesmo na Palestina, os cananeus a praticavam e da mesma maneira os egípcios entre os períodos do Bronze Médio (2200 a.C. - 1550 a.C.) ao Bronze Recente (1550 a.C. - 1200 a.C.).

  Uma história não bíblica conta que Abraão respeitante ao Deus único, veio ter com Melquisedeque que o abençoou, fortalecendo-lhe a mensagem de que seus descendentes povoariam a terra como as incontáveis estrelas se espalhavam no céu. Algumas vezes, os relatores de textos antigos confundiam Melquisedeque, rei de Salém, com o próprio Deus. Desse modo, Abraão teria falado pessoalmente com Deus encarnado.

  Jacob seria o patriarca a realizar propriamente as promessas feitas a Abraão pelo Deus único, relativamente ao povo judeu. Isaque geraria dois filhos gêmeos por Rebeca – sua mulher –  chamados Esaú e Jacob. Esaú nasceria primeiro, vindo Jacob segurando seu calcanhar. Mais tarde, estando Isaque a morrer, pretendia dar a benção ao primogênito Esaú. Jacob, sabedor de que seu pai não enxergava bem, e seguindo orientação de Rebeca, vestiu-se com a roupa do irmão cobrindo o pescoço e as mãos com a pele de cabritos, recebendo de Isaque a benção.

  Jacob teria tido doze filhos que constituiriam as doze tribos de Israel, porque Deus trocara o nome de Jacob para Israel. José, seu décimo primeiro filho, acabaria vendido por seus irmãos a mercadores nômades, sendo levado ao Egito onde um rico comerciante chamado Putifar o compraria. Mais tarde, interpretaria os sonhos do faraó reinante na cidade de Mênfis, que segundo a história seria hicso – povo asiático semita invasor do Egito – onde os hicsos permaneceriam durante a 15ª. E 16ª. dinastias, sendo depois expulsos. José, já como chanceler do Egito, mandaria buscar toda a sua família e descendentes, que entrariam no Egito livremente, mas permaneceriam escravos por 430 anos contados após a morte de José, sendo finalmente libertos por Moisés.

  Neste ponto começa a maior das polêmicas envolvendo a criação da Bíblia. A tradição sacerdotal (a mesma que religiosa) atribui a Moisés a autoria dos cinco primeiros livros. Investigadores rechaçam a existência de Moisés, sua origem hebraica e todos os seus atos fantásticos praticados no Egito e fora dele, obedientes à vontade do Deus de Israel. Os fatos concatenados pela arqueologia e pesquisadores não sequenciam uma relação histórica conducente ao libertador hebreu.
      
  A história argumenta que havia constantes emigrações de povos semitas ao Egito em busca de água, alimentos ou trabalho assalariado muito antes do período bíblico do êxodo. Em épocas turbulentas, ou quando o governo egípcio necessitava de mão-de-obra, os estrangeiros eram proibidos de sair do país, sendo feitos escravos. Os egípcios, já antes de Moisés, mantinham possessões nas regiões da Palestina e Mesopotâmia cobrando impostos nas cidades-estados, e realizando toda a sorte de comércio. Portanto, era comum o intercâmbio egípcio com povos semitas e povos de outros países distantes, como a Grécia. Os gregos, por oportuno, gozavam de respeito e prestígio no Egito.

  Quanto a José, sua possível existência é admitida pelos historiadores pelo fato de terem encontrado provas arqueológicas identificadoras de hábitos ou de acontecimentos da vida egípcia, coincidentes com as descrições bíblicas à época em que José lá teria vivido. Mas quanto a Moisés, afirmam, nada comprova sua existência, sendo também pouco provável ter existido um Moisés egípcio ou hebreu, ou mesmo parte egípcio parte hebreu. Ademais, não há qualquer referência nos anais egípcios identificadora da ocorrência das dez pragas relatadas no livro do Gênesis. Na época da partida do povo israelita muitos outros semitas lá permaneceriam, e somente mais tarde viajariam ou não de volta para seus grupamentos étnicos de origem, em pequenos êxodos, como sempre acontecia. Porém, em existindo de fato aquele êxodo espetacular narrado no Velho Testamento, de seiscentos mil homens israelitas além de mulheres e crianças, teriam também se misturado aos israelitas, os caldeus, danus, filisteus, arameus e tilkers, visto a Bíblia deixar subentendida a não permanência no Egito de nenhum outro escravo semita após o êxodo, senão unicamente os livres nativos egípcios.

  A história não desata e os religiosos somente repetem a Bíblia ou ressaltam manuscritos apócrifos. Neste ponto, as duas correntes são inconciliáveis, mesmo por que o religioso crê, imagina e se satisfaz. A história, ao contrário, manuseia, tange, rearticula e procura comprovações sem o que nada pode guardar, afirmar ou restabelecer.

  São muitas as lendas de um hebreu que teria nascido no Egito de mãe judia e lançado ao Nilo com três meses de idade. Esse ato extremo o teria realizado a mãe de Moisés por que o faraó antes determinara que todos os recém-nascidos varões, filhos de Israel, fossem mortos pelas parteiras hebreias Sifra e Pua. Visto os meninos judeus continuarem a nascer porque as parteiras não os matando mentiam ao faraó, dizendo chegar sempre atrasadas aos partos, o faraó mandou seu povo lançar ao Nilo todos os meninos hebreus recém-nascidos.

  É dito em êxodo 2; 1 a 5, sobre o nascimento de Moisés:
  “Foi-se um homem da casa de Levi e casou com uma descendente de Levi. E a mulher concebeu e deu à luz um filho; e vendo que era formoso, escondeu-o por três meses. Não podendo, porém, escondê-lo por mais tempo tomou um cesto de junco, calafetou-o com betume e piche, e, pondo nele o menino largou-o no carriçal à beira do rio. Sua irmã ficou de longe para observar o que lhe haveria de suceder. Desceu a filha do faraó para se banhar no rio, e as suas donzelas passeavam pela beira do rio; vendo ela o cesto no carriçal enviou a sua criada e o tomou.”

  Moisés seria criado por sua própria mãe descoberta nas proximidades do rio, e mais tarde, já grande, iria ter com a filha do faraó que a partir de então o criaria como filho. A tradição religiosa afirma ter Moisés realizado coisas grandiosas no Egito antes da saída israelita do cativeiro. A corrente de desconfiados historiadores continua negando aqueles feitos e a origem hebraica do salvador.

  Neste particular, inferimos que historicamente o termo hebreu poderia perfeitamente ter sido adotado pelos judeus no Egito, uma vez que os cananeus, como vimos, assim se denominavam há milênios, antes mesmo da conquista suméria na Mesopotâmia. Povos semitas já mencionados emigravam aos grupos para o Egito em constantes e temporárias viagens, podendo alguns grupos cananeus ter lá permanecido também escravos, e se misturado aos israelitas. Consoante a regra comum de trocas e absorções culturais de ramos étnicos na convivência simples ou estreitada, e consoante ao caldeamento étnico que forçosamente acontece nesses casos, ocorreriam também no Egito semelhantes fatos. Assim, adicionamos esse ingrediente às discussões históricas, quando entendem que a designação de povo hebreu se incorporou idiossincraticamente aos israelitas somente no retorno judeu à Canaã, tendo existido o êxodo ou não.

  A propósito da discussão sobre o êxodo, decorrem muitas outras dúvidas da existência de locais, povoações e cidades na época desse grande acontecimento. Os 40 anos de peregrinação pelo deserto, sob penitência imposta pelo Deus IHVH, são da mesma forma postos em dúvida, e também devido ao fato de Josué não ter escrito o sexto livro na sua totalidade, embora não tenha havido maiores preocupações durante séculos para esclarecer o fato. Uma das evidências constatadas nas investigações sobre Josué, reside nos diferentes estilos empregados nas narrativas com datas diversas. Os textos mostram os pronomes “nós” e “nos” revelando que mais de uma pessoa testemunharia os acontecimentos e colaboraria na manufatura do livro. Outra evidência ocorre nas descrições dos acontecimentos que teriam lugar após a morte de Josué, como as conquistas de Hebrom e Dã por Otoniel. Sobre isto, defende o Talmude, o livro sagrado judeu, que os últimos versos do livro de Josué teriam sido escritos por seu filho Pinkbas.

  Por outro lado, cidades como Ai, Gabaon e Jericó, segundo comprova a arqueologia, ainda não existiam no século XIII a.C., logo não poderiam ter caído em mãos israelitas conforme atestam os textos bíblicos. A existência do próprio Israel como entidade histórica e a maneira soberba como vem descrita é fartamente contestada. Os historiadores e arqueólogos sugerem que ao invés do grande êxodo, Israel teria emergido dos cananeus e a nomenclatura Israel atribuída às doze tribos de Jacob, também surgiria na antiga Canaã sob influência egípcia, não sendo, portanto, primazia do patriarca judeu a originalidade do mencionado epíteto quando Deus substituíra seu antigo nome. O império egípcio, como vimos, estendia-se além de suas naturais fronteiras alcançando cidades-estados palestinas e mesopotâmias. Daí, influenciar cananeus, e, neste caso, israelitas. Os cananeus, tribos árabes provindas da Ásia à época de suas migrações da Mesopotâmia para a Palestina, se infiltrariam e se instalariam em locais diversos. A teoria dos historiadores admite que os israelitas, mediante os extorsivos tributos egípcios, teriam se afastado da antiga Canaã migrando para as montanhas do Efraim, lá se espalhando por diversas regiões constituindo outros povoados. Por outro lado, o nome Israel é uma aglutinação epônimo de Isis (mãe natureza ou alma universal), Ra (deus solar, pai) e El (sufixo designativo de majestade, poder ou senhor), todos do panteão de deuses egípcios.

  Mais tarde, se verificariam pequenos êxodos dos nômades israelitas de volta à Canaã, devido aos seguidos conflitos com os primitivos moradores do Efraim, com ocupação gradual e pacífica das cidades-estados cananeias, sem existir, portanto, a tomada à força através de guerras, conforme afirma o Livro de Josué. Desse modo, os israelitas teriam voltado às suas origens por outros motivos, tendo continuado o culto da circuncisão, bem como mantido a proibição do consumo de carne suíno. Reafirmam, assim, os pesquisadores, que esses mesmos hábitos sócio-religiosos, os israelitas já os possuíam antes das migrações a Efraim, por que teriam sido passados pelos egípcios aos cananeus.

  Todos estes fatos descaracterizariam um preâmbulo ao aparecimento dos reinos de Davi e Salomão, pois as provas arqueológicas vêm alinhar elementos concretos de negação ao estabelecido nos livros bíblicos, reforçando antigas e profundas dúvidas históricas e desconfianças, que fragilizariam os mitos da existência dos patriarcas e narrativa do êxodo hebreu. Ao mesmo tempo, assomam cada vez mais certezas de que o conteúdo do Velho Testamento não seja outra coisa senão uma fábula ou grande ficção, aliado aos fatos adicionais de que Samaria e Jerusalém, nas épocas dos reis Davi e Salomão, seriam cidades com populações insignificantes, portanto não dignas de representar tão majestosos e faustuosos impérios. Entretanto, a polêmica continua.

[Capítulo IV do Livro "O Monoteísmo Bíblico e os Deuses da Criação" por Rayom Ra]
Texto revisto em 06-11-2016.

Leia também o Capítulo V de "O Monoteísmo Bíblico e os Deuses da Criação":
Clique em" 1.  -Arca de Ouro: A Montagem da Bíblia (A)

                      2. -Arca de Ouro: A Montagem da Bíblia (B)

 
Rayom Ra
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