terça-feira, 12 de maio de 2026

Um Pouco de Ramatís

Pergunta: Então poderíamos supor que, muitas vezes, são os próprios mestres e líderes de filosofias ou doutrinas perturbadoras, que depois devem imolar-se em futuras existências físicas, para despertar os seus próprios discípulos ou seguidores iludidos no passado?

Ramatís:  Sem dúvida: aqueles que hipnotizaram algumas almas para o culto de suas doutrinas subversivas, aniquilantes, negativistas ou fesceninas, renascem posteriormente com a obrigação de se tornarem os "alvos" principais e responsáveis pela reforma e recuperação espiritual dos seus seguidores, ainda confusos na senda da espiritualidade.

Sob a disciplina férrea, mas justa, da Lei Sideral, que retifica, mas não castiga, eles retornam ao cenário do mundo físico e se situam no seio das famílias terrenas, comprometidos em despertar da ilusão intelectiva, da hipnose dos sentidos passionais ou da escravidão do ateísmo infeliz, aqueles mesmos que os seguiram tolamente no passado. Mas nessa tarefa sacrificial nada lhes é imposto arbitrariamente; é a sua razão esclarecida e a certeza de reduzir o seu débito cármico o que os faz aceitar conscientemente o serviço doloroso a favor do próximo, e também em seu próprio benefício.

É certo que a família ignora a razão dos acontecimentos dolorosos que eclodem, constituindo as desventuras no roteiro evolutivo em comum. E assim se formam os quadros de sofrimento redentor; aqui é o filho que nasce com a enfermidade congênita e arrasta-se torturantemente, provocando angústias nos seus consanguíneos; ali é o chefe de família que, arrasado por cruel enfermidade e resistente a todos os esforços da Medicina oficial, marcha tristemente para a cova terrena, lacerando os corações familiares; acolá, estranha enfermidade agride a filha querida, fazendo-a palmilhar a "via crucis" de todos os consultórios e instituições psicopáticas, enquanto faz estrugirem gritos estranhos e magoa a todos com palavras de baixo calão.

Mas a lei está vigilante, e quando o desespero já se instalou no seio da família acabrunhada, eis que se opera então o milagre: sob fortuita coincidência, surge o médium curador, que faculta ao filho recuperar os movimentos físicos atrofiados desde o berço, ou restitui a saúde ao chefe da casa já desenganado pela Medicina, ou ainda, graças a dedicação de alguns adeptos da doutrina espírita, esclarece-se o espírito obsessor que torturava a filha querida. Deste modo, o Espiritismo é aceito no lar, que se faz venturoso, e os postulados da imortalidade do espírito penetram na alma daqueles que viviam escravizados aos dogmas infantis ou à absoluta descrença.

Abalam-se as velhas convicções ateístas e os sectarismos condenáveis esposados no seio da parentela, graças à cura milagrosa de alguns dos seus familiares através da singeleza da água fluída do receituário mediúnico ou do passe espírita. E o Alto, através daqueles mesmos que, muitas vezes, no passado, abusaram do mando e do intelecto em desfavor do próximo, ministra-lhes novos conceitos de vida superior, servindo de suas carnes maceradas ou dos seus nervos atrofiados. Os conceitos errôneos ou negativos de ontem são compensados pelo sacrifício da dor física ou psíquica do presente.

Pergunta: No caso do filho doente ou da filha obsediada que, depois de curados miraculosamente pelo espiritismo, convertem a família descrente, não poderia tratar-se de espíritos bons, que aceitam o sofrimento sacrificial com o intuito magnânimo de ajudar os seus afetos encarnados para mais breve ascensão espiritual?

Ramatís: - Já vos dissemos que, mesmo no Espaço, não há regra sem exceção, pois Jesus, espírito excelso e justo, não hesitou em mergulhar nas sombras do vosso mundo, para salvar os homens ignorantes de sua realidade espiritual. Sem dúvida, espíritos boníssimos também descem à carne e se ajustam à família consanguínea terrena, com o fito único do despertar espiritualmente os seus velhos afetos milenários. Em alguns casos, eles se sacrificam heroicamente a fim de socorrer os próprios adversários pregressos e que ainda se demoram hipnotizados pelas filosofias destrutivas ou doutrinas enfermiças do mundo material.

Muitas vezes, quando essas almas sublimes comprovam a inutilidade dos seus esforços para inspirarem do Além os seus pupilos negligentes e conduzi-los ao Bem e à Sabedoria Espiritual, decidem-se a habitar o mundo físico por amor a eles. Assim, como foi o excessivo amor de Jesus que, apiedado do sofrimento humano, o conduziu para a Terra e não alguma culpa cármica de crucificação, muitas almas angélicas também abandonam o plano paradisíaco sob o penoso sacrifício de se encarnarem no seio da família terrestre para despertar-lhes os sentimentos crísticos.

Muitas delas, quando renascem junto de adversários empedernidos, enfrentam as situações mais cruciantes para atenuar a fereza, o ódio e a violência que ainda vicejam entre eles. Movidas pela compaixão do anjo, envidam todos os esforços para subtraí-los às tragédias odiosas, que no futuro engendram os carmas torturadores. Algumas vezes, são sacrificadas pelas próprias almas delinquentes, as quais tentam salvar dos padecimentos inenarráveis que as esperam nos charcos do astral inferior. Mas ainda sentem-se felizes quando conseguem atear-lhes o fogo do remorso ou do arrependimento, provocando-lhes os primeiros impulsos da redenção espiritual.

Repetimos-vos, no entanto, que Deus não é vingativo, nem sádico, e assim não cria a obsessão incurável, a doença fatal, o aleijamento deformante ou qualquer outra desventura destinada ao ser humano. Ele só objetiva a recuperação venturosa de todos os seus filhos eternos. Tais acontecimentos trágicos ou mórbidos são apenas frutos exclusivos da debilidade moral e da ignorância do homem que mal balbucia as primeiras letras do alfabeto da vida imortal.

 [Extratos da obra Mediunismo - capítulo IV, por Ramatís, através de Hercílio Maes]

                                                    Rayom Ra
                           http://http278arcadeouro.blogspot.com