terça-feira, 22 de março de 2022

As Três Cruzes - A.A.Bailey / D.K.

AS TRÊS CRUZES

  Não poderei tratar detalhadamente o tema das três Cruzes zodiacais – as Cruzes Mutável, Fixa e Cardeal – porque concernem às totalidades ou à síntese da manifestação e à experiência unificada de uma entidade encarnante, seja Deus ou o homem. Portanto somente pode compreendê-lo quem possui consciência includente, ou seja: percepção iniciática. Entretanto é possível fazermos alguns comentários gerais. As três cruzes são, como bem sabem:

  1. A Cruz do Cristo Oculto – a Cruz Mutável.

    a. É a Cruz das quatro energias principais, que produzem as circunstâncias e transformam o homem animal num aspirante.

    b. É a Cruz da personalidade ou do ser humano, que se desenvolve de forma constante, integrando-se finalmente. Isto tem lugar, primeiro, em resposta às circunstâncias e logo à inclinação da alma.

    c. É a troca de mudança temporal e temporária, da fluidez desses ambientes que se alteram constantemente e impulsionam a alma, que anima a forma, a ir de uma experiência extrema a outra, de modo que a vida oscile entre os pares de opostos.

    d. É a Cruz da forma que responde, nutre e desenvolve a vida de Cristo que mora interiormente – a alma oculta ou o Senhor do Ser. Os quatro braços desta Cruz são: Gêmeos-Virgem-Sagitário-Peixes. Algumas vezes a denominam a Cruz Comum, pois condiciona o rebanho comum: a massa humana.

  2. A Cruz do Cristo Crucificado – A Cruz Fixa.

    a. É a Cruz composta pelas quatro energias que condicionam a vida do homem, que é antes de tudo um discípulo em provação; logo um discípulo aceito e consagrado.

    b. É, destacadamente, a Cruz da alma. O homem que se acha na Cruz Fixa está chegando a ser acrescentadamente consciente de sua orientação e influência e não responde tão cegamente como o homem que se acha na Cruz Mutável. Não “ascende” num sentido técnico a esta “Cruz de Correta Orientação”, até que haja alcançado, em certa medida, contato com a alma e haja recebido um toque de iluminação e de intuição espiritual – não importando quão fugaz possa ter sido este lampejo.

    c. É a Cruz da “visão fixa e dessa intenção imutável que impele ao homem a ir de um ponto da luz até a brilhante luz solar”. O homem na Cruz Fixa diz: Sou alma e aqui permaneço. Nada moverá meus pés fora do estreito lugar no qual permaneço. Enfrento a luz. Sou a Luz, e nessa luz verei a Luz”.

    d. É a Cruz cujas quatro energias se mesclam com as energias do próprio Sistema Solar e as transmitem. Isto pode o homem fazer porque na Cruz Fixa está chegando a ser acrescentadamente consciente dos acontecimentos mais importantes que ele, acontecimentos mais absorventes que seus anteriores interesses concernentes à humanidade, em sua relação com as forças solares, e não só com as forças planetárias. Vai sendo cada vez mais sensível a um todo maior.

    e. As energias desta cruz continuam evocando resposta até o momento de receber a terceira iniciação. Os quatro braços desta Cruz são Touro-Leão-Escorpião-Aquário. Se a denominam Cruz Fixa é porque o homem está crucificado nela por direta escolha e intenção irremovível de sua alma. Uma vez tomada esta decisão não pode mais retroceder.

  3. A Cruz do Cristo Ressuscitado – A Cruz Cardeal

    a. Nesta Cruz de acordo com o paradoxo ocultista e ao tempo e espaço, o Espírito está crucificado. Suas quatro energias regem e dirigem a alma quando avança no Sendeiro de Iniciação. Logicamente tratando-se de um estado de consciência tão excelso, pouco posso dizer a respeito desta Cruz, exceto fazer vagas generalizações.

    b. Portanto é predominantemente a Cruz da Iniciação e dos começos. Consiste fundamentalmente “ao começo do interminável Caminho da Revelação” que se inicia quando se entra no Nirvana, para o qual todas as etapas prévias ao Sendeiro de Evolução não tem sido mais do que preparatórios.

  As citações dadas em continuação podem trazer compreensão e ajuda a fim de iluminar este tema tão difícil, indicando o significado desta Cruz Cardeal como influência culminante e reveladora do que existe adiante, para os que alcançam a categoria hierárquica.

  Toda beleza e bondade, tudo o que contribui para o desaparecimento da dor e ignorância na Terra, deve ser dedicado à Grande Realização. Então quando os Senhores de Compaixão hajam civilizado espiritualmente a Terra e feito dela um Céu, estará revelado para o peregrino o interminável Sendeiro que se estende até o Coração do Universo. O homem que então já não será homem terá transcendido a natureza, e impessoalmente, apesar de que em forma consciente, estará unificado com todos os Seres Iluminados e ajudará cumprir a Lei da Evolução, da qual o Nirvana não é mais que o princípio”. – Yoga Tibetana e Doutrinas Secretas.

    c. As energias da Cruz Cardeal fundem-se com essas energias as quais somente podemos dar o nome de energia cósmica, ainda que esta não signifique nada. Contém a qualidade Daquele de Quem Nada Se Pode Dizer, estando “matizadas com a Luz dos Sete Sistemas Solares” dos quais nosso Sistema Solar é um deles.

    e. O alcance e o ciclo da influência na vida do iniciado são absolutamente desconhecidos, incluindo nosso Logos Planetário, que está crucificado sobre seus “braços abertos”.

A CRUZ DO CRISTO OCULTO

  Falando de forma geral a Cruz Mutável rege, portanto, a forma ou a natureza corpórea; controla todo o ciclo de vida da alma individual através das etapas das experiências inferiores da humanidade, etapas estritamente humanas, e os processos integrantes do desenvolvimento da personalidade, até que o homem se transforme numa pessoa alinhada, reorientando-se lentamente até uma visão superior, uma captação horizontal e vertical mais ampla da realidade, e convertendo-se em aspirante. Esta Cruz rege a triplicidade inferior em manifestação e aos três mundos da evolução humana.

  A Cruz Fixa rege a alma, que agora é consciente dentro da forma humana e nos três mundos, porém controla todo o denominado “cinco mundos da realização humana” – os três níveis de atividade estritamente humanas e os dos super-humanos, ou seja: a trindade inferior e a Trindade Espiritual. Concerne a toda a vida da experiência e a expressão da alma, depois que a Cruz Mutável tem obrigado ao homem a passar pelos sendeiros de purificação e do discipulado. Relaciona-se com a integração da alma, da personalidade, e com sua total mescla ou fusão.

  A Cruz Cardeal rege a manifestação da Mônada em toda a sua glória e beleza, ciclo de influência que tem duas etapas: uma em que a Mônada se expressa nos sete planos de manifestação, em “sabedoria, força e beleza”, por intermédio da alma e personalidade integradas. Esta etapa é relativamente breve. A outra em que – retirado e abstraído dessas formas de Ser – “o Uno prossegue num Caminho Superior e passa a reinos desconhecidos, até para os mais elevados Filhos de Deus em nossa Terra”.

  Poderia se dizer que a Cruz Mutável constitui a influência condicionante desse grande centro planetário denominado humano; a Cruz Fixa constitui eminentemente a principal série controladora de energias regentes, transmitidas pelo centro denominado Hierarquia Planetária: a Cruz Cardeal rege e condiciona (em forma desconhecida para os homens) esse grande centro planetário denominado Shamballa.

  Portanto verão quão grandioso é meu tema. Permitam-me repetir que só quem pode pensar em termos de quaisquer das três Totalidades mencionadas, saberá do que falo; as mentes menos capacitadas obterão uma imagem ou visão de possibilidades transcendentais que as ajudarão a obter uma expansão de consciência, porém o que exporei permanecerá no nível do (momentaneamente) inalcançável.

  Técnica e academicamente o tema se irá aclarar se pontualizo, que:

  1. A Cruz Mutável é a Cruz do Espírito Santo, da Terceira Pessoa da Trindade Cristã, pois organiza a substância e evoca a resposta sensível da mesma substância.

  2. A Cruz Fixa é a Cruz do Filho de Deus, da Segunda Pessoa da Trindade, impelido pelo amor a encarnar na matéria e a ser conscientemente crucificado na Cruz da matéria.

  3. A Cruz Cardeal é a Cruz do Pai, o primeiro aspecto da Sagrada Trindade, que enviou ao Espírito Santo (o Alento), porque a Mente de Deus visualizou um destino para a matéria, que demorou muito tempo para cumprir-se, e “já chegando o momento”, o Filho cumpriu a lei com a colaboração do Espírito Santo: isto em resposta ao “faça-se” do Pai.


  As Cruzes Mutável, Fixa e Cardeal

  Estas três Cruzes na sua total manifestação se relacionam com as três energias básicas que trouxeram à existência o Sistema Solar; constituem-se nas três expressões principais e sintéticas da Vontade suprema, motivadas pelo amor e expressadas pela atividade. Nestas Cruzes a capacidade de ver o Todo, propósito-móvel-expressão, vida-qualidade-aparência, se transforma e muda. Na Cruz Mutável, o homem crucificado não vê nada. Sofre, agoniza, deseja, luta e é vítima aparente das circunstâncias, caracterizando-se pela visão velada e anseios incipientes, que gradualmente tomam forma até que alcança a etapa de aquiescência e aspiração.

  Logo, na Cruz Fixa , começa a compreender a totalidade do propósito da experiência na Cruz Mutável (no que concerne à humanidade); que há um propósito hierárquico que pode ser captado somente pelo homem que está disposto a ser crucificado nessa Cruz. Alcança a etapa da responsabilidade, da auto percepção e da correta direção. Sua orientação é agora, “espiritualmente vertical, o que implica a includente horizontal”. Nesta etapa o Plano do Logos vai adquirindo forma em sua consciência.

  Na Cruz Cardeal, o propósito e a culminância unificada das duas crucificações anteriores evidenciam em forma quase ofuscante; aparece com toda clareza a visão da intenção unificada das Três Pessoas da Trindade subjacente – cada uma em Sua Própria Cruz.

  Quisera que a simplicidade dos três símbolos que se darão a continuar possam servir para aclarar o que tenho tratado de comunicar.

  A Cruz Mutável de mudança material e movimento constante pode ser representada pela suástica. O Homem é inconsciente da natureza das quatro energias entrantes e pouco pode interpretar em termos de alma.

  As energias produzem impacto sobre ele e o impulsionam para atividades materiais. A Cruz da personalidade faz com que o homem crucificado nela dedique-se às coisas materiais para oportunamente poder emprega-las divinamente. Os nazistas exaltaram desta Cruz o aspecto inferior do símbolo, expressando assim o final do ciclo material da existência humana – o falso e maligno emprego da matéria cujo fundamento é a separatividade, a crueldade e o egoísmo. O mau uso da substância e a prostituição da matéria e da forma para fins malignos constituem o pecado contra o Espírito Santo. É possível dizer-se que a suástica “leva a um terrível perigo e a errôneos caminhos àqueles cuja ambição é grande e não veem a beleza da Cruz que alvorece nem sentem amor pelas vidas humanas”. Aqueles que não respondem aos aspectos e efeitos inferiores da Cruz que gira (segundo assim se referem, às vezes), “a suástica os lança longe e fora de si mesma até que se detenham na “eleita” Cruz da crucificação” – a Cruz Fixa do discípulo consagrado.

  O símbolo da Cruz Fixa (no que se refere à humanidade) pode ser expressa assim. Esta é a Cruz da Humanidade.

  Nela o homem obtém a iluminação e é consciente dos efeitos do ciclo completo (indicado pelo círculo) das quatro energias, às quais se encontrava submetido na Cruz Mutável. O símbolo da Cruz Cardeal é mais complicado e pode ser representado assim:

 E aqui o triângulo da Mônada manifestada, mais os três ciclos de quatro energias, enfocadas e mescladas em uma unidade, e também a linha da evolução (da consciência) descendo profundamente, incluindo a matéria e, ao mesmo tempo, se estendendo aos “Espaços da Divindade”.

  Muito do que se pode dizer sobre as três Cruzes já se tem exposto de forma diversa, quando cada uma foi abordada separadamente dentre os doze signos do zodíaco, sendo desnecessário repeti-lo. Este tratado tal como A Doutrina Secreta que se destina a estimular a investigação e tem o poder de desvendar e buscar, uma vez que o processo produz um efeito definido sobre as células do cérebro, conduz ao necessário estímulo. No estudo das Cruzes o verdadeiro significado de suas influências somente aparecerá quando comecem a pensar em termos de síntese ou na relação com as quatro correntes de energia que fluem de forma unida sobre e através de qualquer tipo de manifestação divina.

  Isso não é fácil realizar, pois a capacidade de pensar através de síntese somente veio aparecendo recentemente nas mentes mais destacadas da raça, e isso analiticamente (o que sempre nega a síntese) afirmando, no que respeita a Cruz Mutável, que, por exemplo, na síntese da evolução, seu problema e sua meta, aparecem como se estivessem unidos numa só presença, quando as influências são observadas como:

  1. Gêmeos – a apresentação da dualidade.

  2. Virgem – a apresentação da vida e da forma amalgamadas.

  3. Sagitário – a apresentação da energia focada.

  4. Peixes – a apresentação de uma radiação amalgamada.

  Esta radiação culminante é o resultado do enfoque da vida, a intenção e a energia num “ponto de poder radiante”. Tem-se dito que em conexão com a Cruz Mutável, o signo de Peixes atualmente é o mais poderoso e, quando o trabalho da Cruz Mutável tenha sido realizado, o discípulo passivo passa para a Cruz Fixa e se prepara para as provas e experiências da iniciação. Isto se encontra expressado em O Antigo Comentário em sua simbologia oculta, desta maneira:

  A Luz brilha porque a luz maior e a luz menor aproximam-se e se invocam mutuamente. Suas luzes misturadas ainda que não sejam um sol radiante, estão se mesclando rapidamente. Essas luzes mescladas revelam o Caminho Iluminado.

  O homem vê a si mesmo seguindo outro Caminho, o das totalidades iluminadas, as quais conduzem desde a forma à alma, desde a obscuridade à luz, e assim, em torno da Roda. Retrocedendo seus passos e vindo mais atrás em seu Caminho (a roda revertida do zodíaco A.A.B.), avança.

  Penetra uma nova luz. As sete irmãs desempenham sua parte (as Plêiades em Touro são o primeiro signo da Cruz Fixa), então brilham três luzes. E assim aparece um radiante sol”.

  O tema das três cruzes é fusão e integração. A fusão da personalidade num todo funcionante: a fusão consciente da alma com a personalidade; a fusão da tríplice expressão da divindade – Mônada, ego e personalidade – a fim de que apareçam as energias amalgamadas. A nota chave de suas influências é o poder de incluir e a plena expressão em forma simultânea de vida vertical e horizontal em tempo e espaço.

  Deveria observar-se que há sete formas de luz, relacionadas com a substância dos sete planos, os quais são estimulados e realizados pelas doze formas de luz das Hierarquias Criadoras, cada uma por sua vez realizada com qualquer dos doze signos do zodíaco. Não posso estender-me sobre isso, pois se relaciona com os mistérios das iniciações superiores. As enuncio simplesmente para que possam apreciar uma realidade oculta que ainda não podem comprovar.

  Uma afirmação paralela seria que a luz dos sete centros no homem (quando estão realizados pela luz dos sete centros planetários) e os cinco reinos da natureza (7 + 5 = 12), além das doze luzes do zodíaco, culminariam na efetividade da luz que possibilita a expressão da totalidade, e isto por meio da humanidade. Esta afirmação fundamental tem muito pouco significado para vocês e, contudo, constituirá – no próximo ciclo – um pensamento semente, o “som chave” para a próxima revelação da Sabedoria Eterna.

  Ainda que o significado das três Cruzes não seja compreendido em forma mais plena e sintetizada pelos astrólogos e investigadores da astrologia, é quase impossível falar as palavras necessárias para transmitir com clareza o significado designado. Até agora não tem havido uma real tentativa por parte dos astrólogos (mesmo dos mais avançados), para se chegar a uma compreensão geral ou sintetizada do efeito que as Cruzes produzem sobre a humanidade.

  Tudo o que até agora se tem transmitido é o efeito que exerce um braço da Cruz sobre a pessoa nascida num signo particular. Entretanto há uma fusão de energia que se deve observar quando, falando esotericamente, o homem “permanece num ponto médio onde se unem as quatro energias”. O homem cujo signo do Sol está em Gêmeos, por exemplo, fica sujeito às forças que afluem através de toda Cruz – a menos que seja um ser humano de grau muito inferior – será sensível a influência dos outros três signos quando entram a exercer poder, à medida que o zodíaco menor do ano desempenha sua parte. Mais tarde quando o valor prático da astrologia esotérica seja mais bem compreendido, os homens aproveitarão as três energias dos outros três signos da Cruz em que está localizado o signo do Sol.

  Este é um futuro desenvolvimento da ciência da astrologia esotérica. Em termos mais simples e, portanto, limitando necessariamente o significado, poderia se dizer que o homem quando está em Sagitário, tratará de praticar a centralização sobre determinada linha; quando se ache em Virgem, saberá que tem a oportunidade de por a forma sob a influência do Cristo oculto e que, em Peixes, a sensibilidade à impressão superior será seu direito e privilégio. Estas quatro possibilidades a que o iniciado avançado se refere estão a nós belamente demonstradas na vida de Jesus, o Mestre que pertence ao sexto raio.

O aspecto Gêmeos de Sua vida está demonstrado na fusão perfeita da dualidade básica que reside na humanidade: o humano e o divino. O aspecto Virgem veio à expressão em Seu décimo segundo ano, quando disse: “Não sabeis que devo ocupar-me dos assuntos de meu Pai”, indicando com isso a subordinação da vida da forma à vontade do Cristo Interno; o que foi consumado quando “a divindade desceu sobre ele” no Batismo.

  A energia de Sagitário O capacitou para dizer, quando enfrentava com pleno conhecimento o iminente sacrifício que teria de fazer: “devo ir a Jerusalém”, e lemos que então ele “virou Seu rosto” e recorreu ao Sendeiro do Salvador, que conduz a libertação da humanidade.

  O “aspecto Peixes”, na sua expressão mais elevada, está demonstrado por Sua sensibilidade ao contato imediato e ininterrupto com Seu “Pai nos Céus”; Ele estava em comunicação constante com a Mônada, provando assim ao mundo que ele havia sido iniciado nesses estados de consciência, dos quais a terceira iniciação é só o começo.

  Tudo isto comprova que as três Cruzes funcionaram simultaneamente em Sua vida – algo até então desconhecido na perfeição que Ele demonstrava – a perfeição da perfeita resposta e também a perfeita demonstração do resultado, dando-nos uma manifestação e um exemplo da fusão das doze energias numa só Personalidade Divina (expressando a Individualidade) no plano físico. Completarei brevemente a demonstração desta verdade – a verdade de que no iniciado de graus superiores as doze energias zodiacais podem enfocar-se simultaneamente e produzir uma total manifestação da divindade, que está destinada oportunamente a expressar-se através da humanidade neste planeta. Venho dando a forma em como se expressa a Cruz Mutável. Consideraremos as outras duas em relação com o Cristo e o Cristo Cósmico.

A CRUZ FIXA

  Touro – ”O Cristo disse (como todos os Filhos de Deus que conheceram o verdadeiro significado da Cruz Fixa): “Eu Sou a Luz do mundo”, e completou: “Se teu olho fosse iluminado, todo teu corpo estaria pleno de luz”. Touro é, como se tem ouvido dizer, a Mãe da Iluminação, e o “olho do Touro” é o simbolismo do olho ao qual se referiu Cristo.

  Leão – É o signo da identidade autoconsciente. Isto o testemunhou Cristo nas palavras que pronunciou a seus discípulos: “de que serviria o homem ganhar o mundo e perder a sua alma?”, o seu próprio centro de autoconsciência – esse significativo ponto de realização que deve preceder aos mais includentes estados de consciência.

  Escorpião – O significado deste signo na vida de Cristo tem sido eliminado do Novo Testamento, porém conservado para nós na antiga lenda crística – que no berço mesmo – Cristo matou ou estrangulou as duas serpentes, referindo-se aos pares de opostos, os quais já não podiam controla-lo.

  Aquário – A expressão desta influência tem sido belamente dada na história da Última Ceia. Cristo enviou seus discípulos à cidade para que buscassem o homem “que levava um cântaro de água” sobre seus ombros. Este é o símbolo do signo de Aquário no qual a universalidade da água da vida chegará a ser um fator na consciência humana: então todos compartilharão oportunamente da comunhão do pão e do vinho. Referiu-se indiretamente à mesma ideia quando disse que Ele era “a Água da Vida” que mata a sede da humanidade. Por meio do emprego das energias dos quatro signos da Cruz Fixa, Cristo demonstrou a perfeição.

A CRUZ CARDEAL

  Nos quatro signos desta Cruz encontramos que Ele também manifestou suas energias em sua forma mais elevada (do ângulo da compreensão humana) ainda que mais por implicação que por enunciação direta.

  Áries – O signo dos começos proporcionou o impulso da energia que O capacitou para inaugurar a era cristã; iniciou por seu intermédio, a “era do Amor”, que só agora está começando a tomar forma, e sua potência está tão grande que tem atraído (em forma paradoxal) a atual separação mundial.

  Câncer – A potência deste signo está expressa nas palavras de Cristo, comumente mal interpretadas; “Outros cordeiros tenho que não são deste rebanho, e a esses também traí-los”. Refere-se à consciência massiva, em oposição à consciência iniciática de Seus discípulos. Câncer é o signo das massas.

  Libra – Cristo permaneceu no ponto de equilíbrio da evolução humana; permaneceu entre o velho mundo e o novo, entre Oriente e Ocidente. Na era cristã se obtém um “ponto de equilíbrio” ou essas crises de equilíbrio no reino humano.

  Capricórnio – Este signo marca o ponto de concretude e cristalização que traz oportunamente a morte da forma, e é o que está sucedendo atualmente. Em Seu triunfo sobre a morte e Sua ressurreição para a vida, Cristo indicou o profundo mistério de Capricórnio.

  Um estudo destas poucas sugestões a respeito da vida de Cristo trará luz e vida sobre o tema das três Cruzes. Desnecessário recordar-lhes aqui, que no Monte Gólgota as três Cruzes estão representadas como:

  1. A Cruz Mutável – o ladrão que não se arrepende. Humanidade.

  2. A Cruz Fixa – o ladrão arrependido. Hierarquia.

  3.  A Cruz Cardeal – a Cruz de Cristo. Shamballa.

A CRUZ DE CRISTO CRUCIFICADO

  Para os que leem este tratado, a Cruz de primordial importância é a Cruz Fixa dos Céus. O número de aspirantes aos mistérios aumenta constantemente na atualidade, e isto implica na sua reorientação até a luz, sua reversão consciente na roda do zodíaco e sua compreensão com respeito aos objetivos dos processos os quais se tenha dedicado na Cruz Fixa.

  Os discípulos tendem a pensar que pelo fato de ocupar seu lugar nesta Cruz e demonstrar sua disposição para submeter-se às provas e manifestar sua inalterável estabilidade, constitui-se no principal fator implicado. Porém, na realidade não é assim. Cada uma destas Cruzes faz sentir sua presença como uma quádrupla esfera de influência ou um potente centro de energia, por intermédio de um “som invocador”.

  Este som se eleva de cada uma das Cruzes e produz resultados e resposta em alguma parte. Este novo dado a respeito das Cruzes é importante e tratarei dele oportunamente. Somente quando a influência dos quatro braços de cada Cruz haja produzido um efeito na pessoa, terá lugar uma transição na consciência, de uma Cruz para outra – marcando em cada transição um ponto de crise, tanto no indivíduo quanto no todo maior. Então se iniciará um processo de invocação – a princípio inconscientemente, e será neste caso algo assim como um informe chamado e logo, conscientemente, quando adquire a forma de um chamado objetivo.

  Quando chega o momento da transição da Cruz Mutável para a Cruz Fixa, três coisas se sucedem:

  1. A influência das quatro energias da Cruz Mutável terá proporcionado à forma uma vasta experiência da vida.

  2. Atualmente existe uma gradual, crescente e profunda desconformidade na consciência do homem que realiza a transição. Tem-se esgotado em grande medida o desejo material; já não o atrai o sendeiro que o leva à matéria; não lhe dominam as necessidades da natureza física; ele teme os impulsos que emanam do plano astral estando mentalmente desperto e ativo como uma personalidade funcionante. Entretanto permanece insatisfeito e está penosamente consciente disso.

  3. Dedica-se a invocar. Este processo de invocação divide-se em duas etapas:

  a. A etapa da aspiração irregular e vaga, porém que gradualmente adquire poder.

  b. A etapa do misticismo misturando-se com o ocultismo (o estudo do que está oculto). A dualidade está agora consciente e penosamente reconhecida e se põe em contato com o caminho superior e a visão espiritual. O desejo cede lugar aos impulsos vagos do que poderia chamar-se amor. Este amor é a atividade produzida na personalidade por este emergente aspecto divino, o qual ele trata de invocar. Quando é adequadamente forte, então tem lugar a verdadeira evocação e o discípulo (o homem é isso agora) ascende à Cruz Fixa.

  O que antecede é aplicado ao discípulo individual e também à humanidade inteira, e como tenho seguidamente dito, este processo de invocação está tendo lugar na família humana, produzindo a terrível crise atual. As duas etapas já descritas estão presentes hoje na humanidade de uma forma geral e potente.

  O reconhecimento dessas duas etapas na humanidade induz-me a dar abaixo instruções da Hierarquia, como pontos amplamente separados no tempo, duas estrofes de um grande mantra oculto. A primeira empregada em 1936 se referia à vaga aspiração geral do conjunto de povos do mundo, evidenciando hoje, mais que nunca, e enfocada cada vez mais até o verdadeiro bem estar.

A GRANDE INVOCAÇÃO 

    Que as Forças da Luz iluminem a humanidade.

    Que o Espírito de Paz se difunda pelo mundo.

    Que o espírito de colaboração una aos homens de

    boa vontade onde quer eles estejam.

    Que o esquecimento das queixas por parte de todos os homens,

    seja a tônica desta época.

    Que o poder compartilhe com os esforços dos Grandes Seres.

    Que assim seja e cumpramos nossa parte.

  O emprego desta primeira estrofe obteve um êxito imediato e plena resposta daquelas pessoas boas e bem intencionadas, cujo enfoque é predominantemente astral e anelante, e cuja meta é paz e tranquilidade. A paz e a tranquilidade proporcionam uma “zona de consciência” onde pode florescer a aspiração, alcançar-se o bem estar físico e emocional e possibilitar o reconhecimento da visão mística.

  A segunda estrofe se deu logo e estava destinada a ser uma prova ouponto decisivo em um momento de crise”.

    Que surjam os Senhores da Libertação.

    Que tragam ajuda aos filhos dos homens.

    Que apareça o Ginete do Lugar Secreto,

    E com sua vinda salve.

    Vem, Ó, Todo-Poderoso.

    Que as almas dos homens despertem à Luz,

    E que permaneçam em conjunta intenção.

    Que o Senhor pronuncie o Fiat:

    A dor é chegada ao seu fim!

    Vem, Ó, Todo-Poderoso.

    A hora de servir é chegada para a Força Salvadora.

    Que se difunda para o mundo, Ó, Todo-Poderoso,

    Que a Luz, o Amor, o Poder e a Morte,

    Cumpram o propósito Daquele que Vem.

    A Vontade de salvar está presente,

    O Amor para cumprir a tarefa está amplamente difundido.

    A Ajuda Ativa de quem conhece a Verdade, também está presente.

    Vem, Ó, Todo-Poderoso e combina os três!

    Constrói a muralha protetora.

    O império do mal deve terminar Agora!

  Esta invocação foi dada às massas durante esta prova, porém estava principalmente destinada a ser empregada por esses aspirantes e discípulos que não são somente místicos senão que têm conseguido pelo menos por um pequeno progresso em sua tentativa de trilhar o caminho oculto; estão mentalmente enfocados e reconhecem o caminho superior; têm tido a visão e já estão preparados para algo mais próximo e real. Portanto a última estrofe está destinada, principalmente, aos que tenham ascendido ou estejam em processo de ascensão para a Cruz Fixa.

  Por isso foi relativamente limitado o emprego da segunda parte da Grande Invocação, repudiada (às vezes quase violentamente) pelas pessoas do tipo emocional que não podem ver mais além da beleza da paz – expressão da meta no plano astral. Sua visão do todo maior e a evocação da vontade ao bem (que não é vontade pela paz) estava extremamente limitada, ainda que não por sua culpa. Simplesmente indicava o lugar que ocupava na escala da evolução, e marcava um ponto relativamente útil de serviço, porém em processo de ser transcendido. Os povos do mundo já estão compreendendo (por meio do sofrimento e seu conseguinte reflexo) que existe algo maior que a paz, que é o bem da totalidade e não unicamente pacíficas condições individuais ou paz nacional. Esta reorientação da consciência humana é criada pela atitude determinada das almas dos homens em forma massiva e amalgamada, organizada e enfocada pela visão do bem estar geral da humanidade.

  Sem dúvida foi essencial que as diferenças nas atitudes aparecessem com toda clareza e, portanto, demos as duas estrofes da Grande Invocação de forma separada e em distintos momentos. Assim aprenderam a apreciar a diferença entre as atitudes da massa de pessoas bem intencionadas do mundo e as atitudes corretamente orientadas dos aspirantes e discípulos inteligentes. Isso foi necessário antes que pudesse ter lugar uma ação mais ampla.

  Faço uma pausa aqui para recordar-lhes que ambos os grupos são necessários; o primeiro – emocional e idealista – tem que desempenhar sua parte para enfocar a massiva aspiração fluida, cuja responsabilidade vai até o público em geral. O outro grupo de pensadores treinados e pessoas que estão principalmente animadas pela vontade ao bem (que é de maior importância nesse ciclo mundial que a vontade para a paz), tem a função de evocar resposta hierárquica, contestando a aspiração do primeiro grupo. Enfoca sua aspiração no plano mental, criando uma forma mental que personifica o objetivo e projeta o “chamado” que pode chegar aos ouvidos dos Senhores da Libertação.

  A invocação amalgamada e o chamado, unidos, elevarão uma poderosa demanda desde os distintos níveis da consciência humana até os Centros ocultos da “Força Salvadora”. Tal é chamado unido que deve agora organizar. Assim a massa da humanidade será estimulada a passar da Cruz Mutável para a Cruz Fixa e o novo ciclo mundial que começa em Aquário (um braço da Cruz Fixa), será definitivamente inaugurado pela própria humanidade.

  Portanto se poderia dizer que a Grande Invocação, tal como foi dada na primeira vez é para que a empreguem aqueles que estão crucificados na Cruz Mutável, a Cruz de troca, ainda que a Segunda Invocação seja para quem está crucificado na Cruz Fixa, a Cruz da correta orientação, e também para que a empreguem esses homens e mulheres cuja finalidade seja expressar a vontade ao bem e pensar em termos de serviço mundial, uma vez que estão orientados para a luz – a luz do conhecimento, a luz da sabedoria e da compreensão, e a luz da própria vida.

  Na Cruz Fixa a influência unida de suas quatro correntes de energia, quando se expressa plenamente por intermédio de um discípulo individual e da Hierarquia, produz também três condições emergentes:

  1.  Há uma vasta experiência de vida, atividade e percepção grupais. O homem autoconsciente em Leão se converte no homem consciente de grupo em Aquário.

  2. Surge na consciência do discípulo uma visão do “caminho interminável, do qual o Nirvana não é mais que o princípio”.

  3.  Reconhece seu trabalho mediador, tarefa principal da Hierarquia, que intermedeia entre Shamballa e a Humanidade. Sabe que deve levar adiante simultaneamente, a tarefa dual de invocação e evocação – a evocação (por meio da correta invocação) da vontade ao bem dos pensadores e aspirantes do mundo e, ademais, a vontade de salvar, dos Senhores de Shamballa, por conduto da Hierarquia, pois ela está em posição de se aproximar diretamente. Aceno grandes mistérios.

  Portanto em princípio se desperta nele uma vaga determinação que cede seu lugar, com o tempo, à evocação da vontade em si mesmo. Isto oportunamente o relaciona com o aspecto vontade da Deidade quando emana e desce reduzida, desde Shamballa, por conduto da Hierarquia, em cuja organização espiritual está sendo gradualmente integrado, mediante a experiência da Cruz Fixa. Aqui se deveria observar que:

  1. A experiência na Cruz Mutável integra um homem ao centro denominado Humanidade.

  2. A experiência na Cruz Fixa integra o discípulo no segundo centro planetário denominado a Hierarquia.

  3. A experiência na Cruz Cardeal integra o iniciado no principal Centro planetário que denominamos Shamballa.

  Oportunamente se converte em um radiante centro de vontade espiritual que afeta a humanidade e evoca sua vontade ao bem, amalgamando-a com a da Hierarquia até onde possa, e por sua vez amalgama esta vontade humana com a atividade hierárquica, em um esforço por evocar resposta desde Shamballa.

A CRUZ DO CRISTO RESSUSCITADO

  Não posso estender-me mais sobre este tema nem será útil que o faça com respeito às condições que emergem na consciência do iniciado na Cruz Cardeal. Minhas palavras não terão significado. A maioria de vocês se acha em estado de transição em que estão estabilizando a vontade individual e tratando acrescentadamente de expressá-la como vontade ao bem. Quisera que compreendessem profundamente que se estão condicionados pela vontade para a paz, significa que ainda atuam em níveis emocionais e deverão trabalhar com a primeira estrofe da Grande Invocação e distribuí-la às massas. Se a vontade ao bem os influencia e dirige, então para a tarefa do despertar da aspiração das massas devem agregar a tarefa de evocar resposta à necessidade mundial pelos pensadores e aspirantes, por meio da segunda estrofe, mesclando as duas abordagens num esforço por evocar – por conduto da Hierarquia – a vontade de salvar de Shamballa.

  Fonte: Capítulo VI do Livro “Tratado Sobre Los Siete Rayos” – Tomo III- por A.A. Bailey / Mestre D. K.

  Tradução Espanhol / Português: Rayom Ra

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