Jesus não era um homem comum, porém alguém muito especial. Não porque fosse ungido pelo Espírito Santo no Jordão, o que já seria algo extraordinário, porém por trazer com ele a missão de um Avatar, que quer dizer um enviado, uma encarnação divina, para uma revolução mundial. Os judeus ortodoxos aguardavam e ainda aguardam pelo grande enviado segundo suas crenças, para novamente reunir as doze tribos de Israel e comandar o povo eleito - eles mesmos. Não aceitaram a mensagem de Jesus, suas revelações e profecias, pois aquele aguardado seria, talvez, um guerreiro e não um homem com outras ideias revolucionárias de simultânea paz e guerra, e com a palavra de ordem e obediência aos ensinamentos professados.
A ideia de divindade entre os primitivos cristãos não foi a mesma dos religiosos séculos depois, quando a religião transformaria as vidas de muitos povos e encobriria muitos fatos de Jesus. Desde os essênios,(1) - uma comunidade originária dos próprios judeus que se desenvolveria em torno da Galileia, vivendo nas matas e nos arredores do Monte Carmelo na Palestina, com leis sociais próprias, vida asceta e meditativa, dados ao conhecimento de plantas e ervas medicinais, portadora de muitos mistérios – até aos grupos de outros discípulos além dos doze conhecidos, a infância de Jesus e seu desaparecimento dos 12 aos 30 anos de idade, nada é dito como realmente teria acontecido. Esses fatos e consequente hiato, no entanto, detém entre os ocultistas muitas explicações que foram guardadas e transmitidas aos iniciados, não tornadas públicas a fim de se protegerem contra as investidas do clero depois que a religião oficializara a bíblia, estabelecera seus dogmas e se espalhara pelo mundo vindo perseguir aqueles que discordassem de seus ensinamentos.
(1) ”Essênios, palavra helenizada que vem do hebreu Asa, ‘sanador’. Os essênios constituem uma misteriosa seita de judeus, que, segundo Plínio, havia vivido nas cercanias do Mar Morto durante milhares de séculos. Alguns supunham que eram fariseus extremados, e outros, provavelmente a opinião verdadeira, descendentes dos Benim-Nabim da Bíblia (profetas), e opinam que eram ‘Kenitas e Nazaritas’. Tinham muitas ideias e práticas budistas, e é digno de se notar que os sacerdotes da Grande Mãe, em Efeso, Diana-Bhavani, com muitos peitos, eram também designados com esses nomes. Eusébio e mais tarde De Quincey, declararam que eram o mesmo que os cristãos primitivos, o que é mais provável. O título de ‘irmão’, usado na igreja primitiva, era essênio. Constituíam uma fraternidade, ou um Koinobion (cenóbio), ou comunidade parecida com a dos primeiros convertidos. De todas as seitas judias – diz o abade Fleury – a dos essênios era a mais singular. Viviam isolados das grandes cidades, seu bens eram comuns, e seu alimento muito especial. Dedicavam muito tempo à oração e à meditação. Levavam uma vida muito contemplativa e tão perfeita que muitos padres da igreja os tinham como cristãos.” (H.P.B.)
Constata-se que Jesus não morreu na cruz, tendo sido salvo da morte por seus amigos que detinham influência junto ao governo romano, principalmente José de Arimathéia, respeitado homem de negócios, e secretamente iniciado essênio, com a influente ajuda de Nicodemos, outro iniciado essênio. Esse fato, admitido por esotéricos e ocultistas de muitas escolas tradicionais, gera raiva e imprecações de religiosos cristãos, que não aceitam outras inserções no capítulo da crucificação, atendo-se unicamente ao que exatamente está descrito nos evangelhos. Sobre isso temos o seguinte:
(...) “Nicodemos gritou:
‘Precisamos imediatamente retirar o corpo com seus ossos inteiros, ele pode ainda ser salvo! ‘ - então se conscientizando de que deveria ser mais cauteloso, prosseguiu em cochichos:- ‘salvo da infâmia de ser enterrado’.
Ele convenceu José (de Arimathéia) deixar de lado seus pessoais interesses a fim de salvar o amigo, indo imediatamente até Pilatos, persuadindo-o a permitir-lhe retirá-lo da cruz, naquela mesma noite, colocando-o no sepulcro encavado na pedra próximo dali, pertencente a ele mesmo, José de Arimathéia. Eu compreendi o que isso significava, e permaneci com João tomando conta da cruz, prevenindo que os soldados não quebrassem os ossos de Jesus. Não é permitido nenhum corpo permanecer na cruz pela noite, e dia seguinte, sendo domingo, eles o tirariam dali pela manhã e o enterrariam. O conselho judeu já tinha deliberado com Pilatos que os soldados quebrassem os ossos do crucificado, a fim de que fosse, após, enterrado.
Pouco depois de José e Nicodemos terem iniciado suas sagradas missões, o mensageiro chegou e trouxe ordem para o centurião descer o corpo e enterrá-lo. Eu fiquei muito agitado por essa informação, pois sabia que se ele não fosse retirado com todo o cuidado não sobreviveria e menos chances ainda ele teria se seus ossos fossem quebrados. Mesmo João estava abatido, não pelos planos se frustrarem, pois ele não os conhecia, mas se sentia imensamente triste somente em pensar de ver o corpo de seu amigo maltratado, pois acreditava que Jesus estivesse morto. Tão logo o mensageiro chegou, apressei-me em sua direção esperando que José já tivesse estado com Pilatos, mas isto em realidade não tinha acontecido.
‘Pilatos o envia?’ Inquiri-o. Ele respondeu:
‘Eu não venho de parte de Pilatos, mas da Secretaria que atua pelo Governador em importantes acontecimentos como este’
O centurião percebendo minha ansiedade ficou a me observar, então me dirigi a ele delicadamente:
‘Você notou que este homem que foi crucificado é uma pessoa incomum, por isso não o maltratem, pois neste momento um homem rico do povo está com Pilatos oferecendo-lhe dinheiro para resgatar o corpo a fim de que tenha um enterro decente’.
Queridos irmãos, aqui lhes informo que Pilatos frequentemente vendia corpos de crucificados a seus amigos a fim de que eles os pudessem enterrar. O centurião foi amigável comigo, pois ele entendia que de tudo ali acontecido Jesus fora inocente. Quando os dois ladrões receberam golpes dos soldados com pesadas clavas e seus ossos se tinham quebrado, o centurião foi até a cruz de Jesus, dizendo aos soldados:
‘Não quebrem seus ossos por que ele está morto!’
Neste instante, um homem apressado foi visto vindo do Castelo de Antonia em direção ao Calvário. Ele parou diante do centurião transmitindo-lhe a ordem de que deveria se apresentar imediatamente a Pilatos. O centurião então questionou o mensageiro sobre o que Pilatos queria dele a essa hora da noite. O mensageiro respondeu que Pilatos queria saber se Jesus de fato estava morto.
‘Sim, ele está – disse o centurião – contudo não tenhamos quebrado seus ossos’
A fim de melhor certificar-se um dos soldados enfiou sua lança no corpo de tal forma que passasse sobre o quadril para dentro. O corpo não convulsionou e isso forneceu ao centurião o sinal de que realmente estava morto e ele saiu rapidamente para fazer o relatório. Porém, do insignificante ferimento brotaram sangue e água. Mediante a isto João esperançou-se e minha expectativa revigorou-se. Pois mesmo João sabia pelo conhecimento adquirido em nossa irmandade que do ferimento de um corpo morto flui unicamente um filete de sangue, porém agora fluíam água e sangue; e senti-me muito ansioso ao ver José e Nicodemos retornarem.
Mulheres galiléias foram vistas se aproximando vindo em retorno de Betânia trazendo com elas Maria, a mãe de Jesus, que estivera aos cuidados dos “amigos essênios”. Dentre elas estava Maria, a irmã de Lázaro, que amara Jesus e chorava alto. Antes que ela viesse a derramar toda a sua amargura, e João permanecesse atento observando o ferimento no flanco de Jesus, José e Nicodemos chegaram apressadamente. José tinha convencido Pilatos por sua dignidade, e Pilatos tendo recebido a informação sobre a morte do crucificado, doou o corpo a José sem tomar qualquer pagamento. Pois Pilatos tinha grande respeito por José e secretamente se arrependia da execução.
Quando Nicodemos viu que do ferimento fluíam água e sangue seus olhos mostraram animação e nova esperança, e falou corajosamente antevendo o que aconteceria. Ele trouxe José para o lado onde eu me encontrava, a alguma distância de João, e falou em tom baixo e apressado:
'Queridos irmãos, estejam esperançados e vamos trabalhar. Jesus não está morto, parece estar porque suas forças se esgotaram. Enquanto José estava com Pilatos eu apressei-me para nossa colônia e colhi as ervas que são usadas para esses casos. Mas os aconselho a não deixarem João saber que pretendemos reanimar o corpo de Jesus; temo que ele não consiga conter sua alegria e seria realmente perigoso que o povo viesse saber disto, pois nossos inimigos nos matariam e a ele. ’
Após isto, se apressaram em direção à cruz e seguindo as prescrições da arte medicinal, eles lentamente desataram as amarras, retiraram os cravos de suas mãos e cuidadosamente o deitaram no chão. Então Nicodemos espalhou poderosas misturas e ungüentos em longos pedaços de byssus (fazendas de linho) que tinha trazido com ele e cujo uso era somente conhecido em nossa ordem. Essas coisas aplicadas no corpo de Jesus seriam para prevenir e manter o corpo são até o fim da festa quando ele pretendia embalsamá-lo. As misturas e ungüentos detinham elementos de cura sendo usados por nossa irmandade essênia, conhecedora das regras da ciência médica que eliminavam os efeitos do estado de desmaio parecido com a morte. E enquanto José e Nicodemos se arcavam sobre a face de Jesus e suas lágrimas caiam sobre ele, sopravam-no e aqueciam suas têmporas.
José estava ainda descrente, mas Nicodemos o encorajava a intensificar seus esforços. Nicodemos esfregava bálsamo em ambas as mãos, mas pensava que seria melhor não envolver o ferimento do flanco, pois considerava que o fluxo de sangue e água beneficiaria a respiração renovando a vida. Na sua tristeza e dor, João não acreditava absolutamente no retorno à vida de seu amigo e não tinha esperanças de vê-lo novamente diante do “Scheol”.
O corpo então jazia no sepulcro encavado na rocha, pertencente a José. Eles defumaram a gruta com aloés e outras ervas estimulantes, e quando o corpo foi depositado no musgo, ainda rijo e inanimado, eles colocaram uma grande pedra na entrada da gruta, a fim de que os vapores permanecessem com maior proveito no seu interior. Isto feito, João e alguns outros, foram para Betânia confortar a mãe de Jesus.
(...) E perto da manhã, a terra começou de novo a tremer e o ar tornou-se opressivo. As rochas balançavam e rachavam; chamas vermelhas crepitavam das fendas iluminando a névoa do amanhecer. Aquela tinha sido uma noite aterrorizante. Bestas horrorizadas pelo terremoto vieram uivando e correndo para todos os lados; a pequena lamparina na caverna lançava, através da estreita abertura, sombras moventes na terrível noite.
(...) Trinta horas tinham se passado desde a presumida morte de Jesus. E quando o irmão ouviu um ligeiro ruído na gruta, levantando-se para ver o que acontecia, sentiu um estranho odor no ar, característico de quando a terra se prepara para vomitar fogo. E o jovem viu com indescritível alegria que os lábios de Jesus se moviam e o corpo respirava. Ele apressou-se em assisti-lo, ouvindo suaves sons em seu peito; a face assumia a aparência de vida, e os olhos se abriam observando atônitos ao noviço de nossa ordem. Isto acontecia no momento em que eu saia do conselho com os irmãos do primeiro grau em companhia de José que tinha sido chamado para consulta em como estender-se ajuda.
Nicodemos, que era um experiente fisiologista, disse na estrada, que a peculiar atmosfera preparada no ar pela revolução dos elementos, fora benéfica a Jesus e jamais acreditara que ele estivesse morto. E falou que o sangue e a água que brotaram de seu ferimento foram os sinais inequívocos de que a vida não se extinguira. Assim conversando, chegamos à gruta seguindo a José e Nicodemos. Contávamos vinte e quatro irmãos do primeiro grau. Ao entrarmos, percebemos a roupa branca do noviço que ajoelhado no chão de musgo apoiava em seu peito a cabeça do revivido Jesus. E como reconhecesse seus irmãos essênios, os olhos de Jesus cintilaram de alegria, suas faces tingiram-se com a luz vermelha e sentando-se perguntou:
‘Onde estou?’
Então José abraçou-o, apoiando-o entre seus braços, contando-lhe tudo o que acontecera e como tinha sido salvo da morte por um profundo sono, que os soldados no Calvário tinham entendido que fosse de morte. Jesus admirou-se, e sentindo-se ele próprio, agradeceu a Deus e chorou no peito de José. Nicodemos estimulou seu amigo para que comesse alguma coisa, então ele comeu algumas tâmaras e um pouco de pão passado no mel. E deu-lhe um pouco de vinho para que bebesse, após o quê Jesus se sentiu de tal forma fortalecido que se levantou sozinho. Então se conscientizou de seus ferimentos das mãos e do flanco, porém o bálsamo que Nicodemos houvera passado tinha dado tamanho resultado que começava a produzir as curas. Tendo removido as peças de linho do corpo e o envoltório de sua cabeça, José falou:
‘Este lugar não é adequado para permanecermos por mais tempo; os inimigos podem descobrir nosso segredo e nos denunciar.
Porém, Jesus não estava ainda o suficiente fortalecido para andar muito, por isso foi conduzido a uma casa de nossa ordem perto do Calvário, no jardim, também pertencente a nossa irmandade. Outro jovem irmão de nossa ordem fora designado a assistir o noviço que permanecera no sepulcro em vigília a Jesus, a fim de remover cada traço do tecido, das ervas e dos compostos que tinham sido usados. Quando Jesus chegou à casa da irmandade sentiu-se muito fraco e os ferimentos começaram a causar-lhe dores. Ele estava muito emocionado, pois considerava tudo um milagre.
‘ Deus levantou-me – disse – a fim de que possa provar em mim o que eu ensinei. Mostrarei a meus discípulos que realmente eu vivo’
Pouco depois de os dois jovens terem sido enviados a fim de colocar em ordem o sepulcro, voltaram rapidamente com a mensagem de que os amigos de Jesus logo viriam encontrá-lo. Então eles relataram que enquanto se ocupavam na gruta haviam escutado ruídos como de muitas pessoas chegando e se postando em torno da cerca que circunda o jardim. E quando se retiravam, chegou uma mulher vinda pela estrada de Jerusalém, demonstrando grande temor pela visão que tivera de a pedra da gruta ter rolado para fora. Ela pensara que algo teria acontecido com o corpo e apressou-se para Belém. Porém, logo outras mulheres vieram de Jerusalém e se postaram diante da gruta. E grandemente ansiosas entraram na gruta e uma delas procurando no local onde o corpo estivera, viu o irmão e terrificada apontou-o para suas amigas. Quando o outro irmão também surgiu as mulheres se prostraram julgando-os anjos. Então os irmãos falaram-lhes segundo o que tinham sido instruídos pelo primeiro grau, dizendo às mulheres:
'Jesus vive. Não o procurem aqui. Digam aos seus discípulos para procurá-lo na Galiléia’. E o outro lhes disse para reunirem os discípulos encaminhando-os ao lugar indicado. Isto foi determinado pela sabedoria de José, pois eles não deveriam procurar Jesus em Jerusalém para sua própria segurança. Os irmãos se retiraram da gruta pela entrada dos fundos, notando que algumas mulheres se apressavam em direção da estrada para Betânia, ao passo que eles rapidamente se deslocavam para a casa a fim de nos informar o que se passara.
Em seguida, os amigos essênios tentaram persuadir Jesus a permanecer escondido para sua segurança, e recuperar as forças. Porém, Jesus sentia grande desejo de provar aos seus amigos que estava vivo e pelo desejo de se sentir recuperado e fortalecido pediu roupas, recebendo imediatamente as vestes essênias de trabalhador, tais como a irmandade usava em seus trabalhos, que se assemelhavam às de um jardineiro.
(...) Animado pelo desejo de rever àqueles que amava e proclamar que vivia, ele não acatou o conselho da irmandade em permanecer escondido, deixando a casa, tomando a trilha que atravessava o jardim em direção da rocha onde ficava o sepulcro. Quando Maria o viu julgou-o um jardineiro, mas Jesus a reconheceu, rejubilando-se em seu amor, falando-lhe. Apesar, ela não o reconheceu, pois ele tinha a aparência combalida pelo sofrimento, porém ao exclamar: ‘Oh, Maria!’ ela o reconheceu e quis beijar seus pés e em seguida abraçá-lo. Mas Jesus sentia dores em suas mãos e flanco, temendo os efeitos de um emocionado abraço e precavidamente deu uns passos para trás, dizendo:
‘Não me toques. Eu ainda vivo, mas dentro em pouco irei para meu Pai nos céus, pois meu corpo está fraco e logo se dissolverá a fim de que minha morte venha a se cumprir’.
(...) E Jesus andou lentamente ao longo do muro, alcançando o pequeno portão que abria para o Vale do Monte Gihon, de onde ouvia a conversa de algumas mulheres do outro lado.. Ele parou e as mulheres julgaram ter visto uma aparição. Mas ele falou-lhes para demonstrar que era ele mesmo. E como os jovens na gruta lhes haviam falado que deveriam encontrá-lo na Galiléia, uma delas se lembrando, disse:
‘Senhor, devemos obedecer às ordens dos anjos e vê-lo novamente na Galiléia?’
Esta pergunta deixou-o atônito, pois ele não sabia que a irmandade tinha informado aos noviços sobre aquela parte do país. Após considerar por um momento ele respondeu:
‘Sim, informe meus amigos e diga-lhes que vou para a Galiléia e lá eles me verão!’.
Esta é a reprodução traduzida por nós de um trecho do livro “The Crucification of Jesus by an Eye Witness” – An Ancient Alexandrian Manuscript -. “A Crucificação de Jesus por Uma Testemunha Ocular” – Um Antigo Manuscrito Alexandrino.
Jesus, conforme dito mais adiante neste documento, teria morrido pouco tempo depois, amparado pela comunidade essênia, após sua crucificação e ressuscitamento. No entanto, há outros relatos também dignos de considerações, sobre a vida oculta de Jesus, antes e pós-crucificação, que pretendemos apresentar mais adiante.
A história de Jesus, descrita na bíblia, em muitas instâncias nos remete a fatos sobrenaturais que à luz de nossas mentes racionais não se consegue entender ou aceitar senão, unicamente, pela fé. Embora aquelas passagens mais marcantes estejam permeadas por simbolismos propositalmente inseridos, pois os ensinamentos do Grande Mestre envolvem algo ainda maior do que se possa comumente imaginar, é nítido que os quatro evangelhos apresentam relatos em três dimensões ou faces.
A primeira dimensão está para o público leigo, pessoas comuns e religiosas, ou que se tornam novos religiosos sem muito inquirir-se, que a tudo aceitam literalmente. Os excepcionais eventos vêm associados a nomes de pessoas, lugares, cidades, castas, século, dominações, citações, raças e ao que de uma forma ou de outra podem ainda referendar, porque fazem parte da história moderna.
A segunda dimensão vem atrair e excitar os pesquisadores mais preparados, religiosos ou historiadores. Aos pesquisadores religiosos, por que buscam mais elementos circunstanciais e gerais para corroborar com a verdade escrita, reforçando a fé dos seguidores, desejando assim demonstrar que realmente Jesus fora excepcional por que era filho de Deus e aqui de fato esteve. Aos historiadores, por que buscando rastrear as indicações nas passagens dos evangelhos, se arremetem em afanosas pesquisas a fim de provar, ou não, que Jesus foi de fato histórico ou somente místico. Ademais, o que teria cercado Jesus no Oriente Médio, produziu riquezas de documentos históricos - apócrifos ou não - e fábulas, principalmente após os achados há pouco mais de meio século, próximo à cidade de Nag Hammadi, no Alto Egito, de pergaminhos preciosos em moldes de outras revelações e evangelhos.
A terceira dimensão vem encontrar os estudantes do esoterismo e ocultismo em geral, que discernem nas ilustrações de Jesus portais a indicar caminhos para revelações ocultas em níveis e patamares acima dos percebidos nas duas dimensões anteriores. Esquadrinham faces mais interessantes dos evangelhos que conduzam aos desvendamentos do ser humano e ao autoconhecimento. As decodificações das figuras e metáforas descritas nos evangelhos não são gratuitas nem acidentais, por que vêm sustentadas por conhecimentos da antiga gnose que na verdade recua a tempos mais remotos, embora com outros epítetos.
O cerne destes textos sobre Jesus oculto aqui apresentados visa mostrar que os destinos de Jesus após a crucificação não coincidem, exatamente, com as revelações supernais da bíblia, mas repousam sobre outros fatos alienados dos evangelhos revelados por outros relatos e testemunhos. Isto não é nenhuma novidade. É nada mais que uma colaboração num mesmo sentido dos fatos já observados por tantos estudantes, visto muitos outros pesquisadores já terem se pronunciado de idêntica forma a este respeito. As escolas tradicionais do ocultismo, neste ponto, contradizem a oficialidade das religiões cristãs, sem com isso negar a verdade crística na Terra. Mesmo o hiato da vida de Jesus entre os 12 e 30 anos, não revelado nas páginas bíblicas, é explicado por outros caminhos de pesquisas entre os ocultistas, portanto, com outro histórico de outro nível ou dimensão, em presumíveis acontecimentos verdadeiros e ocultos. Continuemos então.
Jesus, antes de ser cognominado o Filho de Deus, já era alma bastante avançada nas lides da Hierarquia Planetária, subordinada à Shamballa. Nos tempos de Atlântida já se destacava por sua sabedoria e incríveis afirmações proféticas, quando o mundo sequer suspeitava de que a ciência em futuro longínquo mudaria os rumos das civilizações, mas não o de suas realidades espirituais. Recordemos o trecho de pregressa vida de Jesus na Atlântida, nas palavras de Ramatís, já colocado em nossa obra “Sinais dos Tempos-I”:
“Entre os profetas longínquos, alguns que previram os pródromos do que ocorreu na Lemúria, na Atlântida e nos primórdios da raça atual, distinguimos a generalidade dos que na Terra ficaram tradicionalmente conjugados à casta dos “profetas brancos”, que abrange todos os profetizadores do Velho e do Novo Testamento. Há que recordar os Flamíneos, herdeiros iniciáticos dos videntes da “Colina Dourada”, mas, acima de tudo, o inigualável Antúlio de Maha Ethel, o sublime instrutor atlante, consagrado filósofo e vidente das “Portas do Céu!”.
Antúlio foi o primeiro depositário na Terra, da revelação do Cosmo, precedendo a Moisés em milhares de anos. Sob a inspiração das Cortes Celestiais, criadoras dos mundos, ele deixou magnífico tratado de “Cosmogênesis”, no qual descreve a criação da nebulosa originária de vossa Constelação Solar. Cabe-lhe a primazia de haver descrito a maravilhosa tessitura dos Arcanjos e dos Devas, com suas roupagens planetárias policrômicas, onde o iniciado distingue perfeitamente os campos resplandescentes dos reinos etéreo-astrais dos mundos físicos!
Antes do trabalho esforçado de Moisés, no Monte Sinai, Antúlio já pregava na Atlântida a ideia unitária de Deus, mas em lugar de Jehova, feroz e vingativo, ensinava que o Onipotente era uma Fonte Eterna de Luz e Amor! Também é de sua autoria a primeira enunciação setenária na Terra, quando se refere à cromosofia das sete Legiões dos Guardiões, cada um se movendo numa aura correspondente a cada cor do Arco-Íris.
Comprovando seus dons maravilhosos, Antúlio previu, com milênios de antecipação, a submersão da Atlântida e a inversão rápida do eixo da Terra há mais de 27.000 anos do vosso calendário!
Desde as tradições bíblicas até os vossos dias, muitos outros eventos proféticos foram registrados e comprovados pela documentação que ainda se guarda nas fímbrias do Himalaia, nas regiões inacessíveis ao homem comum. A Bíblia vos notifica de que os bons profetas existiram desde Davi, principalmente entre as tribos de Israel, das quais se destaca a tribo dos “Filhos de Issacar”, berço dos mais notáveis profetas, cujos descendentes, mesmo em vossos dias, revelam ainda notável dom de profecia, tais como Schneider e, principalmente, Nostradamus, o vidente francês.
Moises, Samuel, Elias, Eliseu, Isaias, Ezequiel, Daniel, Joel, Jeremias, Amós, Zacarias, Malaquias, e muitos outros, foram profetas de sucessos comprovados nos livros sagrados, onde se diz que eram profundamente tocados pela graça do Senhor dos Mundos! Posteriormente os apóstolos Pedro, Mateus, João Evangelista e outros discípulos de Jesus, que ouviram o Mestre predizer as dores de vossos dias, também foram tocados pela graça de profetizar. Finalmente, Jesus, o Sublime Enviado, ao considerar o “Fim dos Tempos” e o “Juízo Final”, também usou a linguagem sagrada da profecia”. (Mensagens do Astral).
Conforme vimos, segundo o testemunho de um irmão essênio, Jesus teria sido retirado da cruz, tratado com a terapia medicinal da comunidade essênia, revivido e se albergado entre eles, logo seguindo ao encontro de seus discípulos. Não obstante, pouco tempo depois morreria, deixando instruções aos seus seguidores.
Entretanto, na obra Pistis-Sophia atribuída às pesquisas gnósticas de Valentin, Jesus, após a crucificação, viveria por mais onze anos ensinando os mistérios da gnose aos seus discípulos e mulheres de sua confiança. Nestas reuniões, Jesus respondia a perguntas e dizia como subira às esferas e enfrentara as ordens de eons, dominando-os e os fazendo obedientes. Sobre os Eons, ou Aeons, assim se manifesta HPB:
“Eon ou Eons [Aión em grego; Aeon em latim]. O tempo, a eternidade. Períodos de tempo. Nesse sentido Eon equivale à voz castelana ‘evos’. Emanações procedentes da essência divina e seres celestiais. Entre os gnósticos eram gênios e anjos. Eon é também o primeiro Logos (Doutrina Secreta, I, 375). ‘Eternidade’, no sentido de um período de tempo aparentemente interminável, porém que apesar de tudo tem limite, ou seja, um Kalpa ou Manvantara (id. I,92) Os Eons (Espíritos Estelares), emanados do Desconhecido dos gnósticos, são inteligências ou seres divinos, os Dhyân Chohans da doutrina esotérica.”
Selecionamos outra explanação, extraída da obra “The Gnostics and Their Remains”, por C.W. King, como segue:
“É suficiente observar aqui que a teoria inteira lembra a Bramânica, pois naquela teogonia cada manifestação de um Ser Supremo, referida vulgarmente como uma divindade auto-existente e separada, tem uma parte feminina, a exata contraparte dele mesmo, através de quem, como um instrumento, ele exerce seu poder – expressando o que a doutrina explica sobre a outra metade, seu ‘Durga’, - Virtude Ativa -. Este último nome ‘Virtude’ realmente figura na lista de Emanações gnósticas, e o grande Aeon, Pistis Sophia, em sua segunda ‘confissão’ perpetuamente se autocensura por ter deixado sua parte masculina, em sua própria morada, a fim de ir a busca da Luz Supernal, ao passo que igualmente o reprova por não descer ao Caos a fim de ajudá-la,”
A questão sobre Pistis Sophia é algo complexo, que Jesus explicava aos discípulos. Sabe-se que no sistema Ofita (Ophites) - fraternidade gnóstica do Egito - Sophia era representada como uma das emanações do Logos. Vejamos o que nos relata HPB sobre o assunto:
“Fraternidade Gnóstica do Egito e uma das mais primitivas com o nome de ‘Irmãos da Serpente’. Floresceu no começo do século II e, ao passo que sustentava alguns dos princípios de Valentino, tinha seus próprios ritos ocultos e simbologia. Uma serpente viva, que representava o princípio Christos (isto é a Mônada que se reencarnaria em Jesus, o homem) era exibida em seus mistérios e venerada como um símbolo de sabedoria – Sophia – representação de todo-bem e todo-sábio. Segundo eles, da tríade Sigé-Bythos-Ennoia, procede Sophia, constiuindo-se assim na Tetratkys de que, por sua vez, emana o Christos latente desde toda a eternidade na essência do Absoluto, como latente estava também o Logos. Assim, pois, Christos é ‘um em essência’ com todos os demais princípios emanados do Absoluto; porém, ontologicamente (ser que tem uma natureza igual aos outros seres) considerado é uma entidade andrógina constituída pelos elementos Christos e Sophia que se infundiram na pessoa de Jesus.
Também de Sophia emanou Achmoth (sabedoria inferior ou Hakhamoth). Christos é a sabedoria perfeita. Temos, pois, que Christos é o mediador e guia entre o Pai (a Mônada) e o homem espiritual, assim como Achmoth é a mediadora entre o mundo mental e o mundo físico. Assim, Jesus Cristo dizia: ‘Ninguém pode chegar ao Pai senão por mim’. Por outra parte, Ophis (segundo Logos) e Sophia são os desdobrados princípios de uma entidade andrógina, ou seja, respectivamente, a sabedoria masculina e a sabedoria feminina, ou de outro modo, a Sophia Maior – Sophia Pneuma (Espírito Santo manifestado ou Mente Arquetípica de todas as coisas) e a Sophia Menor (Ophis) ou Espírito Santo manifestado na pessoa de Jesus, a quem, por esta razão, representavam os Ofitas com os atributos da Serpente Ophis. (A Doutrina Secreta, pgs 223-4-5)
O conhecimento das Emanações ou Aeons, a gnose o herdaria da sabedoria dos Brâmanes, que teve passagem pelo budismo, visto o próprio Buda reconhecer que havia deuses criadores, e Sophia ser a mesma Aditi dos indus, a Virgem Celestial, com seus sete filhos. Portanto, a gnose dos essênios, trazida dos evos budistas, ensinada por Jesus e pelos gregos, é de uma só fonte cultivada desde os primórdios da quinta raça.
Deste modo, Jesus teria dado muitos ensinamentos gnósticos e instruções aos seus discípulos e grupos de seguidores para que os espalhassem pelo mundo, em seus onze anos de existência pós-crucificação, como atestam documentos e relatos. No entanto, há ainda outras versões sobre seu tempo de vida, mesmo antes da sua chegada a Jerusalém. Jesus, segundo os gnósticos, fundou a seita dos Nazares, sendo ele realmente de Nazareth, na Galiléia, e segundo o código dos nazarenos, teria 40 anos de idade ao chegar a Jerusalém pela primeira vez.
Notável seria a trilha seguida por Jesus, após se ter desembaraçado das obrigações com seus discípulos, vindo terminar no Tibet. Sobre isso, haveria também muitas conexões anteriores, pois antes de iniciar sua missão, e no período em que se preparava para tal, o mestre teria estado sob os cuidados da irmandade essênia, depois viajaria para o Egito onde receberia iniciação dos hierofantes e partiria em viagem pelo mundo, notadamente o oriente. Neste particular, o importante livro “Jesus, a Verdade e a Vida”, por Fida Hassnain, Ed. Pensamento, traz inúmeras e inéditas informações sobre Jesus e os profetas que o antecederam.
O autor revela que em Kerala, os judeus eram divididos entre as seitas Branca e Negra, cada grupo reivindicando o direito de ser o seguidor original do judaísmo. E na Caxemira existe o sepulcro de Moisés que é cuidado por pessoas que têm características físicas dos judeus. O sepulcro chamado de Hazrat Mosa ou Moisés, localizado na colina de Nebo-baal.em Bethpor, fica entre dois cedros. A tradição conta que Moisés veio para o lugar onde permaneceria até sua morte. O sepulcro é um santuário na Montanha de Nabu, e a população se refere a Moisés como o “Profeta do Livro” que lá pregara a palavra de Deus.
Há duas relíquias guardadas, relativas a Moisés. Uma delas é um bastão de madeira, chamado Assa-i-Mosa e a outra é a Pedra de Moisés, conhecida por Ka Ka Pal. O bastão é exposto publicamente sempre que acontecem inundações ou epidemias. Existe, porém, a opinião de que esse bastão pertenceu a Issa como Jesus é chamado, que lá também estivera.
Segundo ainda relata o autor do livro, a pedra, Ka Ka Pal, de mais ou menos quarenta quilos, pode ser elevada do solo em 91 centímetros, por onze dedos ao ser simultaneamente tocada, e ele participou de tal experiência com mais dez pessoas, vendo-a de fato elevar-se. Já com dez dedos nada conseguiram.
Jesus dos 12 aos 30 anos se ausentaria, conforme dissemos, passando muitos anos em países do oriente. O mesmo autor desse livro traz-nos a informação de que numa de suas visitas a um mosteiro budista, ele não conseguiu ver os manuscritos que pretendia sobre a passagem de Jesus por lá, devido a estarem preservados dos visitantes e turistas, pelo fato de alguns terem sido destruído por autoridades da igreja e religiosos que os haviam pedido para lê-los. Mas no Nepal, em Kapilavastu, os monges o receberam, informando que Jesus tinha vivido com os budistas por seis anos, como monge, participando de ritos religiosos, orações e meditações. Adquiriu ensinamentos de Buda e o domínio dos Sutras (escrituras sagradas, aforismos e sentenças), dos Vinayas (disciplina, educação, humildade, docilidade, etc.) e Abhidharma (metafísica budista), começando a proferir sermões, sendo incluído na lista de notáveis ou Arhats.
Após a crucificação, fala-se que Jesus teria viajado para a Grã-Bretanha em companhia de José de Arimathéia e permanecido durante algum tempo em Glastonburry, onde depois iria para a Índia e finalmente Tibet. No Tibet, aconteceria uma das mais incríveis descobertas do senhor Fida Hassnaim: o sepulcro preservado e conhecido como Rozabal, em Anzimar, Khanyar Srinagar, a capital de verão da Caxemira guardando a memória de Yuzu Asaph, cujas muitas semelhanças com Issa ou Jesus não podem ser ignoradas. O pesquisador conseguiu traduzir um documento legal de posse do sepulcro, concedido pelo Principal Legislador Muçulmano da Caxemira, documento genuíno e selado,
Diz ainda o Senhor Fida que Raja Gopadatta governou durante 49-109 d.C., portanto, por este registro atesta-se que o profeta Yuzu Asaph chegaria a Caxemira no meio do primeiro século d.C. ficando a pergunta se seria mesmo Yuzu Asaph ou Jesus disfarçado.
Mais tarde, em 1975, em visita ao local o senhor Fida removeria a lama de uma laje a um canto do sepulcro descobrindo impressas duas pegadas que após estudos e trabalhos de acuramento, revelariam ser de alguém que teria sofrido flagelos por cravos, exatamente nos lugares onde Jesus teria sido afligido. A foto das solas dos pés encontra-se no livro como documento inalienável.
Há outros relatos por pesquisadores diversos e independentes, que trazem novas evidências de que Jesus não pode ter morrido na cruz e depois ter sido visto ou comentado em lugares diferentes. Demonstra-se, assim, que o Jesus histórico e o Jesus místico sob esses fatos convergem, mas a história oficial e a religião cristã não consideram procedentes os inúmeros testemunhos e documentos conhecidos pelas tradições do oriente. E admitimos que se esses elementos viessem a ser reconhecidos, e outros mais como o nascimento carnal de Jesus, tanto o capítulo da história oficial como a história da religião cristã sofreriam uma derrocada em muitos de seus principais postulados e uma revolução na ideologia cristã necessitaria ser procedida.
Rayom Ra.]
[ Os textos do Arca de Ouro, por Rayom Ra, podem ser reproduzidos parcial ou totalmente, desde que citadas as origens ]
[ Os textos do Arca de Ouro, por Rayom Ra, podem ser reproduzidos parcial ou totalmente, desde que citadas as origens ]
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