segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Antakarana IV

“Do luminoso oceano de Atma se desprende um fino cordão de luz, separado do resto por uma película de matéria búdica; desta emerge uma chispa que se encerra numa envoltura em forma de ovo, de matéria pertencente aos subplanos sem forma do plano mental (1). A chispa destacada da Chama pelo fio mais fino de Fohat (2).” (O Livro de Dzyan)

(1) A citação não deve ser entendida unicamente em relação ao Plano Mental Superior, ou Manas Superior, onde não haveria corpos de manifestação, pois é sabido que nos mundos superiores à Manas, as vidas chamadas Arhat e Asekha, por exemplo, os organizam com as mentes. A designação Arupa é oposta a Rupa que subentende esta última, um veículo, um revestimento ou corpo. (Rayom Ra)

(2) Fohat foi o primeiro princípio do qual o Logos se utilizou para estabelecer condições apropriadas à matéria pregenética. Todos os demais princípios que vieram após e adicionaram particularidades à matéria, derivaram-se de fohat. Fohat é o fogo elétrico que produziu dois outros fogos que se entranharam na matéria e que passaram a participar indissociavelmente de sua natureza. Não há matéria que não conduza a presença ígnea de fohat. Assim, o fogo (a luz) foi o primeiro elemento a surgir do caos para vir participar da construção dos mundos. Fohat, na realidade, não é somente um princípio, como são os sete princípios cósmicos que o Logos introduziu na matéria do universo, pois neste caso, fohat seria um oitavo princípio. Fohat é mais do que isto. É, em síntese, a raiz de todos os demais princípios emanados do Logos, pois fohat realiza na matéria cósmica diferenciada a sua verdadeira alma energética, através do eterno fogo que faz a matéria fusionar. (Considerações Sobre a Criação – Rayom Ra)

Conforme vimos, sutratma é o fio da vida que se estende desde o plano de Atma, pela irradiação da mônada em Anupadaka, até ao mundo físico. Como a mônada possui três aspectos que são: vontade-sabedoria-atividade, eles serão trabalhados na matéria dos três planos imediatamente inferiores ao Anupadaka, pelas hierarquias criadoras.

Desse modo, a hierarquia operante em Atma aprisionará um átomo deste plano, magnetizando-o e o anexando ao fio sutratma, imprimindo neste átomo os atributos do aspecto vontade da mônada. O mesmo acontecerá em Buddhi sob a influência do aspecto sabedoria e em Manas Superior em relação ao aspecto atividade irradiado pela mônada. Daí virá se formar a tríade superior, Atma-Buddhi-Manas, em sentido de descenso do fio sutratma.

Devemos assinalar que os átomos respectivos aos três planos citados em nada se parecem com os átomos químicos estudados e trabalhados pela ciência acadêmica material, uma vez que aqueles são de contexturas superiores, têm diferentes movimentos e se caracterizam por sua enorme facilidade nos seus trânsitos, em agregar-se ou desagregar.

Os átomos anexados ao sutratma conformadores da tríade superior são chamados no esoterismo moderno de átomos permanentes, átomos vidas, átomos principais, átomos mestres, etc. A energia com que foram magnetizados, através da alta ciência empregada pelas hierarquias criadoras, deixou em suas contexturas a memória de um protótipo universal que dará formação aos corpos que as vidas possam futuramente utilizar. E uma vez magnetizados, aqueles átomos têm o poder de atrair outros átomos de seus respectivos planos para formar os corpos com cujas aparências as vidas desejem se manifestar.

                                                               0 -- Átomo de Atma    
                           | -  Sutratma
                          O   -- Átomo de Buddhi
                           | -   Sutratma
                          O   -- Átomo de Manas
          
                                                  Esquema Simplificado da Tríade superior

Ao exemplificarmos a tríade superior e adentrarmos em algumas informações a respeito desses planos mais elevados, pouca utilidade teremos para nosso estudo uma vez que a maioria dos esotéricos e pesquisadores da ciência oculta está ainda centrada na personalidade. Entretanto, como veremos mais adiante, noutra parte deste trabalho, o sutratma e o antakarana estão interligados, tanto nos aspectos inferiores, onde se constrói a ponte entre o mental inferior, o superior e a alma, como numa ligação direta entre o que está acima e o que está abaixo, entre a mônada e a personalidade.

Até certo estágio da evolução do ser humano os três setores que o estruturam no espaço-tempo não estão em direta comunicação e simultânea atividade, senão através dos mecanismos do subconsciente ou não. A personalidade vai se tornando uma estrutura bastante poderosa durante seus percursos no mundo através dos milênios, até que se aproxime de um novo momento cíclico, quando perderá grande soma de poder em prol da Alma. As leis da natureza que se refletem em todas as coisas criadas para evoluir obrigam as mônadas a avançar sempre com suas criações. Isso acontece também com a personalidade humana. Algumas mônadas, no entanto, perdem o controle temporário quando as personalidades permanecem empedernidas, vindo se tornar necessário a articulação de artifícios extras – quando conseguem - para novamente trazê-las de volta ao adestramento e alinhamento com suas potencialidades espirituais.

O grande perigo acontece quando a personalidade desenvolve em demasia seus próprios conceitos sobre o materialismo, trancafiando-se em valores pessoais, criando uma verdadeira carapaça com a matéria mental inferior, impenetrável pela luz da alma em níveis conscientes ou subconscientes. Então nada é possível se fazer em termos de avanços ao antakarana enquanto esses obstáculos não sejam removidos. Essas personalidades de poderosos intelectos, por livre arbítrio adernadas ao processo evolucionário espiritual, constituem as grandes obstaculizadoras dos avanços da luz da alma entre os povos, pois devido sua desenvolvida inteligência transitam com facilidade por todos os setores dos organismos e estruturas sociais. E é no setor do ensino que se dá sua maior contribuição destrutiva, pois convencem as mentes jovens com teorias e elocuções pragmáticas que exaltam o concretismo da ciência e a lógica da filosofia materialista. E por aparente paradoxo, as religiões e organizações ocultistas demonstram também existir em suas hostes, percentuais consideráveis desses tipos mentais obsessivos que materializam o espírito.

O processo evolucionário vem acontecendo para toda a humanidade em todas as nações ou raças indistintamente. Quando um ego já percorreu 2\3 de sua caminhada ele está habilitado a entrar no estágio mais inferior do conhecimento oculto dos mistérios da vida e vir a entender sobre sua pessoal existência como entidade humana. Esse é na realidade um pré estágio de sua aspiração consciente e despenderá algumas vidas para sedimentar os conhecimentos básicos em atividades correlatas, trilhando ao mesmo tempo um caminho paralelo de provações, agora sob o amparo e orientação da hierarquia dos adeptos que vela pela humanidade. Tendo constância, o iniciante começará a encurtar a necessidade de outras experiências através de cansativas encarnações uma vez que passa a trabalhar de maneira mais direta e disciplinada, lapidando conscientemente o ego e reunindo melhores qualidades.

A humanidade avançada segue atrás em seus lentos processos do conhecimento limitado da alma. A ciência com suas conotações materialistas atrai imensos coletivos e os exercita mentalmente para seus desempenhos profissionais. No entanto, não é tudo o que a humanidade necessita para verdadeiramente evoluir como alma conscientizada num mundo de personalidades. Pois com pragmatismo científico, descobertas e facilidades tecnológicas, essas introduções modernas não suprem ao grande vazio que se instala no íntimo das multidões clamantes por uma realidade interna verdadeira.

Nesses tempos atuais em que os valores se chocam e se debatem e mediante as claras necessidades de muitos milhões, a ciência materialista por sua incapacidade de atenuar os sofrimentos da alma mundial, e não conseguindo deter a pressão recorrente e orientada por um processo evolucionário que não compreende, vem deixando grandes brechas para a entrada de alguns segmentos da ciência de antigos ocultistas e iniciados, principalmente orientais. Isto representa um grande avanço para o entendimento da humanidade sobre as curas de certos males físicos, emocionais e mentais conectados com a realidade da alma, quer os mais arrogantes e ortodoxos da ciência materialista admitam ou não.

Quando o entendimento da construção do antakarana ou “ponte arco-íris” é administrada e visualizada pelos estudantes conscientes, há reações bem mais intensas nas suas linhas de comunicação, pois o antakarana precisa ser trabalhado pela personalidade nos vários segmentos que conduzem os fluxos de energias para os três principais setores que edificam o homem total. A orientação para a construção consciente da ponte entre o mental inferior e o mental superior, precisará, no entanto, vir precedida da desobstrução dos condutos que se espalham nos corpos etérico, astral e mental da personalidade. Em determinados pontos esses condutos se ligam ou se transpassam, levando energias de um para outro corpo, conforme já fizemos referência noutra parte desse trabalho. Como se sabe, a personalidade é constituída de quatro corpos ou veículos: o corpo físico, o etérico, o astral e o mental, ou como são estes veículos chamados noutras filosofias de corpo denso, corpo vital, corpo emocional e corpo mental concreto.

Por longos milênios os aspirantes e neófitos, os iniciados menores e os mais graduados, vêm exercitando os fluxos de energias através do emaranhado desses condutos. Isso se dá com métodos de acordo com cada escola, com meditações esotéricas dirigidas e orientadas para os plexos sensíveis, por vocalizações de mantras, por rituais ou trabalhos concretos de magia. São muitos milhões desde um passado distante que resistem e insistem em palmilhar conscientemente esses caminhos, conseguindo realmente avançar quando não enganam a si mesmos. Hoje, no entanto, em fraternidades ocultistas, grupos esotéricos ou por divulgadores independentes, criou-se o falso conceito ou presunção de que o conhecimento teórico de lições do ocultismo abre os portais das iniciações.

A teoria para alguns estudantes mexe com a reflexão, estimulando cada vez mais às ardentes pesquisas para o verdadeiro aprendizado, mas quando não se observam as regras simples das práticas diárias, e das realizações objetivas no mundo, as montanhas da teoria não servem para nada. O orgulho e a ilusão do “saber” abrirão as portas unicamente para o indesejável hóspede do infortúnio que levará o estudante cada vez mais para fora da habitação natural da alma - a sua própria casa - a fonte verdadeira e abrigo espiritual. Devemos sempre nos lembrar, e se possível repetir muitas vezes, que jamais alguém galgou as montanhas da glória alcançando os reinos superiores unicamente pela teoria.

Devemos considerar também que o antakarana representa, juntamente com o sutratma, o caminho de volta ao Pai, como representou o sutratma o caminho de descida da mônada aos mundos inferiores. O antakarana pode ser considerado a trilha de retorno do peregrino no mundo quando o buscador constrói a ponte entre o mental inferior e o mental superior. Nas suas linhas superiores o antakarana leva à realização do homem total, depois de cumpridas as cinco grandes iniciações. Buda foi o primeiro produto de nossa humanidade no planeta a desbravar esse caminho. O “Caminho do Meio” experimentado e palmilhado mentalmente pelo Gautama trouxe ao discipulado, e à humanidade em geral, a verdade interna que nem todos viam ou vislumbravam, mas que todos precisavam vivenciar para cumprir o ciclo das experiências da mônada neste segundo sistema solar onde a nota do amor-sabedoria vibra e entoa por todo o nosso cosmos.

Já Cristo absorveu a parte mais difícil da missão de vivenciar e mostrar aos seguidores presentes e futuros como trabalhar no sentido de construir em si mesmos uma personalidade integrada conducente à ponte do antakarana. Devemos também ressaltar que o cristianismo religioso e o cristianismo esotérico lançam a personalidade até a região limítrofe da ponte. Daí em diante o aluno individual atravessa por meio de seus próprios esforços, voltamos a isso enfatizar. Jesus ensinou à humanidade como tratar o mundo para que o mundo entendesse a mensagem de Cristo, porém ensinou aos seus diversos grupos de discípulos como exercitar os fundamentos ocultos para edificar a ponte. E esses ensinamentos ele os recebeu dos monges budistas quando de suas peregrinações e passagens pelos mosteiros do oriente, principalmente do Tibet.

Note-se aqui a integração de Buda com Cristo, pois é sabido que ambos trabalharam em conjunto nos planos espirituais para que a mensagem conducente ao caminho da libertação pudesse ser praticada em duas etapas distintas sob dois ciclos astrológicos diferentes, segundo as energias propícias para os eventos. Tem-se no ocultismo que Cristo assistiu Buda em seu período de trabalho e realização pela meditação e Buda assistiria Cristo quando da vinda de Jesus-Cristo na Galiléia com a missão de continuar o projeto iniciado por ele – Buda - no distante oriente.

De todas as formas, a revelação do antakarana vem dissolver a ilusão de que unicamente por seguir as regras da educação, da bondade e da caridade religiosa se chega à realização total. Esses elementos são importantes e necessários, mas representam ainda alavancas para se chegar aos umbrais da verdade num quadro de harmonia e amor, pois se não se os cultivam, trabalha-se com a força integral ou mista de polaridades opostas, o que conduz à rudeza e às vias da magia negativa. Desse modo, essas revelações iniciadas com as pregações de Buda sobre as quatro nobres verdades, os oito nobres caminhos do discipulado e o método da meditação sistemática, foram continuadas com Cristo nos seus ensinamentos sobre a preparação e trabalho dos discípulos no mundo. E após o recebimento das duas primeiras iniciações, vêm à luz toda a profundidade do antakarana como o real caminho e o próprio caminhante.

“Eu sou o Caminho A Verdade e a Vida e Ninguém Vai ao Pai a Não Ser por Mim”. Com essa máxima Cristo sintetizou toda a realidade da preparação interna do discipulado para a identidade com sua alma – o Cristo Interno em cada um – e ao objetivo final da peregrinação humana no retorno à mônada.

Prosseguiremos.

Rayom Ra

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[ Os textos do Arca de Ouro, de autoria de Rayom Ra, podem ser reproduzidos parcial ou totalmente, desde que citadas as origens ]

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Antakarana III

Em nossa obra “Minha Alma Sua Alma, Parte II”, expomos o seguinte:

“Já a construção elaborada pela humanidade é um produto de grande soma de energia e vontade coletiva, levado a cabo por todas as aspirações superiores e sistematicamente trabalhadas pelas mentes de intelectos acurados e sublimações de almas avançadas que conduzem as demais nos diversos processos investigativos de auto conhecimento, aspirações religiosas e científicas”.

Desejamos esclarecer uma vez mais que o antakarana é de todos, mesmo construído individualmente pela ação de cada mônada. Nessa empreitada, as mônadas contam como o auxílio das hierarquias criadoras no sentido de habilitar o homem com veículos e linhas de forças que possibilitem à consciência responder adequadamente às experiências individuais. O homem jamais existiria não fosse através de seu coletivo. Assim também são as mônadas como são as almas. As vidas monádicas, nascidas com o Logos Solar no grandioso Plano de Criação, incorporam diferentes atributos e qualidades. As mônadas pertencem a sete principais variações, naturezas ou raios estando separadas unicamente por véus. Quando o homem manifestado no seu reino natural age e reage em busca de pessoais necessidades, ele estabelece continuadas correntes de energia nos seus veículos, que com o tempo virão formar uma personalidade cada vez mais responsiva e fortalecida em si mesma. Entretanto, suas energias inatas e forças concentradas estabelecem instantâneos contatos com outras que mesmo com diferentes inclinações se desenvolvem juntas num grande campo energético ou alma humana coletiva.

Porém, onde se localiza esse campo energético e de forças coletivas? No interior de círculos concêntricos girantes, onde ali se plasmam as ideações dos arquétipos ou modelos trabalhados pelas hierarquias para a concretização e atendimento segundo as necessidades do Plano. Embora com muitas colorações há um só contexto evolucionário para as vidas aprisionadas em corpos objetivos conscencionais, sejam eles corpos biológicos densos ou de matéria sutil. Isso pode parecer cada vez mais intrincado por que nossos sentidos observam a natureza por partes, por múltiplas unidades de vidas em grupamentos afins e mais ou menos afins, e nem sempre como uma vertente única que vem prolongada até o plano tridimensional.

O homem está mergulhado nesses planos ou modelos girantes circunscritos aos seus respectivos círculos de presença e vida, e todos se acham limitados a um circulo maior e mais abarcante chamado no ocultismo moderno de “círculo não se passa”. Na medida em que as vidas dos reinos avançam em suas experiências – simplesmente vivendo e transformando – em cada plano ressoam suas notas vibratórias que se sintonizam, não obstante possuir cada uma a sua própria síntese. Assim, toda a natureza canta e vibra e todos os planos detêm subtons em seus respectivos subplanos.

Essas ações de reinos não são independentes das forças e energias cósmicas que penetram e permeiam os planos ou mundos, embora por si mesmas gerem e imprimam atributos de consciência que “anima mundi” estimula a desenvolver nos átomos dos reinos. Mediante isso, reagem automaticamente os corpos das personalidades em seus campos de atividades físicas, emocionais e mentais, dentro de seus padrões de comportamentos por faixas vibratórias nesse grande complexo de energias polarizadas nos arquétipos.

O homem, em todos os seus corpos de manifestação que no conjunto edificam uma personalidade, possui cordões de finas e delicadas tessituras criados com matéria que se ajusta a cada corpo e transcende os seus limites, passando de um para outro corpo a conduzir energias. Agem, nessa geografia interna, em várias direções, e rigorosamente de cima para baixo e em sentido inverso. Os vários de seus segmentos tomam diversos nomes nas terminologias do ocultismo, o que em nada atrapalha ao entendimento de seus trabalhos pelos estudantes de todas as raças.

Dessa maneira, a humanidade mediante seus próprios esforços, vem desenvolvendo e transformando esse grande campo de energias e forças numa casa ou abrigo onde opera o gênero humano. Entretanto, o momento evolucionário que atravessamos, exige a identificação dos diversos coletivos do mundo com padrões já bem definidos. Esses padrões integrados aos egos atrelam os coletivos afins numa faixa mental que precisa ser estendida e ampliada com objetivo de atingir estados de consciência mais elevados. O processo, nesse ponto, então exige a construção de uma ponte para o traslado. Entretanto, o percentual geral da humanidade avançada não é desperta ao fato, estando ainda inconsciente dessa necessidade, por desconhecer e não saber trabalhar essa passagem do antakarana senão num sentido único mediante força e pressão natural da vida. Assim, até chegar a esse despertar para a construção final da ponte virá decorrer muito mais tempo do que se trabalhasse desde logo atenta e conscientemente. Já os iniciados no ocultismo, que avançam no Plano com posturas de alerta e conhecimento gradativo, precisarão trabalhar a edificação da ponte individualmente com exercícios práticos, o que lhes demandará, como sempre, imaginação, articulações mentais e apropriadas disciplinas.

“A estrutura do antahkarana está indissociada ao fio sutratma, aos átomos-mestres ou permanentes e ao corpo causal do ego. Sabemos que as Hierarquias Criadoras edificaram os corpos de manifestação das mônadas a partir do mundo de Atma, anexando a uma ligadura ou fio sutratma um átomo básico com poderes de atrair e magnetizar outros átomos de seu mundo e constituir corpos segundo a ideação cósmica para o homem. Esse processo foi repetido por todas as Hierarquias de cada mundo com relação às respectivas matérias e assim as estruturas do ego superior e do ego inferior permaneceram até que o homem viesse à encarnação e passasse a dinamizar esses veículos e assim começasse a despertar e se reconstruir segundo seu conhecimento da matéria e de sua própria vida.

Desse modo, o antahkarana é um elemento que liga a mente inferior, através de uma unidade especial chamada unidade mental, vitalizante da mente concreta, ao átomo de manas construtor da mente abstrata, passando a formar um triângulo com o corpo causal ou loto egóico em sua constituição também tríplice”. (Minha Alma Sua Alma –Rayom Ra).

A existência das mônadas e suas necessidades de obter experiências num sistema solar que veio à manifestação através de um Logos estão associadas a algumas das revelações dos mestres mais adiantados do ocultismo. Por que as mõnadas não puderam descer, elas mesmas, aos mundos que ajudaram a construir sendo obrigadas a criar artifícios a fim de deter experiências e sensações de mundos mais densos?

O mistério parece estar somente mais perto das mentes que alcançaram altas iniciações, pois já trabalham próximas ao Logos nas consecuções do Grande Plano. E saberiam as mônadas também a isso responder? Essas questões nos levam a outras questões e a outras, mas nunca a respostas definitivas e completas.

“As mônadas procederam do Primeiro Logos e são também chamadas de “’Chispas do Fogo Supremo”. A elas assim se refere a Doutrina Secreta, relativamente ao ‘catecismo oculto’.
- Levanta tua cabeça, Ó, Lanu! Vês uma ou inumeráveis luzes acima de ti, ardendo no céu escuro da meia-noite?
- Eu percebo uma chama, Ó, Gurudeva: vejo inumeráveis e inseparáveis centelhas que nela brilham!
A chama é Ishvara em Sua manifestação como Primeiro Logos; as chispas não separadas são as mônadas humanas e outras. Há de se notar especialmente as palavras ‘“não separadas’”, pois significam que as mônadas são o próprio Logos”. ( O Monoteísmo Bíblico...- Rayom Ra).

As mônadas seriam oniscientes do Plano da Criação por estarem ou existirem na inerência do Logos, mas não oniabarcantes por não poderem abandonar seus redutos para penetrar e conhecer de perto a todos os mundos inferiores e suas relações com as diferentes vibrações da matéria. E muito menos se identificar com a matéria. Para esse mister, assim que o Logos manifestou-se com o sistema solar, as diversas Hierarquias operantes cada uma num dos sete mundos, se estabeleceram para levar adiante o Plano da Criação, auxiliando as mônadas a construir seus artifícios, ou seja, o homem na sua totalidade finita. Esse acontecimento nos leva a outra ideação justaposta ao Plano de nosso Logos Criador para Lhe dar amparo e sustentação, sem dúvida provinda de outro Logos ainda maior e com poderes superiores -- o Parabrahman ou Logos Cósmico!

Não entendamos, porém, que as mônadas não estejam presentes e nem sejam auferidoras das experiências comuns ou das significativas na matéria. Esse mistério aos poucos já vem sendo desvelado pelas investigações mais recentes. Sabemos que as mônadas conseguem irradiar de suas vidas aos mundos inferiores, sob vários recursos, e deles buscam auferir, embora nem sempre consigam os resultados almejados devido à relativa autonomia dos egos nas escolhas de seus próprios caminhos. Uma mônada se liga aos planos ou mundos inferiores pelo conduto de um cordão principal chamado pelos orientais de sutratma, conforme já vimos. As mônadas sendo de sete tipos segundo cada um dos raios, penetram e imprimem suas energias por toda a natureza, possuindo três aspectos principais, que são comuns e inerentes ao próprio Logos. O Logos ao criar o sistema solar se manifestou sob seus três aspectos reconhecidos pelos gnósticos e esotéricos como Primeiro, Segundo e Terceiro Logos, traduzidos para o nosso entendimento como Vontade-Sabedoria-Inteligência Ativa. Esses mesmos aspectos as mônadas também possuem, irradiando ou refletindo para os planos abaixo sob energias e forças traduzidas por Vontade Espiritual-Intuição-Mente.

Nesses dispositivos engendrados por um gênesis infinitamente distante das premissas da ciência material, o homem é edificado para obter o conhecimento dos mundos e da divindade de que é portador. Ao término do ciclo de seu aprendizado a Chispa Divina que nele habitou no mais recôndito de seu ser e nas suas estruturas mais externas, se recolhe de volta e definitivamente ao Pai nos Céus – a Mônada indissociada do Logos Criador. Nessa viagem de ida e volta, a Chispa Monádica enriqueceu o aspecto mais inferior do homem, envolto sob as vestiduras da Personalidade Terrena, libertando-a da prisão da matéria. Depois a abandonou em troca da sublime Luz da Alma Crística, deixando,  mais tarde, a Alma Crística crucificada pela sua própria Sabedoria e serviço à natureza e humanidade, vindo reinar absoluta e liberta como Alma-Espíritual, nas glórias do Tríplice Logos, sobre os mais profundos segredos e mistérios da criação.

Pelo sutratma, a mônada desvenda os segredos dos mundos e pelo sutratma o homem adquire a Luz da Alma que o eleva até onde virá dissolver-se na Chispa Monádica, mergulhando no oceano infinito de inextinguível sabedoria e paz. O sutratma é, portanto, o elo indissociado do homem com Deus e através da criação do antakarana mental, fortalecido pelos demais elos ou ligaduras nas fisiologias de seus corpos, ele ascende pelo mesmo sutratma que o criou.

“Portanto, o sendero da vida se estende da mônada à personalidade, por conduto da alma, sendo esse fio da alma uno e indivisível. Imparte a energia da vida e se ancora finalmente no centro do coração humano e em algum ponto focal central em todas as formas da expressão divina. O fio da consciência (antakarana) é o resultado da união da vida e substância, ou das energias básicas que constituem a primeira diferenciação em tempo e espaço, o qual produz algo diferente que só emerge como uma terceira manifestação divina, depois de ter havido a união das dualidades básicas” (D.K./A.A.B).

“Sutratma, literalmente ‘Fio do Espírito’; o Ego Imortal, a Individualidade que se reencarna no homem vida após vida, na qual suas inumeráveis personalidades estão enfiadas como contas de um rosário num cordão. É o fio prateado que ‘se reencarna’ desde o princípio ao fim do manvantara, trazendo em si mesmo as pérolas da existência humana, ou em outros termos, o aroma espiritual de cada personalidade que segue de um extremo a outro da peregrinação da vida” (H.P.B.).

Prosseguiremos.

Rayom Ra

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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Antakarana - II

Para uma idéia mais aproximada possível do que seja a figura do antakarana e suas elevadas funções, não basta tão somente fazer-se uso da filosofia hermética, atendo-se a algumas máximas repetidamente coletadas de outros autores. Ao desejar que o antakarana represente algo - além de um item a mais do conhecimento esotérico - é necessário então meditar por algum tempo sobre sua existência no sentido de que esse esforço, configurado na própria energia do praticante, venha de fato preencher mais uma lacuna da genesis da alma. Nessa aplicação pessoal, o caminho mais eficiente é o da imaginação trabalhada em dois níveis principais: o da personalidade, segundo seus aprofundamentos, e o da alma propriamente, embora seja preciso além do esforço, uma determinação mais acentuada por que no início esse entendimento é bastante nebuloso e não se chega às suas bases com facilidade. Entretanto, pela frequência com que reflexione e medite, o esotérico avançará mentalmente para a ponte que liga as duas manifestações do Ego e por essa persistência ele certamente virá colher algumas reações das correntes de energia e força que automaticamente evoca. É sabido que, sob as luzes e normas do esoterismo, o exercício da imaginação sobre um determinado tema, conjugado à reflexão ou meditação, aproxima conscientemente despertando cada vez mais o conhecimento intuicional do assunto e de sua realidade.

Não obstante, para aquilo que diretamente estamos aqui tratando, um retrospecto se torna necessário no que concerne a natureza da alma para melhor nos situarmos com o antakarana. Recordemos algumas definições e ampliemos outras:

“A alma é o filho de Deus, o produto da união do espírito com a matéria” (D.K.)

Essa definição nos remete ao condicionamento da energia-alma tanto nos planos intermediários, quando o ser em evolução já começa a dissolver suas ligações com “o filho do homem”, como aos planos superiores no instante em que a vida se prepara para assumir sua identidade como “o filho de Deus”. Esse comentário pode parecer excessivamente ortodoxo e enigmático, algo bíblico, porém retrata as vias por onde todas as mônadas passam ou um dia haverão de passar. O filho do homem é a alma terrena – o eu personalidade – ao passo que o filho de Deus é a Alma-Espiritual já sob o domínio da tríade superior em atma-buddhi-manas. Entre um e outro se situa o antakarana que cumprirá o seu papel enquanto a chama imortal – a essência das essências, o princípio, o meio e o fim da manifestação-vida integrada - se descartará de todos os seus invólucros que constituem todas as suas almas. O exemplo mais eloqüente desse avanço está no homem Jesus - a personalidade unificada - que simbolicamente morreu na cruz, voltado para o Cristo mais acima que representa e se constitui na expressão integral da alma externa e interna do próprio homem. Então o antakarana, cumprida a sua existência como a ligadura entre o abaixo e o acima, volta-se também e completamente ao corpo causal ou alma cristificada.

“A união do espírito com a matéria resultou inicialmente numa alma universal, anima mundi, que detém todas as unidades de vida em todos os reinos, num véu único de matéria e consciência em diferentes graus de manifestação. Anima mundi podemos considerar como a própria existência da Mãe do Mundo, porque dela emergem todas as almas que povoam os sete mundos. Em Akaza ou Aether dos gregos, anima mundi, a substância original imaculada em seu princípio de existência, está associada à Mãe Cósmica ou Virgem Maria sendo o impulso que realiza no éter. Essa substância virginal, conhecida pelos orientais por Mulaprakriti, permaneceu e permanece em seu manancial saída de Parabrahman ou Deus Incognoscível, como o princípio do Deus feminino”. (Rayom Ra)

“A palavra alma emprega-se também para designar a soma total psíquica – o corpo vital, a natureza emocional e a substância mental, mas é também mais do que isso, uma vez que se chegou à etapa humana; constitui uma entidade espiritual, um ser psíquico consciente, um filho de Deus que possui vida, qualidade e aparência, uma manifestação única; em tempo e espaço, das três expressões da alma que acabamos de definir:”

1. “A alma de todos os átomos que compõem a aparência tangível.” – portanto o corpo físico biológico.

2. “A alma pessoal ou a soma total sutil e coerente, a que chamamos Personalidade, composta dos corpos sutis etérico ou vital, astral ou emocional e o mecanismo mental inferior. Esses três veículos têm semelhanças com os do reino animal no que respeita à vitalidade, sensibilidade e mental potencial; com o reino vegetal no que se refere à vitalidade e à sensibilidade e com o reino mineral no que respeita à vitalidade e sensibilidade potencial.” – portanto o ego inferior.

3. “A alma é também o ser espiritual ou união da vida e da qualidade.” – portanto o ego superior”.

E, “Quando se estabelece a união das três almas, assim chamadas, temos um ser humano.” - portanto, a perspectiva do Homem Total. (Minha Alma Sua Alma - Rayom Ra – D.K.)

Essa pequena amostra já nos dá a idéia do grau de dificuldade para se conhecer virtualmente a alma, senão por experimentações ou diretamente pela intuição, mas nesse último caso quando se detem o alcance de suas perspectivas pelo alinhamento correto através de seguidas considerações, reflexões, meditações ou apropriadas pesquisas. Tecnicamente, no entanto, podemos nos sair melhor quando entendemos o que sejam as tríades e os três setores que compõem a totalidade do ser humano acima referidos, tais como; 1. Alma-espiritual. 2. Entidade intermediária. 3. Um ser também tríplice. Este último organiza-se com um princípio intelectivo, com um princípio sensitivo emocional e com um princípio etérico-físico encarnado no seu reino, chamado na tríplice totalidade de personalidade ou ego inferior, cujo habitat ele precisa conhecer e transformar para poder crescer e tornar-se numa entidade integrada e autoconsciente.

Basicamente, a manifestação-vida conhecida genericamente por homem, é formada dos seguintes princípios temporais, idealizados pela mônada e tomados respectivamente das leis aplicadas a cada mundo ou plano no que concerne à matéria segundo as estruturas, rotações e vibrações de seus átomos.

A Mônada Divina Incriada ou Espírito

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Corpo Átmico – Espiritual

Corpo Búdico – Intuicional

Corpo Manas – Mental Abstrato

Corpo Manas – Mental Concreto

Corpo Astral – Emocional

Corpo Etérico – Éteres

Corpo Físico – Matéria

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Para a constituição das tríades que darão a formação dos corpos do homem, a mônada trabalha com seus dispositivos hierárquicos. Os planos do universo onde se acha instalado e em plena manifestação o nosso sistema solar, são sete. O esquema acima representa veículos que a entidade homem vem possuir, retirados de cinco planos construídos e trabalhados pelo Logos, embora com desdobramentos, pois o plano mental é um só, porém sob dois aspectos, e o plano etérico é também considerado físico. Os dois outros mundos conhecidos são o plano Adi e o plano Anupadaka segundo a terminologia oriental.

O plano Adi, é a residência do Logos, onde ele estabeleceu o Laboratório para suas atividades a fim de reger os mundos por Ele mesmo construídos com a matéria universal. Neste plano ou mundo, as mônadas aqui também se encontram, tendo vindo à existência com o próprio Logos, estabelecidas sob sete variações básicas ou raios. As mônadas também chamadas de espíritos puros conhecem os propósitos do Logos Criador, vindo se constituir de imediato numa Hierarquia operante em favor do Grande Plano da Criação. Por motivos que desconhecemos, as mônadas não podem descer além do plano imediatamente inferior – Anupadaka – ali se estabelecendo para seu trabalho.

Cada manifestação-vida, trazida a esse sistema solar para evoluir dentro dos parâmetros firmados pela inteligência e necessidade do Logos é uma mônada na sua origem. Os bilhões de mônadas e o Logos na sua generalidade necessitam obter experiências destes mundos criados, para avançar em consciência e poderes, mas devido às leis cósmicas e condições irremovíveis, as vidas, elas mesmas, precisam tomar para si as rédeas do progresso sob todas as condições e poderes dimanados pelo Logos Criador. Isso leva às vidas monádicas a buscar o conhecimento de seus habitat, de si mesmas e de suas origens sob os múltiplos e enganadores véus tecidos pela natureza. As vidas ao avançar para a autoconsciência começam a entrar num estágio mais dinâmico do processo evolucionário, mas ao mesmo tempo pleno de percalços, pelo fato de poderem trabalhar com certa desenvoltura com polaridades duais. O conhecimento das potencialidades dos reinos quer sob a experimentação científica como móvel objetivo quer pelo desnudamento dos véus de uma ciência oculta, trazem o homem para campos aparentemente opostos, sob parâmetros e visões de ângulos diferentes.

Os verdadeiros avanços das vidas no processo evolucionário não caminham necessariamente com a ciência material como muitos supõem. Os caminhos desta ciência são resultados das necessidades naturais para amparar material e socialmente as vidas e alavancar o processo da polarização mental. Os caminhos espirituais não se fazem dependentes da ciência e sua tecnologia, estas no máximo auxiliam, mas em nada determinam. Bilhões de vidas encontraram seus verdadeiros caminhos ao longo da história sem os confortos modernos, ao passo que muitos homens da ciência, e os seguidores de suas irreverentes premissas e axiomas, sendo reconhecidamente capazes intelectualmente, estancaram espiritualmente ante as metas estabelecidas pelo processo evolucionário. Pois na medida em que exploram as inesgotáveis fontes da matéria com ela cada vez mais se identificam, bloqueando as vias sensíveis de seus egos, afastando-se da fonte única e espiritual da qual são originários, e que necessitam reconhecer para nela avançar internamente.

Hoje há enormes enganos sobre a questão da evolução sob os aspectos religiosos, esotéricos e científico tecnológico. O homem afasta-se da sua simplicidade ao redescobrir as intermináveis vias das pesquisas de um universo microscópico e paralelo, conceituando em todas as minúcias possíveis as descobertas como novas e redentoras. Os impulsos da ciência atual são assustadores por estarem manipulados pelas mãos de homens despreparados espiritualmente que visam um caminho estritamente material.

Os parâmetros se invertem e a ciência cética acusa os homens do espírito de retrógrados e responsáveis pelas misérias humanas que a história oficial testemunhou. No entanto, os caminhos iniciáticos do espírito são os verdadeiros e em certas proporções os das religiões, por que nada restará do mundo quando a ambição do homem dominar todos os postos das poderosas organizações quer sejam elas reconhecidas como úteis e filantrópicas ou não. Já se esgotou o tempo de o homem moderno ter acabado com as misérias humanas sob abismais diferenças sociais e raciais por que há recursos monetários sobrando e tecnologia suficiente para vencer muitos dos agudos desafios. Mesmo com todas as pesquisas inúteis de centros tecnológicos especiais que gastam fábulas astronômicas e pouco produzem, bem como de experiências com foguetes espaciais que consomem inacreditáveis recursos, e por tantas outras pesquisas desnecessárias sumamente dispendiosas, sobram economias para transformar o mundo, estabelecer melhores metas para todos os povos e instituir um controle racional e humano da natalidade. A ciência também é de Deus!

Não vamos nos aprofundar nesse tema, já trabalhado noutros textos de nossa autoria para não fugirmos do cerne deste assunto. Entretanto, as alusões não foram ao acaso por que o antakarana e o que a ele envolve, representam para a humanidade avançada a sinalização de uma vertente que conduz à libertação de todas as limitações. Quando a humanidade compreender de fato que todos os recursos para seu autoconhecimento e felicidade estão dentro dela mesma, embora vivendo em dois mundos, poderá usufruir do potencial da matéria através da verdadeira ciência sem apegos, ambições e perigos.
Prosseguiremos.
                            Rayom Ra

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domingo, 26 de dezembro de 2010

Antakarana - I

Para seguidores do esoterismo teórico o conhecimento do antakarana representa mais um importante subsídio acerca do Ego e seus vários segmentos estruturais. Conhecer e saber, guardadas as devidas proporções daquilo ao que temos acesso é importante por que o exercício da pesquisa nos obriga a meditar e a reflexionar sobre os diferentes temas, e assim nos transportam para outra realidade não alcançada pelos malabarismos comuns do intelecto voltado às causas unicamente materiais.

Para os esotéricos que nos acompanham, pretendemos destacar que o antakarana não é meramente uma figura metafórica, produto de elucubrações de místicos para justificar certas possibilidades a que o ser humano esteja incurso em seus diversos estados mentais. Embora todo esotérico e ocultista necessite saber cada vez mais, desejaria aqui acentuar que as denominações de esoterismo e ocultismo nem sempre significam exatamente as mesmas coisas, embora sejam comumente referidas como sinônimos. O esoterismo é amplo e natural, avança para a ciência concreta e oculta num leque bastante diversificado, enquanto que o ocultismo cuida mais especialmente de verter aos segredos da magia e suas forças, através, basicamente, da prática coordenada pela experiência. Entretanto, não existe uma demarcação rígida entre um e outro. Acima dos estágios de aspirante, místico e iniciado menor, o conhecimento equivale-se por que, ao natural avanço nas iniciações, o caminhante precisará já estar de posse das principais experiências facultadas pelos sete raios. Naturalmente falamos do conhecimento acumulado na alma.

Sabemos que a imaginação ocupa papel preponderante na vida do estudante esotérico, pois todo o conhecimento oculto necessita ancorar-se na mente do investigador e não propriamente nas limitações de seu cérebro físico tri-dimensional. Esta é a principal linha divisória que separa o ceticismo do ocultismo, por que o investigador e materialista cético, de modo geral, é incapaz de usar a imaginação senão unicamente evocar a racionalidade do cérebro. O cético vive basicamente de seu cérebro e mente concreta e raramente vai além, recusando-se a aceitar uma realidade transcendente à matéria, vivendo num círculo fechado, não desenvolvendo outros canais que ligam a personalidade ao verdadeiro Ego. Sabe, no entanto, que a origem da matéria como causa é nebulosa para a ciência, por que a matéria em última instância, não é um princípio - é nada - não existindo numa realidade definitiva senão em formas temporais de energia concentrada. E, contudo, o ceticismo não consegue negar por suas próprias pesquisas que os elementos ultramicroscópicos do átomo não são capturados, e nem se sabe exatamente como se apresentam, por que passam instantaneamente de um estado energético desconhecido para outro, deixando unicamente rastros de seus trânsitos.

Ainda bem que os maiores segredos do átomo permanecem por enquanto sob a tutela de grandes iniciados nas leis de Deus. Pois se com o pequeno conhecimento que a ciência dispõe já conseguiu construir bombas infernais e armas nucleares terrificantes que matam milhares em poucos segundos, imaginemos se a fera enjaulada nos homens sem Deus e não controlada por sua ciência já dominasse outros segredos atômicos, o que seria – ou não seria – da humanidade.

Diz-nos H.P. Blavatski sobre o Antakarana: “Esse término tem vários significados que diferem em cada seita e escola de filosofia. Assim é que Zankarâchârya traduz esta palavra no sentido de entendimento; outros de ‘o órgão ou instrumento interno, a Alma, formada pelo princípio pensador e o egotismo (ahankâra)’, ainda que os ocultistas o definam como o sendero ou ponte entre o Manas (mente) superior e inferior, o Ego Divino e a Alma pessoal do homem”

É sabido que o homem tem uma estrutura material, uma intermediária entre o material e o imaterial e a divina isenta de qualquer formação ou subordinação à matéria conhecida. As três grandes emanações do Logos ao construir os mundos e torná-los o campo das experiências e evolução das vidas, propiciam às correntes de energia e força por Ele direcionadas o sentido involutivo, o de aparente estática e o sentido evolutivo. As vidas trazidas para os estágios de experiências nesse grande círculo de manifestação cósmica do Logos Criador, descem inicialmente de um estado para nós subjetivo – embora já seja objetivo a partir do momento em que o Logos imprimiu seu desejo de manifestar a vida num Plano de Criação – se materializam por inerência de leis fora do real alcance de nosso entendimento, e por um longo período ascendem do objetivo para o subjetivo, operando simultaneamente em ambos os planos. Finalmente, num terceiro estágio, as vidas que se adiantam deixam para trás as leis regentes da matéria e meio do mundo, e se elevam sobre si mesmas para mundos superiores. Em outras palavras, ascensionam.

Essas longuíssimas experiências de muitos bilhões de anos terrenos, contados desde o nascimento, apogeu e fim de um sistema solar, somam-se na posterior encarnação do mesmo sistema solar, como é o caso do nosso. As vidas que não conseguiram alcançar os objetivos traçados para o primeiro sistema solar, voltaram para este com suas necessidades duplicadas, uma vez que cada manifestação de um sistema solar traz uma diferente mensagem que no aspecto evolucionário das almas elas devam incorporar. Assim, tanto numa como noutra manifestação do Logos, em seus grandes e menores manvantaras (1) há um mecanismo de reingresso das vidas com suas origens, considerado um processo de recordação para o posterior avanço a novos estágios. As vidas que cumprem os planejamentos traçados pelos mestres raciais avançam no carma, objetivando principalmente a expansão da consciência e libertação dos liames aprisionantes da matéria.

(1) Manvantaras, terminologia oriental, são as manifestações de universos que o Deus Incognoscível traz á objetividade, mesmo considerando as diversas dimensões ou diferentes estados da matéria. Há grandes e menores manvantaras. Aqueles relativos, por exemplo, a um período de 8.640.000.000 anos, representam somente um dia e uma noite de Brahmâ. Por outro lado, uma idade de Brahmâ ou uma centena de seus anos divinos iguala-se a 311.040.000.000.000 de nossos anos terrenos. Um manvantara menor pode representar a manifestação de uma galáxia, um sistema solar, uma cadeia planetária, etc. (Rayom Ra)

As três grandes correntes do Logos, estabelecem os diferentes estágios em que as vidas se acham incursionadas para a obtenção de suas experiências, sendo o Terceiro Logos o responsável pela plasmação dos mundos. Nesse estágio, a consciência dos grupamentos de vidas e da própria matéria em múltiplas formações ainda não se define. Isso somente ocorre com o trabalho magnético do Segundo Logos que vem formar os reinos desde regiões muito acima onde atua na matéria chamada elemental, até o mais profundo da matéria físico-densa representado pelo reino mineral. Daí, já no arco ascensional, virá edificar os demais reinos, em todos eles anexando suas qualidades que, basicamente, identificarão a nota crística com seus subtons que o Logos faz penetrar e externar em todo o sistema solar. Quando as vidas iniciadas - em transição para o meio do mundo - atinjam a etapa do conhecimento consciente entre matéria e alma, o antakarana é mais fortemente ativado, por ser justamente a ponte entre um estado e outro. Depois, num terceiro estágio, a presença do Primeiro Logos virá finalmente ativar as vidas de um poder permanente, o que significa para elas a posse gradual e cada vez maior das glórias de Deus.

A estrutura básica do homem como Personalidade, Ego e Espírito, tecnicamente falando, é análoga às características introduzidas pelas três expressões maiores do Logos Solar. Na primeira encarnação, o Logos enfatizou a necessidade de as vidas recém criadas em suas manifestações finitas, desenvolver o conhecimento da matéria, o que implicaria também no uso de seus poderes em ambas as polaridades. Ao mesmo tempo em que se manifestassem no mundo das formas mais densas, e dele obtivessem seus invólucros, as vidas se aprofundariam nas leis de regência da matéria estabelecidas pela ação construtora do Terceiro Logos.

Essa necessidade e o posicionamento de muitas vidas rebeldes às leis naturais resultariam para elas no adernamento das vias para a ascensão, o estancamento de seus momentos evolucionários e o conhecimento da magia negra. Evidente que as forças cósmicas do mal agiram com maior sucesso sobre essas vidas estagnadas, devido à imaturidade delas e a falta de um escudo mais poderoso da alma. Os poderes da personalidade foram exaltados e levados a ações extremamente eficientes nos confrontos com os opostos, quase se igualando aos poderes da magia negra desenvolvidos na Atlântida pelos mesmos egos em seus retornos ao plano físico, estimulados pelas mesmas forças cósmicas malignas.

É sabido que os egos implementados pelo conhecimento e práticas da magia branca, ou negra, trabalham basicamente nos poderes da matéria física. Suas conquistas, quer no bem ou no mal, impressionam mais pelos resultados visíveis e rápidos, dando a falsa visão de que os poderes espirituais sejam exatamente esses e o mais poderoso é aquele que obtém resultados tangíveis na forma. Esse engano foi o principal móvel que levou milhões de egos à derrocada e os aprofundou ainda mais na ilusão, arrastando-os pelos caminhos unicamente da via contrária. Mesmo os praticantes da magia branca, imaturos ainda quanto ao conhecimento da alma e da curva ascensional a que devam submeter as personalidades para a edificação consciente da manjedoura ou gruta para o nascimento da criança, caíram e ainda caem nas tentações dos efêmeros poderes materiais e egolatria, se afundando. Isso de fato acontece por que amantes dos poderes do ego-personalidade – polarizados unicamente na magia - se recusam a abandonar a idéia dos poderes pessoais, a morrer no tempo finito para renascer sob os verdadeiros poderes de Cristo nas iniciações maiores.

Temos assim que no primeiro sistema solar o antakarana foi alcançado e conscientemente trabalhado por poucos iniciados, justamente os de vanguarda e em número bem menor, que teriam vindo de outras cadeias planetárias, possuidores de iniciações de oitavas vibratórias acima daquelas externadas pelas vidas de nosso sistema solar. Quaisquer que tenham sido essas alternativas, as Hierarquias estabeleciam as metas dos que avançavam bem adiante da grande massa de egos e passavam a se constituir em seus mestres e guias.

No atual sistema solar, em nossa cadeia planetária cujo ponto focal e principal é a Terra, a vinda de Cristo estabeleceu indelevelmente para toda a humanidade a definitiva linha demarcatória entre os que se mantinham internados nos poderes físicos da matéria e os que buscariam desenvolver os poderes do Cristo Imanente. A novíssima mensagem traria o significado único de que num andamento bem mais rápido do que os avanços de milênios até então, a oblação à Cristo proporcionaria a bilhões a visão e experimentação de um mundo espiritual antes desconhecido. A criança nasceria nos estábulos do mundo, em qualquer lugar, sob quaisquer raças ou culturas, cresceria e traria o ego-personalidade a seguidos embates e derrotas para dar lugar ao homem do meio do mundo, morador em dois campos simultâneos: o da matéria e o do espírito, sob a tutela de um ego pensador, uma alma dentro de outra alma, descrita na filosofia oriental como o antakarana ou ponte entre dois mundos.

Rayom Ra

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domingo, 19 de dezembro de 2010

Dualismos


Vamos tentar entender quando não devemos levar ao ridículo as reações opostas que tratem de meros aspectos ou lados invertidos de um mesmo prisma, e quando as polaridades subtraem ou invertem as energias.

Já nos diz a terceira Lei Física de Newton: "Toda ação provoca uma reação de igual intensidade, mesma direção e em sentido contrário". Newton, evidentemente, não sacou esta lei por meras elucubrações e pensamentos errantes ao estar debaixo da macieira predileta em que sempre ficava quando pensava sobre a física. Muito menos essas coisas advém a um físico e matemático do quilate de Newton, meramente pelo puro mecanismo do raciocínio. Nada há, pois, novo debaixo do Sol e Newton foi um iniciado nos mistérios.

Como iniciado, e provindo de orbe mais adiantado, Newton já trazia em seu espírito o conhecimento que necessitaria desenvolver aqui na Terra para a evolução da ciência. Ele saberia que os corpos agem e reagem; que há energias e forças livres ou condicionadas na natureza; que a matéria detém suas próprias e inerentes forças, assim como alma e espírito detêm as suas em diferentes planos, padrões e incorporações. Anima mundi, ou alma do mundo, transmite forças e energias, mas estes elementos são trabalhados sobre estados consciencionais diversos, respectivos a cada reino em todas as suas unidades.

O dualismo ocorrido em mesmos padrões serve para avaliar e equilibrar as tentativas ou pesquisas humanas em si mesmas. Se comer bananas d’água faz bem, pois a banana é uma fruta das mais completas em nutrientes, uma pessoa ao comer sozinha de uma só vez uma dúzia e não acostumada a isto, cometeu, no mínimo, uma grande imprudência. O que acontecerá? Algumas reações orgânicas tais como estômago pesado, dificuldades intestinais, enjôos, vômitos ou até coisa mais séria. Seria isso um mal? Sim, mas em termos relativos ao que entenderíamos como equilíbrio alimentar e não como um mal disseminador de forças negativas. Exemplo, sem dúvida, simples e elementar.

Porém, ao se tratar de bem e mal em situações dualistas científícas, filosóficas, esotéricas ou religiosas, estaremos abordando energias e forças incidentes nas polaridades de modos diversos e dirigidos. Quando forças constantes atuam deliberadamente na polaridade negativa com finalidade pré determinada, essas forças provocam uma ação excedente na polarização, obstruindo a reação igual e contrária ao equilíbrio. Sendo isso uma experiência laboratorial permanecerá nas súmulas científicas para qualquer outra finalidade de uso, mas em se tratando de mentes agindo sobre outras mentes, ou sobre efetivas situações dos reinos, virá então tratar-se de ação da magia natural que requer um conhecimento oculto de elementos, energias, forças e verdadeira natureza humana. Então, ora se recai na magia branca, construtiva e conhecedora dos caminhos requeridos ao equilíbrio dos opostos, ora na magia negra, sabedora dos mesmos caminhos da outra, porém destrutiva na sua ação, necessitada, justamente, da polarização negativa excedente para sua artificial sobrevivência.

.A ação continuada sobre a polaridade negativa proporcionou campo para que o mal se disseminasse na humanidade desde tempos muito recuados. Não é possível identificarmos a origem do mal no vasto cosmos do espaço-tempo ou fora dele. Também não é possível crermos que o mal hoje ultra-dimensionado em nosso mundo, tenha se iniciado somente com desregramentos de nossas raças. Sabemos pelos estudos esotéricos que o mal primitivo originou-se nas formações endógenas dos reinos, quando suas polaridades naturais começaram a ser trabalhadas indevidamente nas próprias consciências – ou até mesmo nos embriões do inconsciente – das formações elementais. Quando os reinos se constituiram na matéria densa, as polaridades de algumas dessas formações se distanciaram em situações especiais e ao passar de reino para reino e tomar maior consciência, as polaridades se fixaram mais acentuadamente nas formas. Da vida animal para a humana houve grandes coletivos de espécies que se individualizaram com inclinações negativas e destrutivas, gerando grupos étnicos bastante adernados às diretrizes do Plano da Criação do Logos.

Entretanto, esse mal circunstancial seria passível de ser trabalhado pelos operários do Plano da Criação em tempos futuros quando no instinto germinassem sementes de pensamentos tanto quanto possível mais bem formados. Mas o mal corrosivo e destruidor por natureza viria de fora, incorporado nas consciências de seres da Face Negra desejosos de escravizar humanos para suas finalidades egoístas, avessas e repugnantes. E não somente as etnias instintivas e responsivas ao negativo, porém grande número de outras almas mais bem formadas nos padrões educacionais dos mentores viria aceitar as sugestões melífluas das inteligências malignas ocultas. Desse modo, nas civilizações inicialmente cuidadas e orientadas pelos Mestres Lunares e posteriormente pelos Senhores de Vênus e Fraternidade Branca Universal, o dualismo bem x mal demarcaria limites e avanços. Consequentemente, como o mal avançasse houve inevitáveis destruições de civilizações.

Em tempos recentes, mesmo antes de Cristo, as crenças em deuses sanguinários e perversos foram responsáveis pela disseminação de chocantes sacrifícios humanos e animais, e absurdas adorações. O sangue e as emoções deturpadas dos humanos servem-lhes de alimentos e vida, bem como seres das mais baixas gradações se lançam na própria carne humana. Rituais nefastos que o mal cósmico traria para a Terra, permaneceriam pelos milênios em grupamentos étnicos de todos os continentes, e isso serviu para o recrudescimento e fortaleza das forças negativas até hoje. As guerras, sempre fomentadas pelos representantes do mal em todos os governos, são os instrumentos mais utilizados pelas falanges hediondas a fim de polarizar cada vez mais suas energias destrutivas na Terra, com as quais eles sabem muito bem conviver.

Em tempos de guerra, a energia destrutiva toma e domina os combatentes, despertando-lhes instintos adormecidos que passam a comandar seus mais cruéis atos, transformando-os em vis matadores e desalmados torturadores. Temos tido notícias disto através dos relatos da história e agora somos testemunhas oculares de como os exércitos muitas vezes se tornam irrefreáveis na ânsia de matar e destruir.

O dualismo entre o bem e o mal necessita ser vivamente observado por que as próprias mentes dos caminhantes da via da mão esquerda, sejam eles magos negros, súditos ou aprendizes, estão entre nós em todos os lugares, quer inconscientes em suas encarnações, quer conscientes tanto em corpos físicos como espirituais. Nossas armas também são muitas, mas trabalhamos com as limitações de nossos cérebros físicos, ainda que sob a luz de Cristo; todavia eles nos observam atentamente das suas próprias sombras sem que os vejamos. Infiltram-se subrepticiamente em religiões, grupos espíritas, esotéricos e fraternidades além de entrar em nossos lares. Usam de seus poderes da hipnose, dominando dirigentes e comunicadores justamente nas suas vaidades e ambições. Criam-nos ilusões mentais e se os afligidos não despertam a tempo, dominam-nos completamente destruindo todo um trabalho de edificação. Eis porque tantos movimentos de espiritualistas que iam bem, de repente se acabam mediante dissensões e efêmeras batalhas por poderes. Basicamente, o Orai e Vigiai é nosso escudo verdadeiro.

Gostaria de encerrar esse tema, reproduzindo dois pequenos trechos que se encaixam nas situações aqui abordadas, constantes de meu livro “A Face Negra da Terra – Parte I e Parte III, disponível em Rayom Ra on Scribd. 

“Uma vez realizada a mortandade, criaturas e mestres, vampirescos, se locupletam com as emanações etéreas do plasma sangüíneo derramado, e com a terrificada energia desprendida pelos egos em pungentes dores, sob cruéis torturas ou submetidos a sádicos rituais de sexo pelos estupradores. A esses mestres, fomentadores dos horripilantes e repugnantes momentos de sadismos e mortes, justificam-se todos os seus brutais e nefandos esforços para a deflagração de guerras ou convulsões sociais, pois conquistaram o que queriam. Aos pobres homens, marionetes das forças negras e das criaturas por elas comandadas, o absurdo orgulho, repito, de se olhar vencedores e heróis, depois da devastação material e ceifar de preciosas vidas humanas que realizaram”.

“A necessidade das forças negras é sempre inverter valores; elas gozam e se locupletam; enchem-se de vazios arroubos; cantam hosanas à vitória do anarquismo sobre a ordem, do atraso sobre o progresso, do mal sobre o bem. Não há valores que mais respeitem; não existe hierarquia que não seja a do mais profundo, indigno e repelente sobre a Terra. Repudiam a luz e a verdade intrínseca à luz, mas não têm culpa disto, por que não podem vê-las e não as vendo não as sentirão; assim jamais as entendem. O seu negro mundo é amplo, tão amplo quanto é na Terra o de seu oposto, mas ainda assim somente incursionam em seu próprio caminho quando realizam hercúleos esforços de oposição a quem simplesmente constrói”.

Rayom Ra
[ Os textos do Arca de Ouro, de autoria de Rayom Ra, podem ser reproduzidos parcial ou totalmente, desde que citada a origem ]

sábado, 18 de dezembro de 2010

Porque Não Devemos Ignorar As Forças Negras - Parte I

       Deus e o diabo, o bem e o mal, precisam ser passados a limpo sob a ótica da compreensão e senso comum.

       Vivemos hoje em mundos interligados como três círculos que se tocam. O primeiro mundo é o do passado, o celeiro de todas as tradições culturais, a fonte tradicional de tudo quanto o homem precisou dela retirar até ontem, para as conquistas do hoje. Esse mundo, não obstante, não se encontra perdido nos anais do tempo, pois de pouco em pouco, de passo em passo vem sendo desterrado em suas camadas mais profundas para ser reestudado.

       O segundo mundo é o da modernidade, onde o homem e a máquina interagem e não vivem um sem o outro. Em certos momentos a máquina manda e domina, noutros, o homem determina o que a máquina deva fazer, mas logo depois a ela se submete.

       O terceiro mundo decorre do segundo, interveniente ao primeiro. Foi construído, justamente, com os recursos mecânicos do segundo mundo e conecta os povos instantaneamente com engenhos tecnológicos, com telas e teclados; penetra como quer ao pensamento intelectivo; dissemina energias e forças, imprimindo nas mentes valores os mais diversos, falsos ou não, negativos ou positivos. É um mundo virtual, porém muito poderoso e cada dia mais forte!

       De todas as formas, nesses três mundos, chocam-se o presente com o passado, pois as máquinas construídas e programadas pela organização cerebral humana vêm ensejar respostas não dadas pelas tradições dos povos. Mas nada termina exatamente assim, por que inúmeros paradigmas, sem quaisquer respaldos da metodologia científica, resistem firmemente às invasões da mente racional cética e dos mecanismos tecnológicos dirigidos e manobrados para alijamentos definitivos em saneamento da moderna ciência.

       Deus não é uma instituição humana, nem é o diabo. Mas se formos buscá-Lo nas suas origens, sob a custódia das filosofias religiosas ou ocultistas, atestaremos que Deus se sustenta com um poder uniformemente possível, quer admitido ou não, mas a pessoa do diabo nem tanto. Ultrapassadas as crenças, a idéia central é a da premissa de que se Deus criou tudo o que existe, teria forçosamente criado o diabo; logo o diabo seria sua criatura e não o seu igual e oposto.

       Ontologicamente Deus e o diabo estariam em permanente luta. Deus é o Supremo Construtor onde cá embaixo nos mundos dos fenômenos os valores positivos e negativos se antepõem, se revezam, mas às vezes se conjugam para um objetivo comum. E é aqui onde mora o diabo. Para a ciência cética Deus não existe, porém se reconhece uma origem de todas as coisas, um ponto referencial de onde tudo emanou – um big-bang descomunal que trouxe em seu bojo e em seu interior o que hoje se conhece através das diversas metodologias criadas, e, ao que se anseia, mais ainda se descobrirá. Mas o mal veio junto, sob qualquer capa ou pretexto da incoerência humana, acobertado no egoísmo, gerando os crimes bárbaros, as guerras fratricidas, interligado à própria ciência. As aberrações humanas são um mal para aquilo que a ciência queira refazer e ao que pretenda realizar. A ciência, conforme desejaram seus incorrigíveis arautos, jamais conseguiu exterminar os males da Terra, como se a isso pudesse realmente fazer. Ajudou em muito. Impossível imaginar a vida de 6.6 bilhões de pessoas sem a ciência atual. Mas, contrariamente ao pensamento mecanicista de muitos adeptos, em incontáveis situações foi a ciência, justamente, o instrumento que mais ajudou o mal a se infiltrar de maneira aterradora - a se fortalecer continuadamente e avançar em ritmo sempre crescente.

       Se o diabo é somente citado na bíblia 35 vezes, em compensação ora a idéia clara, ora o subjetivismo do mal estão em todas as páginas, começando logo na primeira, em sentido dual, no que é dito: “e viu Deus que a luz era boa”, “e viu Deus que isso era bom”, ou seja, o bom evoca o relativismo do “não bom” – seu contrário. Este jogo de opostos pode não implicitar exatamente o mal, e ao mesmo tempo pode. Mas, em seguida, no paraíso é citado especificamente o mal, e surge a serpente como um elemento não somente fálico, mas portador da tentação de possuir mais. Serpente, diabo, demônio, lúcifer, satã, belzebu, ahrimã, mamon, ou qualquer outra denominação que se pretenda, não é definitivamente um epíteto pessoal, mas o albergamento de valores de polaridades negativas, cujas origens e existências se perdem nas noites do tempo.

       Seria pela crença ou religião? Pela filosofia ou ciência? Pelo medo ou coragem? Desde os mais distantes recantos do cosmos, o mal traz com ele a própria vida num jogo de polaridade contrária, em vias destrutivas e nas inversões.

       O que pretendemos aqui não é sairmos com bandeiras para a salvaguarda da filosofia inspirada em Deus e em suporte de todas as crenças, mas comentar da relação verdadeira do mal como forma, como existência tangível que se encarnou na humanidade, e que a ela passou a pertencer tanto quanto lhe pertença o bem. Se Deus é o criador do bem e do mal - ou eles viajaram com o big-bang, não importa - o fato é que ambos existem naquilo que admitimos como vida planetária, calcada nas experiências humanas de famílias, amigos, raças, projetos, paixões, guerras, crimes e tudo mais – onde, enfim, são encontradas todas as coisas ao redor das quais os homens se movem - sejam ateus, céticos, religiosos ou esotéricos. Porém, é absolutamente inegável o mundo estar cansado de ver o mal em si mesmo se vestir de negro, a agir na inconsciência de grupamentos, etnias ou nações inteiras, a dominá-los e destruir, jamais explicando racionalmente por que faz isto.

       Em princípio, sem nenhuma outra conotação, senão racial e econômica, Hitler preparou a Alemanha para a destruição de judeus e domínio de todas as outras raças, semitas ou não. Porém, criou a igreja nazi como a compensar sua obscura e germinal crença em forças superiores de um deus vingativo que se insurgiria contra todos os que até então seguiam outro deus. Era a idéia religiosa do mal, considerada a partir de uma visão de raça pura, gloriosa e eleita. O nazismo forjado na mitologia nórdica, no martelo guerreiro e invencível de Thor e nos deuses verdadeiros, não lhes mentiria.

       O mal não escolhe lado, nem crenças, lógica ou métodos. Ele os quer a todos, ele sabe trabalhar todas as coisas. Se há um elemento forjado no princípio da polaridade negativa, que emerge para a violação dos impulsos naturais, para vir reger a involução de vidas; que de tudo vem tirar proveito somente para si próprio; que se constrói, se fortalece e se alastra como um cancer, este elemento se encarna naquilo que conhecemos como o mal. É difícil explicar até onde o bem é o bem na sua polaridade positiva e até onde o mal é o mal na sua polaridade negativa. Mas é fácil ver, sentir e entender quando mentes e cérebros estão tomados e saturados pelo pensamento dirigido unicamente para seus únicos e egoísticos propósitos. Assim se formam poderosas energias ou forças destrutivas, como formaram Hitler, Torquemada, Genghis Khan, Nero ou Átila. Ou como os santos papas que mancharam com sangue a igreja de Cristo, por que hereges deviam pagar com a vida, sob torturas e guerras, às desobediência clericais. A bomba atômica matou milhares indefesos, e nem por isso a ciência se culpou ou parou de fazer testes com outras novas e mortíferas bombas.   

       Os magos negros da modernidade, são os mesmo que agiram em defesa do despotismo exterminador ou escravista da igreja; hoje trabalham ao claro ou nas sombras dimensionais que a ciência finge desconhecer, estimulando ou criando novas armas, planejando novas guerras e hediondas mortandades. Nada mudou nas intenções. Unicamente os métodos se tornaram mais fáceis e poderosos, propiciando mais resguardo para os manipuladores de suas criminosas tecnologias. E certeza há de que a Terra já está inexoravelmente dividida, e a luta que se configura e já acontece nos seus preâmbulos será, ao fim de tudo, gigantesca – a maior desde que o mundo é mundo!

       Diz-nos o Mestre Djwhal Khul: “A loja Negra tem suas raízes no plano astral cósmico assim como A Loja Branca e sua Irmandade as tem no plano mental cósmico, ainda que isto seja uma realidade momentânea a fim de acercar-se da culminação e aperfeiçoamento de certas atividades organizadas, levadas a cabo na estrela de Sírios”.

       Volto a falar dos mundos cósmicos acima dos nossos. Nossa esfera de evolução compreende 7 planos ou mundos, conforme diagrama simplificado:

MUNDOS OU PLANOS
1. ADI MUNDO DIVINO “DOMÍNIO DE DEUS”

2. ANUPADAKA MUNDO MONÁDICO
3. ATMA MUNDO ESPIRITUAL

4. BUDDHI MUNDO INTUICIONAL
5. MANAS MUNDO MENTAL

1. MENTAL ABSTRATO
 2. MENTAL CONCRETO

6. KAMA MUNDO ASTRAL
7. STHULA MUNDO FÍSICO

1. ETÉRICO OU VITAL
                                                                                              2. FÍSICO OU DENSO

       Esses sete mundos, planos ou dimensões que representam nosso campo de experiências e ascensão durante milhões ou mesmo bilhões de anos ou mais, são na verdade, juntos, um único plano do Mundo Cósmico, chamado Plano Físico-Etérico Cósmico. Vejamos isso do seguinte modo:

MUNDOS OU PLANOS

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ETÉRICO CÓSMICO

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1. Primeiro Éter Cósmico
ADI LOGÓICO

2. Segundo Éter Cósmico
ANUPADAKA MONÁDICO UNIVERSAL

3. Terceiro Éter Cósmico
ATMA – 3º. Aspecto

4. Quarto Éter Cósmico
BUDHI – Razão

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                                                               FÍSICO CÓSMICO
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                                                              5. MANAS

                                                              6. ASTRAL (KAMA)

                                                              7. STHULA (FÍSICO)

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       Temos assim, por exemplo, que nosso mundo físico denso é somente um subplano do Mundo Físico Cósmico, considerados também subplanos físico-cósmicos nossos Mundos Astral e Mental. Portanto, o Plano Físico Cósmico, é formado de nossos mundos Manas-Astral-Sthula. Do mesmo modo os nossos mundos superiores Adi, Anupadaka, Atma, Budhi, penetrados pelos 4 éteres cósmicos, representam no Etérico Cósmico, somente subplanos. Assim, somando-se os dois esquemas do último diagrama acima, temos na totalidade o Mundo Físico-Etérico Cósmico, o mundo mais inferior daquele universo.

       Isso explica porque seres e entidades de todas as categorias, podem chegar com facilidade em nossos mundos, pois a questão, neste particular, prende-se unicamente às escalas e portais dimensionais.

       Os magos negros, portanto, operantes na polaridade negativa, desde o plano astral cósmico, alcançam o conhecimento através de suas práticas e desenvolvimento mental. Entretanto, a qualidade vibratória de seus corpos é diferente daquela de quem segue os caminhos evolucionários da senda crística, porém não o seu conhecimento da matéria e leis dos planos por onde transitam e operam.

       Este trabalho visa demonstrar porque o conhecimento da natureza e os poderes que os representantes da polaridade negativa possuem não devam ser desprezados, embora não temidos por aqueles que entram na senda da evolução consciente. E como neste instante muitos milhões avançam em direção a este desiderato e tantos outros já ultrapassaram seus umbrais, estes avanços, contudo, não isentam os iniciados conscientes e também os inconscientes que fazem parte da humanidade instruída, mas não esotérica, de se defrontarem com os Senhores da Face Negra e seus asseclas, e dos perigos que adviriam de seus envolvimentos nas teias de Maia, com quedas ou aprisionamentos.

                                                                     (Prosseguimos na Parte II)

       Rayom Ra

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       [Os textos do Arca de Ouro, de autoria de Rayom Ra, podem ser reproduzidos parcial ou totalmente, desde que citada a origem]

Porque Não Devemos Ignorar As Forças Negras - Parte II

       Quando falamos de Forças Negras, não estamos nos referindo a seres ou almas que simplesmente vivem à sombra da luz, por ignorância ou caminhos errantes, onde perderam os rumos de seus destinos. Os chamados Magos Negros ou Senhores da Face Negra, não são absolutamente desta categoria de mentes iludidas, dominadas pelos vícios e prazeres da carne que como tal não têm nenhum poder sobre si próprios. Os Senhores da Face Negra, bem ao contrário do que apregoam alguns espiritistas e pseudo ocultistas, são seres altamente inteligentes que desenvolveram o aspecto vontade em suas mentes, sabendo o que desejam e como atuar com seus poderes para chegar aos objetivos.

       Tal como a Fraternidade Branca e seus contatos, aqueles, em réplica negativa, possuem seus respectivos escalões na Terra recebendo forças adicionais  - quando necessárias para seus planos - de outros escalões maiores e cósmicos de bilhões de anos no universo, cujos representantes de tempos em tempos se trasladam de um sistema solar a outro, associados ou em circunstanciais conluios com núcleos iguais em planetas de matéria física ou não.

       Reproduzimos, a seguir, trechos ditados pelo Mestre Djwhal Khul para A.A. Bailey, onde são destacadas precisas informações sobre a vida iniciática de seguidores de ambas as polaridades na Terra, uma vez que este tema, para melhor entendimento, requeira avançarmos para campos da sabedoria oculta e suas inerências.

       A Hierarquia Planetária da Fraternidade Branca é evidentemente formada por seres de grande sabedoria e luz. Na Terra fazem cumprir as mesmas leis evolucionárias a que estão submetidas todas as cadeias e vidas de nosso sistema solar, nos cinco mundos objetivos de diferentes graus vibratórios. Como tal, inumeráveis vidas que se inserem no programa orientado para este sistema solar são oriundas do sistema solar anterior do qual o nosso é sua segunda encarnação, ou para cá viajam de outros sistemas solares para estágios de aprendizados ou missionários. Assim, essas vidas estarão incluídas no processo evolucionário da via cármica sublimatória em Cristo, ou, por infelicidade, como acontece, poderão cair na via da mão esquerda de que estamos tratando, polarizando-se nos poderes da matéria.

       A Entrada Através dos Portais da Iniciação

       Logicamente, se evidencia que o emprego da palavra “Portal” é puramente simbólico. A interpretação que se lhe dá o estudante esotérico comum e o teósofo ortodoxo é a de um ponto de entrada que para ele significa a oportunidade oferecida de passar por uma nova experiência e revelação – grande parte daqueles a considera como devida recompensa pela disciplina e aspiração, sendo, não obstante, uma interpretação de importância secundária, baseada em anelantes desejos.

        O Portal da Iniciação

        O verdadeiro significado da frase “Portal da Iniciação” é obstrução, algo que fecha o caminho que deva abrir-se, ou que se interpõe ao aspirante ocultando seu objetivo. Este significado é dos mais exatos e o aspirante captará mais facilmente sua utilidade. Se imaginarmos um homem avançando no sendero evolutivo, até que um dia se encontre diante de um portal aberto, pelo qual possa passar tranquilamente, estaremos muito longe da verdade. (...) Logicamente deve haver uma sedimentação de seu caráter, presumindo-se que seja estável no equipamento do candidato. Estas características, por oportuno, têm pouco a ver com a iniciação e com o fato da abertura do “Portal” que conduz ao sendero.

       Indicam, verdadeiramente, a etapa alcançada no sendero de evolução como resultado do experimento, da experiência e da contínua expressão que deveriam ser comuns a todos os aspirantes que tenham alcançado a etapa em que enfrentam o discipulado, por que são do despertar inevitável e significam simplesmente a reação da personalidade no tempo e à experiência. Entretanto, é verdade indiscutível que ninguém pode atravessar este portal sem antes haver despertado as particularidades do caráter, e isso se deve a que o aspirante progrediu até certa etapa do despertar, obtendo automaticamente alguma medida de autocontrole, compreensão mental e pureza.

       Quero assinalar também que até o mago negro possui estas qualidades, pois são o sine qua non de toda arte mágica, tanto negra quanto branca. O mago negro atravessa pelo portal da iniciação que se abre duas vezes nas duas primeiras iniciações. O atravessa por força de sua vontade e realizações de seu caráter, por que o aspecto da alma que é consciente do grupo está nele tão ativo como está em seu irmão que trata de afiliar-se à Grande Loja Branca. Sem dúvida, o mago negro carece do aspecto amor. Não esqueçam que tudo é energia e nada mais. À energia, aspecto da alma, que denominamos atração magnética (a qualidade que constrói o grupo), dela compartilha o mago negro juntamente com o aspirante espiritual. Essencialmente é consciente do grupo e, ainda que seus motivos sejam separatistas, seus métodos são os do grupo e somente pode obtê-los da alma.

       Aqui temos novamente outra razão pela qual a Loja de Mestres não considera a primeira e a segunda iniciações como iniciações maiores, porém sim a partir da terceira (1) por que na terceira iniciação toda a vida da personalidade está inundada com energia procedente da Tríade Espiritual, via “pétalas do sacrifício” (2) do aspecto vontade e propósito da alma. A este tipo de energia o mago negro não responde. Pode responder e responde ao conhecimento – muito antigo e duramente adquirido – acumulado nas “pétalas do conhecimento” da alma; pode apropriar-se e utilizar a energia de atração (erroneamente denominada de amor por alguns estudantes), acumulada nas “pétalas do amor” da alma, porém não pode responder nem empregar a energia do amor divino expressada no Plano Divino, o qual controla todo conhecimento e o transforma em sabedoria, pondo em ação e aclarando o móvel que põe em atividade a atração magnética amorosa, que chamamos consciência e coesão grupais verdadeiras.

       Neste ponto, os dois caminhos – escuridão e luz – divergem amplamente. Até o não recebimento da terceira iniciação, a ilusão pode condicionar a atitude de quem trata de compreender a vida de um homem no sendero e ainda confundir o espúrio com o real. O mago negro leva também uma vida disciplinada, análoga ao aspirante espiritual; pratica a pureza para sua própria proteção, não com a finalidade de ser um canal para a energia da luz; trabalha com poder (o poder da atração magnética), e com grupos, porém para seus próprios fins egoístas e satisfação de seus pessoais propósitos ambiciosos. Porém, na terceira iniciação, ao verdadeiro iniciado espiritual chega-lhe a revelação, a recompensa da perseverança e a pureza corretamente motivadas – a revelação do propósito divino, tal como a alma o registra em términos de plano hierárquico, ainda que, todavia, não em términos de mônada. A este propósito e a amorosa Vontade de Deus (empregando uma trivial frase cristã), não pode responder o irmão negro por que suas metas são diferentes. Eis aqui o verdadeiro significado da frase a miúdo empregada e mal interpretada, “a separação dos caminhos”.

       Porém, ambos os grupos de aspirantes (os negros e os brancos) permanecem ante o portal da iniciação e dão os passos necessários para abri-los em duas ocasiões similares. Ambos se sobrepõem ao ilusório depois da segunda iniciação, e veem claramente o caminho que têm adiante, porém suas metas surgem amplamente diferentes; um, olha o amplo caminho que conduz cada vez mais profundamente para a matéria e ao materialismo, à obscuridade e ao “poder negro”, outro leva ao caminho reto e estreito, ao sendero do fio da navalha, que conduz para a luz e vida. Um dos grupos jamais se liberou dos princípios que regiam o primeiro sistema solar, princípios totalmente relacionados com a matéria e a substância que foram, naquela época e período (tão remotos que sua antiguidade somente pode ser estabelecida em números super astronômicos), os fatores condicionantes para a iniciação de então. Certas unidades da humanidade existentes naquela época, estavam tão completamente condicionadas por estes princípios materiais que deliberadamente não se haviam preparado para captar outra série de princípios (mais expressivos de natureza divina), que seus propósitos seguiram, sendo materialistas, “fixos e egoístas”, e devido a eles criaram inteligentemente uma planificada distorção da vontade divina.

       Temos aqui um indício da natureza do mal e a chave de uma parte, somente uma, do mistério encerrado na enunciação de que o mal e o bem deveriam se ter superado, passando a um bem maior e mais includente. Recordem que os magos negros de hoje foram os iniciados de um sistema solar anterior. Quando o portal da iniciação estiver preparado para abrir-se pela terceira vez, então os caminhos se irão separar-se. Alguns seguem a intenção egoísta e a fixa determinação de continuar nessa condição separatista da matéria, enquanto que em outros a vontade divina estará claramente plasmada, convertendo-se em poder motivador de suas vidas.

       A Grande Loja Branca de Sírios instruiu para que o portal permanecesse fechado pela terceira vez aos irmãos da obscuridade. O mal, tal como o entendemos, não tem absolutamente cabimento em Sírios. Para o mago negro, na terceira oportunidade o portal de iniciação apresenta uma barreira e um obstáculo insuperáveis; para o verdadeiro neófito espiritual significa “superação”.

       (1). Ver nossa obra:  (clique no título) NO ARCO DAS INICIAÇÕES
       (2) A referência às pétalas do sacrifício é relativa ao corpo causal do ego, cuja contextura é semelhante a de um lótus, com três carreiras distintas de pétalas, contendo cada carreira três pétalas. Da carreira mais interior para a mais exterior, temos o seguinte.
 
       A primeira carreira, denominada de pétalas do sacrifício, detém a seguinte disposição cromática: a) pétala 1, cores amarelo, laranja, verde, violeta e rosa. b) pétala 2, cores amarelo, laranja, violeta, rosa e azul. c) pétala 3, cores amarelo, laranja, rosa, azul e índigo.
       A segunda carreira, denominada de pétalas do amor, detém: a) pétala 1, cores rosa, laranja, verde e violeta. b) pétala 2, cores rosa, laranja, e azul. c) pétala 3 cores rosa, laranja, amarelo e índigo.
       A terceira carreira, denominada de pétalas do conhecimento, detém: a) pétala 1, cores laranja, verde e violeta. b) pétala 2, cores laranja, rosa e azul. c) pétala 3, cores laranja, amarelo e índigo.

       Há ainda um quarto segmento no desenho do corpo causal, que é seu núcleo onde três outras pétalas permanecem fechadas até que todas as demais hajam se aberto, conhecido na sabedoria oriental como “a jóia do lótus”.

       Com relação às pétalas do corpo causal, reside nelas a grande diferença entre os adeptos da magia negra e da branca, visto a sequência da segunda carreira de pétalas do lótus somente se abrir mediante a ação crística do amor-sabedoria, o que os Senhores da Face Negra se recusam a cumprir e, portanto, não poderão avançar mais por este caminho de libertação dos liames da matéria. Para nós, o futuro dos magos negros, de evolução iniciada em tempos imemoriais da primeira encarnação de nosso sistema solar, permanece envolta por algumas hipóteses dos antigos ocultistas. Uma delas é que tendo se colocado contra as correntes do processo evolucionário, os adeptos da magia negra romperão suas ligações com o corpo causal e com suas mônadas, perdendo assim todos os bilhões ou trilhões de anos de suas vidas pregressas do processo evolucionário. Entretanto, não sabemos realmente seja esse o destino final dos caminhantes da via da mão esquerda, pois mais adiante os que se acercaram dos ensinamentos dos mestres da luz os perderão de vistas não podendo mais ser contaminados e nem subjugados pelos seus negros poderes, por estarem libertos das influências das polaridades que oscilam entre a luz e as sombras.

       Rayom Ra

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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Umbanda Luz Divina na Terra!

Minha felicidade foi enorme ao tomar conhecimento da mensagem de Sanat Kumara – Aruanda, Esu e os Esséias - desvelando-nos as origens cósmicas de Umbanda. Minha felicidade foi ainda maior porque sempre fui intuído sobre o nascimento de Umbanda fora da Terra, e sua ancoragem em Atlântida para começar a atuar em auxílio de raças e etnias de todos os níveis humanos, através de incontáveis milênios de nosso calendário terreno. Não houvera antes entendido, no Grupo que dirigi, como um Kumara era visto ora em dias de Umbanda, de missas gnósticas, rituais ou sessões de curas, atuando nas correntes distintas, se ao meu entendimento os valores vibracionais diferiam de diapasão. Foi preciso Caboclo Pena Branca dizer-me, bem antes de o Grupo crescer e se tornar adulto, de suas iniciações e conhecimento de membros da Hierarquia Planetária para que eu pudesse estabelecer a ligação, e entender um pouco melhor a intrarelação entre os setores hierárquicos e a Umbanda, ainda que sem a profundidade que gostaria.

Passagens de minha vida esotérica, principalmente como umbandista, trouxeram-me certa maturidade que julgo hoje possuir em relação ao que pratiquei e cumpri, e, principalmente, do que aprendi no convívio com diversas personalidades humanas mergulhadas nos véus da matéria física, nos desejos egocêntricos, contradições, soberba e transbordante e agressiva auto-estima. Nada tenho a envaidecer-me, senão comemorar a existência de tão grandiosa instituição chamada no Brasil de Umbanda, em suas diversas linhas de trabalhos. Pois a Umbanda é de todos e para todos, pertencente mesmo àqueles que optaram por outros cultos religiosos e que hoje, pela mais profunda ignorância de suas origens a desprezam, condicionados pelos errados ensinamentos de orgulhosos pregadores em púlpitos sacerdotais. Chegará o dia, ainda nesse novo século, em que a Umbanda verdadeira mostrará a todos sua plena divindade, despida de todos os véus com que necessariamente foi envolta através dos milênios, para assim poder co-existir com as culturas dos diferentes povos.

Não existirão paraísos na Terra enquanto estivermos atravessando esses momentos evolucionários em que os mais agudos conflitos se externam e provocam turbulências. O mundo ao redor é a projeção das ebulições das almas que em nós vivem. Aqueles que conseguem domar os seus mais perversos instintos transportam-se para uma nova realidade, se isolam em seu novo universo interno e tanto quanto possível se protegem. Mas a escalada continua e sempre haverá os rescaldos das imperfeições renitentes ou os ataques impiedosos das forças negativas, que muitas vezes arrastam egos de volta para os patamares inferiores de suas próprias criações, onde renascem os males que voltam a aprisioná-los como antes.

A Umbanda é mensageira do bem; é a voz e a atuação da magia branca que mexe com os valores internos e externos de um ego, que o encanta e seduz por seus ritos, oferendas, histórias, cantos e mitologia. A riqueza de Umbanda atravessou os milênios, deixou-os para trás sob as cortinas imemoriais trespassadas tão somente pelos grandes magos e mestres que primordialmente a introduziram nos espaços de nosso planeta.

A Umbanda na sua essência é a pura magia dos mundos superiores, o encantamento divino - o verbo. A fixação de suas forças cabalísticas nos terreiros vem diretamente com a lei da pemba através dos pontos riscados. A ligação subjetiva com as forças naturais acontece pelas oferendas limpas e puras. E a incorporação dessas forças é pelo transe mediúnico. As correntes mentais e os pontos cantados fazem atracar em torno do campo de energia sustentado, cada uma de suas sete forças astrais para interagir com as necessidades dos trabalhos. Esses são alguns dos principais aspectos das atividades de Umbanda.

Mesmo que sua história demonstrasse a necessidade de a Umbanda precisar usar outras vestes desde Atlântida, segundo as culturas dos povos, e vir oferecer-se ao mundo com alguns sincretismos introduzidos de outros segmentos de magias, a Umbanda manteve-se sempre incólume nos seus lídimos princípios em pináculos espirituais. E esses princípios coesos, harmoniosos e superiores nem sempre puderam se manifestar na Terra como deveriam. A Umbanda é Umbanda e nada mais. Nenhuma outra incorporação de mitos, práticas, sacrifícios e revelações humanas que acabam por produzir práticas mistas cognominadas de Umbanda, é a verdadeira Umbanda.

Houve e há belas práticas de magias nos legítimos candomblés, e muitos trazem nas suas histórias, justamente, capítulos do passado atlante, onde cultos foram conservados nos atavismos africanos. Entretanto, ainda assim nunca foram Umbanda e nem deram origem a Umbanda como é hoje declarado, mas trabalhando duramente a fim de manter suas belas tradições em tempos de escravidão, prepararam o caminho para o renascimento histórico e humano de Umbanda em solos brasileiros.

É chegada a hora de a Umbanda novamente agir na Terra como nunca. Os raios de uma Nova Era já despertam a manhã dos novos tempos. Os Mestres do Saber acordam a humanidade para a ativação das energias de Umbanda em seus corações, mentes e corpos astrais. Os segredos de Umbanda, tão zelosamente guardados por tantos selos da magia branca, virão a ser novamente abertos um a um para a humanidade desperta que a praticará com toda a naturalidade e amor sob o signo da irmandade em Deus. Algumas revelações já começam a descer dos páramos superiores a se oferecerem para os eleitos e ativos neste interlúdio planetário.

Tive a oportunidade de conviver com a Umbanda. A caminhada não podia ser somente gloriosa, cheia de flores, romantismo e poesia. Embora isso felizmente também exista, jamais alguém se engane sobre esses momentos de oásis e nunca duvide que os caminhos iniciáticos na Umbanda ou no ocultismo em geral sejam difíceis, cheios de percalços, decepções e traições.

Amigo, se você um dia desejar ser umbandista e honestamente não procurar trabalhar as imperfeições mais daninhas de sua personalidade e não buscar na Umbanda os caminhos internos, você jamais a entenderá e nela, em verdade, pouco terá avançado. Não sendo assim, a Umbanda que terá diante de si será unicamente vista e sentida pelos reflexos de um espelho e nunca pelos raios que incidem nesse espelho.
Rayom Ra

[ Os textos do Arca de Ouro, de autoria de Rayom Ra, podem ser reproduzidos parcial ou totalmente, desde que citada a origem ]