I
Andava eu à margem do rio,
Sob a manhã colorida,
Onde o sol dava mais vida,
Ao mundo então que existia!
Suas águas que desciam,
Viajando sobre um leito,
Causavam quão belo efeito,
Em minh'alma que as ouvia!
II
Respirava o ar perfumado,
Que por tudo se exalava,
E o viço então despertava,
Novamente uma euforia!
Voltavam pois as imagens,
Dos dias de minha infância,
Parecendo sem distância,
Quando alegre eu aqui corria!
III
E seguindo nova trilha,
Prossegui neste caminho,
Onde nele aqui sozinho,
Triunfante me sentia!
Logo então me deparava,
Com um largo campo e belo,
Onde um verde tão singelo,
Mais amante me fazia!
IV
Não resistindo sentei-me,
À sombra de uma bela árvore,
Sob as nuvens como o mármore,
Que no céu as via e revia!
Então em leve sono eu cai,
E um sonho a mim mostrava,
O que se configurava,
Daquilo que eu não antevia!
V
Fora um homem que chegara,
E bem mais se aproximando,
Já de pronto foi tratando,
Do que desejou falar!
E eu dele ouvir consentia,
Sem ao menos entender,
Daquele seu proceder,
Que não o deixava calar!
VI
Tão fugaz quanto real,
Fora aquela aparição,
Que com tal inquirição,
A mim deixara a pensar!
Estranho enfim me sentia,
Com aquele acontecido,
Talvez até estarrecido,
Pus-me logo a analisar!
VII
Não chegara à conclusão,
Mesmo assim algo ficara,
De palavras que passara,
Pela mensagem a mim!
E o trajeto retomei,
Outra vez a caminhar,
Novamente a palmilhar,
Àquele lugar enfim!
VIII
Sem demora então avistei,
Local que eu nunca estivera,
Nem jamais antes soubera,
Aquela forma ele ter!
Qual uma diminuta ilha,
O seu espaço este seria,
Que tão pouco poderia,
A uma floresta conter!
IX
Ao pisar ali ao formato,
Andava como em recanto,
Ouvindo ao longe do canto,
Que fora de um sabiá!
Porém um tanto excitado,
Prestava alguma atenção,
Ao bater do coração,
Como a subir na indaiá!
X
Mais perto eu logo avistei,
Uma bem velha choupana,
Que era também a cabana,
De quem ali se albergava!
Com cuidados fui chegando,
E não querendo assustar,
Chamei para alguém escutar,
Do local que eu me postava!
XI
Uma voz então eu ouvi,
A dizer-me que chegasse,
Que também logo adentrasse,
E com efeito adentrei!
Na escura sala eu pisava,
Onde simples mesa eu via,
Lampião que mal ardia,
E cadeiras encontrei!
XII
E logo alguém assomou,
Que de repente chegava,
E já bem perto informava,
Estando a mim aguardar!
Qual surpresa invadiu-me,
Quando assim ele falou,
No meu ser algo calou,
E um temor veio ficar!
XIII
E de novo eu me sentia,
Tal como estar de repente,
Dividido em minha mente,
Sem eu poder dominar!
O mesmo ser era aquele,
Que no sonho me abordara,
E comigo ele falara,
Buscando comunicar!
XIV
Bem parado eu ali fiquei,
Comandado como presa,
Junto àquela mesma mesa,
Sem ao menos me mover!
Sentia-me sem valor,
Diante daquele estranho,
Com este poder tamanho,
Que a nada mais podia eu ver!
XV
Finalmente comandou-me,
Para que eu me desligasse,
E outra vez me coligasse,
Com o momento presente!
Esquisito eu me sentia,
De novo ressabiado,
Ou mais que isso espantado,
Mesmo assim quis ir em frente!
XVI
Revelou-me então de pronto,
Para que logo eu soubesse,
E na mente assim trouxesse,
Que a vida é somente instante!
E a ela de novo a ganhamos,
Como se um livro assim fosse,
Mas por nossa inteira posse,
A colocamos na estante!
XVII
Sob outras lições parti,
Para de novo eu voltar,
E novamente escutar,
Sábias palavras de vida!
E viajante ao caminho,
Àquele lugar voltei,
Mas nada além encontrei,
Como a uma joia perdida!
Por Rayom Ra
Direitos Reservados.
Rio, 20/04/2026
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