quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Processo Evolutivo

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  Para o estudante do esoterismo a linguagem empregada nas narrativas bíblicas pende propositalmente para os simbolismos. Nomes, lugares e eventos induzem a outras conotações interpretativas, ao contrário da literalmente entendida pelos religiosos e leigos.

  O Velho Testamento apresenta maior dificuldade de aceitação histórica do que o Novo Testamento. A suspeitosa cronologia atribuída às suas narrativas não permitiu até agora reunir elementos concretos para a remontagem de uma linha sequencial crível. Além da inexistência de provas cabais do que é narrado, há muitos hiatos entre determinados acontecimentos e um sem número de aparentes incongruências. Nem dos personagens se tem documentos lídimos e comprobatórios. Praticamente todos os personagens citados no Pentateuco se tornaram elementos sem perspectivas de provas, restando tão somente o reconhecimento pela fé religiosa. Do mesmo modo, conforme vimos, muitos locais, regiões e cidades não batem nas suas localizações com as recentes comprovações alinhadas pelas descobertas arqueológicas.

  Situação diferente vamos encontrar nas páginas do Novo Testamento que já apresentam possibilidades mais reais e concretas de aceitação devido a proximidade de seus eventos com a organização da história recente. Nesse caso, foi possível reunir amostras de provas do curso dos acontecimentos e assim oferecer maior credibilidade. Ainda assim, Jesus não teria existido para a história oficial num prolongamento de eventos perfeitamente comprobatórios. Restam ainda dúvidas de sua existência, exceto por conta de um pronunciamento do historiador Flavius Josephus do século I ao referir-se, entre os anos 38 e 39, a certo profeta de Nazaré numa carta dirigida a Tiberius pelo senador romano Publius Lentulus, que teria vivido na Galiléia no tempo de Jesus, descrevendo-o fisicamente e ressaltando sua alta moralidade.

  Tanto a existência da pessoa Publius Lentulus como a autenticidade de sua carta foram negadas ao longo da história, mas não de forma totalmente convincente. Da mesma maneira, a declaração de Flavius Josephus é ainda hoje alvo de suspeições, críticas e interpretações, por existir em todas as épocas motivações políticas ou interesses de outra natureza. Para o religioso, contudo, Jesus foi incontestavelmente verdadeiro e quem duvidar desta afirmativa comete apostasia.

  Já o esotérico vive num mundo inúmeras vezes aparte das assertivas da história oficial e dissociado de uma visão literal-retilínea das religiões mais populares. E embora distante da objetiva realidade cientifico-acadêmica, as bases do pensamento esotérico emergem tanto de fontes materiais palpáveis como associadas às revelações de outros naipes. As escolas tradicionais dos ensinamentos ocultos, com suas obras escritas ao alcance de todos os estudantes sérios, auxiliam-nos a edificar um pensamento sobre bases diferentes do oficializado pelas instituições do mundo contemporâneo. Há no esoterismo outra realidade não ensinada pelo didatismo da história moderna e ciência oficial quando abordam temas como o nascimento do universo, a construção do sistema solar, o surgimento do planeta Terra, e a criação da humanidade e sua endógene. A sabedoria esotérica vem sendo mantida desde tempos imemoriais, em livros de especiais feituras isentos dos efeitos do tempo e intempéries, em pergaminhos criteriosamente reescritos, na tradição oral ou em registros etéricos acima do espaço físico material. O estudante das ciências ocultas pode ter acesso gradativo a estas fontes fidedignas segundo seus avanços mentais e espirituais.

  Ao contrário das religiões o esoterismo não é para todos. A prova está no cuidado e resguardo de suas revelações. Há ainda muitos níveis mentais e espirituais a serem cumpridos pela maior parte da humanidade, motivo pelo qual muitas revelações se encontram preservadas pelos mestres do esoterismo. Há luzes superiores não alcançadas pela ciência material apesar de todos os seus avanços nos campos da astronáutica, astrofísica, cibernética, dimensões quânticas, eletrônica etc., luzes essas que somente abrem-se ao esotérico convicto. Não é condição sine qua non possuir diplomação universitária ou grande aptidão intelectual para se tornar esotérico competente e aprofundado. Numa visão panorâmica adstrita aos valores mais integradores do homem com seu íntimo, as qualificações acadêmicas somente valerão a qualquer estudante ou cientista se, verdadeiramente, houver nele a lealdade com seu espírito, e isso requer uma visão cosmológica bem mais profunda da realidade da vida do que aquela manipulada pelos homens de ciência.

  E também destaque-se que um praticante de magia ou um teórico em assuntos do esoterismo não seja na verdadeira acepção e significado do termo, um iniciado. Para tanto, o estudante necessita antes de tudo domar seu ego, sublimar seus instintos e avançar interiormente até conseguir manobrar com energias e forças íntimas incomuns. A espiritualização da personalidade é essencial para o desenvolvimento de faculdades que o conduzam conscientemente a estágios mentais cada vez mais elevados, mas nem por isso isentos de perigos.

  Não raro o estudante se complica e se atrasa na caminhada evolutiva justamente por não desejar obedecer às orientações disciplinadoras de seus superiores do mundo espiritual. Por conta das desobediências, desatenções, ambições pessoais, orgulho e imaturidade abrem-se janelas no íntimo do praticante mal formado, e ele recebe energias e projeções astrais e mentais prejudiciais a sua integridade, não conseguindo absorvê-las, sublimá-las ou rechaçá-las. Comumente, engolfado por essas invasões, tal estudante decresce em sua frequência vibratória e assim cai por terra.

  O esotérico que avança em determinados estágios e situações de sua vida interior não é ainda e necessariamente um intelectual, mas sim um seguidor das lições que as aprende duramente, passo a passo, pela experienciação. Com o tempo poderá despertar a intelectualidade e até falar ou discursar sabiamente. Há muitos exemplos no mundo de homens e mulheres que mais tarde atingiram status mental superior às suas iniciais categorias de pessoas comuns.

  Já o  intelectual do mundo, por mais brilhante ou altiloquente que possa revelar-se, conforme citamos, não entenderá jamais o esoterismo e nem a espiritualidade como de fato devam ser praticados. A menos que deixe a vaidade e o orgulho intelectual de lado e aceite a humildade perante o espírito. O intelecto desenvolvido e somente polarizador de valores mentais – portanto relativos – é o grande empecilho e o principal responsável por afastar o homem de sua natureza espiritual jogando-o ao ateísmo impronunciado, travestido de conhecimentos sólidos. Não é pelo fato de se ter tornado intelectual que o homem terá aprendido a dominar o orgulho, a vaidade, a avareza, o egoísmo, o racismo, as taras, a crueldade e demais defeitos da personalidade. E nem a anexar as forças que o embalam para cima e para o mundo dos homens cegos pela materialidade. Pois, não sendo uma luz verdadeira a mostrar o seu generoso brilho polarizador e espiritual, será mais um envolto pelo caos da terra. Assim, ao contrário do desejável, é justamente pelo fator intelectivo mais desenvolvido e irresponsavelmente aplicado que virá intensificar ainda mais os elementos negativos e ultrajantes para a alma.

 Tão pouco o religioso dedicado às liturgias será um realizado se não trabalhar duramente a espiritualidade. O grande erro das religiões é passar em seus dogmas a ideia de que unicamente as práticas religiosas conduzirão à salvação. Não há paraíso e nem inferno fora de nós. Criamos em nosso íntimo o próprio destino. As dimensões fora desse mundo em que hoje vivemos, onde almas de semelhantes inclinações se encontrarão após o desenlace de seus corpos físicos, representam os prolongamentos de suas consciências no espaço-tempo.

 Práticas religiosas são meramente credos; qualquer pessoa pode exercê-las mecânica e organizadamente ou com perfeita técnica, no entanto não cumprindo de fato os preceitos e mandamentos morais no cotidiano pouco  terá de fato realizado. A ortodoxia pode também conduzir ao engessamento do racional e do caritativo, quando normas e disciplinas são impostas com tal energia e firmeza que não permitam aberturas para reflexões. Neste tipo de interpretação e aplicação do “espírito da letra”, coração e mente são tiranizados, portanto a própria alma, deixando assim que o pensamento religioso concreto se materialize duramente sobre a razão e consciência da espiritualidade. Esse é um dos principais e nefastos fatores conducentes ao fanatismo e às ideias religiosas obsessivas.

  Grandes homens que falaram e obraram em nome de Deus estavam libertos da ortodoxia religiosa. Fizeram-se senhores de si mesmos por terem transcendido normas aprisionantes e dogmatismos, e ao iluminarem-se deixaram definitivamente as discrepâncias e preconceitos para trás. Alguns realizaram voluntariamente disciplinas religiosas, mas para seus objetivos maiores de libertação comprovaram a sua total inutilidade e as largaram, partindo para insólitos desafios. E por terem emergido livres e conscientemente para a liberdade – unicamente por isto – não escaparam à condenação da estreiteza sacerdotal e nem dos manietadores dogmáticos. Assim se passou com Manes, Francisco de Assis, Buda, Jesus e outros luminares.

  As religiões não são absolutamente o caminho reto para a verdadeira vida. As salvações estão justamente acima das religiões, pois as estruturas e edificações religiosas tiveram a mão e o cérebro limitados do homem. Portanto, somente conduzem até onde o entendimento do homem alcança. As religiões são sustentáculos de energias que se ancoram de maneira tecnicamente possível, atraídas por fórmulas recitativas, rituais, pregações ou práticas que necessitam estar todos os dias ativados. Essas energias em movimento se dão e se recebem através das mentes de seus praticantes, e cada religioso se torna responsável pelo teor-qualidade externado por sua religião.

  As religiões abrigaram através dos séculos e milênios justamente estágios necessariamente estipulados para a humanidade, que foram aos poucos desenvolvidos e aplicados a nações e grupos raciais idiossincráticos. E essas multidões foram e são nutridas por campos vibratórios de energias especialmente qualificadas. Assim foi possível manobrar um aumento da capacidade de absorção e retenção das energias a cada um dos praticantes. Por aparente paradoxo, essa ideia, para melhor entendimento e aceitação, precisou ser trabalhada em níveis acima do entendimento comum. As tradições religiosas foram e ainda são fases ou faces de um todo, cuja perspectiva real desse todo, incabível no pensamento humano primário, é mais ampla e completa do que supuseram até mesmo sacerdotes e mentores responsáveis, uns por tocar as religiões adiante e outros por mantê-las vivas e ativas.

  A humanidade evolui em ciclos e espirais cíclicas. As religiões, por si sós, não conseguem entender o que seja a verdadeira marcha evolutiva humana por se ocupar de um só momento sobre a esteira de revelações mensuradas para efeitos definidos. Há religiões que nasceram de crenças e práticas primitivas. Não foram e nem são religiões organizadas para uma finalidade produtiva dentro de um organograma mundial. Por isso, muitas não sobreviveram e outras se tornaram arremedos de culturas em vias de extinção, e cujos resquícios de memória teriam permanecido no atavismo de grupamentos étnicos. As primitivas religiões de adoração ao Sol, à Lua, ao vento, fogo, água, terra, céu, estrelas e aos fenômenos gerais da natureza, estão nesse enquadramento de uma minoria, veiculadas a raízes mais profundas e distantes.

  Houve um tempo do existir uma religião natural e espontânea, embora orientada nos seus fundamentos básicos segundo as leis da natureza. Mas o ciclo dessa devoção terminaria quando os primeiros ramos raciais deixaram o estágio infantil e mergulharam noutra fase do conhecimento. Esse novo ciclo, contudo, traria conflitos que até hoje se procuram solucionar para a grande massa humana.  As limitações das religiões e o mau emprego das interpretações doutrinárias estão longe ainda de conduzir o homem a uma síntese universal com seu Criador.  Por outro lado, os avanços da ciência concreta iludem e seduzem milhões a uma realidade unicamente material.

  Embora o vocábulo religião advenha do latim “religiõ” ou “religo”, ou seja, significando mais amplamente ligar de novo o homem a sua divina origem, essa origem para milhões ainda não foi sequer vislumbrada e nem demonstrada convincentemente por qualquer das religiões não esotéricas. O que se observou do passado foram evoluções parciais da consciência humana relativas às manifestações e disciplinas da personalidade. Sabem os esotéricos da formação sétupla das unidades de consciência em estágios evolutivos na Terra. Unidades de consciência somos nós e o processo do aprendizado torna necessário adquirirmos o conhecimento de sermos possuidores de outros veículos além de um corpo sólido material.

  Em resumo: o ser em evolução é uma unidade de consciência denominada também de espírito, possuidora de uma alma bem mais complexa do que é ensinado nas religiões. Manifesta-se na Terra, por um conjunto de veículos chamado na sua integral contextura de personalidade. Portanto, a tríplice edificação espírito-alma-personalidade, estrutura cada unidade de consciência inserida num plano evolutivo. O grande objetivo, a verdadeira meta, a realização transcendental em nossa vida planetária, num primeiro e grande estágio, é elevarmos de tal forma a totalidade de nossa consciência a fim de que possamos exercer a triplicidade desta estrutura pelo conhecimento e sabedoria de algumas leis superiores. E até onde sabemos, esse sistema solar nos deterá somente por um determinado tempo, sendo necessário mais adiante, no curso dessa evolução, nos ancorarmos noutro sistema solar, talvez até de outra galáxia, para ulteriores aprendizados.

  Esse pensamento, entretanto, precisa transcender a concepção da existência de vida inteligente unicamente no espaço físico onde movemos nossos corpos biológicos. A dimensão física do sistema solar é concretamente circunscrita por uma quantidade de matéria apropriada pelo Criador para esse tipo de manifestação. Elevando a consciência sobre essa visão a humanidade pode considerar verdadeiras outras dimensões formadas de matéria mais sutil, porém tão real e tangível naquelas dimensões quanto é tangível a matéria do mundo físico, onde, para a maioria, os sentidos aqui estão subjugados. E uma vez entendida essa realidade, e em se trabalhando conscientemente essa idéia, acaba-se por despertar a intuição plena destacada do instinto intelectual, e a visão mental de outras dimensões.

Capítulo IX do Livro "O Monoteísmo Bíblico e os Deuses da Criação", por Rayom Ra disponível para leitura em [Rayom Ra (Rayom_Ra) on Scribd | Scribd].

  Texto revisto, modificado e reeditado em 05/10/2016.

                                                                            Rayom Ra
                                                 http://arcadeouro.blogspot.com.br

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