segunda-feira, 4 de julho de 2011

O Sol Negro

       “Os adeptos do culto solar sempre tiveram em vista um segundo Sol, este místico, que os magos e os alquimistas tornaram conhecido sob o nome do “Sol Negro”. Para os filhos do Sol, na verdade, estava reservado aos planetas uma evolução posterior. A Terra, como outros planetas, se transformaria em Sol quando o seu desenvolvimento terminasse. Esse novo Sol explodiria, por sua vez, quando atingisse o máximo de intensidade, e assim continuaria sempre. Ao termo desta análise, perceberemos como poderia nascer um novo zodíaco, uma nova matriz para nosso sistema solar.

       Mas no plano humano, os seres insuficientemente evoluídos ficariam prisioneiros do Sol e não se beneficiariam dessa nova transferência. Podemos assim ressaltar a profunda discriminação estabelecida por essa grandiosa cosmogênese.

       O Sol visível, para os antigos, não era o centro e o pai dos outros planetas: era apenas uma emanação do Sol Central, o famoso “Sol Negro”. Somente este último era a fonte invisível e espiritual da mecânica celeste: uma verdadeira “central de energia”, de espiritualidade “condensada”, de onde emanavam as almas e para onde finalmente retornavam.  Este disco luminoso, espécie de negativo de nosso Sol visível, foi “recuperado” pelos magos e alquimistas que o fizeram emanação do Logos Divino, queimando nossa alma para a eternidade. Seu aparecimento é suportável somente para os “iniciados”; os conquistadores, como Cambise, rei da Pérsia, que o desejaram ver face a face, tornaram-se loucos e perderam-se nas areias do deserto. Somente é concebível uma iluminação semelhante, a que um Zoroastro, um Akhenaton ou um Juliano receberam.

       Frederico II de Hohenstaufen, na qualidade de adepto da alquimia e da astrologia, invocou também o “Sol Negro”, como Hitler o faria mais tarde para sua maior desgraça e a dos povos conservados na ignorância dessa diligência.

       A arte real ou alquimia ensina efetivamente a transmutação do chumbo em prata e em ouro, mas essa transformação que modifica a estrutura atômica da matéria, não se pode fazer como uma vulgar “receita de cozinha”. O alquimista, que não deve ser confundido com seu imitador, o “fazedor de ouro” ou “soprador”, ao mesmo tempo em que purifica a matéria no seu forno ou “athanor”, deve passar também pelo mesmo estado, o que significa que sua alma, à imagem da criação deve levar-se na direção de um princípio superior que se confunde com a essência divina. Somente a esse preço ele chegará à “grande obra”, isto é, à iluminação pelo conhecimento. Todo o simbolismo alquímico é assim penetrado pela cosmogonia solar: o Athanor ou formo mágico é figurado como o “ovo filosofal”, verdadeira matriz em miniatura da imagem gigante do Cosmos.

       A pequena obra que também tem o nome de Ergon, termina na fabricação da prata, e o seu símbolo planetário é a Lua. A grande obra, ou a obtenção de ouro, é o Parergon, ou a “obra perfeita”, que se identifica com o Sol. Quanto à pedra filosofal que dá o “pó de projeção”, cujo contato transforma os metais em ouro, é tradicionalmente vermelha e sua alegoria é o Leão, signo do Zodíaco situado no Zênite, e cuja morada se encontra no Sol. A posse do Parergon implica o conhecimento do “Sol Negro”, que é o princípio oculto da energia do Logos. Todos os que pretendem ser adeptos e que não puderam atingir esse estado de sublimação do corpo são vulgares impostores.

       Existe um meio de atingir diretamente o “Sol Negro”, mas esta é uma via terrivelmente perigosa, pois há o risco de fulminar quem, apesar de tudo, a utilizar. Só os adeptos ou “Irmãos de Heliópolis”, detentores dos segredos legados à Rosa+Cruz pelo faraó Akhenaton, seriam segundo a tradição alquímica, capazes de se servirem dessa “via perigosa”.

       Isso coloca o grave problema da iniciação de Hitler. Se o Führer tomou por símbolo de reunião o estandarte com a Cruz Gamada negra sobre um círculo branco cerrado de vermelho, pensaremos que foi por acaso, quando justamente estas três cores simbólicas são as três fases da preparação da “grande obra”? A “obra em negro” corresponde à putrefação da matéria que se deve decompor antes de renascer; a “obra em branco” é a obtenção da prata, enquanto que a “obra em vermelho” é a etapa suprema que permite obter a “pedra dos filósofos”.

       Já sublinhamos – num trabalho precedente – os laços que ligam Hitler à corrente esotérica pela filiação Gnose-Catarismo-Templarismo. Novas perspectivas abrem-se desde então ao pesquisador. A esmeralda verde, o Graal, caído da fronte de Lúcifer, foi “ocultada” por Hitler cujo nome decomposto em número corresponde ao Número do arcanjo “portador de luz” (Lúcifer), derrubado por Deus e condenado às trevas?

       É aí então que começa a magia negra.

       Voltemo-nos, pois, do lado da luz resplandescente que não nos pode enganar, pois foi dito: “Enfim, ela (a pedra filosofal) purifica e ilumina tanto o corpo e a alma que aquele que a possui vê como num espelho todos os movimentos celestes das constelações e as influências dos astros, sem olhar sequer para o firmamento, com as janelas fechadas, no seu quarto”...

       Por mais longe que busquemos é em nós mesmos que se encontra o Sol do espírito. Este livro tem outra finalidade que a de fazer compreender esta verdade. Cada homem é, em si mesmo, um sol que busca desesperadamente encontrar a Grande Luz da vida e da morte”.
  
                                    [Os Filhos Místicos do Sol – Jean-Michel Angebert]

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       Excelente o texto.

       Muito embora os estudantes do ocultismo busquem despistar sobre as alegorias e simbolismos incorporados nas lendas da alquimia, é mais do que verdade, senão a realidade inequívoca, de que certo número deles conseguiu converter em ouro outra matéria ou metal grosseiro, embora usando do próprio ouro. A química deve o princípio de seu conhecimento aos alquimistas, por suas pesquisas da matéria e dos elementos naturais, e a astrologia deteve da mesma alquimia algum lastro de seu conhecimento oculto acerca do que representam ou veiculam os planetas em relação aos elementos e metais. Para se chegar ao desiderato da fabricação do ouro era necessária a sublimação de alguns obstáculos da própria personalidade em favor do espírito, o que Hitler não conseguiu, pois mergulhara nas artes negras. O alquimista verdadeiro era um iniciado branco, e como tal reconhecia a legitimidade de outro alquimista.

       Um iniciado reconhece outro iniciado, como percebe estar diante de um farsante, pseudo ou praticante da magia negra. Pois os grandes iniciados do passado estabeleceram suas filosofias partindo de experienciações práticas em suas próprias vidas, tendo antes recebido as iniciações das mãos de hierofantes e sacerdotes credenciados pela sabedoria oculta de que eram legítimos representantes. E essa norma ainda é a verdadeira, uma vez que somente os práticos do ocultismo e da espiritualidade alcançam o cerne dos ensinamentos. Esses, com almas vibrantes de obreiros, com mãos calejadas pelas obras realizadas e mentes fechadas ao que pregam os descrentes ou ineficazes diletantes, por reais méritos penetram os templos internos da sabedoria e recebem revelações que por si mesmas se bastam.

       A alquimia veio de mais distante ainda do que supõem os arquivos comuns de historiadores. Foi igual verdade que Akhenaton já a conhecia, como sabia do Sol Físico, do Sol Negro Central, e do Sol Espiritual, pois era um iniciado. O Sol na sua expressão tríplice é o pai de todos os elementos, como a natureza é a Mãe. Sabe-se que os egípcios, ao tempo do Rei-Sol, possuíam laboratórios ocultos onde realizavam suas experiências e desenvolviam cada vez mais o conhecimento do cosmos. E como aponta a nova arqueologia pelas provas encontradas nas escavações e inscrições murais do antigo Egito, muito da sabedoria oculta da terra dos Faraós veio trazida pelos visitantes das estrelas.

      
Rayom Ra
                                                             
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8 comentários:

  1. ual!!demorou 20 minutos para terminar de ler o texto mais,valeu a pena.

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  2. Muito bom, obrigado, foi muito importante ler o texto. Eu queria perguntar, se o desenho q representa o Sol Negro é o mesmo do q do nazismo ? Obrigado de novo, meus parabéns !

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  3. Talvez, André, provavelmente estará embutido na filosofia nazista, mas não claramente. O sol negro, segundo alquimistas, está ligado mais diretamente a considerações mágicas. Já esotéricos acham que o sol negro existe porque nosso universo, incluindo nosso sol físico, são plasmações de uma matriz, hoje genericamente chamada matrix. São estas, portanto, considerações cosmológicas. Ou seja, neste pensamento nosso universo solar é uma projeção de outro universo matriz. E o éter, de onde toda a matéria se origina, é negro. Mas essa discussão vai longe...

    A cruz gamada da segunda guerra, Hitler a tomou emprestada dos tibetanos, e tinha como orientadores, nesta de escolha, os budistas adeptos da magia negra que o instruíram e a toda cúpula nazista. Os nazistas faziam questão de demonstrar que sua ideologia era da esquerda, negativa e destrutiva.

    No entanto, a suástica é milenar, e na filosofia oriental age duplamente, girando negativamente ou positivamente. Ao girar para a esquerda ela é chamada sinistrógira, que foi a configuração adotada pelos nazistas. Ao girar para a direita ela é chamada dextrogira.

    No Tibet, entretanto, de modo geral, o uso desta cruz independe de esquerda ou direita, de bem ou mal, porque os movimentos do mundo são sempre em pares de opostos segundo as polaridades. E a cruz para os budistas da linha branca é sagrada de ambos os modos.

    No ocidente, esta cruz foi demonizada pelos judeus devido às perseguições e assassinatos em massa que sofreram na segunda guerra mundial, e tornou-se um signo ou símbolo antissemita. Mas nas suas origens a cruz tibetana é sagrada.

    Abraços,
    Rayom Ra

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    1. Fabulosa sua resposta amigo, eu já tinha uma idéia da matrix, e acho q a cor escura do universo é justamente a irradiação do sol negro. E para mim isso é feminino, como a escuridão de um ventre, mas com muitos paramédicos cuidando da nossa MATRIX mas está sendo um parto complicado. Obridado irmão, tem muita gente boa auxiliando o planeta terra, ajudando os peregrinos do caminho, me add, no face, irmão, gostaria de conhecer sua idéias. Sua explicação foi muito elegante, não repara meu texto. https://www.facebook.com/andre.pernalonga.3?ref=tn_tnmn

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  4. Não achei mais muita coisa sobre o Sol Negro. Vc poderia me indicar ? Muito obrigado !

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  5. Não achei mais muita coisa sobre o Sol Negro. Vc poderia me indicar ? Muito obrigado !

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  6. Boa tarde rayon muito boa sua explicação,eu queria saber quais os benefícios que os tibetanos tinham usando a suástica para a direita?

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    1. Olá Thiago,
      .
      O que sabemos aqui no ocidente, é que a suástica é venerada pelos orientais indiferentemente de esquerda ou direita. Talvez, filosoficamente, imaginamos, que o seu simbólico movimento indicativo de esquerda e o seu de direita, ao fazerem girar as cruzes, cada uma num sentido oposto, levarão a um determinado ponto imaginário do mundo finito, a se posicionarem em simetrias opostas,demonstrando com isso ser possível o perfeito equilíbrio da dualidade. E se há esse perfeito equilíbrio da dualidade, então existirá uma unidade finita perfeita.
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      Assim, tanto esquerda quanto direita, revelariam a roda do tempo. Porém, na intenção de bem ou mal, o ocidente entende que a esquerda representa uma tendência e a direita a outra.
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      Abraços, amigo,
      Rayom Ra

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