domingo, 27 de abril de 2014

Energia, Matéria e Consciência (I)

                                                      
                                                    Começando Aqui e Agora
      

                        Transcrição da Palestra Introdutória de Um Instrutor Gnóstico

  A tradição Gnóstica encontra-se firmemente enraizada nas mais antigas formas do conhecimento apresentado para a humanidade através de eras. É um conhecimento que é uniforme. Ou seja, a Gnose estuda todos os aspectos da vida e vivência. Nós não repartimos nossas abordagens perante a vida, da maneira como os sistemas da moderna educação tendem a fazer. Na Gnose, estudamos, simultaneamente, os quatro grandes pilares do conhecimento: a arte, a ciência, a religião e a filosofia.

  Estes quatro pilares sustentam o templo da sabedoria e nos permitem o entendimento compreensivo de nosso lugar no universo e de nosso lugar em relação a Deus: o que significa viver.

  As mais recentes tradições seguidas pela humanidade – tais como, a tradição que se auto proclamou “religião”, ou aquela que se auto proclamou “ciência” – provaram-se por si mesmas muito limitadas em suas capacidades de nos oferecer respostas consistentes a “por que temos vida” e a outras inquietantes questões. Aqueles que por vontade própria se dedicaram a seguir uma única linha do conhecimento enquanto excluíam outras, viram-se, inevitavelmente, com lacunas em áreas críticas do entendimento sobre a vida.
                                         
  Os que se dedicaram à religião e excluíram a ciência, a arte e a filosofia restringiram o seu pessoal alicerçamento sobre a totalidade da vida e o que a vida significa. Do mesmo modo, os que seguiram os caminhos da ciência, rejeitando a religião, fizeram a escolha de limitarem o seu entendimento. Na tradição Gnóstica estudamos os quatro pilares. Neste acercamento podemos assim penetrar os mistérios interiores e exteriores de nós mesmos.

  É muito importante ter em mente esses quatro aspectos, uma vez que todos nós temos limitações em nossos conhecimentos. Viemos de diferentes experiências, tradições, países e culturas em que coisas destes naipes não receberam maiores atenções. Possamos ter tido alguma educação sobre ciência, mas não sobre religião; alternativamente, possamos ter grande soma de conhecimento sobre religião, mas não sobre ciência. Possamos saber muito sobre arte, mas nada de ciência ou filosofia. Isto precisa ser esclarecido no sentido de que venhamos compreender o que seja realmente Gnose.

  Gnose não é qualquer coisa encontrada num livro, escola ou em palestra. A Gnose Real está em seu coração; é alguma coisa que emerge de seu auto-conhecimento.  Isto é o postulado básico das abordagens Gnósticas, a ideia fundamental; todo o conhecimento que existe na totalidade do universo também existe dentro de nós. Eis porque o Oráculo de Delphos proclamava: “Gnōthi seautón”, ou em latim: “Homo, nosce te ipsum”. O que geralmente se traduz como: “Homem, conhece-te a ti mesmo, então conhecerás o universo e os deuses!”

  Tudo e cada nível da existência na natureza está dentro de nós, refletido como num espelho. Nosso corpo físico reflete todas as leis e estruturas do cosmos. Nosso corpo físico é um microcosmo – noutras palavras, um espelho – que reflete todas as leis existentes além de nós. Estudando a nós mesmos estamos também estudando a natureza. Eis porque Gnose é uma ciência e não uma crença. Como ciência buscamos na Gnose o experimento, a experiência, comprovar por nós mesmos – saber! É isto realmente o que significa Gnose. Obter conhecimento, saber não só mental ou intelectualmente, não como crença, como hábito, por algum comportamento que adotamos, mas por termos experimentado, termos visto, conhecido, verificado. Isto é Gnose!

  Seu método de verificação, do conhecimento, é também algo distinto e diferente daquilo que possamos ter aprendido em nossas vivências escolares ou em igrejas. O método Gnóstico do conhecimento não é o mesmo método através de conceitos, ideias, teorias, ou crenças; ao invés disto é algo cognitivo, consciente.

  Como exemplo, todos nós podemos tirar um momento para estarmos conscientes do corpo físico. Podemos alcançá-lo com nossa consciência, senti-lo, faze-lo estabilizado e estarmos presente em seu interior. Esta é uma experiência da Gnose. Isto é tornar-se cognitivo, ver, verificar, saber no momento presente. Isto não é um exercício intelectual. É um exercício de atenção. Nesse caminho você vê, conhece e experimenta. “Sim, eu vejo, eu experimento, eu sinto; eu tenho a experiência do que é estar num corpo.” Isto é Gnose. Esta é somente uma semente; é unicamente uma pequena amostra do que a consciência pode experimentar.

  Este corpo é uma máquina maravilhosa, uma máquina com enorme soma de energia, com muitos tipos de grandes complexidades e grandes poderes; energia que pode influenciar tanto os mundos internos quanto os externos, energia da qual ignoramos. Nós todos podemos concordar: “Sim, eu experimento o pensamento” e “sim, eu experimentei o que chamamos emoções” e “sim, eu experimentei o que chamamos sensações”, no entanto, ao acontecerem, quantos de nós podemos discriminá-los e corretamente identificá-los, em sendo exatamente o que são? Quantos de nós podemos discernir claramente entre uma emoção negativa e uma emoção positiva? Quantos de nós podemos controlar um pensamento? Ou seja, vocês podem estancar o pensamento? Vocês podem concentrar o pensamento num único objeto, durante o tempo que desejarem?

  Ver meramente a energia, experimentá-la, senti-la, saber que a energia está lá é uma coisa, porém controlá-la é outra coisa. Então, podemos dizer, “sim, eu tenho um corpo físico,” e “sim, eu tenho certo grau de controle sobre ele”, mas quase todos nós – honestamente – teríamos de concordar que nosso controle é muito limitado. Não podemos controlar a dor, a doença, a fome, a sede. Não podemos controlar muitos dos processos que ocorrem continuamente no interior de nossos corpos, tais como, digestão, respiração, batimento cardíaco, metabolismo, fluxo sanguíneo, o sistema endócrino. Todos estes processos ocorrem constantemente em nossos corpos, e ainda assim dependemos desta máquina para nos mantermos vivos e experimentarmos tudo o que conseguirmos.

  De algum modo, parece-nos um pouco contraditório que nos proclamemos mestres do universo, reis e rainhas da natureza e ainda assim uma simples dor de cabeça consiga acabar com nosso dia. Uma ponta de mau humor possa fazer ruir nosso estado emocional, tornando-nos irritáveis e zangados. Uma ferida mínima ou irritação do corpo possa causar-nos um comportamento um tanto irracional e a perda do controle da mente. Um ligeiro desconforto físico ou incômodo possa levar-nos a um comportamento desorganizado. Nenhum de nós pode negar isto: todos já experimentamos coisas assim.

  O reconhecimento do nível em que realmente estamos é a base fundamental onde a Gnose começa. Esta base revela-nos que não somos aquilo que presumíamos ser. Acreditávamos ser grandes vidas, entretanto as evidências provam coisas bem ao contrário; que somos terrivelmente fracos e possuímos uma grande dose de ignorância sobre nós próprios. Eis porque estudamos os ensinamentos Gnósticos: para mudarmos este estado de coisas. Não estudamos meramente teorias; estamos estudando estruturas, leis – arte, ciência, religião, filosofia – os quatro pilares que nos dão a base fundamental sobre a qual mudamos.

  Podemos trabalhar a nós próprios e alterar fundamentalmente nossa situação. Podemos todos concordar sobre isto. Nosso objetivo é a mudança. Ninguém está satisfeito com a direção em que as coisas estão caminhando, do contrário não estaríamos interessados nestes tipos de estudos. Todos temos aquela insatisfação, a sensibilidade de sentir que as coisas podiam ser melhores.

  Assemelha-se a que a maioria tenha tentado muitas técnicas. Tentamos arte, ciência, religião, filosofia. Podemos ter investigado muitas diferentes religiões ou ciências; ainda assim nenhuma se tenha provado capaz de remediar os problemas que temos. Não exatamente nossos problemas pessoais, porém nossos problemas como uma sociedade, um planeta, uma cultura, uma raça, no âmago de nossas famílias e comunidades. Assim é porque estes quatro pilares, quando isolados, não podem agir.

  Ciência sem religião é impotente. Ciência sem religião é destrutiva. Se vocês desejam provas vejam quanto de nosso dinheiro é gasto em ciência e o simples fato de que a maior parte de nossos gastos científicos é destinada às armas. Preferimos pensar que nossas despesas científicas são destinadas às coisas tais como ir ao espaço, às pesquisas médicas, a resolver assuntos globais como poluição, aquecimento, melhoria da cadeia alimentar ou cuidados da saúde. Não, estes gastos são todos estatisticamente bastante insignificantes; a vasta maioria de nosso dinheiro gasto com ciência é para o avanço militar. No mundo inteiro os maiores investimentos financeiros realizados tomam o caminho para a violência. Este é um fato estatístico. Esta percentagem tem crescido década após década. Mais e mais dinheiro vem sendo gasto em armamentos. Esta é a nossa ciência. Não são telefones celulares ou computadores a nossa grande “ciência” desta civilização; são isto sim armamentos. Não gostamos de admitir isto, mas é um fato.

  “Ciência sem religião é aleijada, religião sem ciência é cega” – Albert Einstein.

  E acerca da religião? Religião sem ciência é também impotente para mudar nossos problemas fundamentais. Religião sem ciência se torna cega, estúpida. Eu digo estúpida no sentido de não possuir conhecimento, de ser ignorante, de acreditar em coisas que são basicamente inverdades. Encontramos este exemplo especialmente agora quando a ciência vem penetrando em alguns mistérios e tem revelado algumas coisas. Porém, muito destas coisas está ainda atrelado às prontas recusas religiosas em aceitar os modernos aprofundamentos da ciência. Isto é rampante entre seguidores da nova era, daqueles que estão se tornando crescentemente distantes da realidade.

  E acerca da arte? Arte sem religião é estupidez. O que chamamos arte hoje em dia? Nossa “arte moderna” – a grande “criativa expressão” desta era – são celebrações da violência e luxúria. Pinturas e esculturas não são arte moderna e ninguém hoje se importa com elas. Para apreciar arte moderna em ação, temos que buscar os meios pelos quais as ideias são comunicadas (uma vez que é este o significado da arte: um meio de comunicação).

  Nossas artes modernas são: cinema, televisão, fotografia, publicações, internet, etc. A maioria das expressões criativas ou “arte” neste planeta hoje em dia, celebra o assassinato, o sarcasmo, a crueldade em relação aos outros. Nossos “artistas” são narcisistas, egos maníacos, sociopatas que amam dinheiro, sexo, e poder.

  Onde está neste planeta a nova arte que celebra o divino, que celebra as virtudes do espírito? Qual arte está ensinando os valores da alma? Qual arte está informando por outros pilares no sentido de guiarmo-nos através de elevados níveis do ser? O fato é que toda arte moderna está procurando tragar-nos para o fundo dos níveis inferiores da alma; para tornar-nos mais e mais indulgentes com a violência, a luxúria, a inveja, etc.

  E acerca da filosofia? É a mesma coisa; filosofia divorciada da religião, da ciência e arte, torna-se niilismo ou “eternalismo” [“eternalism” – palavra inglesa = coexistente em dimensões de tempo e espaço = “annihilationism” = “aniquilacionismo”], estas formas de filosofia que são apartadas da realidade. A moderna filosofia (que pode ser vista em ciência moderna, arte e religião) encoraja a vida para o prazer que resulta somente em vazio emocional e espiritual e divorcia o homem e a mulher de suas inatas e fundamentais divindades. Na atualidade, é festejante ser ateísta ou hedonista – mesmo sendo odioso, maligno e arrogante – mas é ridicularizante ser espiritualista ou religioso.

 Por conseguinte, nos é necessários estudarmos estes quatro pilares equilibradamente, compreendê-los neste mesmo horizonte e trabalhar com eles intimamente. Quando, finalmente, os harmonizarmos começaremos então a adquirir o conhecimento unificado da realidade, que nos pode conduzir a uma radical transformação.

  A ciência tem tradicionalmente focalizado seus estudos na matéria e energia. Vemos que isto é verdade, pois as grandes revelações que a ciência nos trouxe no último século, ou mais, estão relacionadas com modificações e manipulações de ambas. Tudo o que desfrutamos que resulta do desenvolvimento da ciência relaciona-se com estes dois fenômenos: matéria e energia.
 
  Por outro lado, arte tradicional, religião e filosofia sempre estiveram associadas com consciência, nosso mais profundo espírito, aquilo que, verdadeiramente, somos como pessoas. Mas, infelizmente, nos recentes séculos, arte, filosofia e religião foram completamente abandonadas nas investigações da consciência e estiveram somente associadas com matéria e energia, afastadas totalmente das qualidades do espírito e mente.

  O fato é que hoje em nossa sociedade se estabelece grande confusão. Fazem-se acreditar que somos o corpo e que isto é tudo. Nossas filosofias dizem-nos que não há vida após a morte; o mesmo nos diz a ciência, e nossas religiões nos dizem que há alguma coisa que chamam “vida”, mas está restrita às suas crenças. Então vocês veem que, nos seus isolamentos uma da outra, todas estas tradições chegaram a conclusões que conflitam com leis fundamentais da natureza.

  O que diz a ciência? Ciência e muitas de nossas formas de arte e filosofia dizem-nos que quando você morre é o fim; dizem-nos que “temos somente uma vida para vivermos”; então devemos viver também ao máximo indulgentes a todos os prazeres que possamos ter. Este é o caminho da vida, especialmente na cultura ocidental: “viva às pressas, morra jovem”. Não é esta a base da cultura ocidental? “Obtenha tudo o que puder antes de morrer, sejam bens materiais ou experienciais, porque quando você morrer tudo acabará; não há mais nada após a morte.” É nisto que nossa sociedade acredita e assim discorda da mais simples e fundamental lei descrita pela moderna ciência. A mais básica e fundamental das leis da física discorda disto e não obstante a ciência, ela própria, não admite a discordância; é muito esquisito!

  A mais fundamental lei da física está calcada no primeiro princípio da termodinâmica (a lei da conservação da energia); isto é física básica. Se você tem filhos, eles estão aprendendo isto na escola. A lei diz que tudo o que acontece está baseado nas transformações da energia. Esta lei diz que em um dado sistema a quantidade total de energia permanece a mesma. Esta mesma lei estabelece que a energia não pode nem ser criada e nem destruída, mas unicamente modificada. A energia muda a forma, mas você não pode destruí-la. Se a energia não pode ser destruída o que acontece com a energia de sua mente? O que acontece com a energia de seu coração? O que acontece com a energia de sua alma? Simples, ela não pode “deixar de existir” da maneira suposta por nossa flácida “filosofia.” Energia não pode morrer; ela simplesmente muda. Esta é uma lei fundamental da física.

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Parte (II)  : Energia, Matéria e Consciência (II)              
Parte (IV) :Energia, Matéria e Consciência (IV)
                                                           [ Segue Parte II ] 

                                            Energy, Matter and Consciousness
Fonte:

Tradução Inglês/Português: Rayom Ra

Rayom Ra 
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