terça-feira, 16 de junho de 2026

Excertos de Ramatís - 04

  01. Pergunta: - Ainda com relação à última ceia, gostaríamos de sanar nossas dúvidas quanto ao fato daquela acusação de Jesus, insinuando ser Judas o discípulo que deveria traí-lo?

 Ramatís: - Entre os diversos acontecimentos narrados pelos evangelistas e sumariamente modificados posteriormente pelos exegetas católicos, a cena da acusação indireta de Jesus contra Judas, se fosse verdadeira, seria um dos mais graves e censuráveis desmentidos aos seus profundos sentimentos de amor, ternura e perdão tão sublimes, que, nos extremos de sua agonia, no ato de sua crucificação, quanto aos seus algozes, o fez dirigir ao PAI aquela rogativa de misericórdia infinita: "Pai! Perdoai-lhes porque eles não sabem o que fazem!"
  É quase inacreditável que, depois de se configurar o Amado Mestre como a maior expressão de amor e de renúncia na Terra, o reduzam ao caráter de um homem comum, ressentido e intrigante, pecando pelo julgamento antecipado da "possível" traição de um discípulo!
  Conforme narra o evangelista João, cap. XIII, vs. 21 a 30, primeiramente Jesus exclama: "Em verdade, em verdade vos digo que um de vós me há de entregar". Após os apóstolos recuperarem-se  da angústia daquela acusação velada e, em seguida às indagações aflitivas de Pedro e João, eis que o Mestre, num gesto de delator vingativo responde: "É aquele [o traidor] a quem eu der o pão molhado. E tendo molhado o pão, deu-o a Judas, filho de Simão Iscariotes". E a narrativa de João acrescenta: "E atrás do bocado  do pão entrou em Judas o Satanás!"
  Em tal acontecimento tão comprometedor, faltaria ao Mestre, sempre gentil e benevolente, até o resquício da piedade comum nas criaturas de relativa formação moral, pois ele teria acusado o seu discípulo em público, por um ato abjeto de que apenas tinha pressentimento!
  Mateus, cap. XXVI, vs. 21 a 25, não descreve a cena do pão molhado entregue a Judas como o libelo acusador, mas ainda é mais chocante contra a linhagem angélica do Mestre, pondo-lhe nos lábios as seguintes palavras acusatórias e da maldição: "O Filho do homem vai, certamente, como está escrito dele; mas ai daquele homem por cuja intervenção há de ser entregue o Filho do homem; melhor fora a tal homem não haver nascido!" E, respondendo Judas, o que o traía, disse: "Sou eu, porventura, Mestre?" Disse-lhe Jesus: "Tu o disseste".
  Ora, no caso, Jesus não só desejaria a Judas um fim trágico e abominável, como ainda o acusaria brutalmente diante dos demais discípulos e companheiros, confirmando que era ele o traidor!
  E se "atrás" do bocado de pão molhado entrou Satanás em Judas, conforme narra João, então é obvio que, até aquele momento, Judas ainda não havia deliberado trair o seu Mestre; e que isso só lhe ocorreu depois que Satanás o tomou no ato da ingestão do bocado de pão molhado e abençoado ali na mesa santa!

 02. Pergunta: - É admissível que todas essas ocorrências, desmentindo a contextura espiritual de Jesus e que fazem parte dos evangelhos canônicos, sejam apenas figuras simbólicas ou alegorias, propondo-nos lições de alcance espiritual?

  Ramatís: - Jamais essa foi a verdade, pois a vida de Jesus foi clara, sem sofismas ou hesitações, é não à maneira do homem, que se salienta sobre a massa humana, mas sobre as comprometedoras alternativas de hoje obrar como um santo e amanhã atuar como um demônio!
  Espírito da hierarquia de Jesus não possui duas facetas, não se turba nem se nivela ao conteúdo efervescente das paixões humanas, nem é vítima do descontrole das emoções indisciplinadas!
  Não se confunda a energia, a ombridade, a justiça, a estabilidade emotiva e a franqueza honesta de um anjo atuando na carne, com as contradições que são fruto da personalidade humana! Jesus não desejava nada  do mundo e jamais temeu a morte; em consequência, não agia nem atuava no mundo material preocupado com respeito à sua pessoa. 
  Pouco lhe importaria que Judas ou qualquer outro discípulo o traísse ou o levasse a qualquer outro tipo de morte! A sua linhagem espiritual tornava-o sempre acima das atitudes humanas a seu favor ou em seu desfavor, quer se tratasse de seus parentes, amigos, adeptos ou desconhecidos. Se existissem homens inferiores ao Mestre Amado, que não se tornam melhores com o "elogio", nem ficam piores com a "censura", o que não seria Jesus, diante da fraqueza de um discípulo, que já vivia perturbado pelas suas próprias emoções descontroladas e pelos ciúmes infundados?
  Quanto aos homens que adjudicaram a si o direito exclusivo e a responsabilidade tremenda de divulgar a vida e a obra de Jesus de Nazaré, já é tempo de virem corajosamente a público, extirpar os evangelhos dos equívocos, extremismos, absurdos, melodramas, interpolações e imitações que comprometem, desfiguram e lançam desconfiança sobre o Mestre Jesus - o Mentor Espiritual da Terra!
  Mesmo porque é fácil o encontrarmos definido através de suas próprias palavras de sentido biográfico, quando falou assim: "Vinde a mim, todos vós que estais aflitos e sobrecarregados que eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei comigo que sou brando e humilde de coração e achareis repouso para vossas almas, pois suave é o meu jugo e leve o meu fardo".

[Excertos da obra O Sublime Peregrino - Capítulo XXII - "As Pregações e as Parábolas de Jesus", por Ramatís, através de Hercílio Maes]

                                                             Rayom Ra
                                      http://http278arcadeouro.blogspot.com
  

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