domingo, 16 de agosto de 2015

Hercílio Maes - O Precursor do Mediunismo Adogmático

Hercilio
  Uma curiosa e realmente simples biografia de Hercílio Maes está sendo lançada pela Editora do Conhecimento. (O relato é feito por Mauro Maes, herdeiro não somente do nome do pai, mas sobretudo do estigma construído em torno de Hercílio, simplesmente pelo fato de ter sido o primeiro, o mais prolífico e também o mais conhecido médium do Espírito Ramatis.

  Médium de alto potencial e independente, Hercílio nunca escondeu suas tendências e atração por aquilo que hoje se define como movimento holístico, isto é, o reconhecimento de todas as correntes filosóficas e religiosas como fator de evolução espiritual. Maçom, rosacruz e teosofista, Hercílio entrou em choque com o stablishment espírita-kardecista encabeçado por Herculano Pires não apenas por causa dos livros de Ramatis, mas principalmente pela sua postura aberta e autêntica em não admitir uma admiração exclusiva pelo Espiritismo. Era uma época de graves transformações na civilização e também muitas inovações e novidades no movimento espírita. Grupos organizados como o Clube dos Jornalistas Espíritas e líderes formadores de opinião, como Ary Lex, adotaram o estilo defensivo e ortodoxo, causando uma enorme polarização em torno do assunto “pureza doutrinária”. 
  O alvo principal era Hercílio e os livros de Ramatis, que na época estouravam em vendas no meio espírita, superando inclusive os livros de Allan Kardec. O grupo conservador considerou esse aspecto uma verdadeira “infiltração” espiritual “a serviço da confusão” no movimento espírita, sobretudo porque os temas universalistas realçavam as tendências de duplicidade doutrinária já existentes em muitas casas espíritas. Os mesmos críticos que consideravam rículas e fantasiosas as mensagens psicografadas por Hercílio Maes também não se livraram da chacota da opinão pública ao apoiar e organizar "esquisitos" eventos de "música mediúnica". Coisas da mediunidade.

  A apologia do vegetarianismo também rendeu a Hercílio Maes alguns inimigos, que simplesmente deixavam de convidá-lo para novas palestras cujo conteúdo principal era extraído do livro Fisiologia da Alma. Esse foi, segundo o biógrafo, o motivo do seu banimento da Federação Espírita do Paraná, na época tendo como dirigentes e conselheiros alguns "adeptos de churrascadas" e “carnívoros inveterados”. Muitos dirigentes espíritas de prestígio sabiam da importância Hercílio como médium, da sua missão e nunca esconderam essa admiração , como foi o caso de Edgard Armond, por quem Hercílio tinha reverência especial reconhecendo nele um espírito que salvou sua vida em épocas remotas. Quando lemos esse texto biográfico, meses antes da publicação, percebemos um certo ressentimento de Mauro ao conduzir o relato, talvez pelo fato de relembrar todos os problemas enfrentados pelo pai no meio espírita. Mas não foram somente os espíritas conservadores que combateram Hercílio. O médium era alvo permanente de ataques de forças trevosas que não gostavam das revelações sobre os processos de magia encontrados nas práticas afro-indigenas e que atingiam diretamente os interesses de manipulação dos médiuns que trabalham nessa linha.

  Hercílio Maes era radiestesista e concentrou sua ação de caridade nesse trabalho de cura. Conhecia e também praticava a homeopatia. Como o próprio título afirma, a biografia é simples, mas o conteúdo é muito mais do que isso: é curioso e cheio de revelações, tanto que lemos de uma só vez numa tarde de sábado. É leitura obrigatória para quem apenas “ouviu falar” de Hercílio Maes. Mas, de tudo o que foi escrito, o que mais chama a atenção é o aspecto humano do relato. Hercílio tinha tudo para ser materialmente bem sucedido na vida. Intelectualmente bem preparado, formou-se em Direito e Contabilidade e chegou a cursar três anos de medicina. Mas nem sempre a inteligência entra em sincronia com a oportunidade e ele teve que se contentar apenas com o suficiente para manter a família. Conhecendo essas tramas do destino , aprendemos, mais uma vez, que o médium, seja qual for a sua linha de ação, é sempre alguém que está destinado a enfrentar situações sempre mais dolorosas do que os devedores comuns.


                                                                      *   *   *
  Mauro nos conta que Hercílio teve a primeira visão de Ramatis aos 3 anos de idade, mas que começou a psicografar após os 30. Hercílio era formado em Direito e Contabilidade, sendo essa a profissão que exerceu na maior parte de sua vida.Não viveu com fartura financeira e doava o dinheiro procedente  dos livros para entidades de caridade.

  Era também universalista e não ficou preso apenas aos conceitos kardecistas, estudando e frequentando a Umbanda, a Ordem Rosa Cruz, a Maçonaria, entre outras.

  No livro, algumas de suas encarnações são reveladas, bem como foi confirmada a informação de que Ramatis foi o matemático Pitágoras.

  Lembro-me que fui mago na Caldeia, governador de uma pequena região da Assíria, escravo no Egito, discípulo de Pitágoras na Grécia, sacerdote bramânico na ìndia, queimado pela Santa Inquisição em Barcelona, na Espanha, em 1556. Participei do movimento clandestino de imprensa revolucionária na França e, enfim, andei envolvido em movimentos políticos na Itália, em minha última existência. (Entrevista de Hercilio á revista Panorama, 1969) 

  Hercílio foi médium receitista e trabalhou com radiestesia e, segundo Mauro, era impressionante o índice de doentes curados.

 No capítulo 18, temos outra importante informação. Segundo Hercílio, muitos espíritas são reencarnações de clérigos da Igreja Católica e por isso que, em alguns casos, se comportam como verdadeiros inquisidores de tudo que foge a codificação kardequiana. Quando estavam para reencarnar no Brasil, a fim de difundirem o espiritismo, foram advertidos por Ismael - espírito escolhido por Jesus para cuidar do Brasil - sobre os riscos de voltarem ás antigas condutas. Em carta escrita  ao amigo Antônio Plínio da Silva, Hercílio revela:

  Tenho boa memória reencarnatória e também de quando vivia no Além, antes desta existência. E ali me recordo das palavras de Ismael a esses mesmos clérigos que hoje labutam e emperram o espiritismo. "Meus irmãos, além do compromisso espiritual de vocês, no tocante a trabalhar pela doutrina codificada como o Espírito Consolador, não se deixem influenciar pelo estigma secular da Igreja, em que se condicionaram por quinze séculos! O movimento espírita, com que vocês irão colaborar, é de libertação de consciências e, acima de tudo, de valores novos e sempre atualizados." (...) Sigamos, caro Antônio, para frente, nós que ainda estamos tentando estender os braços e fazer tremular a bandeira do espiritismo além da obstinação clericalista- espirítica, com a convicção absoluta e jamais negada de que Allan Kardec é o mais universalista dos homens. Mas os seus continuadores ainda lhe criaram a pecha de fanático, porque enquanto Kardec codificou o espiritismo, os sectaristas fundaram o kardecismo"

  A informação de que muitos espíritas são reencarnações de religiosos da Igreja Católica aparece também em diversos livros do Dr. Inácio Ferreira - outro amigo do espaço duramente criticado pelos kardecistas ortodoxos.

  Eu sou uma grande admiradora da obra ramatisiana, a qual conheço por completo, tanto via Hercílio, quanto Norberto Peixoto e por intermédio de outras mediunidades. Já ouvi em alguns centros espíritas que Ramatis é um pseudo-sábio, afirmação que discordo totalmente. Suas obras apenas não são compreendidas por todos, especialmente por aqueles que ainda estão presos ao sectarismo - o que não combina nada com a vivência espírita.

http://www.blogdolivroespirita.com/2013/05/simplesmente-hercilio-mauro-maes.html

                                                                    Rayom Ra          
                                                       arcadeouro.blogspot.com/

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