sábado, 14 de outubro de 2023

Enquanto Eu Ainda Aqui Estiver [R]


  Irmãos, o que é a verdade? O Grande Mestre calou-se diante de seu inquiridor. O santo silêncio calou a voz do cordeiro. Esse mesmo silêncio cala também nas almas reflexivas de quem somente consegue responder a si próprios e não ao mundo. Cada personalidade é um mundo e cada mundo detém a prístina verdade. E a verdade não está escondida, mas diante do brilho de cada olhar das almas abastecidas. E ela brilha de tal forma que não consegue ser penetrada por olhos de não ver. Por isso, Jesus calou-se diante de Pilatos. Pois o que as palavras diriam a Pilatos quando os olhos dele não conseguiam ver-se e nem a alma sentir-se? Não creiais, irmãos, que descumpro tal parâmetro. Não seria sensato nem digno assim me representar diante de vós. Quem sois, então, e o que pretendeis com essa busca de comunhão de ideias: acaso todos desconhecem que a verdade está tão clara e distinguível tanto quanto esteja ela encoberta?  

  Sim, irmãos, inúmeros de vós tendes conhecimento de que a verdade encontra-se indelével em cada um e a cada um se revelará em porções definidas quando os degraus forem galgados conscientemente. Pois cada alma, cada ser reencarnante que desceu a esta Terra veio pela sabia vontade do Pai trazendo no imo Sua Presença. E se a Presença do Pai está no imo de cada um então ali está a mais pura verdade. Entretanto, é lícito reconhecer que inúmeros ainda dormem e não despertaram em tempos após tempos, por isso não veem e nem sentem.

  Mas não vós, irmãos, a quem me dirijo diretamente, e que possuís a vossa verdade cunhada na intenção e nas boas e conscientes obras. Por que esta verdade é visível e sensível a todos os que fazem como vós, não importando o modo como façais uma vez que estais viventes na presença espiritual que é uma só. Pois a verdade no imo é viva e bebível como são as águas do regato que correm cristalinas nesta ou naquela direção. E a isto sabeis por intenção própria e pessoal, por vocação ou amor. No entanto, que a vossa verdade seja sempre das águas cristalinas que se movam diariamente, que nunca estacionem e nem se descumpram ante o tronco que lhes atravessa o caminho, e nem se deixem seduzir por um falso e narcísico brilho delas mesmas refletido. Mas sendo essa a sedução, a verdade ora cálida, morna ou refrescante deixará então de vos ser fluente e como águas barradas na nascente secarão em seu próprio leito.

  Em mim, irmãos, pulsa também a verdade que veio sendo buscada na consciência desde tempos remotos nesta Terra de Gaia. Quem sou, perguntais, e vos respondo. Sou como vós irmãos da criação, aquele que tem na sua trilha de milhões de anos sua própria história, a minha história. Em quem a verdade antes não habitante de meu ego, hoje pulsante em mim a cada batimento de meu coração, rebrilha aos meus olhos: essa, a verdade que se mostra cada vez mais claramente, que não precisa de declarações formais para sua real identidade, bastando ouvi-la e vive-la. Sim, eu sou aquele que visitou esta Terra centenas de vezes, que com ela misturou-se; um Adão terreno que viveu pelo sopro do Criador, como o múltiplo Adão que ainda vive no seio de toda a humanidade crendo-se o conhecedor. Mas não sou somente esse; vós não sois somente ele. Nele estais, nele respirais, nele viveis no âmbito de vossas ações e pensamentos terrenos, e, no entanto, entendais bem, não sois ele – não somos mais ele! Esse Adão de tantas vidas, tantas encarnações, tantas Evas de si mesmo viveu as ilusões, nasceu de diferentes ventres, renascendo sempre.

  Sejamos objetivos: cada personalidade é um Adão, uma Eva, aprendizes no finito do espaço-tempo, em cujos íntimos a verdade incondicionada e irrepreensível ainda não reverbera, mas aguarda, se oculta, oferece-lhes o campo e as analogias. Disse o Mestre: Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida e ninguém vem ao Pai a não ser por Mim. Esse Sou eu – o Eu Sou – e esse Sois vós.

  Agora as imagens se ampliam, alternam-se os parâmetros e penetramos através de outros corredores. Se eu não sou somente esse, mas também aquele, então a verdade estará naquele e não nesse? Por que terei eu vivido tanto e tantas vezes nesse e não somente naquele? Será então a minha verdade tão zelosamente guardada, um modus vivendi interior enganoso e falso?

  Dir-vos-ei irmãos do modo como posso. Somos esse Adão-Eva terrenos e também aquele a quem o Mestre se referiu. Ele é o Cristo, o Cristo está nele; ele é Jesus e ao mesmo tempo Cristo, dois em um e um em dois. Jesus é o conhecedor, Cristo é a sabedoria, a verdade e a vida. Ele disse, ele confirmou várias vezes.

  Então, a verdade está Nele e não em Adão-Eva. Esses nascidos de ventres terrenos são os aprendizes, detêm suas verdades através de centenas de encarnações; são feitos do pó, da terra, são projeções, não são do espírito infinito; são volúveis, corrompíveis e corrompedores; assim já disseram tantos profetas. Porém, a verdade dos que se redimem, que ainda vivem no plano terreno, é aquela que avança em direção a Jesus, o conhecedor, e miram Cristo, a estrela de luz inefável. Jesus são os degraus da luminosa escada da ascensão; mas não iguais aos degraus de Jacó, o empreendedor de outros tempos, o pai dos doze, aquele que veio antes para povoar as almas e não ainda para ser o Salvador.

  Desse modo, todas as verdades que vêm de Adão-Eva mesmo em remissão dos erros são somente as diversas faces, as projeções na personalidade, nas suas emoções, creiais nisso e não vos deixeis enganar. Porém, somente serão definitivamente límpidas e transparentes como o riacho de águas cristalinas, quando forem qual Jesus em vós: uma única e perfeita vertente do começo ao fim. E se a isso não credes em vossos íntimos, pelas vossas presunções, o filho do homem não herdará a terra e não alcançará a mansidão de Jesus; esta somente vos descerá e vos possuirá pelo conhecimento da verdade que purifica e pelas constantes práticas do amor que redime.

  Jesus disse; conhecereis a verdade e a verdade vos libertará. Sim, ele disse, mas não ensinou que devíamos procura-la fora por que a verdade é ele próprio, a via interna, o conhecimento real que leva à sabedoria e a sabedoria que leva à libertação. Reflitamos: digo-vos que a verdade é uma só, mas as nuances são diversas, os gostos são vários, as ações numerosas e os enganos humanos ainda muitos. Pois o espírito de Deus é uno e está em todos, como o imenso exército de almas que pululam pela Terra em febris atividades, que também é uma só, uma só alma. Como pode isso? Sim, irmãos, somos personalidades nesta Terra, mas vive em nós a Chama de Deus-Pai e a alma da Deusa-Mãe e todos são um só. E embora o espírito seja um com tudo e a alma em todos esteja, em vossas qualidades e aparências, as personalidades Adão-Eva em vossos íntimos ainda debatem-se levando a enganos.

A PRESENÇA

  Disse Jesus: Em verdade, em verdade eu vos digo; antes que Abrão existisse, Eu Sou. Que misteriosas palavras proferira o Mestre! Sabeis muito bem, irmãos, que os mundos detêm idades astronômicas. Sistemas solares dissolvem-se, mundos são de novo habitados e universos se expandem. Abraão é referido como o pai da humanidade. Teria nascido em Ur na Caldéia há 2000 anos a.C., portanto muito antes de Jesus e nem por isso o Mestre deixou de citá-lo como um marco na vida semita. Diz a lenda que Melquisedeque de Salem, no papel de uma encarnação de Deus na Terra, profetizara-lhe que a descendência dele, Abraão, contaria mais do que as estrelas no céu.

  Credes, irmãos, em Deus, na encarnação de almas e em seus retornos a esse mundo ora para expiar os seus erros ora para reaprender lições ou continuar em seus avanços em direção e volta ao Criador? Sem dúvida. Não fosse assim, a vida vos soaria sem o menor sentido! Como entender tantas coisas sem a reencarnação e ainda assim crer num Deus Todo-Poderoso criador de tantas belezas, tantos amores e tantas perfeições, mas insensível à dor, à miséria, à maldade e aos crimes hediondos grassantes a solto nesta Terra? Neste contexto vazio, a nós, almas experientes, não haveria a menor lógica em sermos religiosos, esotéricos ou seguirmos ideias disciplinadoras de homens inspirados. Inspirados por quem? Intelectuais, poetas, artistas e homens de ciência ainda se revelam simplesmente ateus por que a realidade de Deus não lhes sensibiliza, não encontra ecos em seus íntimos – oh, que lástima! Quanto mais a existirem aqueles que professam um Deus, mas que não admitem a clara e lógica revelação da reencarnação. E as religiões, por isso, pagam também o preço do ateísmo por consequência de um Deus severo e seletivo.

  Irmãos de toda uma nação de espíritos que para esta Terra viestes, saibais o quanto lutastes por remover a destruição das legítimas pregações de nosso senhor Jesus Cristo que guardastes em vossas mentes e corações. Quantas de nossas cabeças rolaram; quanto os malignos travestidos de discípulos do Mestre, ostentando tremulantes estandartes com a divina cruz estampada e portando insígnias sacrossantas em seus peitos, nos trespassaram com suas lanças e espadas polidas, ou nos imolaram em praças públicas com pedras ou com o fogo que a eles mesmos não purificaria. Lembrai-vos dos primeiros cristãos que fomos – os crucificados ou devorados pelos leões – e das incansáveis perseguições dos adoradores do politeísmo deturpado, das usurpações pelos padres dos sagrados direitos cátaro-albigenses e de inomináveis mortandades a que fomos vitimados. Sim, lá estávamos, lá estivemos a oferecer nossas vidas em sacrifícios extremos de amor ao Deus Criador e a seus profetas.

  Quantos saberes os malignos entranhados nas almas sacerdotais não conseguiriam destruir na religião, se a revelação da lei da reencarnação não houvesse sido suprimida. Saberes que hoje haveriam de emoldurar suas escrituras! Faraós outros sabiam, Akhenaton sabia, Moisés sabia, Buda sabia, Jesus sabia. No entanto, foram divergidos os textos que a isso se referiam. Homens, o quanto deveis ainda aos vossos irmãos por terdes ocultado ou desfigurado esta e outras verdades esclarecedoras, e, juntamente aos malignos a quem elegestes por mestres, também enganastes a respeito de Deus e Seus divinos propósitos!

  Entretanto, a Presença, o Eu Sou revelado aos eleitos foi também revelado ao mundo profano pelas pregações do Mestre há dois milênios. O Eu Sou é exatamente Deus em nós, em todas as almas encarnadas; é a Vida Criadora que está muito além do espaço-tempo e da personalidade Adão-Eva. EHYEH ASHER EHYEH: EU SOU O QUE EU SOU eis a tradução cabalística de todos os tempos, antes mesmo de Jesus, Moisés, de Abraão, Noé, ou do Adão bíblico e de todos os personagens da magia de povos mais antigos.

  Acreditais que na Lemúria, há milhões de anos, já raças tinham conhecimento deste poder secreto em cada ser, em cada vida humana? E que a própria linguagem verbalizada existia com muito menos vocábulos e articulações sonoras, e que ainda assim grandes revelações hoje não compreendidas pelos estudiosos do ser espiritual foram simplesmente vivenciadas com inofensiva naturalidade? Isso mesmo, irmãos, nada é novidade no Deus Criador. Todos os Seus segredos sempre foram nossos por sermos eternos e existirmos como partículas de Seu Ser. Somos Suas chamas que Ele manifesta e depois as recolhe para o Seu íntimo sem nunca terem deixado de Nele existir.

  Quem vos disse que somos produtos híbridos de raças estranhas descidas na Terra? Essa afirmação é falsa da maneira como é dada. Raça alguma alienígena detêm a condição de criar almas e espíritos na acepção única da imortalidade. Criaram corpos? Mas não a grande humanidade; não Almas, não Espíritos, não Chamas Divinas! Aqueles não herdarão a Terra, pois não serão filhos do Criador.

  Tendes ainda dúvidas, irmãos, pela propaganda habilidosa de tantos falsos criadores que dizem terem vindo de outros universos ou sistemas solares para nos criar e ensinar? Somos bilhões de almas e espíritos trazidos para a Terra por ordem do Criador a seus Hierárquicos e Nele sempre estivemos. E haveremos de reconhecer a todos os prepostos do Criador, e somente a eles, quando o momento se eleger.

  O quanto tenho orado e clamado para que a Presença permaneça em mim, em vós. Ele disse: ninguém vem ao Pai a não ser por mim. Ele também é a Presença, o Cristo, a Chama Imortal que jaz em todos os espíritos – nas Mônadas. Atrai-a diariamente às vossas consciências de egos! Pois a Presença sempre esteve latente e poderosa em todos esses filhos do mesmo Pai. Ela é impessoal, é uma só multiplicada bilhões de vezes e tantas outras vezes se multiplicará quantas sejam necessárias. Irmãos, creiais nela, nessa Chama Elétrica que contem todos os segredos do Criador. Ela está em vossos mecanismos biológicos como está em vossos mecanismos de matérias mais sutís. A Presença é uma Chama de pura Inteligência, é um Fogo Sagrado, é Deus, e Deus é um Fogo Criador, o mundo é um Fogo que arde interiormente em todas as qualidades e atributos da Inteligência!

  Vistes que todas as coisas criadas são formadas de camadas celulares, moleculares e eletrônicas. As circunvoluções dos elétrons, em prováveis desenhos a que chamais de átomos, produzem novas frequências quando elétrons saltam de suas órbitas. E quando elétrons se chocam explodem em luz e calor. Eis ali o Fogo Divino transmutado em novas energias sob formas infinitesimais, porém poderosas, a despeito de suas micro divisões. E eis essa mesma Presença da energia do Criador em vós, em mim, em todas as coisas viventes.

  Olvidais que somos seres bioelétricos? Bem mais que isso, somos também formações cujas atomicidades nos fazem seres superiores, não por que sejamos mais avançados que os animais, as plantas ou os cristais, que na verdade o somos, porém pelos teores de nossas consciências que a tudo podem penetrar e de tudo auferir. E este saber está na Vontade do Criador que por nós vem buscar a generalidade e a especialidade de todas as coisas por Ele mesmo criadas.

 Soa-vos anátema? Incongruência? Paradoxo? Oh, não irmãos! Pois o Criador, sendo também a Presença, o que a Ele valeria estar em nós sem uma nomeação para algo realizarmos na Terra?

  Irmãos, mediante isto, avancemos mais ainda em nossas reflexões, nesse aparente paradoxo para que entendamos e realizemos conscientemente sob égides de leis cósmicas. Pois, se somos a Presença e a Presença é Ele – que é toda sábia – qual é realmente o sentido de nossas experiências nos mundos, nos sistemas solares, na Terra, naquilo que Ele já criou? Evidentemente que experienciamos de Sua própria criação. Mas, na verdade, o objetivo é ainda maior, mais fantástico e estimulante, porém inescrutável ainda na sua essência para nossas mentes aprendizes. Então, deixemos que a sábia Presença faça e realize em nós e por nós, e assim saibamos de uma intensa e monumental corrente vibratória a ressoar e realizar por todo nosso sistema solar em todas as suas dimensões.

  Simples assim? Não tão simples, mas é o enigma que nosso cogito precisa deslindar.

O CONSOLADOR

 Jesus disse: Eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco. O Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito.

  Enigmáticas palavras não? Por que teria Jesus dito tais coisas aos seus apóstolos e seguidores? Irmãos, o quanto a história já testemunhou dos grandes emissários de Deus! Zaratustra, Krishna, Akhenaton, Moisés, Buda e o que permaneceu intocável de suas palavras nas dobras do tempo terreno? Escritos post-mortem foram interpretados de muitas maneiras, adulterados ou sepultados. O quanto sabemos realmente por Eles através de um legado original? As resenhas sobre dois dos mais recentes avatares que desceram a Terra, Buda e Jesus, nos demonstram isso. O budismo transformou-se. A filosofia do Sakyamuni ganhou muitas ramificações, diversos cognomes, várias inserções, numerosos pergaminhos e nenhuma biblioteca completamente fiel e inatacável. O cristianismo documental passou a ser reunido e elaborado bem depois da partida física de Jesus, mas até hoje achados de antigos papiros, submersos em cavernas ou criptas, desmentem trechos das suas mensagens tidas como originais e apontam capítulos e revelações omitidos. O quanto se tergiversou, irmãos, já dissemos isto.....

  Sabeis das vicissitudes dos historiadores crentes, das suas lutas e mortes a fim de conservar algumas das fontes fidedignas dos santos homens seguidores de perto dos Avatares. Os mesmos malignos de sempre brotaram da terra para insuflar homens sem almas e sem direção, a clamar pela destruição. Infiéis misturaram-se aos fiéis e com denodo e notada tenacidade conseguiram sempre divergir, demolir e erradicar. Pobres homens sem visão que facilmente embaraçaram-se nas teias dos malignos.

  Sabeis, irmãos, que em algum tempo do passado, em vidas esquecidas de vossas memórias conscientes, o medo imperou e vos fez odiar e não amar. Esse medo vos aterrorizou desde a infância, aterrorizou aos vossos pais, maculou vossas inocências, vossos sabores naturais pela vida, pelas belezas que o Criador nos legou a todos gratuitamente. Cegastes-vos à candura, ao melífluo, ao perfume dos verdadeiros deuses, aos sonhos de um mundo de felicidade. Esse mesmo medo remeteu-vos a outro passado como uma pedra lançada ao negro abismo, que batendo bem fundo despertou-vos dos tempos de Baal e recrudesceu em vós as vossas memórias inconscientes. Lá sucumbistes aos vossos inimigos poderosos, às suas hipnoses e ameaças. Pois esta mesma submissão ao medo já a tivésseis há milhões de anos no belo continente de Atlântida onde vossas aflições começaram, e onde os malignos adoradores também vos sacrificaram em pavorosos rituais sangrentos até retirarem de vossos peitos os corações ainda palpitantes. Oh Deus!

  O tempo avançou em seus sistemáticos giros, em sua roda inflexível e inexorável deste mundo de vida terrena. Os Avatares vieram e se foram; aqui estivemos e ainda estamos. De todos ouvimos. Duvidais, bem eu sei irmãos em Cristo, de que vossas almas registram as mais sublimes verdades ensinadas pelos iluminados. Vossas mentes terrenas não podem testemunhar essas memórias, vossos intelectos não são o suficiente claros por si sós para de novo apreendê-las. Em muitas instâncias vossos intelectos são meramente vossos inimigos.

  Grandes homens venerados segundo o mundo não foram mais que verdugos de si mesmos, de suas próprias almas, de seus irmãos de criação. Tornaram-se surdos aos mais dignos e procedentes clamores de seus íntimos; secaram a fonte aluminífera que brotava calor interno; tornaram-se opacos e frios e usaram seus intelectos desenvolvidos unicamente ao serviço dos poderes da matéria.  Como necessitam de vós que vos mantendes na luz – de todos nós que oramos e pedimos ao Pai e à Deusa Mãe. Muito mais de nós necessitam aqueles que ao uso de seus poderes convencionais ou usurpadores, em suas caminhadas dualistas, ignoraram os deserdados, trucidaram milhões unicamente por remuneração aos seus egos terrenos, perdidos num oceano de contradições.

  Se dos Avatares impede-vos o vosso cérebro conscientizar-vos de Suas verdades gravadas em vossos imos, do mesmo modo, certamente, não julgareis com razão que o Consolador vos virá com seus poderes espirituais e assim descredes de vossos eus em tudo. Confirmo-vos, irmãos de almas e espíritos, para que não vos deixeis enganar e não serdes levados numa rede de equívocos.  Pois o Consolador não é uma entidade, nem ser nenhum, filosofia alguma, qualquer dos antigos Avatares reencarnado, nada que venha ao encontro exterior de vossos egos, de vossas personalidades em ciclos de ajustes para um novo e visível estandarte ao mundo, como há pouco menos de dois mil anos Jesus desfraldara. Chamou-o, Jesus, mui justa e sabiamente a este Consolador, de o Espírito Santo.

  Digo-vos também, irmãos, com a certeza que minha alma cristificada me inspira e não por outros quaisquer caminhos de aprendizados espirituais, que os ensinamentos do Mestre foram muito claros aos seus seguidores, e mais claros ainda aos seus discípulos por que esses precisavam despertar rapidamente e obrar, pois a missão requeria que logo se dispersassem fazendo-se de uma vez arautos de nova história mundial. Porém, aos próprios discípulos, e aos demais que acreditaram em suas palavras ele também algo ocultou.

  Sabeis, irmãos, o que seja a gnose? Pois tendes em vossas memórias causais o quanto aprendestes dessa gnose professada por Cristo-Jesus a vós, aos que aprendiam ocultamente antes e após o ato da crucificação do cordeiro. A vós que lá estivestes nos cenários e abrigos onde o enviado de Deus ensinou – como esteve esse irmão que vos fala e transmite – a gnose foi explicada em seus segredos maiores. Todos os sinceros seguidores de Cristo foram merecedores das graças recebidas naquela vida, pelo entendimento e aplicação da reta gnose. Assim fostes vós enquanto vos mantivestes em Cristo lá mesmo e em outros lugares de vossas futuras vidas. E amados sempre fostes pelos séculos vindouros. Porém, a uns foi dado mais que a outros, não por que a graça assim escolhesse por razões menos amorosas, porém pelo fato de que nem tudo é para todos por circunstâncias várias, por motivos diversos ou por momentos inoportunos.

  A gnose original nas suas verdades não é apanágio do mundo grego antigo, de seus filósofos e terapeutas, de suas iniciações. Não creiais nisso. Creiais sim que um dia estivestes novamente purificados pela Presença de Sophia – o conhecimento puro – pela vossa aplicação da gnose em vossos pensamentos e atos. E creiais que vossas histórias foram uma só com as de vossos irmãos de mesma jornada, não importando onde estivésseis. O quanto caminhastes pelas orientações de vossos mestres do mundo espiritual, quantas civilizações conhecestes, quanto vos têm custado às demolições de vossos antigos egos ainda em vestiduras Adão-Eva. Com todos vós, irmãos na luz, isto verdadeiramente se passou por que assim quisésseis. Para serdes arautos e obreiros em Cristo, na sua vinda à Galileia, vos foram primeiramente oferecidos os obstáculos em caminhos diversos a fim de que os ultrapassásseis, e assim fazendo fortalecêsseis cada vez mais as vossas vontades, as vossas almas, mantendo-vos determinados pela ansiável  e redentora luz.

  Faltaram-vos forças em certas vidas, bem sei, noutras os inimigos triunfaram interrompendo vossas caminhadas; algumas vezes de modo cruel, já vos dissemos isto. Mas reiniciastes sempre, como fazem os autênticos obreiros, e finalmente chegastes a Jesus, ao Cristo, diante de sua imagem física, ou ante seus mais significativos ensinamentos pouco depois de sua partida às moradas do Pai. Muitos irmãos fiéis vos deram pessoalmente as bases crísticas da gnose real sobre a qual Sua igreja seria edificada em vós, em vossos íntimos. Akhenaton assim tentara, mas sucumbira aos ardilosos vendilhões politeístas. Mas não Jesus-Cristo! Este vivificou e imortalizou Sua obra através de vós, por todos nós os seguidores fiéis da pura gnose, por todas as almas em consciente purificação. Relembrareis disso um dia em vossas almas em toda a sua plenitude, jamais duvideis! Sophia, a sabedoria do mundo, sempre esteve convosco sob outras formas e ofícios, com outras vestiduras e designações para vos despertardes dos diversos complementos interiores que ainda não possuíeis. Muitos céus a isso testemunharam, templos memorizaram os ritos religiosos de que participáveis; os videntes mais sensíveis ainda podem ler dessas efemérides, eras após eras. Os registros etéricos daqueles tempos terrenos ali permanecem como se hoje acontecidos, como se neste exato instante.

  Escandalizam-se os cristãos despidos da gnose sem a sapiência provinda de Sophia, e refutam saberem que esta mesma via espiritual reafirmada por Jesus, começou com um arquétipo mental nos caminhos do Gautama, nas suas escaladas pelos labirintos da mente até dela libertar-se, até que quebrasse os seus elos aprisionantes da Alma. Akhenaton e Moisés haviam preparado a recepção do pensamento uniforme em um só Criador sobre todos os demais deuses. Depois os Essênios buscariam no budismo e trariam para o Mediterrâneo os segredos das curas pelas plantas, os rituais de evocação aos iluminados, e desenvolveriam as materializações de almas e demais conhecimentos da gnose. E Jesus, entre eles, vivenciaria esses conhecimentos e com sua arte divina os reforçaria mais tarde com os budistas no Tibet; e brindaria os monges com sua genialidade e maior visão, e lá mesmo renovaria ensinamentos mais significativos.

  Sábios foram aqueles homens de eras passadas que nos despertariam as altas aspirações para além das magias astrais, para distante dos fenômenos ilusórios que encantam e aprisionam, e nos ensinariam os preâmbulos de todas as transformações internas de que necessitávamos, para futuramente encarnarmos a Alma Imortal. Esses iluminados nos auxiliariam a entendermos a existência dos degraus sublimatórios internos, que nada mais são que as iniciações conducentes cada vez mais acima, até que finalmente cheguemos a indefiníveis e indissolúveis identidades com Cristo. Creio plenamente nisso, e creiais, irmãos, nessas lídimas e fluentes verdades. Não permitais que de novo Adão-Eva em vós, quase mortos, que de seus próprios estertores e insuflados pelos ardilosos malignos, venham rearticular os vossos pensamentos, vossos intelectos, para conhecimentos sem alma, para distrações do mundo, para os encantamentos da ciência cética e materialista. Lembrai-vos sempre: somos vidas milenares, viventes em Cristo, mas não ainda completamente remidos pela luz redentora que buscamos.

  Saibais, irmãos, quem seja o Consolador e muitos de vós tendes a consciência deste saber. Aquele que Jesus pediu ao Pai que aqui vos viesse, e a mim, e a todos os seguidores da luz. Pois Ele é o próprio Cristo que renasce em nós, em nossa manjedoura, e na criança dourada que cresce em nossas almas. Uma pura alma dentro de outra alma; e enaltece-nos, e reativa-nos aos nossos átomos superiores, e nos toma na medida de nossos atos mais puros, e nos inspira, e nos fala, e nos intui, e realiza por nós as verdades viventes em nossos íntimos! Eis o Consolador para as almas interiorizadas que vivem no mundo, mas que não são mais do mundo, que buscam manter Adão-Eva em padrões frequênciais menores, inatingíveis às emoções elevadas, às santas aspirações e realizações ao serviço.

  Assim eu sinto, assim eu penso; eu vosso irmão igual e seguidor de um Irmão Maior – um divino Ser, um Salvador – e de Seus Irmãos Mensageiros que aqui vieram sacrificar sua Paz, suas plenitudes sábias, que desceram dos mundos celestiais a fim de também ensinar em como sairmos das cadeias tecidas pelos nossos próprios e imperfeitos egos, nesse mundo de antigas provações, e a escaparmos dos astutos senhores dos reinos da não luz, e a auxiliarmos aos irmãos incautos por eles aprisionados.

“O Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não no vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós”. – João 14-17.

Por Rayom Ra

                   Este texto pode ser copiado desde que coloquem os créditos

   Rayom Ra
        http://arcadeouro.blogspot.com.br

sexta-feira, 25 de agosto de 2023

Versos da Poetisa

                                                Sonhos de um Menino

                                                    Hoje ouvi uma notícia,

                                                    Que os soldados,

                                                    Vão guerrear.

                                                    Corro até a janela,

                                                    Depois de me lavar.

 

                                                    Sento-me na calçada,                                         

                                                    Para ver os soldados passar.

                                                    Quero ser o primeiro,

                                                    Aos heróis saudar.

 

                                                    Quero vê-los,

                                                    Em lindos uniformes,

                                                    A marchar,

                                                    Os seus capacetes,

                                                    A brilhar!

 

                                                    Quantos tanques passarão?

                                                    Vou contar um a um,                                                   

                                                    O mais bonito será do capitão.

 

                                                    Será que é aqui na frente,

                                                    Que eles vão lutar?

                                                    Que alegria,

                                                    Nem posso imaginar!

 

                                                    Quero escutar os canhões,

                                                    A roncar,

                                                    E as granadas se espatifar,

                                                    E o inimigo ver correr,

                                                    E meus soldados avançar.

                                         

                                                    Vai morrer muita gente,

                                                    Se for o inimigo não faz mal,

                                                    Não quero que morra o general.

 

                                                    Pena que ainda não posso lutar,

                                                    E no inimigo atirar.

                                                    Mas serei um dia,

                                                    O soldado de melhor pontaria.

 

                                                    Meu uniforme aplausos arrancará,

                                                    E de todos se destacará.

                                                    Ó, como vou lutar,

                                                    A capitão hei de chegar!

 

                                                    E quando por aqui passar,

                                                    Todos irão me saudar,

                                                    Não é o filho do seu Benedito?

                                                    Como cresceu e ficou bonito!

 

                                                    E todo garboso vou marchar

                                                    E bem no compasso vou marcar.

                                                    Escuto uma voz a me chamar:

                                                    Menino vem almoçar,

                                                    E vai para a escola estudar!

 

                                                    Estou esperando,

                                                    Os soldados passar,

                                                    Que vão para guerrear!

                                                    Menino, neste país não há guerra.

                                                    Só existe a paz nesta terra!

 

                                                    Se nesta terra só existe a paz,

                                                    E a guerra não se faz,

                                                    Por que eu hei de crescer,

                                                    E um soldado querer ser!

 

 

/                                                            A Morte

 

                                                    Ó, Morte!

                                                    Que vens implacável,

                                                    Ceifar as cabeças,

                                                    Não escolhes a sorte.

 

                                                    Ó, mulher implacável,

                                                    E sem piedade,

                                                    Com cabelos desgrenhados,

                                                    Rindo dos ricos poderes,

                                                    E dos desajustados,

                                                    Todos fogem de ti!

 

                                                    Ó, Morte!

                                                    Por que não poupas,

                                                    Os bons de coração,

                                                    São os primeiros que vão?

 

                                                    Ó, Morte!

                                                    Eis-me diante de ti,

                                                    Estende-me a mão.

 

                                                    Mas como pode?

                                                    Eu digo, sim,

                                                   Tuas mãos brancas de cetim.

                                                   Têm o perfume das rosas.

 

                                                   Tuas lindas madeixas,

                                                   Tudo é lindo em ti,

                                                    Moras num lindo jardim,

                                                    Onde não há dores,

                                                    Queixas ou pranto.

 

                                                    Ó, Morte!

                                                    Que fiz eu,

                                                    Para merecer tanto!

 

 

                                                       Os Versos e o Poeta

 

                                                    Inspirei-me em versos,

                                                    Que só um poeta pode escrever,

 

                                                    Falei neles de paz e amor,

                                                    E nada de dissabor.

                                                    Nem de musas inspiradoras,

                                                    Ou galáxias voadoras!

 

                                                    Não falei de analistas,

                                                    Ou descobertas científicas,

                                                    E nem do pai da psicanálise,

                                                    Que nunca curou nossos males!

 

                                                    Falei das flores dos jardins,

                                                    E dos lindos campos sem fim.

                                                    E também das rosas,

                                                    Que têm vida um só dia,

                                                    Como o poeta já dizia!

 

                                                    Falei neles com ternura,

                                                    E que a vida,

                                                    Todos os dias se inicia!

 

                                                    Falei das coisas divinas,

                                                    Para embelezar,

                                                    Minhas rimas!

 

                                                    Do céu azulado,

                                                    Que fico encantado,

                                                    Sempre a contemplar!

 

                                                    Falei das águas azuis,

                                                    Que rolam para o mar,

                                                    Do riso da criança,

                                                    Quando um brinquedo alcança,

                                                    E de coisas sem par!

 

                                                    Meus versos,

                                                    Que todos escrevi,

                                                    Em folhetos imprimi.

                                                    E a todos que encontrava,

                                                    Meus versos declamava!

 

                                                    Declamei-os com ardor,

                                                    Como só faz um orador,

                                                    E todos que por mim passavam,

                                                    Indiferentes se afastavam!

 

                                                    Ó homens, que não leem,

                                                    Sobre o amor e a paz,

                                                    Jamais saberão,

                                                    Do que um poeta é capaz!

 

                                                    Será que já se esqueceram,

                                                    Dos versos de outrora,

                                                    Que o Abreu falou,

                                                    Do despertar da aurora?

 

                                                    E das sombras dos bananais?

                                                    Como ele não se escreverá jamais!

 

                                                    Esqueceram-se de Anchieta,

                                                    Que com seu bastão,

                                                    Escrevia em pequenas letras,

                                                    Os mais belos versos,

                                                    Na areia úmida e fria,

                                                    Que a noite, as ondas do mar,

                                                    Encobriam!                                                                           

 

                                                    Meus versos nas ruas,

                                                    Jogados ao léu,

                                                    Aos ventos,

                                                    E ao relento.

                                                    Sem ninguém para ler,

                                                    E entender!

 

                                                    Mas num repente,

                                                    O que me vem à mente?

                                                    Conheço alguém,

                                                    Felizmente!

 

                                                    O meu amigo poeta,

                                                    Com sua alma sensível,

                                                    Na certa,                                                                          

                                                    Os meus versos declamará,

                                                    E a mim consolará!

 

                                                    Já não me sinto desolado,

                                                    E minha alegria,

                                                    Aos quatro cantos,

                                                    Vai se estender!

 

                                                    Pois só um poeta,

                                                    A outro poeta,

                                                    Pode entender!

 


                                                           Pensamentos

 

                                                   Em silêncio sempre escutei,

                                                   Tuas queixas e desdeixas,

                                                   Sempre te escutei,

                                                   Queixas e mais queixas,

                                                   Afinal, por que te queixas,

                                                   Se há vida em ti?

 

                                                    Quantas crianças brincando em vão,

                                                    Pretas, mulatas e brancas,

                                                    Todas crescerão e estudarão,

                                                    Umas mandarão,

                                                    Outras obedecerão,

                                                    E outras se curvarão.

 

                                                    Se algum dia olhares para trás,

                                                    Pensa. Nada de bom fizeste,

                                                    Mas segue tua vida em passos longos,

                                                    Não penses no tempo: lá se foi,

                                                    Segue teu caminho.

 

                                                    Olha, um vasto mundo te espera,

                                                    Reconcilia-te com o tempo perdido,

                                                    E me dizes depois!  

 

 

                                                            A Velha Casa

 

                                                    Ó, velha casa abandonada,

                                                    Quanta saudade me traz!

                                                    Ergueram-te pedra sobre pedra,

                                                    Cortadas e contadas,

                                                    Pintaram-te de uma brancura sem par.

 

                                                    Deram-te um telhado avermelhado,

                                                    Como cerejas maduras no pomar,

                                                    Ficavas linda ao luar!

 

                                                    Enfeitaram tuas janelas de gerânios,

                                                    Coloridos ao sol, a desabrochar,

                                                    Qual aquarelas do pintor a se inspirar.

 

                                                    E como cheiravas!

                                                    Sinto ainda teu perfume,

                                                    De jasmim,

                                                    Que florescia na primavera,

                                                    Em teu jardim.

                                                                                              

                                                    Eras forte como um rochedo,

                                                    Ao mar desafiar,

                                                    Abrigastes tantos filhos,

                                                    Nem o tempo sentistes passar.

 

                                                    Sempre ao relento,

                                                    Sob chuva ou vento,

                                                    Nunca te ouvi reclamar!

                                                    À volta de um filho pródigo,

                                                    Aceitavas sem perguntar...

 

                                                    Hoje velha casa aí estás,

                                                    Vim abraçar-te e me despedir,

                                                    Também vou te deixar,

                                                    Estás velha demais!

 

                                                    Não tens mais o calor de outrora,

                                                    Teus jardins não florescem mais,

                                                    Aí estás desprezada e nua,

                                                    As portas caídas para trás...

 

                                                    Ó, velha casa abandonada,

                                                    Quanta saudade me dás!  

   

 

                                                                 O Mar

 

                                                    Ó, manso mar,

                                                    Que as águas em ti flutuam,

                                                    Trazes a doce brisa que murmura,

                                                    É lindo ver a lua te pratear!

                                             

                                                    Abraças a areia,

                                                    Como um amante a chorar,

                                                    Fico horas e horas a te olhar,

                                                    E a doce brisa a me acalentar,

                                                    A quem pertences, ó, mar?

 

                                                    Os poetas em ti se inspiram,

                                                    Em seus lindos versos e trovas,

                                                    Dás inspiração aos pintores,

                                                    Que te pintam sereno ou bravio,

                                                    Em lindas cores!

 

                                                    E os amantes,

                                                    Que ao mar a navegar,

                                                    Perdidos no tempo,

                                                    Sobre ti mil histórias a contar....

 

                                                    Ó Mãe Natureza,

                                                    Como és formosa,

                                                    Com tua bondade permites,

                                                    Que os poetas te exaltem,

                                                    Em versos e prosa!

 

 

                                                             Palmeira Solitária

                                                      

                                                    Aí estás palmeira solitária,

                                                    Com tuas folhas amareladas,

                                                    Teu tronco já se encurvou,

                                                    Que o tempo se encarregou!

 

                                                    Conhecia-te esguia e frondosa,

                                                    Com teu corpo ereto a se destacar,

                                                    Eras bela, sempre altiva,

                                                    A primeira ao sol saudar!

 

                                                    Todos os dias que eu podia,

                                                    Vinha para te admirar.

                                                    Teus galhos com a brisa a embalar,

                                                    Soavam-me uma canção de ninar!

 

                                                    E tua sombra que gostosura,

                                                    Meu corpo a refrescar,

                                                    Cansado adormecia,

                                                    E lindos sonhos a sonhar!

 

                                                    Passaram-se nossas vidas,

                                                    Como passos lentos e vagarosos,

                                                    Eu à tua sombra sonhando,

                                                    E tu com a brisa se embalando!

 

                                                    Hoje me sinto cansado,

                                                    Sem forças para te abraçar,

                                                    Nossas vidas predestinadas,

                                                    Estão prestes a se acabar!

 

                                                    Para tu não ficar triste,

                                                    Aqui estou para me despedir,

                                                    Pois nada mais me espera,

                                                    Morreremos nesta primavera!

 

 

                                                                Ó, Mundo!  

     

                                                     Ó, Mundo!

                                                     Por que te culpam tanto assim?

                                                     Tens o formato de uma linda esfera,

                                                     Todo envolto de azul inatingível.

 

                                                     Brilhas com a luz do sol,

                                                     Prateia-te a lua,

                                                     Escureces com as noites de tempestades.

 

                                                     Dentro de ti crescem em exuberâncias,

                                                     as mais lindas flores,

                                                     E dentro de ti pulsam bilhões de corações

                                                     por minuto,

                                                     E todos os minutos batem ao som,

                                                     do compasso da música.

 

                                                     Ó, Mundo!

                                                     Os que falam mal de ti e te culpam,

                                                     Não se dão conta de teu redor.

 

                                                     Ó, Mundo!

                                                     Não tens culpa,

                                                     Por que te culpam das guerras,

                                                     Que os homens maus querem lutar.

 

                                                     Culpam-te dos pobres de espírito,

                                                     Que levam a vida inteira,

                                                     ao ouro amontoar,

                                                     Caminham os homens com fome,

                                                     Mendigos e maltrapilhos,

                                                     Que a vida tudo lhes negou.

                                                     Descrenças e blasfêmias...! 

       

 

                                                                  Maria

 

                                                     Ó, Maria!

                                                     Se me aparecesses um dia.

                                                     Meus olhos levantar,

                                                     Eu não ousaria,

                                                     Somente aos teus pés,

                                                     Eu beijaria!

 

                                                     Muitos já te viram andar,

                                                     Sobre o revolto mar,

                                                     Sem as vestes,

                                                     E os pés molhar!

 

                                                     Já aparecesses nos montes,

                                                     Prados e fontes,

                                                     Às crianças a abençoar,

                                                     Com teu vestido branco,

                                                     Como o lírio,

                                                     Que floresce no campo!

 

                                                     Ó, Maria!

                                                     Como pedem por ti.

                                                     Maria do Socorro,

                                                     Dos Navegantes,

                                                     Ou Maria da Graça,

                                                     Que volva os olhos,

                                                     À humana raça!

                                                     E te carregam em andores,

                                                     Todo enfeitado de flores,

 

                                                      Ó, Maria!

                                                      Cativa de tantas dores.

                                                      Grandes rainhas,

                                                      O teu nome tiveram,

                                                      E nem um só momento,

                                                      Teu nome invocar quiseram!

 

                                                      Outras, entrementes,

                                                      Pedem à Maria do Parto,

                                                      Pelo seu filho no ventre,

                                                      E ao sol nascente,

                                                      Ó Maria milagrosa,

                                                      Pedem por tua cura,                     

                                                      A um doente!

 

                                                      E ao poente,

                                                      Do alto de um campanário,

                                                      Badala o sino da igrejinha,

                                                      De Maria do Rosário!

 

                                                       Deste à luz, ficando virgem,

                                                       Sem teu esposo te tocar,

                                                       E tiveste a grande sina,

                                                       De o menino ocultar!

 

                                                       Ó, Maria Peregrina,

                                                       Andaste como uma errante,

                                                       Sem descansar.

                                                       E, os arcanjos,

                                                       Por onde andavas,

                                                       Teus caminhos cobriam,

                                                       E os anjos,

                                                       Teus rastros encobriam!

 

                                                        Hoje no Céu,

                                                        Curvam-se à tua passagem,

                                                        E aqui na Terra,

                                                        Esperam uma tua mensagem!

 

                                                        Ó, Maria!

                                                        Se me aparecesses um dia,

                                                        Meus olhos levantar,

                                                        Eu não ousaria,

                                                        Somente aos teus pés,

                                                        Eu beijaria!

 

                                                        E te faria um pedido, enfim,

                                                        Colher uma rosa,

                                                        Do teu imenso jardim!

 

 

                                                              Hosanas ao Senhor

 

                                                        Profetizaram tua vinda,

                                                        Muitos já te esperavam,

                                                        Saudaram-te com clamor,

                                                        E te chamaram Senhor!

 

                                                        Multidões te seguiam,

                                                        Por um milagre ou curiosidade,

                                                        A todos falavas com amor,

                                                        Os mandamentos do Senhor!

 

                                                        Escolhestes doze sábios,

                                                        Ensinastes ainda tua sabedoria,

                                                        E pregaram com fé e ardor,

                                                        As palavras do Senhor!

 

                                                        Não acumules riquezas,

                                                        E perdoa teu inimigo,

                                                        Compartilha com sua dor,

                                                        Assim agradas ao Senhor!

 

                                                        Abençoastes às criancinhas,

                                                        Serão o reino dos céus,

                                                        Chamaram-te profetizador,

                                                        E tocavam as vestes do Senhor!

 

                                                        Respondias com sabedoria,

                                                        Dai a César o que é de César,

                                                        E não tenhas nenhum temor,

                                                        Obedecerás ao Senhor!

 

                                                        E cumpriam-se as profecias,

                                                        Morrestes para nos salvar,

                                                        Sentas à direita do Criador,

                                                        Anjos cantam em louvor!

 

 

                                                                 Última Cerimônia

 

                                                        Chegaste todo de branco,

                                                        E humildemente te sentaste à mesa,

                                                        Os olhos curiosos seguiam,

                                                        Teus menores movimentos.

 

                                                        Todos te olhavam,

                                                        Seria mais uma surpresa,

                                                        Depois de tantas que fizeste.

                                                        Partiste o pão e o vinho.

 

                                                        Comeram e beberam em silêncio,

                                                        Ninguém ousava perguntar.

                                                        Levantaste da mesa,

                                                        Os olhares novamente te seguiram.

 

                                                        Com teu corpo esguio,

                                                        Seguiste teu caminho,

                                                        Para nunca mais voltar.

 

                                                                         

                                                                 Mestra Astréa

 

                                                        Ó, Mestra Astréa!

                                                        Bondade sem par!

                                                        Comandas no azul do infinito,

                                                        E tuas legiões de anjos,

                                                        Permites a nos purificar.

 

                                                        Tens o nome de Mestra,

                                                        Porque és a sabedoria.

                                                        Tens o formato de estrela,

                                                        Tua luz nos irradia.

 

                                                        Ó, Mestra Astréa!

                                                        Embebes nossas cabeças,

                                                        Com teu bálsamo purificador,

                                                        Tua bondade nos atinja,

                                                        És o símbolo do amor! 

                 

 

                                                                   Chama Azul

 

                                                        Chamei-te com todo o meu amor,

                                                        Num repente tudo se transformou,

                                                        O céu, as nuvens, tudo em azul ficou,

                                                        Vieste toda bondade.

 

                                                        Socorre-me por piedade,

                                                        Necessito de fé.

                                                        E ouviste meus rogos,

                                                        Eu te agradeço chama de bondade                                                                       

 

                                                               Chama Violeta

 

                                                        Tu te destacas das demais,

                                                        Amainas os ventos,

                                                        E as tempestades.

                                                        Aos que pedem por ti,

                                                        Não esqueces jamais.

                            

                                                        Socorres aos aflitos,

                                                        Penetras em hospitais.

                                                        Penetras entre grades,

                                                        Partes os grilhões,

                                                        Consolas os desajustados.

 

                                                        Ó, cor violeta,

                                                        Vens com tua chama,

                                                        Ardendo força,                                               

                                                        Aos pobres de espírito,

                                                        Que necessitam de teu calor.

 

                                                        Tens força e poderes,

                                                        Amparas os do abismo,

                                                        Não os deixas cair.

 

                                                        Ó, Misericórdia Divina,

                                                        Força dos astrais,

                                                        Acalenta-nos,

                                                        Todas as horas do dia.

 

                                                        Dando-nos força, 

                                                        Amor e energia,

                                                        Para transpormos 

                                                        Os teus astrais!

 

      Lúcia Grabowski de Mello (25-11-1922 - 29-12-2011) foi uma lição de vida. Esotérica, umbandista, doméstica, esposa, mãe, avó e bisavó, escreveu poemas, que aqui colocamos alguns em homenagem à sua bela existência.


                                                                        Rayom Ra

 

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