quinta-feira, 25 de abril de 2019

A Igreja Gnóstica - [R]

  [Reedição]
  Apresentamos extratos da obra A Igreja Gnóstica, do Dr. Krumm Heller, fundador da Fraternidade Rosacruz Antiqua – Fra, onde o autor nos traz uma panorâmica do que seja sua Igreja e o gnosticismo por ela representado.

       “Assim como em todas as religiões existe um Livro Sagrado, Bíblia ou Conjunto de todos os ensinamentos e doutrinas que integram cada uma dessas religiões, do mesmo modo, nós gnósticos, dentro de nossa igreja, dispomos também de um Livro Sagrado; e, com algumas referências sobre ele. Quisera começar seu estudo, advertindo, desde já, que para compreender os diferentes autores, temos que levar em conta a época e o sentido esotérico em que foram escritos. O que é o Talmude para os semitas, o Bhagavad-Gita para os budistas(*), o Corão para os muçulmanos e a Bíblia para os cristãos, assim é para nós a Pistis Sophia.

  (*) Não sabemos com exatidão por qual razão o autor subordinou os seguimentos búdicos ao Bhagavad-Gita, uma vez que seja tradicionalmente dos ensinamentos védicos da Índia. O Bhagavad-Gita, conhecido como O Canto do Senhor, é um capítulo do grande poema épico da Índia, o Mahâbhârata, com idade de mais de 5.000 anos, enquanto o budismo surgiria em 500 a. C. Sabemos que Buda parece ter tido sua iluminação no sul do Nepal, que é um país cujos limites são ao norte a China Tibetana, e ao sul, leste e oeste a Índia, não tendo o Gautama obedecido aos preceitos de nenhuma outra religião, e nem mandado elaborar um livro, código ou credo, embora, presuma-se, tenha sido em certa época influenciado pelo bramanismo, até encontrar seu próprio caminho.

  Entretanto, como o Nepal é um país de muitas tradições étnicas e a população indu detém aproximadamente 80% da sua massa populacional, torna-se mais compreensível que segmentos ou ramos budistas pós Buda, possam lá mesmo assimilar da tradição indu e de suas escrituras, embora o Gautama não tenha edificado o dinamismo de sua doutrina e filosofia original sobre aquela tradição religiosa, nem sobre outra qualquer tradição. (Rayom Ra)
Ficheiro:Dr. Henrich Arnold Krumm Heller.jpg
Arnoldo Krumm Heller - 1876-1949
  Vejamos, pois, em síntese, o que diz sobre ela um historiador, e então concluiremos que o Pistis é um livro e uma entidade espiritual ao mesmo tempo. Trata-se do livro máximo de todas as doutrinas, publicado em latim no ano de 1851, por Schwartze e Petermann, de acordo com o código do Museu de Londres, chamado “Askeniano”, cuja antiguidade remonta do século III, ainda que alguns achem mais prováveis ser do século V. (Opus Gnosticum adjudicatum est Códice manuscripto Cóptico Londinensi descripsit est latine verit M.G. Schwartze).

  O original grego desta obra, que serviu de base nos primeiros séculos, não pôde ser encontrado. Só se tem o texto saítico, que é uma tradução para o copta, do manuscrito primitivo. Quanto ao papiro copta, foi encontrado no Egito, sem que nada pudesse testemunhar se o original grego foi composto, também, nesta localidade. Entretanto, todos os críticos concordam em que a obra provém de algumas das múltiplas escolas ou sociedades gnósticas primitivas, acreditando-se, mais ainda, que pertenceria aos ofitas.

  Divide-se em 148 capítulos e em quatro grandes partes ou livros. O primeiro e o quarto não levam títulos, enquanto que o segundo intitula-se: Segundo Livro de Pistis Sophia. Apresenta, também, um rótulo no final que diz: Parte dos Volumes do Salvador. Este mesmo rótulo volta a aparecer no final do terceiro livro que, contudo, aparece sem cabeçalho. Esta falta de homogeneidade é que faz com que alguns críticos suponham que a Pistis Sophia não foi composta de acordo com uma estrutura unitária e que a maior parte de seus escritos seja de épocas diferentes. Por isso garantem que o Quarto Livro é mais antigo que os outros.

  Ao escrever-se essa obra, supõe-se que hajam transcorrido onze anos desde a ressurreição de Jesus e se o descreve conversando com seus discípulos no Monte das Oliveiras, dando-lhes a conhecer as grandes e supremas verdades iniciáticas. Com a vestimenta de luz que o rodeava, pôde atravessar o mundo supra-sensível, e remontando-se de esfera em esfera foram-lhe franqueadas todas as portas, atemorizando os próprios Arcontes ou Guardiões Daqueles Lugares, que o adoraram.

  Jesus chega ao plano onde estão esses Arcontes ou Senhores Tiranos, cujo príncipe é Adamas. Eles vêm a ser os donos do destino. Mas Jesus, provido de seu habitual heroísmo, chega ao 13º. Eon, onde se encontrava estacionada primitivamente a Pistis Sophia. Em relação a isto, conta a seus discípulos a história deste ser misterioso que, pretendendo chegar à região da luz suprema, atravessando os doze eones, sai de sua morada limitada pelo 13º. Eon e, ao ascender em seu voo, é atirado pelos Arcontes na imensidão do caos. Tal era a triste situação da Pistis, até que o Pai lhe enviou Jesus como libertador. Jesus, então, apela a Gabriel e a Miguel, para que a levem em suas mãos com a finalidade de que nenhuma de suas partes se perca nas trevas, transladando-a, assim, do caos para um lugar que se encontra abaixo do 13º. Eon. Por fim, depois de uma cruenta luta, Jesus despoja os Arcontes de suas luzes e a Pistis Sophia é conduzida ao Lugar Sagrado, onde mora, como todos os seus irmãos invisíveis.

  Na história da Pistis Sophia, o relato se interrompe repetidas vezes com o recitativo de vários hinos que ela fazia chegar do Caos à Luz. Estes são 13 e cada vez que Jesus recita um deles aos seus discípulos, convida-os a dar sua explicação. Com frequência falam as santas mulheres, Maria ou Salomé. Outras vezes algum apóstolo, como André, Pedro, Mateus ou Felipe, os quais interpretam os hinos da Pistis, adicionando alguns salmos de David ou Salomão. É uma característica dos gnósticos coptas não procurar outra autoridade para confirmar seus escritos a nãos ser as Sagradas Escrituras: e se algum sincretismo se observa neles, é mais na forma do que nas idéias.

  Depois, este livro, trata da sorte que espera as Almas além da morte, revelando-nos o que acontecerá a cada uma das diferentes categorias de homens; as alegrias e privilégios que aguardam uns, e os tormentos e penas que afligirão a outros. Seu tema principal é, pois, a redenção das almas.

  Na primeira parte, ocupa-se da sorte das almas privilegiadas, isto é, dos apóstolos, das santas mulheres e dos perfeitos ou iniciados, que haviam renunciado à matéria e aos cuidados do mundo. Na segunda, revela-nos o destino reservado às outras almas, especialmente às que se arrependem de seus pecados. Depois, vem outra parte em que se trata dos Mistérios e de sua eficácia. Finalmente, chega-se àquela em que se descrevem os tormentos dos condenados. Veremos mais tarde que o principal são os Mistérios e que tudo o mais gira em seu redor.

  No quarto livro, fala-se da ressurreição de Jesus, de quem se diz que venceu os Arcontes do Destino e da Fatalidade, cuja sombra nefasta deixará de pesar, daí em diante, sobre os homens. Aqui, Jesus relata a seus discípulos as façanhas destes Arcontes, filhos de Adamas, os quais, persistindo em seu afã do procriar, deram origem aos Arcanjos, Anjos, Liturgos e Decanos, até que interveio Jeú, a quem Jesus chamava de PAI DE MEU PAI. Jabraoth Adamas e os seus se obstinaram em seu pecado; por isso Jeú os prendeu à Esteira onde atualmente formam parte do Zodíaco, vindo estes a ser os Arcontes do Destino, os quais tiranizavam os homens cujos passos a astrologia trata de investigar.

  Continua, ainda, a descrição do modo torturante como os Arcontes penetram nos homens e os incitam ao mal, atraindo sobre eles terríveis castigos e perdição absoluta. Até aqui, eis o quanto se pensa profanamente e se percebe dos ensinamentos deste livro sagrado sobre o qual os historiadores e investigadores não podem se aprofundar por falta de Chaves. Pistis, para nós, significa FÉ, mas não nossa fé habitual, que resulta da aceitação de uma opinião estranha, porque a contaram. Não. Fé, em sentido bíblico, é uma força, é a força mágica, que basta se ter tanto quanto um grão de mostarda para se levantar uma montanha e jogá-la ao mar. Sophia, sabemos que é ciência, de modo que Pistis Sophia é poder ciência, é teurgia, magia branca, cuja chave, naturalmente, não se pode dar neste livro., mas se dá nos cursos secretos que podem ser proporcionados pelo autor. Aí está a diferença principal entre ela e a teosofia indu. Aquela é teoria, e muitos são até contrários à prática da magia. O gnóstico exige primeiro o governo de Pistis e depois a comprovação dos fatos. É, pois, antes de mais nada, prática real, efetiva, sem nada de especulação à priori.

  É racional e justo que alguns críticos suponham, devido à falta de concordância e homogeneidade de suas partes, que esta obra não foi escrita com vistas a uma unidade e a um plano pré-concebido, mas isto se deve ao fato de que, na tradução de Schwartze e ainda no códice do Museu de Londres, só existam fragmentos esparsos deixados, indubitavelmente, por algumas das primitivas escolas gnósticas.

  O livro completo, íntegro, intacto, o verdadeiro original grego, tal qual foi escrito e com toda a pureza de seus ensinamentos, está em poder de nossa Santa Igreja, como relíquia esotérica, que não é dado a conhecer, senão àqueles que estão em condições de receber suas profundas e claras verdades.

  (...) A ação da substância cristônica do sol em nosso sangue, como é experimentada pelos Rosa-Cruzes, e como já a descrevemos em nosso livro “Plantas Sagradas”, nos dá a chave da pré-história dos povos e permite formar grupos de sangue como os idealizados por Wirth, oferecendo-nos a solução de todos os enigmas da natureza. E, da mesma forma, a chave de todos os cultos, e nos transporta à primitiva linguagem de luz explicada em nosso livro “Logos-Mantram-Magia”. Todas essas experiências nos demonstraram que aquilo era sabido nos mistérios antigos e o que conhecemos hoje, mediante a Igreja Gnóstica, têm base real e positiva. Contudo, o que os citados investigadores fizeram foi materializar estes conhecimentos.

  (...) E perguntareis por que a Igreja Gnóstica dá mais importância a Jesus da Galiléia que a qualquer outro fundador de religião? Pois bem: porque entre aqueles e Jesus existiu uma grande diferença, que foi a Ressurreição. Nem Lao-Tsé, nem Confúcio, nem Buda, nem Maomé ressuscitaram. Terminaram para nosso mundo visível ao acontecer suas mortes. Só o corpo astral do Nazareno regressou e se perpetuou com todas as forças. O processo iniciático ficou, em consequência, completo somente nele, e daí que seja tão necessário e interessante a imitação de Jesus. A substância de Jesus, do Logos Solar, se propagou pelo mundo e transformou seu ambiente perpetuando-se até nossos dias como essência solar, que oferecemos em nossa Unção Eucarística.

  A Eucaristia não é somente uma simples rememoração, nem devemos tomá-la ao pé da letra como fazem os católicos quando afirmam que, se um sacerdote pronuncia a fórmula HOC EST ENIM CORPUS MEUM e depois a de HIC EST ENIM CALIX SANGUINIS MEI, instantaneamente o pão se converte em carne e o vinho em sangue. Nem mesmo como os protestantes, ao afirmar que a ceia é tão somente uma lembrança imorredoura do ágape do Senhor. A igreja Gnóstica transita por um caminho médio. O verdadeiro sacerdote ao pronunciar nossas fórmulas sagradas pode, se quiser, despertar a força solar dentro do pão para que tenha vida, como também pode curar, se o desejar, o corpo e a alma de todos os seus semelhantes.

  (...) O credo romano, que foi retirado também dos mistérios, contém as frases que destacamos: “Creio em...o todo visível e invisível...em Jesus Cristo...que nasceu do pai antes de todos os séculos. Deus de Deus, luz de luz...por quem foram feitas todas as coisas”. Este princípio imaterial – ainda que este termo não seja exato – é o éter químico, cuja base é a substância de Cristo. A diferença entre o catolicismo e a Igreja Gnóstica estriba-se em que, para nós, Cristo é uma substância e sua existência na Terra, um fato ou um fenômeno cósmico-biológico, enquanto os católicos somente dão importância ao fato histórico-material desconhecendo o verdadeiro mistério da substância cristônica.

  Nossa Igreja tem três únicos sacramentos: o Batismo, a Eucaristia e a Extrema-Unção, cujo ritual tem um poder mágico e eficaz. Conserva, também, a Confissão, porém, não ao modo dos católicos. A nossa é uma espécie de solicitação de conselhos e instrução que se faz ao sacerdote, já que este, como conhecedor da parte oculta, pode dar e oferecer normas em cada caso concreto. Não aceita pecados, mas, sim erros, porquanto se tem como um absurdo fazer crer aos demais, que seus pecados serão perdoados, quando ninguém pode adjudicar-se esse poder, nem prestar, sequer, a menor ajuda nesses problemas em que só é responsável a personalidade de cada um. Em troca, o erro se pode corrigir e reparar com o conselho do sacerdote gnóstico, porque ele une ao seu ministério a qualidade de ser um médico por excelência que, dentro da psicanálise, lhe é dado transmutar os erros e fazê-los converter-se em santas e puras verdades.

  Para isto é necessário estar com boa disposição e em condições de receber Forças Divinas, cuja atitude só se consegue colocando-nos em contato com a Santa Eucaristia. Um sacerdote, como não é infalível em sua vida comum, poderá enganar-se numa de suas apreciações ou opiniões; porém ao atuar como sacerdote neste sagrado sacramento, todas as forças se concentram nele e, então, representa um Alto Iniciado, o Ungido, o próprio Deus e esparge e dá aos demais tudo quanto recebe. Nesse supremo instante é quando devem se aproximar do altar todos os enfermos e aflitos. Dali, certamente, sairão curados.

  Todos os grandes iniciado, aqueles que chamamos Santos e Pais de nossa Igreja Gnóstica, estão de acordo com essa doutrina, e assim a deixaram exposta em obras transcendentais que hoje, dificilmente, poderão ser encontradas nas bibliotecas. A Igreja Católica em sua luta para conseguir seu estabelecimento no mundo, fez tudo quanto pôde para apagar os vestígios da presença dos gnósticos, cujos ensinamentos eram demasiado claros e abertos, e muito ampla a sustentação da verdade. E, embora, depois corressem rios de sangue para a imposição do cristianismo em sua forma católica, ela se valeu, nos primeiros séculos, de meios mais diplomáticos, retornando, então, à queima de livros, a falsificar outros e a recolher os de maior importância iniciática que hoje se encontram escondidos no Vaticano. Muito, naturalmente, está expresso neles metáforas, em símbolos, que os católicos não se deram ao trabalho de decifrar, porém, que agora nos vemos forçados a esclarecer, cumprindo nossa missão, embora isso seja com dezoito séculos de atraso.

  Vamos, finalmente, consegui-lo-lo com Epifania. Epifania é uma palavra procedente do grego, que mesmo sendo a atual ocupação e preocupação constante dos teólogos, não permitiu que se obtivesse resolutamente sobre ela uma justa e acertada explicação. Contudo, podemos dizer que entendemos por Epifania, a Revelação, a Ascensão ou a Manifestação de Cristo em nós".

Rayom Ra
                                                      Rayom Ra                                                                                                     http://arcadeouro.blogspot.com.br   

 "O texto pode ser copiado e reproduzido desde que dados os seus respectivos créditos"


quarta-feira, 17 de abril de 2019

Enquanto Eu ainda aqui Estiver - [R]

[ Reedição ] 

A VERDADE

  Irmãos, o que é a verdade? O Grande Mestre calou-se diante de seu inquiridor. O santo silêncio calou a voz do cordeiro. Esse mesmo silêncio cala também nas almas reflexivas de quem somente consegue responder a si próprios e não ao mundo. Cada personalidade é um mundo e cada mundo detém a prístina verdade. E a verdade não está escondida, mas diante do brilho de cada olhar das almas abastecidas. E ela brilha de tal forma que não consegue ser penetrada por olhos de não ver. Por isso, Jesus calou-se diante de Pilatos. Pois o que as palavras diriam a Pilatos quando os olhos dele não conseguiam ver-se e nem a alma sentir-se? Não creiais, irmãos, que descumpro tal parâmetro. Não seria sensato nem digno assim me representar diante de vós. Quem sois, então, e o que pretendeis com essa busca de comunhão de ideias: acaso todos desconhecem que a verdade está tão clara e distinguível tanto quanto esteja ela encoberta?  

  Sim, irmãos, inúmeros de vós tendes conhecimento de que a verdade encontra-se indelével em cada um e a cada um se revelará em porções definidas quando os degraus forem galgados conscientemente. Pois cada alma, cada ser reencarnante que desceu a esta Terra veio pela sabia vontade do Pai trazendo no imo Sua Presença. E se a Presença do Pai está no imo de cada um então ali está a mais pura verdade. Entretanto, é lícito reconhecer que inúmeros ainda dormem e não despertaram em tempos após tempos, por isso não veem e nem sentem.

  Mas não vós, irmãos, a quem me dirijo diretamente, e que possuís a vossa verdade cunhada na intenção e nas boas e conscientes obras. Por que esta verdade é visível e sensível a todos os que fazem como vós, não importando o modo como façais uma vez que estais viventes na presença espiritual que é uma só. Pois a verdade no imo é viva e bebível como são as águas do regato que correm cristalinas nesta ou naquela direção. E a isto sabeis por intenção própria e pessoal, por vocação ou amor. No entanto, que a vossa verdade seja sempre das águas cristalinas que se movam diariamente, que nunca estacionem e nem se descumpram ante o tronco que lhes atravessa o caminho, e nem se deixem seduzir por um falso e narcísico brilho delas mesmas refletido. Mas sendo essa a sedução, a verdade ora cálida, morna ou refrescante deixará então de vos ser fluente e como águas barradas na nascente secarão em seu próprio leito.

  Em mim, irmãos, pulsa também a verdade que veio sendo buscada na consciência desde tempos remotos nesta Terra de Gaia. Quem sou, perguntais, e vos respondo. Sou como vós irmãos da criação, aquele que tem na sua trilha de milhões de anos sua própria história, a minha história. Em quem a verdade antes não habitante de meu ego, hoje pulsante em mim a cada batimento de meu coração, rebrilha aos meus olhos: essa, a verdade que se mostra cada vez mais claramente, que não precisa de declarações formais para sua real identidade, bastando ouvi-la e vive-la. Sim, eu sou aquele que visitou esta Terra centenas de vezes, que com ela misturou-se; um Adão terreno que viveu pelo sopro do Criador, como o múltiplo Adão que ainda vive no seio de toda a humanidade crendo-se o conhecedor. Mas não sou somente esse; vós não sois somente ele. Nele estais, nele respirais, nele viveis no âmbito de vossas ações e pensamentos terrenos, e, no entanto, entendais bem, não sois ele – não somos mais ele! Esse Adão de tantas vidas, tantas encarnações, tantas Evas de si mesmo viveu as ilusões, nasceu de diferentes ventres, renascendo sempre.

  Sejamos objetivos: cada personalidade é um Adão, uma Eva, aprendizes no finito do espaço-tempo, em cujos íntimos a verdade incondicionada e irrepreensível ainda não reverbera, mas aguarda, se oculta, oferece-lhes o campo e as analogias. Disse o Mestre: Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida e ninguém vem ao Pai a não ser por Mim. Esse Sou eu – o Eu Sou – e esse Sois vós.

  Agora as imagens se ampliam, alternam-se os parâmetros e penetramos através de outros corredores. Se eu não sou somente esse, mas também aquele, então a verdade estará naquele e não nesse? Por que terei eu vivido tanto e tantas vezes nesse e não somente naquele? Será então a minha verdade tão zelosamente guardada, um modus vivendi interior enganoso e falso?

  Dir-vos-ei irmãos do modo como posso. Somos esse Adão-Eva terrenos e também aquele a quem o Mestre se referiu. Ele é o Cristo, o Cristo está nele; ele é Jesus e ao mesmo tempo Cristo, dois em um e um em dois. Jesus é o conhecedor, Cristo é a sabedoria, a verdade e a vida. Ele disse, ele confirmou várias vezes.

  Então, a verdade está Nele e não em Adão-Eva. Esses nascidos de ventres terrenos são os aprendizes, detêm suas verdades através de centenas de encarnações; são feitos do pó, da terra, são projeções, não são do espírito infinito; são volúveis, corrompíveis e corrompedores; assim já disseram tantos profetas. Porém, a verdade dos que se redimem, que ainda vivem no plano terreno, é aquela que avança em direção a Jesus, o conhecedor, e miram Cristo, a estrela de luz inefável. Jesus são os degraus da luminosa escada da ascensão; mas não iguais aos degraus de Jacó, o empreendedor de outros tempos, o pai dos doze, aquele que veio antes para povoar as almas e não ainda para ser o Salvador.

  Desse modo, todas as verdades que vêm de Adão-Eva mesmo em remissão dos erros são somente as diversas faces, as projeções na personalidade, nas suas emoções, creiais nisso e não vos deixeis enganar. Porém, somente serão definitivamente límpidas e transparentes como o riacho de águas cristalinas, quando forem qual Jesus em vós: uma única e perfeita vertente do começo ao fim. E se a isso não credes em vossos íntimos, pelas vossas presunções, o filho do homem não herdará a terra e não alcançará a mansidão de Jesus; esta somente vos descerá e vos possuirá pelo conhecimento da verdade que purifica e pelas constantes práticas do amor que redime.

  Jesus disse; conhecereis a verdade e a verdade vos libertará. Sim, ele disse, mas não ensinou que devíamos procura-la fora por que a verdade é ele próprio, a via interna, o conhecimento real que leva à sabedoria e a sabedoria que leva à libertação. Reflitamos: digo-vos que a verdade é uma só, mas as nuances são diversas, os gostos são vários, as ações numerosas e os enganos humanos ainda muitos. Pois o espírito de Deus é uno e está em todos, como o imenso exército de almas que pululam pela Terra em febris atividades, que também é uma só, uma só alma. Como pode isso? Sim, irmãos, somos personalidades nesta Terra, mas vive em nós a Chama de Deus-Pai e a alma da Deusa-Mãe e todos são um só. E embora o espírito seja um com tudo e a alma em todos esteja, em vossas qualidades e aparências, as personalidades Adão-Eva em vossos íntimos ainda debatem-se levando a enganos.

A PRESENÇA

  Disse Jesus: Em verdade, em verdade eu vos digo; antes que Abrão existisse, Eu Sou. Que misteriosas palavras proferira o Mestre! Sabeis muito bem, irmãos, que os mundos detêm idades astronômicas. Sistemas solares dissolvem-se, mundos são de novo habitados e universos se expandem. Abraão é referido como o pai da humanidade. Teria nascido em Ur na Caldéia há 2000 anos a.C., portanto muito antes de Jesus e nem por isso o Mestre deixou de citá-lo como um marco na vida semita. Diz a lenda que Melquisedeque de Salem, no papel de uma encarnação de Deus na Terra, profetizara-lhe que a descendência dele, Abraão, contaria mais do que as estrelas no céu.

  Credes, irmãos, em Deus, na encarnação de almas e em seus retornos a esse mundo ora para expiar os seus erros ora para reaprender lições ou continuar em seus avanços em direção e volta ao Criador? Sem dúvida. Não fosse assim, a vida vos soaria sem o menor sentido! Como entender tantas coisas sem a reencarnação e ainda assim crer num Deus Todo-Poderoso criador de tantas belezas, tantos amores e tantas perfeições, mas insensível à dor, à miséria, à maldade e aos crimes hediondos grassantes a solto nesta Terra? Neste contexto vazio, a nós, almas experientes, não haveria a menor lógica em sermos religiosos, esotéricos ou seguirmos ideias disciplinadoras de homens inspirados. Inspirados por quem? Intelectuais, poetas, artistas e homens de ciência ainda se revelam simplesmente ateus por que a realidade de Deus não lhes sensibiliza, não encontra ecos em seus íntimos – oh, que lástima! Quanto mais a existirem aqueles que professam um Deus, mas que não admitem a clara e lógica revelação da reencarnação. E as religiões, por isso, pagam também o preço do ateísmo por consequência de um Deus severo e seletivo.

  Irmãos de toda uma nação de espíritos que para esta Terra viestes, saibais o quanto lutastes por remover a destruição das legítimas pregações de nosso senhor Jesus Cristo que guardastes em vossas mentes e corações. Quantas de nossas cabeças rolaram; quanto os malignos travestidos de discípulos do Mestre, ostentando tremulantes estandartes com a divina cruz estampada e portando insígnias sacrossantas em seus peitos, nos trespassaram com suas lanças e espadas polidas, ou nos imolaram em praças públicas com pedras ou com o fogo que a eles mesmos não purificaria. Lembrai-vos dos primeiros cristãos que fomos – os crucificados ou devorados pelos leões – e das incansáveis perseguições dos adoradores do politeísmo deturpado, das usurpações pelos padres dos sagrados direitos cátaro-albigenses e de inomináveis mortandades a que fomos vitimados. Sim, lá estávamos, lá estivemos a oferecer nossas vidas em sacrifícios extremos de amor ao Deus Criador e a seus profetas.

  Quantos saberes os malignos entranhados nas almas sacerdotais não conseguiriam destruir na religião, se a revelação da lei da reencarnação não houvesse sido suprimida. Saberes que hoje haveriam de emoldurar suas escrituras! Faraós outros sabiam, Akhenaton sabia, Moisés sabia, Buda sabia, Jesus sabia. No entanto, foram divergidos os textos que a isso se referiam. Homens, o quanto deveis ainda aos vossos irmãos por terdes ocultado ou desfigurado esta e outras verdades esclarecedoras, e, juntamente aos malignos a quem elegestes por mestres, também enganastes a respeito de Deus e Seus divinos propósitos!

  Entretanto, a Presença, o Eu Sou revelado aos eleitos foi também revelado ao mundo profano pelas pregações do Mestre há dois milênios. O Eu Sou é exatamente Deus em nós, em todas as almas encarnadas; é a Vida Criadora que está muito além do espaço-tempo e da personalidade Adão-Eva. EHYEH ASHER EHYEH: EU SOU O QUE EU SOU eis a tradução cabalística de todos os tempos, antes mesmo de Jesus, Moisés, de Abraão, Noé, ou do Adão bíblico e de todos os personagens da magia de povos mais antigos.

  Acreditais que na Lemúria, há milhões de anos, já raças tinham conhecimento deste poder secreto em cada ser, em cada vida humana? E que a própria linguagem verbalizada existia com muito menos vocábulos e articulações sonoras, e que ainda assim grandes revelações hoje não compreendidas pelos estudiosos do ser espiritual foram simplesmente vivenciadas com inofensiva naturalidade? Isso mesmo, irmãos, nada é novidade no Deus Criador. Todos os Seus segredos sempre foram nossos por sermos eternos e existirmos como partículas de Seu Ser. Somos Suas chamas que Ele manifesta e depois as recolhe para o Seu íntimo sem nunca terem deixado de Nele existir.

  Quem vos disse que somos produtos híbridos de raças estranhas descidas na Terra? Essa afirmação é falsa da maneira como é dada. Raça alguma alienígena detêm a condição de criar almas e espíritos na acepção única da imortalidade. Criaram corpos? Mas não a grande humanidade; não Almas, não Espíritos, não Chamas Divinas! Aqueles não herdarão a Terra, pois não serão filhos do Criador.

  Tendes ainda dúvidas, irmãos, pela propaganda habilidosa de tantos falsos criadores que dizem terem vindo de outros universos ou sistemas solares para nos criar e ensinar? Somos bilhões de almas e espíritos trazidos para a Terra por ordem do Criador a seus Hierárquicos e Nele sempre estivemos. E haveremos de reconhecer a todos os prepostos do Criador, e somente a eles, quando o momento se eleger.

  O quanto tenho orado e clamado para que a Presença permaneça em mim, em vós. Ele disse: ninguém vem ao Pai a não ser por mim. Ele também é a Presença, o Cristo, a Chama Imortal que jaz em todos os espíritos – nas Mônadas. Atrai-a diariamente às vossas consciências de egos! Pois a Presença sempre esteve latente e poderosa em todos esses filhos do mesmo Pai. Ela é impessoal, é uma só multiplicada bilhões de vezes e tantas outras vezes se multiplicará quantas sejam necessárias. Irmãos, creiais nela, nessa Chama Elétrica que contem todos os segredos do Criador. Ela está em vossos mecanismos biológicos como está em vossos mecanismos de matérias mais sutís. A Presença é uma Chama de pura Inteligência, é um Fogo Sagrado, é Deus, e Deus é um Fogo Criador, o mundo é um Fogo que arde interiormente em todas as qualidades e atributos da Inteligência!

  Vistes que todas as coisas criadas são formadas de camadas celulares, moleculares e eletrônicas. As circunvoluções dos elétrons, em prováveis desenhos a que chamais de átomos, produzem novas frequências quando elétrons saltam de suas órbitas. E quando elétrons se chocam explodem em luz e calor. Eis ali o Fogo Divino transmutado em novas energias sob formas infinitesimais, porém poderosas, a despeito de suas micro divisões. E eis essa mesma Presença da energia do Criador em vós, em mim, em todas as coisas viventes.

  Olvidais que somos seres bioelétricos? Bem mais que isso, somos também formações cujas atomicidades nos fazem seres superiores, não por que sejamos mais avançados que os animais, as plantas ou os cristais, que na verdade o somos, porém pelos teores de nossas consciências que a tudo podem penetrar e de tudo auferir. E este saber está na Vontade do Criador que por nós vem buscar a generalidade e a especialidade de todas as coisas por Ele mesmo criadas.

 Soa-vos anátema? Incongruência? Paradoxo? Oh, não irmãos! Pois o Criador, sendo também a Presença, o que a Ele valeria estar em nós sem uma nomeação para algo realizarmos na Terra?

  Irmãos, mediante isto, avancemos mais ainda em nossas reflexões, nesse aparente paradoxo para que entendamos e realizemos conscientemente sob égides de leis cósmicas. Pois, se somos a Presença e a Presença é Ele – que é toda sábia – qual é realmente o sentido de nossas experiências nos mundos, nos sistemas solares, na Terra, naquilo que Ele já criou? Evidentemente que experienciamos de Sua própria criação. Mas, na verdade, o objetivo é ainda maior, mais fantástico e estimulante, porém inescrutável ainda na sua essência para nossas mentes aprendizes. Então, deixemos que a sábia Presença faça e realize em nós e por nós, e assim saibamos de uma intensa e monumental corrente vibratória a ressoar e realizar por todo nosso sistema solar em todas as suas dimensões.

  Simples assim? Não tão simples, mas é o enigma que nosso cogito precisa deslindar.

O CONSOLADOR

 Jesus disse: Eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco. O Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito.

  Enigmáticas palavras não? Por que teria Jesus dito tais coisas aos seus apóstolos e seguidores? Irmãos, o quanto a história já testemunhou dos grandes emissários de Deus! Zaratustra, Krishna, Akhenaton, Moisés, Buda e o que permaneceu intocável de suas palavras nas dobras do tempo terreno? Escritos post-mortem foram interpretados de muitas maneiras, adulterados ou sepultados. O quanto sabemos realmente por Eles através de um legado original? As resenhas sobre dois dos mais recentes avatares que desceram a Terra, Buda e Jesus, nos demonstram isso. O budismo transformou-se. A filosofia do Sakyamuni ganhou muitas ramificações, diversos cognomes, várias inserções, numerosos pergaminhos e nenhuma biblioteca completamente fiel e inatacável. O cristianismo documental passou a ser reunido e elaborado bem depois da partida física de Jesus, mas até hoje achados de antigos papiros, submersos em cavernas ou criptas, desmentem trechos das suas mensagens tidas como originais e apontam capítulos e revelações omitidos. O quanto se tergiversou, irmãos, já dissemos isto.....

  Sabeis das vicissitudes dos historiadores crentes, das suas lutas e mortes a fim de conservar algumas das fontes fidedignas dos santos homens seguidores de perto dos Avatares. Os mesmos malignos de sempre brotaram da terra para insuflar homens sem almas e sem direção, a clamar pela destruição. Infiéis misturaram-se aos fiéis e com denodo e notada tenacidade conseguiram sempre divergir, demolir e erradicar. Pobres homens sem visão que facilmente embaraçaram-se nas teias dos malignos.

  Sabeis, irmãos, que em algum tempo do passado, em vidas esquecidas de vossas memórias conscientes, o medo imperou e vos fez odiar e não amar. Esse medo vos aterrorizou desde a infância, aterrorizou aos vossos pais, maculou vossas inocências, vossos sabores naturais pela vida, pelas belezas que o Criador nos legou a todos gratuitamente. Cegastes-vos à candura, ao melífluo, ao perfume dos verdadeiros deuses, aos sonhos de um mundo de felicidade. Esse mesmo medo remeteu-vos a outro passado como uma pedra lançada ao negro abismo, que batendo bem fundo despertou-vos dos tempos de Baal e recrudesceu em vós as vossas memórias inconscientes. Lá sucumbistes aos vossos inimigos poderosos, às suas hipnoses e ameaças. Pois esta mesma submissão ao medo já a tivésseis há milhões de anos no belo continente de Atlântida onde vossas aflições começaram, e onde os malignos adoradores também vos sacrificaram em pavorosos rituais sangrentos até retirarem de vossos peitos os corações ainda palpitantes. Oh Deus!

  O tempo avançou em seus sistemáticos giros, em sua roda inflexível e inexorável deste mundo de vida terrena. Os Avatares vieram e se foram; aqui estivemos e ainda estamos. De todos ouvimos. Duvidais, bem eu sei irmãos em Cristo, de que vossas almas registram as mais sublimes verdades ensinadas pelos iluminados. Vossas mentes terrenas não podem testemunhar essas memórias, vossos intelectos não são o suficiente claros por si sós para de novo apreendê-las. Em muitas instâncias vossos intelectos são meramente vossos inimigos.

  Grandes homens venerados segundo o mundo não foram mais que verdugos de si mesmos, de suas próprias almas, de seus irmãos de criação. Tornaram-se surdos aos mais dignos e procedentes clamores de seus íntimos; secaram a fonte aluminífera que brotava calor interno; tornaram-se opacos e frios e usaram seus intelectos desenvolvidos unicamente ao serviço dos poderes da matéria.  Como necessitam de vós que vos mantendes na luz – de todos nós que oramos e pedimos ao Pai e à Deusa Mãe. Muito mais de nós necessitam aqueles que ao uso de seus poderes convencionais ou usurpadores, em suas caminhadas dualistas, ignoraram os deserdados, trucidaram milhões unicamente por remuneração aos seus egos terrenos, perdidos num oceano de contradições.

  Se dos Avatares impede-vos o vosso cérebro conscientizar-vos de Suas verdades gravadas em vossos imos, do mesmo modo, certamente, não julgareis com razão que o Consolador vos virá com seus poderes espirituais e assim descredes de vossos eus em tudo. Confirmo-vos, irmãos de almas e espíritos, para que não vos deixeis enganar e não serdes levados numa rede de equívocos.  Pois o Consolador não é uma entidade, nem ser nenhum, filosofia alguma, qualquer dos antigos Avatares reencarnado, nada que venha ao encontro exterior de vossos egos, de vossas personalidades em ciclos de ajustes para um novo e visível estandarte ao mundo, como há pouco menos de dois mil anos Jesus desfraldara. Chamou-o, Jesus, mui justa e sabiamente a este Consolador, de o Espírito Santo.

  Digo-vos também, irmãos, com a certeza que minha alma cristificada me inspira e não por outros quaisquer caminhos de aprendizados espirituais, que os ensinamentos do Mestre foram muito claros aos seus seguidores, e mais claros ainda aos seus discípulos por que esses precisavam despertar rapidamente e obrar, pois a missão requeria que logo se dispersassem fazendo-se de uma vez arautos de nova história mundial. Porém, aos próprios discípulos, e aos demais que acreditaram em suas palavras ele também algo ocultou.

  Sabeis, irmãos, o que seja a gnose? Pois tendes em vossas memórias causais o quanto aprendestes dessa gnose professada por Cristo-Jesus a vós, aos que aprendiam ocultamente antes e após o ato da crucificação do cordeiro. A vós que lá estivestes nos cenários e abrigos onde o enviado de Deus ensinou – como esteve esse irmão que vos fala e transmite – a gnose foi explicada em seus segredos maiores. Todos os sinceros seguidores de Cristo foram merecedores das graças recebidas naquela vida, pelo entendimento e aplicação da reta gnose. Assim fostes vós enquanto vos mantivestes em Cristo lá mesmo e em outros lugares de vossas futuras vidas. E amados sempre fostes pelos séculos vindouros. Porém, a uns foi dado mais que a outros, não por que a graça assim escolhesse por razões menos amorosas, porém pelo fato de que nem tudo é para todos por circunstâncias várias, por motivos diversos ou por momentos inoportunos.

  A gnose original nas suas verdades não é apanágio do mundo grego antigo, de seus filósofos e terapeutas, de suas iniciações. Não creiais nisso. Creiais sim que um dia estivestes novamente purificados pela Presença de Sophia – o conhecimento puro – pela vossa aplicação da gnose em vossos pensamentos e atos. E creiais que vossas histórias foram uma só com as de vossos irmãos de mesma jornada, não importando onde estivésseis. O quanto caminhastes pelas orientações de vossos mestres do mundo espiritual, quantas civilizações conhecestes, quanto vos têm custado às demolições de vossos antigos egos ainda em vestiduras Adão-Eva. Com todos vós, irmãos na luz, isto verdadeiramente se passou por que assim quisésseis. Para serdes arautos e obreiros em Cristo, na sua vinda à Galileia, vos foram primeiramente oferecidos os obstáculos em caminhos diversos a fim de que os ultrapassásseis, e assim fazendo fortalecêsseis cada vez mais as vossas vontades, as vossas almas, mantendo-vos determinados pela ansiável  e redentora luz.

  Faltaram-vos forças em certas vidas, bem sei, noutras os inimigos triunfaram interrompendo vossas caminhadas; algumas vezes de modo cruel, já vos dissemos isto. Mas reiniciastes sempre, como fazem os autênticos obreiros, e finalmente chegastes a Jesus, ao Cristo, diante de sua imagem física, ou ante seus mais significativos ensinamentos pouco depois de sua partida às moradas do Pai. Muitos irmãos fiéis vos deram pessoalmente as bases crísticas da gnose real sobre a qual Sua igreja seria edificada em vós, em vossos íntimos. Akhenaton assim tentara, mas sucumbira aos ardilosos vendilhões politeístas. Mas não Jesus-Cristo! Este vivificou e imortalizou Sua obra através de vós, por todos nós os seguidores fiéis da pura gnose, por todas as almas em consciente purificação. Relembrareis disso um dia em vossas almas em toda a sua plenitude, jamais duvideis! Sophia, a sabedoria do mundo, sempre esteve convosco sob outras formas e ofícios, com outras vestiduras e designações para vos despertardes dos diversos complementos interiores que ainda não possuíeis. Muitos céus a isso testemunharam, templos memorizaram os ritos religiosos de que participáveis; os videntes mais sensíveis ainda podem ler dessas efemérides, eras após eras. Os registros etéricos daqueles tempos terrenos ali permanecem como se hoje acontecidos, como se neste exato instante.

  Escandalizam-se os cristãos despidos da gnose sem a sapiência provinda de Sophia, e refutam saberem que esta mesma via espiritual reafirmada por Jesus, começou com um arquétipo mental nos caminhos do Gautama, nas suas escaladas pelos labirintos da mente até dela libertar-se, até que quebrasse os seus elos aprisionantes da Alma. Akhenaton e Moisés haviam preparado a recepção do pensamento uniforme em um só Criador sobre todos os demais deuses. Depois os Essênios buscariam no budismo e trariam para o Mediterrâneo os segredos das curas pelas plantas, os rituais de evocação aos iluminados, e desenvolveriam as materializações de almas e demais conhecimentos da gnose. E Jesus, entre eles, vivenciaria esses conhecimentos e com sua arte divina os reforçaria mais tarde com os budistas no Tibet; e brindaria os monges com sua genialidade e maior visão, e lá mesmo renovaria ensinamentos mais significativos.

  Sábios foram aqueles homens de eras passadas que nos despertariam as altas aspirações para além das magias astrais, para distante dos fenômenos ilusórios que encantam e aprisionam, e nos ensinariam os preâmbulos de todas as transformações internas de que necessitávamos, para futuramente encarnarmos a Alma Imortal. Esses iluminados nos auxiliariam a entendermos a existência dos degraus sublimatórios internos, que nada mais são que as iniciações conducentes cada vez mais acima, até que finalmente cheguemos a indefiníveis e indissolúveis identidades com Cristo. Creio plenamente nisso, e creiais, irmãos, nessas lídimas e fluentes verdades. Não permitais que de novo Adão-Eva em vós, quase mortos, que de seus próprios estertores e insuflados pelos ardilosos malignos, venham rearticular os vossos pensamentos, vossos intelectos, para conhecimentos sem alma, para distrações do mundo, para os encantamentos da ciência cética e materialista. Lembrai-vos sempre: somos vidas milenares, viventes em Cristo, mas não ainda completamente remidos pela luz redentora que buscamos.

  Saibais, irmãos, quem seja o Consolador e muitos de vós tendes a consciência deste saber. Aquele que Jesus pediu ao Pai que aqui vos viesse, e a mim, e a todos os seguidores da luz. Pois Ele é o próprio Cristo que renasce em nós, em nossa manjedoura, e na criança dourada cresce em nossas almas. Uma pura alma dentro de outra alma; e enaltece-nos, e reativa-nos aos nossos átomos superiores, e nos toma na medida de nossos atos mais puros, e nos inspira, e nos fala, e nos intui, e realiza por nós as verdades viventes em nossos íntimos! Eis o Consolador para as almas interiorizadas que vivem no mundo, mas que não são mais do mundo, que buscam manter Adão-Eva em padrões frequênciais menores, inatingíveis às emoções elevadas, às santas aspirações e realizações ao serviço.

  Assim eu sinto, assim eu penso; eu vosso irmão igual e seguidor de um Irmão Maior – um divino Ser, um Salvador – e de Seus Irmãos Mensageiros que aqui vieram sacrificar sua Paz, suas plenitudes sábias, que desceram dos mundos celestiais a fim de também ensinar em como sairmos das cadeias tecidas pelos nossos próprios e imperfeitos egos, nesse mundo de antigas provações, e a escaparmos dos astutos senhores dos reinos da não luz, e a auxiliarmos aos irmãos incautos por eles aprisionados.

“O Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não no vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós”. – João 14-17.

Por Rayom Ra

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   Rayom Ra
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