Hora que me vem chegando,
Agonia de partir,
Saudade que vou levando,
Tristeza que vou sentir!
II
Ouço alguém batendo à porta,
Levanto-me e vou atender,
Quem quer seja não me importa,
Estou a sofrer ou morrer!
III
Vejo um rosto de mulher,
Que jamais eu tinha visto,
A sorrir como quem quer,
Adentrar com Jesus Cristo!
IV
Com surpresa e extasiado,
Nada além pude eu fazer,
Só ficar bem ao seu lado,
Minha casa a oferecer!
V
A medida que adentrava,
Uma luz dela crescia,
Tudo ali se clareava,
E muitos passos eu ouvia!
VI
De atônito que eu fiquei,
Nada mais pude expressar,
Somente olhando aguardei,
Que ela viesse explicar!
VII
Mas a casa em si mudava,
Não mais a reconhecia,
Ali o saber ensejava,
E eu saber não saberia!
VIII
Da moça um leve sorriso,
Dela eu pude perceber,
Como se fora um aviso,
De algo mais acontecer!
IX
E as visões continuavam,
Nelas eu estava envolvido,
Por imagens que passavam,
Como em filme colorido!
X
E tudo mais foi subindo,
Eu com os meus pés no chão,
Com a casa inteira se indo,
Como se fora avião!
XI
Súbito o voo cessou,
Mais assustado eu fiquei,
A perguntar-me onde estou,
Ou tudo aquilo eu sonhei!
XII
Porém a porta ela abriu,
E de pronto me acenou,
Seu rosto outra vez sorriu,
Para além ela apontou!
XIII
E pediu-me a mais chegar,
Onde agora ela apontava,
Assim querendo mostrar,
Algo lá fora que estava!
XIV
Qual surpresa novamente,
Que por mim vindo grassou,
Ao ver tudo diferente,
Aqui do lar onde estou!
XV
Luzes e cores intensas,
Sem aos olhos conturbar,
Belas e todas suspensas,
Permanecendo a pairar!
XVI
Então a minha mão tomou,
Com muita delicadeza,
Por dentro ali caminhou,
Na mais perfeita leveza!
XVII
Num outro canto da sala,
Nova porta então ela abriu,
Mas eu já perdia a fala,
E a minha cor que sumiu!
XVIII
Olhando aquilo lá fora,
Muitos horrores eu via,
Seres grotescos agora,
Que antes jamais conhecia!
XIX
Mas a mim ela acorreu,
Minha mão outra vez tomou,
Nova energia me deu,
E o meu coração acalmou!
XX
Naquela pequena sala,
Dizia coisas agora,
Quão bela era a sua fala,
Como tão bela é uma aurora!
XXI
Mas aos poucos fui caindo,
Em profunda letargia,
E bem longe vinha ouvindo,
Tudo dela que fugia!
XXII
Quando enfim a mim voltei,
Bem estava no lugar,
Na poltrona que eu sentei,
Que estivera a descansar!
XXIII
Na casa andei a bem olhar,
Nada havia diferente,
Tudo enfim no seu lugar,
E eu bem só tão meramente!
XXIV
Lá fora nada encontrei,
Que eu pudesse acreditar,
Em demônios que avistei,
Ou paraíso ali estar!
XXV
Daquele dia em diante,
Novo destino busquei,
Nunca mais da alma errante,
E outro caminho encontrei!
Por Rayom Ra
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