quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Nos Templos do Himalaia


       O texto aqui apresentado foi extraído de um clássico da literatura ocultista, de autoria de A. Van der Naillen, cuja edição que obtivemos é ainda de 1928. Nesta obra é visto claramente de que modo os brahmanes, naqueles tempos, já tratavam a ciência sob os aspectos objetivo, oculto e iniciático, usando da física, matemática, geometria, astronomia-astrológica, alquimia, filosofia, etc. Hoje, certamente, com o enorme avanço tecnológico e construções de centrais de altas pesquisas cósmicas, as iniciativas instrumentais daqueles pesquisadores do passado não mais surpreenderiam, porém suas conclusões e resultados comprovados são eternos.

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       Uma das grandes lições que permaneceu no tempo até os dias de hoje é que a obra veio reafirmar que a ciência pode falsamente se apresentar sob dois aparentes aspectos, que, não obstante, para os iniciados e lúcidos homens do espírito, se constituem numa única e perfeita síntese, muito embora para aqueles de mente objetiva, continue a ser tratada sob o lado unicamente materialista.

       Não há duas ciências, a ciência é uma só - vem de Deus, o Criador de todos os universos. Usamos viciosamente o termo ciência material e ciência espiritual, como se fossem coisas uniformemente opostas que, no entanto, em diversos graus se complementam. E graças a um processo evolucionário, despertam-se visões maiores, consciências se ampliam e mentes se desenvolvem libertas dos liames e aprisionamentos do intelecto tri-dimensional percebendo a ciência com maior profundidade. Não adianta tentar convencer a um cético ou a um crítico limitado e unicamente cerebral de que as dimensões são mundos que se diferenciam por frequências vibratórias e são tão reais para os sentidos superiores, com leis de regências tão perfeitas e ordenadas, que se assemelham às leis observadas pelas mentes científicas em nosso mundo dos sentidos físicos.

       Quod est superius est sicut quod est inferius. Como é em cima é em baixo, como é em baixo é em cima. Axioma hermético, básico, fundamental - abc dos neófitos do ocultismo, que os orgulhosos físicos, matemáticos e teóricos desprezam e fingem não existir. As leis objetivas, tão cantadas em prosas e versos pelos materialistas, regem também o mundo oculto, pois a matéria - sabem os ocultistas há milênios - não é causa, não é princípio, mas sim decorrência, reflexo, condicionamento de "algo", cujos princípios de energia e força são tão superiores nas suas fontes que os homens laboratoristas, ateus e céticos, por mais que dissequem esta aparente solidez e nela realizem, estão ainda distantes de sua causa primordial. E, principalmente, de sua real compreensão e manipulação, ao contrário do que entende e realiza o ocultista avançado que alça voos para mais longe. Mas vamos ao texto, um pouco longo, é verdade, que, no entanto, vale a pena ser lido porque, como dissemos, retrata verdades eternas:

       Capítulo V - "No fim da primeira semana, após a sua iniciação como neófito, o brahmane notificou o bispo Angelo que no dia seguinte fá-lo-ia entrar na sala do segundo grau da Confraria para receber a necessária iniciação. Convidou-o, primeiramente, a retirar-se para a sua cela onde deveria jejuar, orar e meditar profundamente. No momento aprazado o brahmane veio ter com Angelo e os dois se dirigiram ao edifício especialmente consagrado ao segundo grau.
       Este edifício achava-se um pouco afastado do primeiro grau e era de um aspecto mais imponente. No alto da entrada principal lia-se em sânscrito: "O que existe em cima existe em baixo: o que existe nos céus, existe na Terra; tal o Macrocosmo, assim é o Micro cosmo".

       O bispo Angelo não pode esconder uma exclamação de alegria ao ser conduzido a um grande laboratório científico muito bem montado. Atravessando-o, reconheceu com prazer muitos objetos que lhe eram familiares. Entretanto, grande foi a sua surpresa ao ver ali diversos aparelhos de forma estranha que não conhecia e cujo uso sequer suspeitava.

       Em um compartimento vizinho, viu um laboratório de química não só muito bem provido, mas contendo ainda alambiques, retortas, fornos, frascos de feitios estranhos e maravilhosos. Aquele lugar mais parecia o laboratório de um alquimista, tal como vem descrito nos vetustos alfarrábios, do que o laboratório das universidades modernas. Abrindo uma porta, o brahmane conduziu seu companheiro à presença de um irmão de hábito branco e de respeitável aparência, que estava entregue ao estudo de um manuscrito, um velho papiro descoberto recentemente no Egito. Seus traços fisionômicos lembravam antes um europeu do que um indu. Levantou-se ao aproximarem-se os visitantes, mostrando-se muito satisfeito em receber o bispo, dizendo-lhe em tom amistoso:
       -Tenho prazer com a vinda de meu irmão e sinto-me feliz por ter o privilégio de dar-lhe a instrução do segundo grau.
       Fechando com o maior cuidado o papiro egípcio, disse ao companheiro do bispo:
       - Pode o meu irmão deixar comigo o candidato e retirar-se.
       O brahmane fez uma profunda saudação e saiu lançando olhar afetuoso ao prelado.
       - Sentai-vos, irmão, disse o Mestre de hábito branco, e comecemos imediatamente porque a vossa demora no templo será limitada.
       Angelo obedeceu; e o Mestre abriu, então, uma magnífica caixinha de madeira, balsâmica e designando o seu conteúdo, disse:
       - Esta caixinha está cheia de cristais, todos perfeitos e de diferentes substâncias materiais: carbonatos, sulfatos, nitratos, silicatos, etc. Eis aqui, nesta segunda caixa, cristais metálicos, puros, e na terceira, pedras preciosas: rubis, granadas, etc. Todos estes cristais, quando puros, têm uma forma geométrica particular, e cada forma tem por base um ou outro dos seis tipos fundamentais, a saber: o cubo perfeito, os dois prismas oblíquos. Cada um destes cristais tem também o seu pólo norte, o seu pólo sul e o seu magnetismo equatorial ou diamagnetismo. Fazendo-se passar os vértices de um volumoso cristal de rocha diante dos olhos fechados de um sensitivo, este imediatamente perceberá uma impressão de calor ou de frio, conforme o pólo que lhe for apresentado.
       Os cristais sendo geometricamente perfeitos, em relação com a própria natureza da substância, tem cada um a sua aura individual, com as suas propriedades distintas, isto é, com as características particulares de atração e de repulsão. O que existe em baixo é como o que existe em cima. Estes cristais têm os seus correspondentes no mundo oculto. Eles representam as qualidades perfeitas da alma, sem fraquezas, sem desvios, qualidades absolutamente seguras, e que se afirmam por si mesmas, de uma maneira positiva, em todas as circunstâncias da vida.

       Todavia, antes que o cristal tenha atingido esta pureza e esta bela forma geométrica, deve passar por várias modificações, fases e operações destinadas a purificá-lo.
       Tomando um pouco de terra de uma caixinha ao seu lado, o Mestre continuou:
       - Aqui está terra comum que apanhei no jardim esta manhã. Conforme estás vendo, lanço-a neste vaso cheio d'água e agito-a. Esta água barrenta é a imagem da vida em muitos homens que têm atingido a meia idade. A mistura parece muito impura; algumas partículas flutuam à superfície, outras ficam suspensas no meio do caminho e a massa maior forma no fundo um depósito aparentemente inerte.
       Este vaso com a sua mistura heterogênea representa, exatamente, o carma do homem. Cada ser humano é uma mistura semelhante a esta, mais ou menos impura, conforme o estado do seu carma ou de sua alma. Todavia, cada partícula de substância contida neste vaso, corresponde diretamente à substância de um dos cristais desta caixa, e encerra as suas possibilidades.
       Cada uma é um carbonato, um sulfato, um nitrato, um silicato ou qualquer outro sal de um metal puro; mas estes elementos, considerados tais como eles são, não tem forma geométrica, pois que eles estão misturados ao acaso a outras partículas com as quais não têm afinidade natural. Entretanto, cada uma destas partículas encerra um princípio de utilidade latente e tem sua aura própria com suas atrações e repulsões especiais, muitas vezes pouco poderosas, é verdade, mas sempre em atividade. Estas partículas informes, não sendo cristalizadas, não têm eixo de polarização, nem de diamagnetismo bem definidos; resulta, pois, que suas atrações e repulsões são desiguais, operam-se de alguma sorte ao acaso, desenvolvem atividades anormais que se contrariam frequentemente e deixam assim a mistura nas mesmas condições de intolerância e de perturbação.

       No homem, os resultados imediatos desta falta de harmonia são o mal e a doença. Não há mal per se, não há doença per se; ambas são o produto monstruoso de pais mal casados, de condições vitais adversas.

       - Sim, disse o bispo muito interessado pelas explicações do mestre, é a pintura do estado moral do homem, quando suas paixões têm plena ação sobre ele, ou quando um amor desordenado pelo dinheiro ou qualquer outra influência nefasta cega sua consciência moral.
       - Agora, continuou o Mestre, concluamos o que diz respeito à mistura. Suponde que queiramos reduzir cada partícula à sua pureza original, à sua forma cristalina mais elevada. Filtraremos o conteúdo do vaso e deixaremos cristalizar a matéria que está em dissolução. Levaremos os sólidos depositados no filtro, à ebulição, em três ácidos sucessivamente, diluiremos e filtraremos de novo. Ajuntando, um após outro, alguns reativos químicos, puros, para acelerar a separação das substâncias de menor afinidade, veremos os elementos tornarem-se puros gradativamente e tomarem, pela evaporação, a sua forma cristalina, natural e original. E assim, meu irmão, mais uma vez, a inscrição mística "o que existe em baixo existe em cima" ficará comprovada.
       Em certo período da vida, quando as paixões começam a declinar, ou quando a inteligência ou a razão se afirmam por si mesmas, o homem examina-se minuciosamente e depois de ter constatado com sinceridade o estado de sua moralidade, decide-se a alterar o curso de sua vida. É possível que esta determinação seja o resultado de um despertar da alma, que estava até então adormecida sob seu envólucro material. Este despertar da alma, esta volta à consciência pode igualmente ter sido acidental e ser produzida sob a influência, seja, da palavra eloquente de um inspirado, seja da leitura de um livro que contenha princípios elevados de moral, porém mais comumente sob a influência da desgraça da perda de um ente querido. Estes incentivos são representados pelos reativos químicos puros que separam os corpos conforme os graus de afinidade, isto é, os três ácidos e o fogo.
       O despertar da consciência na alma produz o primeiro impulso moral; abre um caminho e, o que é mais, um caminho ascensional. O processo da purificação começa; as associações nefastas dissolvem-se; a filosofia e as altas ciências tornam-se objetos de estudo; a prece e a meditação sobre as coisas divinas e a música inspiradora da alma são fatores que impelem a essa ascensão. Isto traz como imediata consequência, tornar-se o carma superior e adquirir à aura qualidades mais elevadas.
       Nosso carma é a soma total de nossas auras. Os ensinamentos que constituem o segundo grau da iniciação, vos mostram, meu irmão, que existem três espécies diferentes de auras no homem. A zona áurica mais próxima da cabeça, emanação de todo o corpo, é a aura animal ou nervosa; a zona superposta e como que enxertada à anterior e cuja irradiação atinge uma distância maior, é a aura intelectual ou supra nervosa; a terceira zona áurica, capaz de irradiar-se até ao espaço infinito é a aura espiritual ou celeste.
       O homem pode possuir apenas uma aura, ou pode ter duas, ou ser o feliz possuidor das três auras. Apesar de distintas, a zona animal é a base do desenvolvimento da zona intelectual e esta deve servir de fundamento à zona espiritual. Se um indivíduo gozar perfeita saúde e a harmonia estiver nele estabelecida, sua aura nervosa corresponderá às exigências para a formação da zona áurica intelectual. Se esta última zona repousar em várias e sólidas qualidades intelectuais, constituirá a melhor, mais firme e mais fecunda base para a formação da aura espiritual ou celeste.
       Quanto mais desenvolvida a força intelectual do homem, maiores serão as possibilidades para o seu desenvolvimento espiritual. Quanto mais fraca for a sua inteligência, tanto mais se aproximará a sua zona espiritual da zona animal e mais sofrerá a sua influência. Estas são verdades ocultas de grande importância, meu irmão, e eu vos recomendo com instância que mediteis sobre elas profundamente.
Diz-se, e efetivamente assim é, que dois caminhos se abrem diante do homem, pelos quais ele pode chegar à compreensão das coisas espirituais, e são eles: a ciência e a fé!
       Uma fé ilimitada aliada à nulificação dos atrativos sensuais, ao jejum, às preces, às constantes meditações, às aspirações ardentes para o Pai Infinito, a uma vida reta e exemplar, abre completamente as portas de ouro, e o mais humilde neófito pode atravessá-las. Todavia, meu irmão, ele será aí um simples visitante, um ser negativo, admitido simplesmente em virtude de suas preces e súplicas; não obstante ele será feliz e partilhará das eternas festas espirituais no mundo supra-sensível. Mas o homem da ciência, sobre cuja zona áurica intelectual bastante desenvolvida, enxertou-se uma zona espiritual radiante, entra pelas portas de ouro como por um direito de nascimento; é como se estivesse em sua própria casa. É um ser positivo; ordena, dirige, é um verdadeiro agente do Todo Poderoso na execução das leis evolutivas.
       Já vos disse que o carma do homem é a totalidade de suas zonas áuricas. É preciso conhecer muito bem a influência destas zonas não só para o bem como para o mal, sobre todas as coisas que estejam em contato com elas, porém, particularmente, sobre os seres humanos. Todas as influências exercidas pelo homem constituem a sua responsabilidade. Quanto mais ignóbeis forem os seus atos, mais desprezível será o seu carma e tanto mais nefasta será a sua influência sobre os seus semelhantes. De onde se conclui que um grande dever se impõe ao homem: a purificação de seu carma.
       Os mais altos mistérios estão ligados a este carma, porém o seu conhecimento não faz parte do segundo grau da iniciação. A reencarnação, por meio do carma, é pouco compreendida, se bem que a idéia principal não deixe de ser seguramente exata. Um erro generalizado entre os budistas é que o ser humano se reencarna sobre a terra, após uma série mais ou menos longa de séculos, passada no mundo supra-sensível; só então toma de novo um corpo de carne, osso e sangue, e preenche novamente uma existência terrena semelhante àquela que já teve; é esta uma idéia material e grosseira da reencarnação das forças áuricas adquiridas pelo homem durante sua vida terrestre. Aqui está tudo quanto me é permitido dizer-vos sobre este assunto, meu irmão; logo adiante tereis mais sobre esta importante questão e sobre as operações do carma. Espero que o Supremo Mestre que preside o terceiro grau vos dará um dia a explicação da lei da reencarnação. Vamos agora ao laboratório das ciências físicas.

       - Já passei por esta sala, Mestre, e fiquei admirado da magnífica coleção de aparelhos que possuís. Muitos desses instrumentos me são desconhecidos.
       - Sim, estudamos sempre, e nossos estudos ajudados pela intuição e pelas faculdades da percepção, tornam-se-nos comparativamente mais fáceis. Vou dar-vos um exemplo de alguns dos resultados a que chegamos. Aqui está um instrumento vibratório.
       - Parece um pouco com um órgão de igreja.
       - Assim é; tem alguns tubos, mas também tem outras peças e acessórios. Este aparelho é usado para descobrir a que nota vibratória da escala musical um corpo corresponde. Cada corpo no universo está em harmonia vibratória com um determinado número de corpos de diferentes naturezas e também em repulsão com outros. Vêde que a lingueta de cada um destes pretensos tubos do órgão, corresponde a uma fita ou atadura fina de metal laminado à qual a lingueta transmite fielmente as suas vibrações.
       Agora, meu irmão, tende a bondade de vos colocardes sobre estas fitas metálicas, depois de descalçardes as vossas sandálias, e facilmente descobrireis a nota musical com a qual o vosso corpo está em harmonia. Assim como as notas do campanário respondem à voz do vigilante, cantando as horas da noite, assim o vosso corpo corresponderá aos sons destes tubos quando um deles for consoante às vibrações que regem os movimentos dos átomos que o compõem.
       O bispo Angelo, tendo descalçado as sandálias, colocou os pés sobre a primeira fita metálica. O Mestre abaixou uma alavanca e um dos tubos emitiu uma nota baixa, cujas vibrações foram facilmente percebidas. Observando atentamente o bispo e vendo que sua atitude permanecia inalterável, convidou-o a colocar-se na fita metálica seguinte. Foram experimentadas mais de vinte fitas metálicas, uma após outra, sem que o bispo sentisse a mais leve impressão insólita; entretanto à medida que os sons dos tubos iam se tornando mais graves, uma espécie de tremor fazia vibrar-lhe todo o corpo. Por fim, o Mestre produziu o som de uma nota grave com uma entonação tão profunda que parecia impossível ter sido produzido por meio de um instrumento terrestre.

       O bispo deixando rapidamente a lâmina metálica, empalideceu, e com a respiração opressa exclamou:
       - Nunca em minha vida experimentei uma tão estranha sensação. Cada átomo de meu corpo parece vibrar.
       Sorrindo amavelmente o Mestre colocou uma grande concha na orelha do bispo.
       - Estás ouvindo um murmúrio?
       - Sim, um som baixo e cantante.
       - Este aparelho é apenas um amplificador do som, semelhante à orelha humana. Inspirando-se na forma da concha da orelha e suas qualidades de amplificar o som, alguns de nossos velhos Mestres imaginaram um aparelho que possuísse todas as suas propriedades e cuja forma aperfeiçoaram com o acréscimo de dispositivos especiais. Aqui está esse aparelho, disse, apontando para uma máquina misteriosa de cobre, contendo numerosas câmaras internas em espiral, e que apresentavam externamente a forma de uma concha e a de uma orelha humana, ao mesmo tempo.
Este instrumento não modifica o número das vibrações produzidas pelo tubo ou por qualquer outro instrumento sonoro ao qual se aplique, por isso que a elevação da nota não varia. Ele simplesmente intensifica as vibrações até mil vezes.
       Permiti-me agora aplicar a lâmina metálica a este intensificador, e tende a bondade de colocar ainda uma vez os vossos pés sobre ele, apenas por um momento. O bispo obedeceu.


       Sendo de novo abaixada a alavanca, o tubo reproduziu o mesmo som grave, profundo e misterioso e, em menos de um segundo, o bispo caiu sem sentidos nos braços do Mestre. Este, apoiando o polegar no nervo meridiano, entre as sobrancelhas de seu desfalecido companheiro, e pronunciando algumas palavras estranhas fez com que o bispo quase instantaneamente tornasse a si.
       Pálido como a morte, o prelado olhou em torno como a certificar-se de que estava realmente vivo. Reanimou-se rapidamente pela segurança que lhe dava o Mestre, de que não corria perigo algum, pois que aquela experiência era dirigida por mãos hábeis. Em seguida, pediu-lhe que referisse as suas sensações.

       - Elas são fáceis de relatar, disse ele, procurando ainda respirar; logo que o som foi emitido pelo tubo, senti uma série de vibrações atravessar-me todo o corpo, parecendo que toda a minha estrutura física fosse reduzir-se a pequenos fragmentos, ou antes, a pó. É só o que me lembro; quase imediatamente perdi os sentidos.
       - Sim, é o resultado do choque produzido pelo ressonador, todavia, não corríeis perigo. Para vos mostrar até onde pode estender-se este poder vibratório, vamos tentar uma experiência neste pedaço de granito. Ele deve pesar uma tonelada e meia, mais ou menos. Podeis constatar a solidez da pedra com este martelo de aço.
O Bispo Angelo deu algumas marteladas sobre o bloco e disse:
       - É absolutamente sólido.
       - Ponde agora a vossa mão sobre a pedra, enquanto eu fizer vibrar os diversos tubos para achar a nota que lhe é correspondente; só me avisareis quando sentirdes a vibração.

       Colocando uma das mãos sobre a pedra enquanto a alavanca era abaixada, recuou rapidamente ao primeiro som produzido, lançando ao mesmo tempo um olhar ansioso ao Mestre. Este, com um sorriso afável disse-lhe:
       - Não há perigo, meu irmão, as vibrações vão ser dirigidas contra a pedra.
       Uma após outra, foram as fitas metálicas aplicadas sobre a massa de granito até que se alcançou a última nota de uma altura elevadíssima. O bispo sentiu então a rocha estremecer do que deu ciência ao Mestre o qual colocou a sua própria mão sobre o granito. Após ter ensaiado duas ou três notas mais, o tremor da rocha tornou-se tão acentuado, que o Mestre disse:
       - Uma vez que acabamos de encontrar o número de vibrações a que esta pedra corresponde, vamos colocar o ressonador no lugar apropriado ao seu fim. É da maior importância que o instrumento seja colocado em distância focal exata da rocha e sob o ângulo de inclinação necessária. As vibrações amplificadas devem ser projetadas sobre a massa de maneira a obter-se o máximo de efeito.

       E cercando-se do aparelho, notou o número do tubo cujo som fizera vibrar o granito. Em seguida, tirou de seu encaixe entre muitas placas grandes desligadas, metálicas e cor de bronze, uma que trazia o mesmo número que o tubo e colocou-a em justaposição ao instrumento intensificador.
       - Esta placa metálica, explicou o Mestre, produz, quando percutida, o mesmo número de vibrações que o tubo e em consonância com as moléculas do bloco de granito. Todavia, as vibrações produzidas por esta placa metálica têm um caráter mais estridente e destrutivo. Ora, como o nosso intento é destruir a rocha de uma só vez, devemos empregar os meios mais eficazes.
       - Destruir todo este bloco de granito de uma só vez! - exclamou o bispo com admiração.
       - Assim é, replicou o instrutor. O ressonador está perfeitamente ajustado e a placa metálica suspensa em distância conveniente; tomai este malho de madeira e batei sobre a placa uma pancada tão forte quanto vos seja possível.

       O bispo, levantando o martelo com suas vigorosas mãos, descarregou uma violenta pancada. O resultado foi terrível, mas em vez de destruir a placa, como ele esperava, ouviu-se um som agudo e ensurdecedor, acompanhado de um medonho estampido. A enorme massa de granito jazia quebrada no solo, reduzida a milhares de fragmentos.
       Quando o bispo Angelo percebeu o espantoso efeito da pancada que vibrara, ficou como que petrificado, a olhar fixamente aquele amontoado de fragmentos pequeninos. Ele estava absolutamente maravilhado.
- Eis aí o resultado - exclamou o Mestre, assumindo uma atitude cheia de solenidade - o resultado de uma vibração destruidora.

       O prelado permaneceu largo tempo sem dizer uma palavra, parecendo mergulhado em profundas cogitações. Ao sair daquela abstração, perguntou gravemente:
       - Qual a filosofia ou a lei capaz de explicar estes extraordinários fatos? pois que fatos eles são, forçoso reconhecê-lo.
       - É natural a vossa pergunta, e um espírito científico como o vosso não descansará enquanto não obtiver uma resposta científica. Entretanto, esta resposta envolve a exposição de uma verdade oculta da mais elevada importância. A perfeita compreensão da lei do movimento vibratório fornece a chave da produção dos pretensos milagres, como a germinação e o crescimento espontâneo da mangueira que já conheceis e muitos outros igualmente maravilhosos. Não ignorais que neste universo do Pai Infinito, tudo é movimento constante, ininterrupto, movimento eterno; que nada é nem pode ser imóvel.
       Os átomos e moléculas que compõem todos os corpos estão em incessante movimento; atraem-se e repelem-se mutuamente; são constantemente impelidos para diante e para cima pelo Espírito do Infinito que impregna todas as substâncias ainda mesmo as suas partículas mais íntimas e ocultas. Os membros de nossa Confraria do Himalaia chamam a este espírito - Aura de Parabraham.
       Esta atividade universal é mantida em movimento pela influência de vibrações. Uma verdade importantíssima conhecida apenas pelos ocultistas é que existem duas espécies de vibrações - a construtiva e a destrutiva. As vibrações construtivas são aquelas que servem para edificar, cimentar ao mesmo tempo, trabalhando eternamente a síntese do universo. Tais são, primeiramente, as vibrações que emanam da aura de Parabraham, e também as que transmitem a luz do sol; são dotadas de vitalidade e produzem toda a vegetação. Originam transformações moleculares, de natureza progressiva, em toda a matéria, quer inorgânica, quer orgânica e atuam em todas as esferas celestes e terrestres. São de fato os agentes daquilo a que chamamos Natureza.
       As vibrações procedidas de um pensamento profundo e sério, emanando de um cérebro bem equilibrado, calmo e moral, são construtivas e positivas em sua natureza e têm, portanto, uma grande influência para o bem. Se assim sucede com o cérebro moral do homem, com mais forte razão pode-se verificar sobre o cérebro do Adepto ou iniciado do terceiro grau. As vibrações voluntárias que emanam de seu cérebro, são extraordinariamente poderosas, como mais tarde sabereis.
       As vibrações destrutivas são aquelas que provocam os ruídos e os elementos perturbadores, tais como a discórdia, a cólera e as más paixões. No reino humano, animal e vegetal, são destrutivas da vida pela moléstia, porque esta resulta, simplesmente, da agregação inarmônica de moléculas com polaridades invertidas, que, estabelecendo correntes magnéticas anormais, induzem as forças vitais a se desviarem de seu curso natural, trazendo, por conseguinte, as febres ou talvez a morte.
       As vibrações construtivas também determinam a perfeita cristalizaação das substâncias puras, semelhantes aos cristais que vistes há pouco. As vibrações destrutivas, quando intensificadas, neutralizam a força construtiva de cristalização que une os átomos; vistes há instantes um exemplo disto pela destruição de um bloco de granito cujos fragmentos ali estão.

       - É verdadeiramente maravilhoso! exclamou o bispo Angelo. Quanta coisa tem ainda a física a aprender! Custa-me, todavia, a compreender a misteriosa germinação da semente de abóbora naquele experiência feita no vaso de flor sobre a relva. Não havia ali agente produtor de vibrações...
       - Enganai-vos, meu caro irmão. O cérebro do homem bem exercitado, bem preparado pelos meios ocultos conhecidos exclusivamente pela nossa Confraria, é o aparelho vibratório melhor e mais eficaz que existe não só para receber como para produzir vibrações, quer construtivas, quer destrutivas. É capaz de projetar essas vibrações a qualquer distância, nos limites da sua aura com efeito positivo e absoluto. O brahamane que realizou a experiência à vossa vista sobre o gramado, recebera a missão de um poder elevado com o fim de chamar a vossa atenção para as forças ocultas da natureza. O Mestre sabia muito bem que não irieis atribuir a uma grosseira mistificação o crescimento espontâneo de uma planta, sob os vossos próprios olhos e sob condições que vós mesmos impusestes. Ele sabia também que refletiríeis maduramente sobre o assunto, que, por fim, verieis entre nós. E aqui estás, meu caro irmão, ajuntou o Mestre com o rosto iluminado por um afetuoso sorriso.

       - Efetivamente, e grande é a minha satisfação por ter sido assim.
       - Agora, passemos a uma outra seção de nosso laboratório. E o Mestre conduziu o bispo Angelo onde havia vários aparelhos elétricos.
       - Devo agora, fazer-vos conhecer do que se compõem o éter dos cientistas, que, conforme eles asseveram, enche os espaços interplanetários. A esse éter nós chamamos Akasa. Contém ele a essência de todas as substâncias que existem na natureza. Para ilustrar o meu pensamento vou fazer algumas experiências simples. Sobre este pedaço de zinco puro faço convergir um jato de gás que o faz arder com uma chama verde, até que fique totalmente consumido. Onde está o metal? Que foi feito do zinco? Deve estar em alguma parte. E efetivamente assim é; suas partes essenciais existem no Akasa. Passemos agora a uma outra experiência.
Dirigindo-se a uma outra câmara escura, produziu uma poderosa corrente elétrica de natureza complexa.
       - Ao longo deste fio de cobre percebeis chamas, ou melhor fagulhas de cor acobreada. Esta cor é devida a partículas infinitesimais que a corrente elétrica eliminou do fio de cobre. É na realidade cobre no estado radiante. Para onde vai este cobre? Para o Akasa.
       Assim, contém o Akasa os elementos, em sua forma essencial, de toda a matéria e de todas as substâncias do universo. Se é possível decompor a matéria em suas partes essenciais e dissipá-la assim no Akasa, não existirão também leis sintéticas por meio das quais possam os elementos ser retirados do Akasa e recondensados em sólidos ou formas manifestadas de matéria? Neste frasco que contêm a solução aquosa de um sal de cobre, vêde a corrente elétrica provocar um depósito de cobre metálico puro sobre uma lâmina de platina. Não é este um exemplo de síntese ou restauração da matéria à forma manifestada de que vos acabo de falar?
       Se o cérebro humano que é a mais sensível e complexa de todas as baterias elétricas e magnéticas, obedecendo à vontade humana, pudesse dirigir suas correntes no Akasa, e tirar-lhes os elementos essenciais e não manifestos na matéria; se ele pudesse, por condensação, integrá-los e trazê-los assim a uma forma visível - seria, posso afirmá-lo -  um processo involutivo ou materialização. E, na verdade, meu caro irmão, exclamou entusiasticamente o Mestre, devo provar que todos os elementos contidos no Akasa, obedecem à vontade firme e concentrada do Adepto do terceiro grau da Confraria do Himalaia.
       Além disto, a matéria no estado radiante constitui as auras de todas as coisas existentes, e essa matéria áurica forma a parte integrante do Akasa. As auras que emanam constantemente das plantas, dos minerais e dos animais constituem o Akasa ".
                              [Nos Templos do Himalaia - Ed. Pensamento - 1928]

Rayom Ra

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