quarta-feira, 12 de junho de 2013

Princípios e Personalidades [Reflexos do que Somos] (I)

   “A generalidade do ego que o mundo esotérico conhece, circunscreve o tradicionalmente abordado sobre a sua constituição endógena, ou seja, a estrutura fundamentada pelos corpos e suas funções, como também as polarizações, as atomicidades, a aura e aspectos externados pelo eu personalidade ao longo das vidas terrenas. Sabemos que a riqueza do conhecimento chega ao mundo através da sabedoria experienciada por personalidades nas lidas da vida e pela ânsia do saber.

       Nenhuma conquista do homem teria significativamente existido, não fosse pelas personalidades mergulhadas no ocultismo, dedicadas única e exclusivamente às pesquisas das formas, energias, forças e poderes espirituais que resultaram em incrível soma do conhecimento nos mais variados tipos e meios. 

       A ciência do ontem foi o pai-mãe da ciência do hoje. As civilizações gloriosas do passado, onde o conhecimento do oculto aplicado diretamente às vidas das populações pelos sagrados sacerdotes e homens sábios, foram responsáveis por imprimirem nas almas imaturas as energias que se faziam necessárias para futuros despertares de valores maiores para todos.

       Hoje o mundo científico materialista representa para os homens comuns de nossa era o modelo do conhecimento universal. O ceticismo isola e renega o passado, introduzindo na Terra outra história, diferente daquela de longuíssimas eras e civilizações abrigantes de muitos milhões de almas. Omitem, necessariamente, a praticidade do conhecimento oculto introduzido nas antigas sociedades, que, depois, quando as trevas desciam engolfando tudo, foi novamente velado e guardado.

       Neste momento uma Nova Era se apresenta para mais um empuxo nas vidas, lado a lado com a eletrônica, atomismos, quantismos, voos espaciais e tantas outras atrações, muitas já conhecidas nos evos do antanho por diversos outros caminhos. Os raios cósmicos e as chamas são as mais recentes reintroduções do saber, direcionados para o conhecimento mais profundo e substancial de egos e reinos.

       Há incontáveis gerações em ignotas civilizações, a ciência dos raios e uso das chamas já eram manipulados, embora por poucos eletivos e luminares homens. Agora, nesta Era de Aquário, voltam em obediência à lei cíclica de todas as coisas, porém na espiral de cima.

       De mestre Djwhal Khul retiramos pequeno trecho sobre raios e personalidades e outras pérolas a mais do conhecimento, que assim apresentamos”:
                                                                                                                        (Rayom Ra) 

   
     Há, todavia, um ponto que merece consideração e que poderia ser tocado sob a forma de uma pergunta. O estudante poderia bem inquirir sobre o assunto da maneira seguinte:

    Algumas pessoas abordam o problema do Ser através de uma apreciação mental; outras, através da compreensão do coração; algumas são motivadas através da cabeça; algumas fazem coisas ou evitam fazê-las porque sabem mais do que sentem; algumas reagem ao seu ambiente mentalmente, em vez de emocionalmente.

     O ponto onde procurar a iluminação é se o caminho para alguns não é servir porque eles conhecem mais do que amam a Deus, a Quem, afinal de contas, é apenas o mais íntimo ser deles.

      Não é este o caminho do ocultista e do sábio, em vez do caminho do místico e do santo? Quando tudo é dito e feito, não é uma questão, primariamente do raio em que se está e do Mestre sob quem se serve no próprio aprendizado? Não é o verdadeiro conhecimento uma espécie de amor intelectual? Se um poeta pode compor uma ode à beleza intelectual, por que não podemos nós expressar apreciação por uma unidade que é concebida da cabeça em lugar do coração? Os corações estão suficientemente bem em seus caminhos, mas não são adequados ao áspero uso do mundo.

     Pode alguém fazer algo mais do que aceitar sua presente limitação enquanto procura tal transcendência como a que é sua pela Divina Lei da Evolução? Não haverá (por comparação) tal coisa como um complexo de inferioridade espiritual da parte dos que são sensíveis (e talvez supersensíveis) no fato de que, enquanto suas vidas intelectuais estão cheias de interesse, não foi possível fazer o deserto de seus corações florir como a rosa?

    Em outras palavras, considerando que alguém sirva em sua aceitação da Fraternidade na Presença do Pai, que diferença faz se o postulado fundamental é para ele um assunto da cabeça em vez do coração?

     Eu responderia a tal questionário: Não é uma questão de raio ou mesmo da distinção básica entre o ocultista e o místico. No indivíduo completo, tanto a cabeça quanto o coração precisam funcionar com igual força no tempo e no espaço, todavia, e durante o processo de evolução, os indivíduos se distinguem por uma predominante tendência em qualquer vida; é somente porque não vemos o quadro todo, que nós traçamos estas separações temporárias. Numa vida o homem pode ser predominantemente mental e para ele o caminho do Amor de Deus seria inadequado.

     O Amor de Deus enche plenamente seu coração e em grau considerável sua aproximação oculta se baseia na percepção mística de vidas passadas. Para ele o problema é conhecer Deus, com o propósito de interpretar aquele conhecimento em amor a tudo. Amor responsável, demonstrado no dever pelo grupo e pela família, é por isso para ele a linha de menor resistência. O amor universal irradiando-se para toda a natureza e todas as formas de vida, seguir-se-á a um mais desenvolvido conhecimento de Deus, mas isto será parte de seu desenvolvimento em uma outra existência.

     Os estudantes da natureza humana (e isto todos os aspirantes deviam fazer) fariam bem em ter presente na mente que há temporárias diferenças. As pessoas diferem em:

     a) Raio (o que afeta predominantemente o magnetismo da vida).
    b) Aproximação à verdade, quer o poder condutor mais forte seja o caminho
         oculto, quer seja o místico.
     c) Polarização, decidindo o propósito emocional, mental ou físico, de uma vida.
     d) Status de evolução, conduzindo às diversidades vistas entre os homens.
     e) Signo astrológico, determinando a tendência de qualquer vida particular.
     f) Raça, submetendo a personalidade ao especial pensamento-forma racial.

     O subraio onde um homem se encontra, aquele raio menor que varia de encarnação a encarnação, dá-lhe grandemente sua tonalidade para esta vida. É sua coloração secundária. Não se esqueçam, o raio primário da Mônada continua-se através do aeon. Não muda. Ele é um dos três raios primários que finalmente sintetizam os filhos dos homens.

     O raio do ego varia de ronda em ronda, e, nas almas mais evoluídas, de raça para raça, e compreende um dos cinco raios de nossa presente evolução. É o raio predominante em relação ao qual vibra o corpo causal de um homem. Ele pode corresponder ao raio da Mônada, ou pode ser uma das cores complementares à primária.

     O raio da personalidade varia de vida para vida até que tenha percorrido toda a gama dos sete subraios do raio Monádico.

     Por isso, ao lidar com as pessoas cujas Mônadas estejam num raio semelhante ou complementar, verão que elas se aproximam com uma simpatia recíproca. Precisamos lembrar, todavia, que a evolução precisa estar muito avançada para o raio da Mônada influir extensamente. Assim, a maioria dos casos não estão nesta categoria.

     Com os homens medianamente avançados, que estão lutando para alcançarem o ideal, a semelhança do raio egóico produzirá compreensão mútua e a amizade seguir-se-á. É fácil para duas pessoas no mesmo raio egóico compreenderem o ponto de vista recíproco e elas se tornam grandes amigas, com inabalável fé uma na outra, pois cada uma reconhece a outra agindo como se fosse ela própria agindo.

     Mas quando (acrescentando à similaridade egóica do raio) se tem o mesmo raio da personalidade, então se tem uma daquelas raras coisas, uma perfeita amizade, um casamento bem sucedido, um inquebrantável elo entre dois. Isto é raro, na verdade.

     Quando se trata de duas pessoas no mesmo raio da personalidade, mas com o raio egóico dissemelhante, é possível haver aquelas amizades breves e repentinas afinidades, que são tão efêmeras quanto uma borboleta. É preciso ter estas coisas presentes na mente e com seu reconhecimento vem a habilidade em ser adaptável. A clareza da visão traz como resultado uma atitude circunspeta.

     Outra causa de diferença pode ser devida à polarização dos corpos. A não ser que também isto seja identificado ao lidar com as pessoas, seguir-se-á uma falta de compreensão. Quando se usa o termo “um homem polarizado em seu corpo astral” – realmente se pensa num homem cujo ego trabalha, principalmente, através daquele veículo. A polaridade indica a clareza do canal. Permitam-me ilustrar.

     O ego do homem comum tem seu habitat no terceiro subplano do plano mental. Se um homem tiver o veículo astral grandemente composto da matéria do terceiro subplano astral e o veículo mental, na maior parte no quinto subplano, o ego centralizará seu esforço no corpo astral. Se ele tiver o corpo mental com matéria do quarto subplano e o corpo astral com matéria do quinto subplano, a polarização será mental. Quando se fala do ego controlando mais ou menos um homem, realmente se pensa que ele empregou em seus corpos matérias dos subplanos superiores.

     Somente quando o homem tiver quase completamente eliminado a matéria do sétimo, sexto e quinto subplanos de seus veículos o ego controlará com interesse. Quando ele tiver empregado certa proporção do quarto subplano, o ego estenderá o seu controle; quando houver certa proporção do terceiro subplano, então o homem estará no Caminho; quando a matéria do segundo subplano predomina, então ele é um iniciado e quando ele tem matéria somente de substância atômica, ele se torna um Mestre. Por isso, o subplano em que o homem está é de importância, e o reconhecimento de sua potencialização elucida a vida.

     A terceira coisa que é preciso lembrar é que mesmo quando estes dois pontos são admitidos, a idade da experiência da alma frequentemente provoca falta de compreensão. Os dois pontos acima não nos levam muito longe, pois a capacidade de sentir o raio de um homem ainda não é para a raça atual. Uma suposição aproximada e o uso da intuição é tudo que é possível por agora. Os poucos evoluídos não podem compreender completamente os muito evoluídos e, num grau menor, o ego avançado não compreende um iniciado. O maior pode entender o menor, mas o inverso não é o caso.

     Relativamente à ação daqueles cujo ponto de realização transcende de muito o de vocês, posso apenas pedir-lhes para fazer três coisas:

     1. Não Julgar. A visão deles é maior. Não se esqueçam de que uma das maiores qualidades que já terão alcançado os membros da Loja é sua capacidade de visualizar a destruição da forma como não importante. Eles se ocupam é com a vida em evolução.

     2. Entendam que todos os acontecimentos são provocados pelos Irmãos com um sábio propósito em vista. Iniciados de graus inferiores, se bem que agentes absolutamente livres, enquadram-se nos planos de seus superiores, assim como vocês fazem em seu caminho inferior. Eles têm suas lições para aprender e a regra do aprendizado é que toda experiência tenha que ser comprada. A apreensão vem da punição que segue um ato mal interpretado. Seus superiores estão atentos para transmutar para o bem situações geradas pelos erros dos que estão em situação inferior no ponto do desenvolvimento.

     3. Lembrem-se também que a Lei da Reencarnação conserva oculto o segredo da presente crise. Grupos de egos chegam juntos para esgotarem certo carma envolvido com dias passados. Os homens erraram pesadamente no passado. A punição e a transmutação são a tarefa natural. A violência e a crueldade no passado amadurecerão seu pesado carma, mas está nas mãos de todos agora transmutar os velhos enganos.

     Tenham também em mente que os princípios são eternos, as personalidades temporais. Os princípios devem ser encarados à luz da eternidade; as personalidades do ponto de vista do tempo. O problema é que, em muitas situações, dois princípios estão envolvidos, um dos quais é secundário. A dificuldade jaz no fato de que (sendo ambos princípios) estão ambos certos. É uma regra para uma orientação segura lembrar sempre que usualmente os princípios básicos (para sua sábia compreensão e adequada utilização) apelam para o uso da intuição, enquanto que os princípios secundários são mais puramente mentais. 

     Os métodos, por conseguinte, necessariamente diferem. Quando se apoiam nos princípios básicos, os métodos mais prudentes são o silêncio e uma confiança alegre em que a Lei trabalha, o evitar toda a intromissão da personalidade exceto os comentários amorosos e sábios e uma determinação em ver tudo á luz da eternidade e não do tempo, acoplados com um esforço constante em seguir a lei do amor e ver somente o divino nos seus irmãos, mesmo se num campo oposto.
                                       [Um Tratado Sobre a Magia Branca]
Rayom Ra
 

Princípios e Personalidades [Reflexos do que Somos] (II)


        Nos princípios secundários, que todas as forças opositoras estão presentemente enfatizando, o uso da mente inferior envolve o perigo da crítica, o emprego de métodos sancionados pelo tempo nos três mundos – métodos envolvendo o ataque pessoal, a inventiva e o uso da força segundo linhas destrutivas, e um espírito contrário à lei da unidade. O termo “forças de oposição” é usado corretamente se você o utilizar somente num sentido científico e significa o polo contrastante que conduz ao equilíbrio.  Lembrem-se, portanto, que os grupos de oposição podem ser muito sinceros, mas a mente concreta age neles como uma barreira ao livre desempenho da visão superior. Sua sinceridade é grande, mas seu ponto de consecução segundo algumas linhas é menos do que o daqueles que aderem aos princípios básicos, vistos à luz da intuição.

       Um princípio é aquilo que incorpora algum aspecto da verdade no que se baseia este nosso sistema; é a filtragem até a consciência do homem, de um pouco de ideia na qual nosso Logos baseia tudo que Ele Faz. A base de toda ação lógica é o amor em ação e a ideia fundamental sobre a qual Ele baseia a ação conectada com a Hierarquia humana é o poder em impulsionar para diante – chamem-no evolução, se preferirem, chamem-no impulso inerente, se acharem melhor, mas é o amor provocando a movimentação e o impulso para diante até a realização. É a condução de um e de todos para uma expressão adiante. Dai, este princípio deveria fundamentar toda atividade e o governo das organizações menores, se fundamentando no amor conduzindo à atividade, deveria levar uma urgência divina em todos os seus membros, conduzindo-os igualmente à máxima expressão e assim tendendo à mais adequada realização e mais satisfatório esforço.

       Um princípio, quando realmente fundamental, apela imediatamente para a intuição e provoca imediata reação de assentimento do Ser Superior do homem. Não apela – ou o faz pouco – para a personalidade. Incorpora um conceito do ego em sua relação com outros. Um princípio é aquilo que governa sempre a ação do ego em seu próprio plano, e é somente quando ficamos mais e mais sob a orientação daquele ego, que nossa personalidade concebe e responde a tais ideias. Este é um ponto a ser conservado na mente em todos os contatos com os outros e deveria modificar julgamentos. Alcançar um princípio de maneira justa marca um ponto na evolução.

       Um princípio é aquilo que anima uma afirmação que diz respeito ao maior bem do maior número. Que um homem devesse amar a sua mulher é uma afirmação de um princípio governando a personalidade, mas ele precisa mais tarde ser transmutado num princípio maior de que um homem deve amar a seus semelhantes. Princípios são de três espécies e o superior deve ser alcançado através do inferior.

       1. Princípios governando o ser inferior pessoal, lidando com as ações ou vida daquele ser inferior. Incorporam o terceiro aspecto ou o aspecto da atividade da manifestação lógica e formam a base do progresso posterior. Controlam o homem durante seu pouco evoluído estado e durante seu período em que não pensa e poderia ser mais facilmente compreendido se eu dissesse que eles são incorporados nas regras comumente aceitas da vida decente. Não matarás, não roubarás, têm a ver com a vida ativa de um homem, com a formação de um caráter.

       2. Princípios governando o Ser Superior e lidando com o aspecto amor ou sabedoria. É com estes que nós estamos agora ocupados e metade das perturbações no mundo atual surge do fato de que estes princípios superiores, tendo que ver com o amor ou sabedoria em toda sua plenitude, somente agora estão começando a ser apreendidos pela massa da humanidade.

       Do rápido reconhecimento de sua autenticidade e na tentativa de torna-los fatos, sem previamente ajustar o meio ambiente a estes ideais, resultam os frequentes choques e lutas entre os que sofrem a atuação dos princípios governando a personalidade e os que governam o Ser Superior. Até que uma parte maior da raça seja governada pela consciência da alma esta guerra é inevitável e não pode ser evitada. Quando o plano emocional for dominado pelo Intuicional, então virá a compreensão universal.

       O primeiro conjunto de princípios é apreendido pelo homem através da rapinagem e o subsequente desastre que resulta de tal tipo de conquista. Ele roubou, ele sofreu a penalidade e não roubou mais. O princípio lhe foi introduzido pela dor e ele aprendeu que somente aquilo que lhe pertencia por direito e não pela violência poderia ser apreciado. O mundo está aprendendo esta lição em grupos, agora, pois, ao se apoderarem e conservarem indevidamente, seus revolucionários descobrem que a propriedade roubada não satisfaz, mas traz aborrecimentos. Assim em tempo eles aprendem os princípios.

       O segundo conjunto de princípios é aprendido através da renúncia e do serviço. Um homem (tendo aprendido os primeiros princípios) se afasta das coisas da personalidade e no serviço aprende a força do amor em seu significa oculto. Ele dá e consequentemente recebe; ele vive a vida da renúncia e a riqueza dos céus se derrama sobre ele; ele dá tudo e está cheio até a saciedade; nada pede para si e é o homem mais rico da Terra.

       Os primeiros princípios dizem respeito à unidade diferenciada e à evolução através da heterogeneidade. Os princípios tais como os que a raça está aprendendo agora dizem respeito aos grupos; a pergunta não é – “Que será melhor para o homem?”, mas “Que será melhor para muitos?” e somente aqueles que podem pensar com a visão dos muitos como um, podem estabelecer satisfatoriamente estes princípios. Eles são os mais importantes, pois são os princípios básicos deste sistema de amor.

       O problema hoje é que os homens estão confusos. Certos primeiros princípios, os fundamentos da atividade inferior, estão agora incorporados e herdados e uns poucos dos princípios superiores ou do amor estão filtrando-se através de seus cérebros confusos, provocando um aparente momentâneo choque de ideias. Por isso, eles dizem como Pilatos: “Que é a verdade?”. Se simplesmente se lembrarem que os princípios superiores lidam com o bem do grupo e os inferiores com o bem do indivíduo, pode ser que tudo se esclareça. A atividade inferior da vida pessoal, não importando quanto ela seja boa ou valiosa, deve finalmente transcender até a superior vida de amor que procura o bem do grupo e não da unidade.

       Tudo que tende à síntese e divina expressão nas coleções de unidades se está aproximando do ideal e se aproximando dos princípios superiores. Vocês têm uma ilustração do que eu digo, no fato de que muitas das lutas que surgem nas organizações são baseadas em que algumas pessoas de valor seguem personalidades, sacrificando-se por um princípio, sim, mas um princípio governando a vida da personalidade. Outras percebem tenuemente alguma coisa superior e procurando o bem dos grupos e não o de uma pessoa tropeçam num princípio superior e, assim fazendo introduzem a força do ego. Estão trabalhando pelos outros e ajudam o seu grupo. Quando os egos e personalidades se chocam, a vitória do superior é certa; o princípio inferior deve dar passagem ao princípio superior.

       Uma pessoa estando concentrada no que lhe parece de suma importância, o cumprimento do desejo da vida pessoal, e (neste período) fica somente secundariamente interessada no bem dos muitos, embora possa ter momentos em que pensa ser esta a sua primeira intenção. Outra que pouco se importa com o que possa acontecer ao eu pessoal, está somente interessada na ajuda aos muitos. A disputa se reduz, para usar uma expressão adequada, à questão do motivo egoísta ou não egoísta, e, como se sabe, os motivos variam com a velocidade do tempo e o homem se aproxima da meta do caminho probatório.

       3. Princípios ainda mais elevados são aqueles compreendidos pelo espírito e somente são prontamente compreendidos pela consciência monádica. Somente quando o homem transcende sua vida pessoal ativa e substitui a vida do amor ou sabedoria tal como conduzido pelo ego, pode ele começar a compreender o objetivo daquela vida de amor e conhece-la como poder demonstrado. Assim como a personalidade lida com os princípios que governam a vida de atividade do ser inferior e o ego trabalha com a lei do amor, tal como demonstrada no trabalho do grupo, ou o amor se mostrando na síntese dos muitos nos poucos, também a Mônada lida com a vida ativa do amor cujo poder é demonstrado na síntese dos poucos em um.

       Um lida com a vida do homem no plano físico, ou nos três mundos; o segundo com sua vida em níveis causais, e o último com sua vida após a conquista do objetivo do atual esforço humano. Um lida com unidades, outro com grupos e o último com a unidade. Um lida com a diferenciação no seu ponto mais diversificado; o segundo com os muitos transformados nos grupos egóicos, enquanto que o terceiro vê a diferenciação transformada de volta nos sete, o que marca a unidade para a hierarquia humana. Todos estes fatores e muitos outros produzem diferenças entre os seres humanos, e ao avaliar a si mesmo, o homem deve tê-los em consideração.

       Dever-se-á, por isso ter presente que um discípulo de qualquer dos Mestres terá seu especial equipamento, suas vantagens e deficiências individuais. Ele pode, todavia, estar seguro de que, até que o Caminho do Conhecimento tenha sido aduzido ao Caminho do Amor, ele jamais poderá alcançar as iniciações maiores, pois estas se produzem nos andares superiores do plano mental.

       Até que o caminho de luz esteja unido ao caminho da vida, a grande transição do quarto para o quinto reino não pode ser concretizada. Certas expansões da consciência são possíveis; iniciações nos planos astral e mental inferior podem ser alcançadas; alguma da visão pode ser vista, a sensação da Presença sentida; o Amado pode ser alcançado pelo amor, e a bem-aventurança e a alegria deste contato podem levar consigo sua alegria, mas aquela percepção clara que nasce da experiência vivida no Monte da Iluminação é uma coisa diferente da alegria experimentada no Monte da Bem-Aventurança. O Coração conduz numa, a Cabeça conduz na outra.

       Para responder categoricamente: O caminho do conhecimento é aquele do ocultista e do sábio; o do amor é o caminho do místico e do santo. O contato com a cabeça ou com o coração não depende do raio, pois ambos os caminhos precisam ser conhecidos; o místico precisa tornar-se ocultista; o ocultista branco tem sido o místico santificado. O verdadeiro conhecimento é o amor inteligente, pois ele é a fusão do intelecto com a devoção. A unidade é sentida no coração; sua aplicação inteligente à vida tem sido desenvolvida através do conhecimento.

       É de fundamental valor reconhecer a tendência do propósito da vida e saber se o método da cabeça ou o do coração é o objetivo de qualquer vida específica. Uma delicada discriminação espiritual é necessária aqui, contudo, para que a ilusão não desvie para o caminho da inércia. Meditem sobre estas palavras com cuidado e vejam que a questão esteja baseada num verdadeiro fundamento e não se desenvolva a partir de um complexo de inferioridade, a consideração da iniciativa de um irmão e uma consequente tendência ciumenta, ou uma plácida complacência que nega a atividade.

       Como regra geral para o aspirante médio ao discipulado, pode-se seguramente admitir que o passado viu muita aplicação do caminho do coração e que nesta encarnação o desenvolvimento mental é de fundamental importância.

       Uma antiga Escritura diz: “Não procure, ó, duas vezes abençoado Uno, atingir a essência espiritual antes que a mente absorva. Não é assim que se procura a sabedoria. Somente àquele que tem a mente na rédea e vê o mundo como um espelho podem ser confiados seguramente os sentidos internos. Somente aquele que sabe que os cinco sentidos são uma ilusão e nada permanece, salvo os dois seguintes, pode ser admitido no segredo do Cruciforme transposto”.

       “O caminho que é trilhado pelo Servidor é o caminho do fogo que passa através do seu coração e conduz à cabeça. Não é no caminho do prazer, nem no caminho da dor, que a libertação pode ser alcançada, nem a sabedoria virá chegar. É pela transcendência dos dois, fundindo-se a dor com o prazer que aquele objetivo é alcançado, aquele objetivo que fica adiante, como um ponto de luz visto na escuridão de uma noite de inverno. Aquele ponto de luz pode trazer à mente o pequenino candeeiro em algum escuro sótão, mas – à medida que o caminho que conduz àquela luz seja percorrido através da fusão dos pares de opostos – aquele pequeno ponto, frio e bruxoleante, cresce com firme irradiação, até que a quente luz de alguma lâmpada ardente venha à mente do que vagueia pelo caminho”.

       “Adiante, ó, Peregrino, com firme perseverança!  Não há um candeeiro, nem uma lâmpada terrestre alimentada com óleo. A radiação cresce sempre, até que o caminho termine num fulgor de glória e o errante dentro da noite se torne o filho do Sol e penetre nos portais daquela radiante orbe”.
                                    [Um Tratado Sobre Magia Branca]
Rayom Ra
 
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quarta-feira, 5 de junho de 2013

O Nascimento de Jesus



       Esta interpretação esotérica revela aquilo que parece ser biográfico, geográfico ou histórico, mas constitui meramente o arcabouço para joias inestimáveis de verdades espirituais que se encontram ali interiorizadas.
                                                  [Evangelho de Mateus]

       Tendo Jesus nascido em Belém da Judeia, em dias do rei Herodes”.

       Jesus personifica o candidato que está buscando uma iniciação na escola esotérica situada e denominada como Belém. Este nome exprime: “sustentação espiritual”, que ali é estimulada conjuntamente aos primeiros degraus da iniciação. Tal escola vinha existindo muitos séculos antes do nascimento de Jesus.

       Praticamente todos os nomes hebraicos possuem um significado mais profundo do que aparenta, e escritores iluminados das histórias da bíblia frequentemente os empregam no sentido de veicularem certas ideias que permanecem ocultas, até que pesquisas desvelem os seus reais significados. “Belém da Judéia” induz ao significado de um santuário de ensinamentos místicos, cujo objetivo principal era louvar e servir ao Senhor.

       Herodes designa um regente terreno que é de estreitos horizontes, invejoso e destrutivo; por conseguinte, impede o desenvolvimento espiritual de muitas pessoas. Candidatos aos mistérios aprendem a viver a vida interior e permanecem desapegados, muito embora, outros em derredor, possam ser prisioneiros de um redemoinho de egoísmos, e se tornem envoltos em questões de poder e posição a qualquer preço.

       Nenhuma forma de paixão! É o primeiro teste a que o noviço deve se submeter no sentido de provar sua perseverança e lealdade aos ideais que deseja adotar em sua conduta de vida.

       A intenção do primeiro capítulo deste evangelho foi descrever o desenvolvimento da faculdade intuitiva, personificada em Maria; José representa meramente o intelecto iluminado. O passo seguinte para o grau de iniciação superior é trazer ao coração a qualidade do amor universal na ativa expressão personificada por Jesus.

       Tendo ouvido isso, alarmou-se o rei Herodes

       Isto demonstra que o egoísmo do ego inferior teme ser suplantado pelo ímpeto interior que descerra mais qualidades altruístas.

       Herodes tendo chamado secretamente os magos, inquiriu deles com precisão quanto ao tempo em que a estrela aparecera”.

       O profundo significado desta passagem é que Herodes simboliza o materialismo mundano e deseja saber como e quando pode desenvolver um estado de iluminação interior.

       Certamente Herodes não compreende a verdadeira natureza do princípio crístico; daí requerer dos magos buscar com o mais escrupuloso cuidado e então retornar e explicar-lhe os detalhes essenciais.

       Agora a questão frequentemente tornada: quem eram os magos? De acordo com as tradições crísticas antigas seus nomes eram: Melchior, Kaspar e Baltazar.

       Melchior é nome grego que significa: “rei da luz”, pois Melchi significa um rei; Or ou Ur indica luz. Por conseguinte, ele foi citado como portador de luz, mas também manifestando a qualidade do puro amor; consequentemente o significado completo induzido para este nome é: “rei da luz e do amor”.

       Kaspar é mais recôndito, pois sua origem e propósito são traduzidos como: “depositário sagrado e mensageiro dos deuses”, sendo relacionado a Hermes e designando: “personificação da sabedoria divina”.

       Balthazar é ainda mais abstruso e difícil definir. A primeira sílaba Bal, obviamente corresponde a Baal, significando Senhor, ao passo que o restante da palavra significa: “riqueza espiritual de almas humanas”. Em sentido místico implica em: “senhor do poder e guardião da alma”.

       Melchior foi, provavelmente, o hierofante iniciador de Jesus, enquanto os seus dois companheiros atuaram como padrinhos, tendo sido na Terra seus tutores. Dai as qualidades de Amor, Sabedoria e Poder a Ele conferidos. O versículo 11 (Mt) afirma:

       Entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe”.

       Neste drama espiritual os progressivos estágios do desenvolvimento da alma são personificados como individualidades. Dai que José, Maria e Jesus, representam sequenciais características de um candidato à iniciação e personificam, respectivamente, o intelecto iluminado, a intuição desperta e o coração amoroso.

      O texto diz ainda: “Prostrando-se o adoraram”. Em significação antiga isto quer dizer “veneração que é digno ou possuindo a qualidade do mérito, representativo de honra e respeito”. Estes são os atributos requeridos que justificam a iniciação superior.

       E abrindo os seus tesouros, entregaram-lhe suas ofertas: ouro, incenso e mirra

       Estes são emblemas simbólicos, pois o ouro representa sabedoria; incenso implica em devoção a Deus com amor impessoal devotado à humanidade. Mirra, contudo, significa amargura, por conseguinte, foi presenteada a Jesus num presságio de seu futuro sofrimento e agonia na crucificação, pois é dito:

       Não há Cristo sem cruz”.

       Os presentes sugerem, também, estágios de progresso espiritual aos quais ele estaria destinado a atingir. Como o incenso deve ser consumido no sentido de liberar sua fragrância, assim o devoto se rende em devoção a Deus e serviço não egoísta em favor do próximo.

       Ouro é um símbolo do Sol e significa a sabedoria de Cristo como o Mensageiro de Deus.


       Mirra indica que a renúncia final do ego, como indicado pela cruz, deve preceder à Ascensão e aquisição da identidade com o Pai.

                                  [The Drama of the Soul – Shabaz Britten Best]
Rayom Ra
 
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