segunda-feira, 19 de março de 2012

Os Dois Caminhos


       Passando de nossas considerações da natureza do plano astral lidaremos com suas funções e a relação do discípulo com suas atividades. Vamos recordar certas coisas sobre ele.

       "Ele é predominantemente o campo de batalha, e sobre ele se trava a guerra que termina com a libertação final da alma aprisionada". É util ter em mente as características predominantes dos três planos e dos três corpos que funcionam neles.

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       O plano físico é o plano da experiência ativa, na e através da matéria. É o plano da exteriorização e, de acordo com a condição e ponto de desenvolvimento do homem interior, assim serão a forma exterior e suas atividades.

       O plano astral é o plano onde o homem passa através de três estágios de consciência:

       A. Ele ganha através de seus órgãos sensoriais, consciência no mundo das formas, e desenvolve a capacidade de reagir a estas formas, com sabedoria e inteligência. Esta consciência ele partilha com o mundo animal, embora ele de muito o ultrapasse em alguns aspectos, graças ao seu controle de u'a mente correlacionadora e coordenadora.

       B. Sensibilidade, ou consciência dos estados de ânimo, emoções e sentimentos, desejos e aspirações que têm suas raízes dentro dele no princípio da autoconsciência, ou no princípio do shamkara, como o ocultista - que ama palavras difícieis - costuma chamá-lo.

       C. Consciência espiritual ou sensibilidade para o mundo espiritual, e o aspecto sensibilidade da consciência superior. Isto tem suas raízes na alma, pressupõe o domínio da natureza mental e é a faculdade que o torna um místico. Esta conscientização ele partilha com todos os discípulos e é a recompensa das vitórias alcançadas de sua experiência no plano astral.

       A seguir vem o plano mental. Nele o correto uso do intelecto é a realização que se destaca. Isto também é caracterizado por três etapas:

       a) A etapa em que a mente é o receptor das impressões do mundo exterior, através dos cinco sentidos e do cérebro. "Esta é uma condição negativa, e nela, as 'modificações do princípio pensante' são provocadas através dos impactos do mundo exterior e das reações do mundo astral".

       b) A etapa em que a mente inicia suas próprias atividades e na qual o intelecto é um fator dominante. Embora posta em atividade pelos fatores acima enumerados, ela responde também às correntes de pensamentos do plano mental igualmente e se torna extremamente ativa como o resultado destes dois contatos. Além dessas, uma terceira atividade sobrevêm na qual o princípio raciocinador age sobre a informação ganha nestas duas maneiras, desenvolve suas próprias correntes de pensamentos e formula seus próprios "pensamentos-forma", assim como registra os dos demais.

       c) A etapa em que a alma, através da concentração e da meditação, consegue impor suas idéias e impressões à mente mantida "firme na luz" e assim capacita o corpo mental a responder às impressões e contatos emanando dos mundos subjetivo e espiritual.

       Entretanto, a batalha, por excelência é travada no corpo astral, e somente alcança seu ponto mais intenso e sua potente violência, quando há um bom instrumento físico e uma mentalidade bem equipada.

      "Quanto maior a sensibilidade do corpo astral, tanto maiores suas reações ao mundo físico e à condição mental, e daí sobrevêm o fato de os discípulos e as pessoas mais altamente evoluídas no mundo terem um corpo astral mais potente e trabalharem sob maior tensão emocional do que pessoas menos evoluídas e os libertos Filhos de Deus".

       Os estudantes são, por isso, solicitados a lidarem drasticamente e potentemente com suas naturezas emocionais, lembrando que a vitória desce dos planos superiores e não pode ser alcançada vinda de baixo. A alma precisa governar, e seu instrumento na batalha é a mente consagrada. É interessante anotar a sequência oculta na descrição dada deste plano na regra que está sendo considerada.

       É a primeira de todo o plano de forças duais. A primeira coisa de que o estudante se torna consciente é da dualidade. O homem pouco evoluído está ciente da síntese, mas é a síntese de sua natureza material. O homem altamente espiritual está ciente também da síntese, mas é aquela em sua alma, cuja consciência é a da unidade.  

       Mas entre estes dois pontos está o miserável aspirante, consciente da dualidade acima de tudo o mais, puxado para cá e para lá por cada um deles.

       Para seu objetivo, seu primeiro passo tem que torná-lo consciente dos pares de opostos e da necessidade de escolher entre eles. Através da luz que ele descobriu nele mesmo, ele se torna consciente das trevas. Através do bem que o atrái, ele vê o mal que é para ele a linha de menor resistência. Através da atividade da dor, ele pode visualizar e se tornar consciente do prazer, e o céu e o inferno se tornam realidades para ele. Através da atividade da vida atrativa de sua alma, ele conscientiza a atração da matéria e da forma, e é forçado reconhecer a presteza e a força de atração de ambas.

       Ele aprende a se sentir como "pendente entre as duas grandes pulsões", e, uma vez que as dualidades sejam dominadas, desperta nele, lenta e seguramente, que o fator da decisão na luta é a sua vontade divina em contraposição à sua vontade egoísta.

       Assim as forças duais desempenham os seus papéis até que são vistas como duas grandes correntes de energia divina, puxando em direções opostas, e ele se torna então consciente dos dois caminhos, mencionados em nossa regra. Um caminho conduz de volta para a terra da desolação do renascimento, o outro conduz pelo portão dourado para a cidade das almas livres. Um é, portanto, involutivo, e o envolve ao máximo na matéria. O outro o retira de sua natureza corporal e o torna finalmente consciente de seu corpo espiritual, através do qual ele pode atuar no reino da alma.

       Um caminho, mais tarde (quando ele for um verdadeiro e consagrado chela) se torna conhecido para ele como o "caminho da mão esquerda", e o outro o "caminho da atividade direita". Num caminho ele se torna competente na magia negra, que é apenas o desenvolvimento dos poderes da personalidade, subordinados aos fins egoístas de um homem, cujos motivos são o interesse pessoal e ambição mundana. Estes, o confinam aos três mundos e fecham a porta que abre para a vida.

       No outro caminho, ele subordina sua personalidade e exerce a magia da Fraternidade Branca, trabalhando sempre na Luz da alma, com a alma em todas as formas, e não dando ênfase às ambições de seu eu pessoal! A clara discriminação destes dois caminhos revela o que se chama em alguns livros ocultos aquele "Estreito Caminho Sobre o Fio da Navalha" que fica entre os dois. Este é o "Nobre Caminho do Meio" do Buddha e assinala a fina linha demarcatória entre os pares de opostos e entre as duas correntes que ele aprendeu a reconhecer - uma subindo para os portões do paraíso e a outra descendo às profundezas do inferno.

       Pelo exercício das duas principais armas do aspirante, o discernimento e o desapaixonamento, ele ganha aquela qualidade que é chamada nesta regra "a força vital". Assim como o olho é o instrumento de escolha na seleção do caminho para viajar no plano físico e tem, além disso, uma potência toda sua própria, pela qual ele atrái e desenvolve sua própria linguagem de sinais, também uma força vital é sentida no aspirante.

       Esta traz, finalmente, o terceiro olho à atividade e assim se ganha uma potência e uma clara visão que fazem da escolha certa e do progresso rápido no Caminho uma firme progressão. Dizem-nos que o poder cresce e se desenvolve no silêncio e somente aquele que pode encontrar um centro de paz em sua cabeça, onde os caminhos das forças corporais e as marés espirituais se encontram, pode praticar o verdadeiro discernimento e aquele desapaixonamento que trazem os corpos astral e mental controlados sob a orientação da Alma. Então ele pode compreender o significado dos "pólos vibratórios" e alcança aquele ponto de equilíbrio que é o resultado de sua interação e vibração.

       A percepção das forças duais e a clara discriminação dos dois caminhos conduzem ao desenvolvimento da força vital. Esta força vital demonstra sua primeira atividade, capacitando o aspirante a alcançar um ponto de equilíbrio e assim a permanecer naquele pináculo da realização especial no qual "uma escolha é feita".

       Qual é aquela escolha? Para o aspirante, é aquela entre o progresso rápido e o lento. Para o discípulo, aceito e leal, é a escolha entre métodos de serviço. Para o iniciado, ela muitas vezes fica entre o avanço espiritual e o trabalho árduo de permanecer com o Grupo e colaborar no Plano. Para o Mestre é a escolha entre os Sete Caminhos e se tornará, por isso, evidente, quanto mais difícil e trabalhoso é o seu problema.

       Tudo, entretanto, prepara o aspirante para a escolha correta através do correto discernimento, conduzindo para a ação correta, tornada possível através do desapaixonamento praticado. Nesta frase está resumida a técnica do guerreiro no campo de batalha no plano do desejo.

       Deve aqui ser registrado que no poder de escolha firmemente desenvolvido e na batalha do plano astral, lutada lealmente, a consciência do homem eleva-se, andar por andar. Primeiro, é o aspirante moído de cansaço que tem de lutar com o desejo, com a ilusão, com a ambição e com o seu sensível corpo emocional. Ele pensa que a batalha é tremenda, mas de um ângulo mais amplo ela é relativamente pequena, no entanto, tudo o que ele pode suportar.

       Mais tarde, é o experimentado discípulo probacionário que se debate no vale da ilusão e lida não somente com sua própria natureza, mas com as forças daquele vale tembém, reconhecendo sua natureza dual. Depois o discípulo chega à batalha e encara com coragem (e muitas vezes com clara visão) as forças alinhadas contra si. Elas envolvem não somente as forças de sua própria natureza e naqueles aspectos do plano astral, aos quais ele reage de forma natural, como também as forças da ilusão alinhadas contra o Grupo de discípulos ao qual ele pertence.

      Que todos os discípulos anotem isto e tenham-no em mente nestes dias fatigantes e difíceis. Tais discípulos estão em contato consciente por vezes com suas forças da alma, e para eles não há derrota nem recuo. Eles são os guerreiros experimentados, cansados e com cicatrizes, no entanto, sabedores que a vida triunfante está adiante, pois a alma é onipotente.

       Os discípulos aceitos, que combatem todos os fatores acima mencionados, mais as forças alinhadas contra os Irmãos Mais Velhos, "que são negras", podem invocar as energias espirituais de seu Grupo e em momentos raros e determinados do Mestre sob quem eles trabalham. Assim o trabalho e o labor se expandem; assim a responsabilidade e a luta crescem firmemente; entretanto, ao mesmo tempo, há também uma firme e crescente aceitação das potências com as quais se pode entrar em contato, que podem ser utilizadas e que, quando o contato é correto, asseguram a vitória final.

       A sentença relaciona-se com a alma. Arjuna, o discipulo aspirante, renuncia à luta e oferece as armas e rédeas do governo a Krishna, a Alma, e é recompensado finalmente pela compreensão e por uma visão da forma divina que vela o Filho de Deus, que é Ele próprio.

       Quando esta batalha é travada e vencida, o discípulo penetra nas fileiras dos Magos Brancos de nosso planeta e pode manejar forças, cooperar com o Plano, comandar os elementais e pôr ordem no caos. Ele não se acha mais mergulhado na ilusão do mundo, mas se elevou acima dela. Ele não pode mais ser retido em baixo pelas correntes de seus próprios hábitos passado e de seu karma. Ele terá ganho a força vital e se apresenta como um Irmão Mais Velho.

       Tal é o caminho adiante de cada um e de todos que ousam trilhá-lo. Tal é a oportunidade oferecida a todos os estudantes que fizeram sua escolha com desapaixonamento e são estimulados pelo amor e pelo desejo de servir.
                         [Um Tratado Sobre Magia Branca - Djwal Khul]

Rayom Ra

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[Os textos do Arca de Ouro, por Rayom Ra, podem ser reproduzidos parcial ou totalmente, desde que citadas as origens ]

Um comentário:

  1. Sensacinal. Ainda mais pela sincronicidade.

    Grato por esta pérola!

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