terça-feira, 28 de julho de 2015

Eu Não Sou um Holograma !


  O esoterismo ou ocultismo do Oriente é o Pai-Mãe de todas as criações filosóficas, religiosas e científicas, que após a fragmentação do continente Atlante espalhou-se gradativamente pelo planeta. Aquela civilização, diante da necessidade humana, ao inicio de seu esplendor e pelas leis naturais da evolução, forçaria aos sábios de outros planos dimensionais a aqui novamente descerem para trazer à Gaia os segredos da mente e do espírito anteriormente não revelados.

  A história do sistema solar, que em tempos lêmures-atlantes a tinham contado em livros sagrados, teria sido mais verdadeira e procedente do que conjeturam todas as teorias da física tradicional e física quântica, hoje construídas por homens de intelecto avançado.

  Tendo cumprido suas etapas educacionais os antigos sábios se evadiam do planeta, porém o saber aqui deixado continuou em práticas por aqueles que edificavam grandes civilizações e que, construindo suntuosos templos e enigmáticas pirâmides, marcavam sempre seus períodos de glórias com inconfundível chancela. A ciência adquirida e aplicada, que seguia adiante das pegadas iniciais lêmures-atlantes, depois somente atlantes e, posteriormente, arianas, impressionando sempre por seus arrojos e ousadias, obteve também o inestimável reforço de tecnologia extraterrestre, implantada periodicamente na Terra por outras hierarquias avançadas, custódias de nossa humanidade.

  Nenhum conhecimento técnico-cientifico coerente; nenhum conceito filosófico sensível e inspirado, nem qualquer outra expressão genial da cultura humana evidentemente não surgiriam por meras razões cerebrais e simples reflexões, como nos querem impor os professores de nossas recentes gerações, que nos contam, com ares autoritários, as fantasias, evidentemente falsas, de notáveis expoentes de antes e pós Cristo.

  Se aqueles esforçados e sinceros seguidores das leis universais descobriram novos rumos, novas visões do futuro através do pensamento sensível, ou criaram fórmulas-sínteses da física, química e da matemática, concentrados na essência do saber, foi porque se iniciaram na filosofia gnóstica, nos mistérios da ciência oculta e números da cabala mágica, na alquimia transmutativa, nos sons e mantras, e se ajoelharam prosternando-se ao Eterno. Assim fizeram, fossem eles missionários provindos das estrelas ou produtos originários de nossa raça. E os registros físicos das fontes ainda restantes, esvoaçam de suas originalidades num passado nebuloso e quase não mais alcançado, que se desfaz na memória do espaço-tempo terrenal, deixando que se abram veredas para mais acessíveis versões, porém nem sempre transitáveis com o peso da verdade.

  Entretanto, nos padrões inextinguíveis, pela força imanente das vibrações dos átomos especialmente magnetizados nos campos etéricos de constituições orgânicas espirituais, e de consciência mental, os registros milenares permaneceram em arquivos vivos de memória inconsciente ou subconsciente, para serem de novo acessados em momentos oportunos e eletivos sob a égide assistencial de Mentes Superiores. Não todos os estudiosos, mas os especiais que cumpriam seus mandatos de iniciados na Terra, interpolando vidas em diferentes raças, reuniam e ensinavam a fim de que o conhecimento e o saber não fossem interrompidos.

  Foi assim que, cumprindo seu mandato, a grande iniciada Helena Petrovna Blavatsky levada por seu Mestre, andou em pesquisas junto aos budistas tibetanos nos Himalaias, de onde lançou ao mundo, até onde lhe foi permitido, trechos da história oculta da humanidade nesta quarta ronda. Blavatsky compilou provas destas heranças culturais registradas em épocas muito além dos abarcamentos da história oficial, nos períodos iniciais lêmures-atlantes já referidos. E se expressaria deste modo ao publicar suas obras:

  Existe em algum lugar deste imenso mundo um Livro velho – tão velho que os modernos antiquários podem examinar suas páginas durante tempo infinito, sem ainda chegar a um consenso quanto à natureza do tecido no qual foi escrito. É a única cópia original existente. O mais antigo documento hebraico sobre o conhecimento oculto – o Siphra Dzeniouta – foi compilado dele e isto, naquele tempo, quando o primeiro já era considerado uma relíquia literária. Uma das ilustrações representa a Divina Essência emanando de ADAM, como um luminoso arco se lançando para formar um círculo; então, tendo alcançado o ponto mais alto da circunferência, a Glória inefável dobra-se novamente e retorna à Terra, trazendo no vórtice um tipo superior de humanidade. Na medida em que se aproxima de nosso planeta, a Emanação se torna cada vez mais sombria, até que, ao tocar o solo, está tão negra como a noite.

  Em A Doutrina Secreta, encontramos o seguinte:

  “‘O Livro muito antigo’ é a obra original da qual os muitos volumes do Kiu-te foram compilados. Não somente este último e o Siphrah Dzeniouta, porém mesmo o Sepher Jezirah, a obra atribuída pelos hebreus cabalistas ao Patriarca Abraham (!), o livro do Shu-king, a Bíblia chinesa primitiva, os sagrados volumes do Thoth-Hermes Egípcio, os Puranas da India, o Livro Caldeu dos Números e o Pentateuco por si mesmos, são todos derivados daquele pequeno volume original.

  A tradição diz que foi escrito em Senzar a língua secreta sacerdotal, diretamente das palavras dos Seres Divinos que o ditaram aos Filhos da Luz, na Ásia Central, no começo de nossa 5ª. Raça.

  Essa mesma sabedoria dos antigos, ensinada por sábios iniciados de nossa humanidade terrena, consagrados em Shamballa – cidade etérico-física no interior da Terra, fundada por Sanat Kumara – viajou de país a pais, de civilização a civilização, de continente a continente, alcançando mentes e almas necessitadas de saciar-se com a dinâmica do saber, que ansiavam pela oportunidade de ver-se face a face com as formas e personificações acima do humano – fiéis guardiões e autoridades incorruptíveis dos segredos milenares – a quem temiam e ante suas menções em rituais secretos se dobravam temerosos, e a quem saudavam respeitosamente à luz do dia nas representações estatuárias, ou em pinturas de afrescos e murais; e que, como deuses magistrais e semideuses, se infiltravam na sagrada astrologia, na alquimia e na intricada e enigmática simbologia, vivendo e respirando através das lendas mitológicas tão sagazmente edificadas.

  Essa mesma sabedoria ensinou que o homem é uma Mônada, uma Centelha Divina, um Criador dentro do próprio Criador; que se viu lançado ante a objetiva aurora de um novo sistema solar, a manifestar-se pelo Logos, sob a obrigatoriedade de doar-se na Maravilhosa Obra da Criação pelos ciclos manvantáricos.

  A Grande e incessante Fonte Universal proveu então o Logos Criador – o Pai – com toda a ciência inenarrável e o Pai deu às Mônadas o poder de agir e construir, de manobrar com as Leis Divinas e descer até os confins de todas as dimensões manifestadas;.... e cobertas de véus, como deuses humildes, aportaram na Terra num mundo de sombras. Humildes para conhecer o que não sabiam, para incorporar de energias e forças que permeando a Consciência do Grande Logos, viriam permear também às suas próprias consciências, pondo-as a descerrar os véus e incorporar os segredos que cada véu escondia. E os véus caindo as fariam subir, e de novo recuperariam todas as luzes obstruídas, e despidas de todos os véus, brilhando nas sombras, iluminariam os espaços acima e abaixo, construindo um reino de luz, dissolvendo as trevas e todos os males que elas trazem. E voltando se reuniriam com o Pai, tendo cumprido a missão que lhes fora outorgada.

  Eu Sou Mônada, Eu Sou Centelha, Eu Sou Verdade! Eu Sou Atma, Eu Sou Buddhi, Eu Sou Manas! Eu Sou Espírito, Eu Sou Razão Pura, Eu Sou Inteligência! Eu Sou Criador!

  A enorme e abismal diferença entre a ciência dos homens e a ciência dos Sagrados de Deus, é a arrogância. A ciência dos homens é atéia, a dos homens de Deus é Divina. A ciência física é jovem, engatinha por permissão de Deus, mas anda nas trevas. Por um simples experimento, por uma projeção de um objeto num artificio de luz chamado holograma, creem ter conhecido a história pregressa da fonte criadora – que temem chamar Deus – bem como a história do planeta como morada da Vida, e do homem terreno como o animal mais adiantado da natureza.

  E chamam o homem de alma dotado de consciência, e envolvem os argumentos sobre a consciência como os sentidos de percepção humana envolvem e enganam o homem.  E ignoram toda a saga da própria vida, todas as dores, lutas, conquistas e dramas do ser humano; a sabedoria divina das raças, as leis da vida que crucificam, o carma que modela a dor e toda a profunda ciência que está pulsante em cada átomo e célula da existência.

  Ou enganam proposital e conscientemente, para não permitir que a verdade seja de propriedade de todos? E estabelecem paralelos com o ocultismo raso e superficial, eventualmente com religiões, usando da nova linguagem tecnológica, sistêmica, seletiva e complicada, para atrelar a imaginação às fontes virtuais, à “matrix”, e desviar a imaginação das vertentes cíclicas Deus-Espírito-Natureza-Experiência-Conhecimento-Deus e suas profundas implicações? E criando a “tecnologia do ocultismo” criam a idéia de que Deus é uma simples fonte criadora a engendrar universos holográficos e fazer a vida rolar dentro do virtual, como qualquer um? Seria nisto, que em meio ao natural e necessário avanço da tecnologia alguém a manipula? E neste caso as sombras ainda imperam a despeito de tudo...
  Um holograma é uma projeção morta de uma tecnologia pobre. Um homem é um ser pulsante, atuante, empreendedor e vital para a existência dos reinos e do planeta. O homem – a personalidade – é um símbolo da alma, como a alma é um instrumento da Mônada, enquanto ela, a Mônada, como Centelha Divina habita em todos e dignifica. Um símbolo não é uma mera projeção. O planeta, o mundo tridimensional, a matéria, não são projeções inanimadas como vazios hologramas. A Sagrada Geometria não se apresenta ao mundo dos sentidos somente como um resultado das convenções religiosas terrenas. Há nesta afirmação um desprezo e o propósito de limitar todas as capacidades do Criador em todas as suas dimensões.

  A Sagrada Geometria, como agora se traduz, podemos dizer que é uma ciência esotérica da maior profundidade e de toda a amplitude; é tão profunda, que a intenção de seu verdadeiro significado encontra-se no infinito do universo, na “Arquitetura do Cosmos”, nas formas dimensionais e nos fluidos plasmáticos que desconhecemos; está muito além das crenças e do intelecto, do alcance da imaginação, e por imensa ironia está diante de nossos olhos e alcance das mãos, numa simples folha de amendoeira.

  E que dizer das Hierarquias Solares, a cuidar da vida planetária, trabalhando em permanente vigília por milhões de anos esotéricos para que a vida não feneça e possa se renovar? Estas que legaram às Raças Sagradas as Escrituras e Livros reveladores da cosmologia do sistema solar, e que já partiram para planos ou dimensões mais altas? Como entender, pelo simples aparato de uma experiência laboratorial fotográfica, que as projeções holográficas, como exemplos de projeções humanas no mundo, na vida, na história das raças, sejam somente para exercitar emoções? A emoção é vital para os seres humanos, como o instinto é para as demais formas vivas nos reinos. Porém, as Hierarquias Solares – antigamente chamadas Deuses – trabalham para desenvolver a consciência integral do homem, a mente intelectual, o corpo mental abstrato, a intuição, o ego-alma superior, a fim de auxiliar as Mônadas em seus trabalhos e tarefas nas dimensões de seu universo humano de manifestação, para se liberarem dando lugar às novas Mônadas. A natureza inteira e todos os reinos estão aos cuidados de Hierarquias. Portanto, um planeta holográfico, em meio a um universo igual, seria inerte, sem vida, uma sombra algo luminosa que nada acrescentaria. Pura imaginação.

  A Nova Era representa uma etapa alcançada por nosso sistema solar, que se reflete nas suas dez cadeias planetárias. As energias cósmicas obedecem aos ciclos do tempo sobre o espaço-tempo ou do tempo real sobre o tempo não real. São anéis em vórtices espiralados que se elevam puxando consigo toda a história de sistemas solares e constelações. A Terra atravessa um desses momentos de transcendente importância para ela e para os demais planetas das cadeias planetárias do nosso sistema solar, que se somam em conjuntos para constituírem o “campo do conhecimento”, “o jardim do cosmos” onde o Logos construiu. A Terra e seus habitantes alcançam neste momento mais um ponto superior da espiral cósmica que lhes permitirá um empuxo para cima e a mudança de consciência para um percentual calculado das unidades humanas.

  A Terra é um Ente sagrado que evolui pelos eons dos tempos; a humanidade e seus reinos avançam em consciência e todos sentem agora, como no passado, novas energias que conduzem a outra ordem de valores, a uma nova conscientização. Sentimos muito desapontar aqueles que comemoram um planeta sem mudanças radicais em sua estrutura e natureza em geral. Catástrofes estamos vivenciando em sequências, como nunca na história da humanidade, e os materialistas e analistas contrários às revelações espirituais ainda apresentam razões para contestar, mas não sabem explicar porque a ciência não domina os fenômenos e não resolve.

  Desastres maiores virão, são inevitáveis. As datas das previsões nem sempre são exatas, mas aproximadas. Vinte ou trinta anos de nosso calendário pouco ou nada representam para o tempo de deflagração de um fenômeno, pois mesmo os cataclismos obedecem a antagonismos de forças astronômico-astrológicas e não a um planejamento exato. Por isso, certas profecias não se concretizam naquelas exatas datas.

  Os níveis mentais da humanidade são diversos e aqueles que não se sintonizam com os padrões necessários à Nova Era perecerão nestes tempos. Não falaremos sobre intervenções extraterrestres que incomodam e assustam, pois se tornarão explicáveis à nova humanidade quando a mídia controladora for desativada. Desejamos reapresentar as quatro proposições em que a Terra se insere para o futuro próximo, que encerra a pequena resenha e críticas desta postagem:

1. O primeiro e principal objetivo radica em estabelecer, por intermédio da humanidade, um avanço da Consciência de Deus no sistema solar. Esta é uma analogia, “macrocosmicamente” entendida, da relação que existe entre um Mestre e seu grupo de discípulos. Ao reflexionar-se sobre isto se pode obter a chave do significado de nosso trabalho planetário.

  2. Estabelecer na Terra (como já foi indicado) uma usina de tal poder e um ponto focal de tal energia, que toda a humanidade possa ser um fator no sistema solar que produza trocas e acontecimentos de natureza excepcional na vida e vidas planetárias (e, por conseguinte, no sistema) e induzir a uma atividade interestelar. 

  3. Fundar uma estação de luz, por intermédio do quarto reino da natureza, que servirá não somente a nosso planeta e a nosso sistema solar em particular, como também aos sete sistemas solares, dos quais o nosso é um deles. Esse problema da luz, ligado como está às cores dos sete raios, é por agora, uma ciência embrionária e seria inútil nos estendermos sobre isto.

   4. Estabelecer um centro magnético no universo, no qual o reino humano e o reino das almas (o quinto reino – R/R), unidos e unificados, constituirão o ponto de poder mais intenso, que prestará serviços às Vidas evolucionadas dentro do raio de irradiação Daquele de Quem Nada se Pode Dizer”. (D.K./A.A.Bailey)

  Rayom Ra

  Esse texto pode ser copiado e reproduzido, mas solicitamos colocar nossos créditos 

domingo, 26 de julho de 2015

Toneladas de Alimentos São Jogadas Fora no Rio de Janeiro

  Toneladas de alimentos são jogadas fora por não estarem aptas ao mercado.

  Enquanto pessoas passam fome, produtores jogam fora frutas, legumes e verduras que não estão no padrão de aparência.

  Rio - No estado do Rio de Janeiro, mais de meio milhão de pessoas vivem abaixo da linha da extrema pobreza, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). É uma pobre gente que não tem sequer o essencial à vida, o direito à alimentação. Na contramão dessa dura e triste realidade está o inimaginável: por ano, 382.717 toneladas de frutas, legumes e verduras são descartadas ainda no campo (média de 25% da produção total). O principal motivo para o descarte é uma afronta a cada um dos milhares de seres humanos que amargam a miséria dia após dia. Os alimentos apenas não estão dentro dos padrões de boa aparência exigidos pelo mercado de consumo.

 
  Na plantação de Sônia Faria, o tapete de alface dá o tom do desperdício: para ‘embelezar’ o produto, ela precisa, também, descartar as folhas que estão em volta
Foto:  João Laet / Agência O Dia

  A produção anual é de 1,148 milhão de toneladas, segundo informação da Secretaria Estadual de Agricultura (quantidade destinada à comercialização). Produtores garantem que a perda no campo está entre 20% e 30%. Trabalhando com a média de 25% de perda, significa que a produção total no estado é de 1,530 milhão de toneladas de frutas, legumes e verduras. Esses números não consideram uma outra conta que nunca fecha: a do descarte nos setores de abastecimento e o mau uso dos alimentos pelos consumidores, que representam muitas toneladas a mais nesse mar de desperdício.
  A situação é tão alarmante que o secretário estadual de Agricultura, Christino Áureo, vai propor uma lei contra o desperdício, a exemplo do que já ocorre na França. “Vou fazer uma consulta pública. Temos que elaborar propostas de educação sobre o tema, que vão abranger questões de produtores, intermediários e consumidores. A lei será apresentada em até um ano”, revela Áureo.

  Durante um mês, num levantamento inédito, O DIA acompanhou a cadeia de produção e abastecimento em municípios do Estado do Rio, percorrendo o caminho do desperdício desde o campo até a mesa do consumidor. A partir de hoje, exibirá em oito capítulos o drama que se repete com os mesmos percentuais no mundo inteiro.

 
  Como o mercado vê as hortaliças
  Foto:  Agência O Dia

  Somente no Brasil, segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), perdem-se por ano sete milhões de toneladas de frutas e seis milhões de toneladas de hortaliças, por contaminação ou simplesmente porque estão feios.

  Numa única plantação em São José do Vale do Rio Preto, na Região Serrana, semanalmente quase duas toneladas de chuchu são abandonadas na terra, onde apodrecem. E em apenas uma das dezenas de lojas de frutas na Ceasa de Irajá, a mais importante central de abastecimento da capital, diariamente uma tonelada mamões tem o lixo como destino. Em nenhum dos dois casos acima os produtos estavam impróprios ao consumo.

  Provavelmente, entre os milhares de cidadãos que passam necessidades alimentares no Estado do Rio de Janeiro, há uma parcela que nunca pôde sentir na boca o frescor de um morango maduro. Enquanto isso, na plantação dos irmãos Dacir e Gerson Condac, em Nova Friburgo, 3.200 quilos da fruta viram adubo, todo ano, embora conservem intactos o sabor e os nutrientes. Os agricultores são apenas um exemplo do desperdício que brota no solo fluminense.

  Dacir, de 66 anos, e Gerson, de 58, trabalham na lavoura desde crianças. Localizada em Campo do Coelho, a propriedade deles é responsável pela produção de morango, tangerina, vagem, jiló, abobrinha e brócolis. A principal agricultura é a de morango, cuja safra se estende de janeiro a setembro. O produtor Dacir Condac exibe as vagens boas e as tortas, que encheram quatro caixotes para descarte  Foto:  João Laet / Agência O Dia 
  “Colhemos cerca de quatro toneladas de morangos por semana. Nos cinco meses de safra, o total é de 80 toneladas. Perdíamos 20% (16 toneladas), porque a fruta não obedecia aos padrões estéticos necessários para comercialização — não cresceu o suficiente ou partes de sua casca foram danificadas pelo frio e pelo vento”, ressalta Dacir.

  Há cerca de dois anos, o agricultor vislumbrou uma alternativa para diminuir o prejuízo e o desperdício. “Vendo o quilo por R$ 10. Dos 20% que eram descartados, agora consigo negociar com empresas que produzem polpa de frutas para suco e geleias. O quilo do descarte é vendido por R$ 5. Mesmo assim, ainda temos perda. Dos total do descarte, ficamos com uns 20% encalhados”, contabiliza Dacir.

  Ou seja: o descarte total era de 16 toneladas em cinco meses. Dessas, o produtor passou a comercializar 12,8 toneladas para a confecção de polpa e geleia (80% do descarte). Isso significa que são desperdiçadas 3,2 toneladas de morangos.

  “Perco de 20% a 30% de tudo o que produzo”, lamenta Gerson Condac. Em sua plantação de tangerina pocã, nada menos que 600 quilos da fruta são desperdiçados. A perda é porque ou está fora do padrão ou porque caiu sozinha do pé. “Se cair do pé, é sinal de que já está madura. Até chegar à Ceasa, passou do ponto. O freguês quer vitrine. Então, não consigo vender. Largo aí na terra para virar adubo”, afirma Gerson, que cuida de 400 pés de tangerina.

  Ao lado das terras de Dacir e Gerson, visitada por O DIA em junho, havia uma plantação carregada de pimentões. Eram 25 mil pés da hortaliça. Muitos já estavam vermelhos ou no processo de amadurecimento, e a maioria era de tamanho muito pequeno, completamente fora dos padrões para comercialização. Outros apresentavam uma ou duas marcas de fungo no topo, próximo ao caule em que o pimentão se prende ao pé.


  Vanda separa numa caixa alguns chuchus graúdos, que depois serão deixados na terra para virar adubo
  Foto:  João Laet / Agência O Dia

  “O dono dessa plantação é José Vanderlei. Ele plantou e fez a primeira colheita. A segunda colheita deu fungo, e a maioria nasceu fora do padrão. Vanderlei abandonou a plantação e nem quis tirar os pimentões. Seria trabalho e dinheiro jogados fora, pois o produto não poderia ser vendido mesmo. Semana que vem ele vai jogar herbicida para matar os pés de pimentão”, contou Dacir, que não tem noção de quantas toneladas foram produzidas no vizinho.

  A equipe de reportagem entrou na plantação e colheu várias amostras. Todos que estavam em tamanho inferior ao padrão ou ‘com defeito’ (torto, por exemplo) eram perfeitamente utilizáveis. Mas foram reprovados porque estavam pequenos ou feios. Os que estavam com fungos, bastaria cortar a parte superior e utilizar o restante (pelo menos 90% do pimentão seria aproveitado).

                                                      CHUCHU TEM QUE TER 20 CM

   Um exército de miseráveis poderia fartar-se na plantação de Vanda Maria dos Santos, em São José do Vale do Rio Preto, município a 130 quilômetros do Rio de Janeiro. Resultado de uma perda de 30% da produção — porque o produto não atende ao alto nível de exigência do consumidor —, em semana quase duas toneladas de chuchu são atiradas na terra, sob as parreiras. Os números assustam mais ainda quando a matemática engloba os 30 dias do mês: o descarte é de 7,8 toneladas, que se transformam em adubo.

 
  Vanda tem 50 anos e é meeira na vasta plantação: o dono das terras permite que ela plante e tenha todo o trabalho, enquanto ele fica com a metade do que é produzido. A despesa dele é dividir com a agricultora os gastos com fertilizantes industriais. Vanda trabalha com o sobrinho Jonas dos Santos Félix, de 28 anos. Ambos começaram a trabalhar na lavoura aos 8 anos de idade e têm pouquíssimo estudo.

  “Na plantação são colhidas 200 caixas de chuchu, por semana, com 23 quilos em cada caixa”, explica Vanda. O que dá 4.600 quilos de chuchu por semana, aptos à comercialização. A perda na produção, segundo ela, é de 20% com chuchu defeituoso e 10% com os que ficaram graúdos demais. Portanto, a produção foi de 6.570 quilos por semana e se perderam 1.970 quilos (quase duas toneladas).

Enquanto Jonas colhe os chuchus nas parreiras, o chão vai ficando coberto do legume. O rapaz arranca do pé e já vai jogando na terra batida os que não podem ser vendidos. O legume cresce demais quando fica escondido entre as folhas e passa do ponto certo de colheita. O chuchu considerado padrão tem que medir uns 20 centímetros, no máximo, e ter a casca lisinha.

                                    TOMATE JOGADO FORA PARA MANTER O PREÇO
 
  Sebastião Hudson Filho, de 52 anos, é um ‘big shot’ do tomate em Paty do Alferes, município responsável pela maior produção do fruto no estado. Ele revela que, em 2014, jogou fora nada menos que 10 mil quilos de tomate.

  A matemática é a seguinte: o agricultor produziu duas safras no ano, que lhe conferiram para venda 2.500 caixas de tomates, com 20 quilos cada. O total foi de 50 mil quilos do fruto (50 toneladas). De cada tonelada de tomate posta à venda, o agricultor afirmou que 300 quilos apresentavam imperfeições, inviabilizando a comercialização. Total de 15 mil quilos.

  “Além disso, tive que separar mais 10 mil quilos de tomates esteticamente perfeitos, que não tiveram a Ceasa como destino. O preço de venda estava baixo e optei por não vender toda a safra boa, para evitar que o valor caísse mais ainda”, explica.
Portanto, o agricultor colheu 75 toneladas (75 mil quilos). 

   Dos 25 mil quilos separados (15 mil de tomates feios e 10 mil de tomates bons), Sebastião conseguiu negociar 15 mil quilos com uma fábrica de massa de tomate. O resultado dos cálculos mostra que Sebastião jogou fora 10 mil quilos de tomates aptos ao consumo humano.


  Na mesma Paty do Alferes, a cobrança pelo padrão do produto também faz o médio produtor Eliomar Vieira, de 47 anos, perder 30% de toda a safra de tomate, pimentão, pepino e vagem. “Quando nascem com defeito ou fora do tamanho padrão, não posso comercializar”, conta. Eliomar não quis falar em números absolutos, mas o fato é que um terço de sua produção, que poderia encher milhares de barrigas vazias pela pobreza, vira ração para os bois que ele mantém em sua propriedade.

                                               PEQUENO FUNDO CONDENA AS VERDURAS
 
  Saindo de Friburgo e entrando numa torturante estrada a caminho de São José do Vale do Rio Preto, a equipe de reportagem passou por campos e mais campos de verduras, com seus deslumbrantes tons de verde que se estendiam na amplidão das colinas.

  Mas também havia áreas de agricultura familiar margeando a estrada. Numa delas, o ‘tapete’ de folhas de alface sobre a terra agredia os olhos e o bom senso. Folhas que poderiam estar na mesa de alguns dos milhares de famintos que existem no território fluminense. Porém, estavam ali, largadas para virar adubo. 

   A plantação era de Sônia de Moraes Faria, de 53 anos, pequena agricultora de alface, espinafre e cebolinha na localidade Santa Rosa, em Teresópolis. A plantação de alface lhe rendeu 36 caixas com 18 pés em cada caixa (total de 648 pés). Segundo ela, o desperdício foi de 20%. Ou seja: plantou 810 pés de alface e jogou fora 162 molhos (o equivalente às folhas descartadas).


  “Quando a gente corta o pé do alface, é preciso tirar as folhas que ficam em volta e jogar fora. Elas têm sempre um furinho, um rasguinho, uma coisa assim. A gente retira para ficar apenas com as folhas que estão por dentro, bem verdinhas”, explica, enquanto vai retirando as folhas e jogando ali mesmo, sobre a terra de onde os pés de alface acabaram de ser cortados.

  A pedido da reportagem, Sônia juntou algumas folhas, fez uma espécie de molho, segurando-o numa das mãos. Na outra mão, o pé de alface que seria levado para a venda. Ambos eram praticamente iguais. O desperdício era simplesmente por questão de estética, não por valor nutricional.

  Ao lado da plantação de alface estava outra de cebolinha, com 320 molhos perdidos. Deu fungo na cebolinha. Sônia precisava ter colocado remédio a tempo de impedir a propagação do fungo e aguardar um mês até o produto estar apto para o consumo. Mas ela não teve dinheiro para o remédio e perdeu toda a colheita.

  “Eu vi que era preciso colocar o remédio, mas não tive como comprar para aplicar”, lamenta. O fungo age na ponta da cebolinha. A aparência é de folha queimada, seca. Sônia passa seus produtos para um atravessador, que os revende na Baixada Fluminense e na Região dos Lagos.

Fonte: O Dia » Notícia » Rio » 26/07/2015 01:11:15
Por: Hilka Telles

                                 Rayom Ra - http://arcadeouro.blogspot.com.br