terça-feira, 21 de abril de 2009

Considerações Sobre a Criação - Parte I

       O que apresentarei a seguir em forma de questionário com perguntas e respostas, é a primeira parte de um programa já elaborado em que faço abordagens sobre aspectos da criação. Claro, evidente, e sem a menor dúvida que o contexto global da criação não pode ser condensado em linhas e páginas de nenhuma obra. São unicamente incursões, tentativas de algo materializar, e pretendo aos poucos ir postando novas parcelas desse trabalho.

       1. Que são mundos?
       R. Mundos, dimensões ou planos, são campos vibratórios construídos pelo Logos aonde a Vida vem ancorar-se para realizar as suas transformações, segundo o Grande Plano da Criação.

       2. Quantos e quais são os mundos?
       R. São sete os mundos em nosso sistema solar. Na terminologia esotérica, são os seguintes:
       1. Adi - Mundo Divino = Atividade do Logos
       2. Anupadaka - Mundo Monádico = Atividade das Mônadas
       (Esses dois mundos já se achavam organizados antes de o Logos se manifestar para a   construção do nosso sistema solar. Portanto, o Logos passou a trabalhar na construção dos cinco mundos abaixo)
       3. Atma - Mundo Espiritual = Espíritos
       4. Buddhi - Mundo Intuicional = Intuição
       5. Manas
       a) Superior - Mundo Mental = Mente Abstrata
       b) Inferior - Mundo Mental = Mente Concreto
       6. Kama - Mundo Astral = Emoções
       7. Sthula - Mundo Físico = Etérico e Físico

       3. De que é constituído o mundo físico?
       R. De matérias sólidas, líquidas e gasosas. Registra-se também no mundo físico o campo vibratório etérico, composto das combinações de quatro éteres terrestres, chamados: éter vital, éter refletor, éter luminoso e éter químico.

       4. Qual a importância do mundo físico?
       R. O mundo físico representa o ponto máximo do mergulho ou alcance da projeção do Logos ao criar o sistema solar. A matéria física é um resultado do processo de condicionamento da energia manipulada pelo Logos.

       5. Como entender esse pensamento?
       R. Os mundos idealizados pelo Deus Incognoscível foram trabalhados na Mente Arquetípica do Logos não somente para abrigar a Vida em seu processo evolutivo, mas também para finalidades ainda não conhecidas pela mente humana na cronologia cósmica. Mas sabem os esotéricos avançados que novos e superiores ciclos de desenvolvimento da Vida virão a ser experimentados e cumpridos, uns após outros, na medida em que o Logos julgue apropriado fazer germinar outras sementes do Seu pensamento objetivo. Os mundos de nosso sistema solar, que juntos abrigam a Vida desde o seu inicial mergulho em busca de experiências, são referências para diversas situações em todas as dimensões do grande campo de atividades denominado Círculo-Não-Se-Passa que o Logos estabeleceu.
       Assim, O Grande Plano da Criação que o Logos revela em alguns aspectos, compreende, em meio a outros propósitos, ampliar a percepção consciente da Vida para futuras interpolações a níveis cósmicos noutros mundos superiores. Esta ideação planeja, além da ampliação perceptiva da consciência, processar a matéria do sistema solar para que também abranja diversos graus de consciência e abrigue com crescente conveniência a Vida que nela evoluiu. Esse trabalho nos diversos aspectos da matéria, é tão grandioso quanto é conduzir a Vida de um estado de inconsciência para a super-consciência, pois vem exigir intensos estágios de sutilização e transmutação da própria matéria, através de especial dinâmica empregada pelo próprio Logos. É algo inexplicável ao atual nível mental e espiritual do homem não suficientemente evoluído.
       No curso dessas atividades, a matéria física densa realiza o papel de pólo oposto ou polaridade negativa, para a qual a força e energia criadoras se lançam até alcançar um extremo. Nesse extremo, representando o ponto mais profundo do mergulho da Vida, a força e a energia originais empregadas pelo Logos terão se distendido ao máximo nos seus percursos de ida, sendo necessário, a partir daí, a Vida trabalhar seus próprios recursos para realizar o percurso de volta, através, inicialmente, da extração e utilização de elementos e fatores intrínsecos à própria matéria, o que se dará em muitos bilhões de anos terrestres.
       Dessa maneira, é no espaço polidimensional ocupado pelo Logos, através de seu veículo de manifestação, - o próprio sistema solar, - que acontece toda a evolução da Vida e matéria na Consciência desse Deus Solar.

       6. Por que é necessário à Vida atingir o mundo físico denso?
       R. A Vida precisa deter muitas experiências para tornar-se rica e produzir resultados que interessem a Consciência do Logos no plano evolutivo por Ele elaborado. O Logos imprime sua vontade a fim de que as experiências duais se processem nos opostos até determinadas condições e limites, onde a partir daí, e depois de cumprida esta meta, a Vida novamente incorpore o princípio da unidade.
       Do ponto de vista da construção do sistema solar, as situações não somente indicam um rebatimento perfeito do plano-matriz original, de onde os mundos posteriormente se revelam pelas projeções invertidas da matriz, como também demonstram a existência de um núcleo central de onde tudo parte. Esse movimento distendido alcança o seu nadir ao limite último do Círculo-Não-Se-Passa, e ao retornar, trará de volta a matéria nele contida, para vir novamente transformar-se numa unidade Espírito-Matéria, onde a sabedoria da criação estará impressa no Véu da Consciência. Como Espírito e Matéria, quintenssenciados, são a própria Vida e a Vida necessita sair de seu estado original, isso também implica migrar e interiorizar-se nos espaços fenomenais dos mundos edificados pelo Logos, dos quais o mundo físico é parte.

       7. De que maneira a Vida vem auferir da experiência física?
       R. A Vida que se projeta no arco involutivo, vem se manifestar segundo diferentes padrões vibratórios dos átomos constitutivos dos respectivos mundos que o Logos edificou. Em cada mundo a Vida precisará adaptar-se aos respectivos padrões vibratórios, mesmo num estado de inconsciência.
       Nesta projeção, e para auferir dos resultados de suas experiências, serão necessários muitos bilhões de anos terrestres para que valores acumulados venham enriquecer a Vida. Tanto quanto os giros vão se sucedendo, a Vida obterá quantificações que mais tarde, no reino hominal, serão reconhecidas pela discriminação intelectual. Mas esse reconhecimento somente se dará quando da incorporação de certas energias aos átomos constitutivos dos corpos de manifestação do ego terreno. E como os padrões vibratórios da matéria física densa são inferiores aos da matéria de outros mundos, ou seja, mais lentos, isso vem facilitar à Vida mergulhada na matéria física densa, incorporar experiências necessariamente longas num quadro temporal que permanecerão indeléveis na memória de seus átomos físicos.

       8. Como entender melhor esse processo?
       R. A Vida que se multiplica em individualidades durante o processo evolutivo, vem se constituir em egos terrenos. Os egos terrenos são organizados em veículos de manifestações, cujas conscientes ações produzem transformações das condições ambientais da vida planetária. A mônada é o chamado “espírito puro” que mantém permanente e estreita vigilância ao ego terreno, através da alma no seu próprio plano.
       Assim, espírito (ou mônada), alma (ou ego superior) e ego terreno (ou personalidade), precisam atuar com objetivo único. O ego terreno, ao realizar transformações em seu habitat, obtém as experiências na matéria; a alma as absorve e administra segundo o carma do ego terreno, e o espírito determina, em última instância, através da alma, quanto mais precisará o ego terreno trabalhar e evoluir. O ego terreno é, em ultérrima definição, uma chispa da alma individualizada que se encontra limitada pela matéria dos mundos inferiores, de que tratará de conhecer e com ela consubstanciará seus veículos para tornar-se cada vez mais consciente destes mundos. Isso ele somente conseguirá pouco a pouco, através de muitas interpolações na matéria da qual é externamente constituído, considerando-se que o ego atua sob diferentes padrões vibratórios dos seus corpos ou veículos de manifestação.
       As parcelas do conhecimento gradual obtidas na matéria dos mundos inferiores estarão armazenadas no corpo causal, que é o instrumento da alma no plano mental superior de onde ela intercede nas aquisições das experiências do ego terreno no mundo físico denso e nos mundos etérico, astral e mental concreto. Para reconhecimento e orientação, os valores conceituais definirão na alma o que seja a vida circunscrita aos mundos ou planos nos quais o ego terreno possui corpos de manifestação.
       A matéria física densa vem se constituir no “outro lado” da realidade espiritual. Entretanto, a Vida operando nesse estágio de nossas atividades planetárias, necessitará reconhecer a matéria densa sob as ações dos aspectos involutivos e evolutivos das leis da natureza. Assim, a Vida interagindo com as formas tridimensionais, através dos sentidos do ego encarnado, poderá inserir-se ao pensamento criador e nele permanecer conscientemente para, num futuro, quando o Criador assim determinar, vir trabalhar edificando novos universos onde a matéria densa esteja presente.
       Nesse processo, a Vida mergulhada na matéria, além de interagir com a matéria sólida, precisará senti-la em todos os seus aspectos e dela apropriar-se. Para essa finalidade, é necessário estar revestida de veículos apropriados, sendo os reinos os responsáveis em proporcionar esses veículos de manifestação conforme estamos tratando. Assim, a Vida individualizada virá estar adequadamente manifestada no mundo da matéria físico-densa, bem como na matéria dos mundos imediatamente superiores, através do ego terreno. Mas as ações físicas, para tornarem-se válidas, precisarão estar relacionadas a processos naturais incorporados à mente objetiva do ego terreno, que o conduzam a realizar a dinamização da matéria segundo o pensamento do Logos no Grande Plano da Criação, a fim de trazer a matéria transformada de volta a sua origem.
       Dessa maneira, a Vida caracterizada em bilhões de egos, ao se utilizar de veículos para sua manifestação, realizará intenso trabalho para potencializar a Vontade Dinâmica em si mesma e em seus próprios veículos. A Vontade Dinâmica é inerentemente transformadora. Sua ação imanta e atrai energia e força da matéria física e da matéria dos mundos imediatamente superiores. A luta entre a energia interior da Vida e a energia nos interstícios da matéria, virá constituir-se num campo de batalha onde espírito x matéria litigarão, pois a Vida como consciência reveladora incorpora a dinâmica transformadora e evolucionária do espírito, e a Vida como energia consolidante da matéria incorpora, dentre outros atributos, a aparente inércia. Por muitos bilhões de anos terrenos a matéria sufocará o espírito, mas pouco a pouco, conduzido pelas leis da evolução, o espírito virá libertar-se.

       9. Que é o “outro lado” da realidade espiritual?
       R. Na verdade, essa referência é meramente coloquial, porquanto a realidade espiritual é Deus na totalidade espírito-matéria. Porém, ao tratarmos do Grande Plano da Criação, trazido objetivamente às miríades de formas e condições fenomenais, necessariamente subjugadas ao tempo e ao espaço em determinadas dimensões, não poderíamos nos furtar em separar situações para melhor entendimento. Mesmo porque seria impossível analisarmos o Plano do Criador se não partíssemos ora do particular para o geral, ou vice versa, utilizando-nos de metáforas e analogias.
       O Deus Criador, ao processar a Idéia da Criação, o fez segundo suas próprias necessidades dentro de um plano evolutivo de inimaginável magnitude cósmica. Entendemos o Criador por concepções antropomórficas, sem conhecermos, de fato, como e porque Ele existe, e de que maneira pode desdobrar-se em outros deuses criadores sem perder aquilo que chamamos de unidade. Entendemos, não obstante, que o Criador é também um Ser em evolução que necessita plasmar-se em formas de expressão para a consecução de um pensamento evolutivo. Do contrário, acharíamos que se Deus fosse de todas as maneiras o Criador completo em Quem nada faltasse, e nada mais Ele necessitasse, toda a Criação e o dramático desenrolar da Vida em nosso planeta e sistema solar, seriam meras distrações de um enfadado Todo-Poderoso. Neste caso, quão cruel seria a existência e o próprio Criador! Recusamo-nos a aceitar a explicação do Plano Criador nestes termos.
       Ao admitirmos que o Criador seja perfeito, Ele assim será tanto quanto ainda não o compreendamos em níveis cósmicos finitos. E quando Ele modifica a condição de Sua Vida para vir habitar mundos que Ele mesmo criou, estará desdobrando um “outro lado” que a Vida Imanifesta na sua origem desconhecia completamente. Como consequência, ao se autolimitar sob calculadas condições, Ele mesmo deterá experiências daquilo que se utiliza. O “outro lado” seria a sombra de Sua Inteligência que a Vida conhecerá a partir de um plano de matéria física densa, adicionada da matéria dos mundos etérico, astral e mental concreto, também considerados mundos inferiores.

       10. Os mundos se equivalem nas dez cadeias planetárias de nosso sistema Solar?
       R. Os mundos sendo campos vibratórios que se interpenetram contêm tudo o que veio à existência no sistema solar. As dez cadeias planetárias possuem globos de diferentes composições de matéria desses mundos, mas sem dúvida, haverá diferenças nas suas estruturas atômicas.

 Rayom Ra
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3 comentários:

  1. André (xmikas@gmail.com)10 de julho de 2009 09:17

    Prezado, novamente lhe dou os parabéns pelo blog e seus textos de grande riqueza.

    Gostaria de indagar sobre a seguinte passagem:

    "Entendemos, não obstante, que o Criador é também um Ser em evolução que necessita plasmar-se em formas de expressão para a consecução de um pensamento evolutivo."

    Recentemente li o Kaibalion e neste a divintade é posta como INCOGNOSCíVEL e INDEFINÍVEL.

    O TODO é MENTE; o Universo é Mental.

    Este Deus que se refere no teu texto seria o Todo ou um outro Deus Criador, um ser de alta divindade, mas que ainda não seria o próprio Todo?

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  2. Prezado André:

    Grato por suas palavras.

    Consideramos o Criador, o Logos na sua totalidade, por ser ele o formulador objetivo do sistema solar. Mesmo o pouco que venhamos saber do Logos torna-se quase nada em virtude dos grandes mistérios que ainda cercam seu Grande Plano da Criação.

    Cada sistema solar tem o seu Logos Criador. No nosso ele surge em três grandes emanações ou aspectos, sendo o Terceiro Logos chamado de a Mente Universal. Mas estamos falando do universo de nosso sistema solar. O Incognoscível é aquele que os ocultistas a Ele se referem como do Qual Nada Se Pode Dizer, e assim abrangeria dimensões ainda inacessíveis ao nosso pensamento humano.

    Entendemos que o Logos, ou Deus do sistema solar, trabalha os aspectos de Sua Consciência num processo imanente de carma evolutivo, a fim de que espírito e matéria avancem para situações superiores e o sistema solar possa interagir com outros seis sistemas solares que formam um conjunto pré-ordenado que, da mesma maneira do nosso, avançam em suas realizações.

    Assim, os frutos da evolução na Consciência do Logos, tendo avançado na meta estabelecida pelo próprio Logos, estarão mais bem qualificados para continuar o processo evolutivo no espaço-tempo e além.

    Espero ter respondido sua pergunta. Abraços.

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  3. Olá, respondeu sim. Estou fazendo várias reflexões sobre o tema, ampliando meus horizontes. E com isso descobertas e mais indagações vão surgindo.

    Obrigado por compartilhar sua opinião.

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